O Solitário Samurai I
As noticias no castelo chegavam rápido e o boato do fantasma de samurai chegara aos ouvidos de Kaito que justamente naquela manhã, ainda quando todos dormiam, resolveu partir para a floresta ainda coberta pela neblina do amanhecer para confirmar o que escutará, até por que a curiosidade superava.
Ele saiu discretamente do castelo caminhando com calma até adentrar a paisagem de árvores de cerejeira florescendo, era lindo de se admirar, porém estava ali com outra finalidade e não podia perder o foco. Ao chegar em um ponto da floresta parou surpreso escondendo-se em seguida atrás de uma das árvores, o boato em parte era verdadeiro, o samurai existia, mas não era um fantasma, isso por que Kaito assim que o viu notou a vivacidade daqueles olhos de um tom roxo reluzente. O jeito como andava tranqüilamente e o rosto sério, não entendeu por que, mas sentiu uma necessidade de aproximar-se dele, e foi exatamente o que fez.
- Bom dia. – cumprimentou inicialmente saindo de trás da árvore, o samurai assustou-se, mas depois adquiriu de volta a cara séria apontando sua katana para Kaito.
- Quem é o senhor? – perguntou em formalidade. Kaito surpreendeu-se com a seriedade do samurai, mais do que com a sua beleza.
- Lorde Kaito-sama, do castelo vizinho. – respondeu orgulhoso com soberania, o samurai não hesitou, a katana ainda apontada em sua direção.
- Para que veio de gozaru? – perguntou novamente usando um verbo antiquado para aquela era, mas que era comumente usado por samurais. Uma expressão que fez Kaito se arrepiar dita com uma voz melodiosa, pensou em tentar prolongar a conversa com o até então desconhecido andarilho do amanhecer.
- Confirmar algo apenas, por acaso sou proibido em suas terras? – ironizou usando dos mesmos verbos e expressões antiquadas.
- Não são minhas, mas não é bom o Lorde permanecer aqui por muito tempo de gozaru. – alertou-o abaixando a katana, mas sem guardá-la ainda. Kaito estava prestes a perguntar por qual razão, quando notou a neblina baixar e o barulho de passos, muitos como de uma tropa real, se aproximarem, logo compreendeu o samurai e sem fazer muitos movimentos até deixar a floresta, fugiu voltando para o castelo. Na verdade não havia entendido a situação, apenas que deveria sair dali, e pensou no pior caso ficasse.
Ao entrar, já no salão principal, foi recebido formalmente por Len.
- Onde esteve Lorde? Minha irmã ficou preocupada. – disse guiando-o até a sala de refeições. – Todavia ficou esperando o Lorde para almoçarem juntos. – Len comentava a impaciência se sua irmã Rin, que como dito era bem ambiciosa para a idade que tinha, era sempre que desejava mimada pelo Lorde, porém Kaito não prestava atenção, parecia estar em outro lugar.
- Ah! Kaito-sama... – Rin levantou-se da cadeira indo em sua direção. – Estava o esperando. – ela possuía um timbre ainda de mocinha, inocente, mesmo que há muito tempo já tivesse perdido a virgindade. Ela vestia um lindo vestido em tons laranja e amarelo com um bordado luxuoso europeu, bem diferente das vestimentas tradicionais japonesas, o que a fazia destacar-se diante à arquitetura feudal do castelo japonês. Durante o almoço ocorreu o mesmo, Rin tentava conversar com o seu prometido, mas este respondia vagamente como se não quisesse conversar com a garota, e a bela jovem, tão educada, começou a enfurecer-se.
- Está muito estranho Kaito-sama... Ah, não me diga que foi visitar a apresentação de uma gueixa. – virou os olhos para o lado, mas depois lembrou-se que era impossível, afinal, Kaito gostava de jovens moças, e quanto mais jovens melhores, então não podia estar sendo trocada.
- Estava pensando após a sesta se poderia levar-me ao teatro kabuki, irão apresentar uma peça inspirada nas lendas populares de samurais que salvam belas moças. – Comentou Rin, no que da palavra "samurai" acabou por acordar Kaito voltando a sua atenção novamente para a garota. E não só isso, como o Lorde era grande apreciador de lendas e histórias não só de sua cultura como também de outras.
- Claro, adoraria Rin-chan. – e terminou com um sorriso, exclusivo apenas para ela, Rin suspirou discretamente aliviada, continuava sendo o seu Kaito-sama.
Aquela tarde foram ao teatro, um do lado do outro, pareciam mais como pai e filha do que como futuros noivos, isso pela diferença de altura e postura. Kaito andava como soberano, e ela travessa como uma criança, e assim que passavam, escoltados por soldados que iam adiante e atrás, todos reverenciavam-nos e afastavam-se em respeito e temor ao seu poder. A peça encantara Rin, era realmente muito bela, com todo o drama, na volta não parava de comentar como o samurai a lembrava Kaito-sama e como sonharia em um dia ser protegida da mesma forma por ele. Kaito riu discretamente, disse que quando aprendesse kendô a protegeria igualmente.
