Chegou à sala onde supostamente ia ter aulas e bateu à porta, obtendo um "entre" e abriu a porta, pondo-se à frente de toda a turma e ficando que nem uma estaca de pedra.
- O-olá, o me- o meu nome é Tasha Hag-Hagane. Muit-muito prazer. – Diz ela timidamente, gaguejando de vergonha.
- Muito bem, podes sentar-te ao lado da menina Otonashi. – Diz-lhe a professora, apontando para um lugar livre.
Ela dirige-se com a cabeça baixa para o lugar que lhe foi indicado, ao lado de Haruna Otonashi. Era da mesma altura que ela, tinha o cabelo azul-escuro, curto e ondulado. Tinha olhos anis, um pouco acinzentados, tinha uma pele morena, e usava uns óculos encarnados no topo da cabeça. Quando chegou ao lugar indicado, ainda estava muito envergonhada, nunca é fácil ser transferido para outra escola, principalmente quando somos tão inseguros como esta rapariga.
- Como é que uma rapariga como aquela entrou nesta escola? – Perguntou uma rapariga sussurrando.
- Tem um físico que é igual ao de um palito. Tem quinze anos, mas mais parece que tem cinco, onde é que estão as curvas? – Riu-se outra, baixinho.
- Ouçam lá, vocês acham que ela é mesmo uma "ela"? – Intrigou-se outra.
Todas estas raparigas falavam baixo, para a professora não ouvir, mas, no entanto, falaram alto o suficiente para a Tasha as conseguir ouvir. Neste momento, olhava para elas e via como se riam vitoriosas. Sentia-se como um cão.
- Bolas,- disse, seguido de um suspiro; cruzou os braços sobre a mesa e pousou a sua cabeça sobre eles,- humilhada logo no meu primeiro dia. Que novidade, como se já não estivesse habituada…- Disse, terminando a sua frase, a ponto de chorar.
Sentia os seus olhos húmidos, começava a sentir um peso no coração, sentia-se completamente só. Mas, do nada, sentiu que lhe estavam a pousar uma mão no ombro.
- Não lhes faças caso, elas não têm mais nada do que fazer senão gozar com os outros!- diz-lhe uma voz meiga e doce.
- Huh? – Nesse momento, Tasha sentia-se melhor, essa rapariga tinha conseguido pôr-lhe a autoestima em ordem.- Ah, és tu. Muito obrigada, Otonashi! – Disse-lhe sorrindo e limpando as lágrimas.
- De nada. Será que me podes fazer um favor Tasha? – Pregunta ela.
- Claro, o que queres?
- Será que me podias começar a tratar apenas pelo meu nome? O meu nome Completo é Haruna Otonashi, muito prazer! De hoje em diante, serei a tua companheira de quarto! – Diz-lhe ela sorrindo e estendendo-lhe a mão.
- A sério? Muito obrigada, e prazer em conhecer-te! – Respondeu-lhe feliz, apertando-lhe a mão. - Sabes, desde que cheguei aqui, foste a primeira pessoa que falou comigo e que foi simpática para mim.
- Não te preocupes, pode haver pessoas que te vão deitar abaixo, mas tenho a certeza de que vais fazer muitos amigos! Durante a pausa do almoço, eu vou apresentar-te às minhas amigas e aos seus tutores; eles são muito simpáticos, tenho a certeza de que vais gostar deles! – Diz-lhe com simpatia.
- Muito obrigada, Haruna! Mas olha, eu tenho uma dúvida: o que é um tutor? – Pergunta-lhe intrigada.
- Bem, para começar, um tutor é um aluno da ala masculina, ou seja, é um rapaz. Eles têm o dever de guiar as raparigas ao longo dos anos. É obrigação deles proteger-nos de todos os que nos quiserem fazer mal.
- Entendo. Olha, eu tenho outra pergunta para te fazer: são os tutores que escolhem as parceiras?
- Não exatamente; como é que eu te vou explicar isto…- Disse ela, coçando a cabeça com uma mão.- Sabes aquele formulário que preencheste quando chegaste à Love Academy? – Pergunta-lhe, agora sabendo exatamente como falar-lhe.
- Sim, o que é que têm? – Pergunta-lhe cada vez mais curiosa.
- Bem, preencheste-o para que pudessem emparelhar-te com a pessoa que mais se adequa à tua personalidade.
- Agora já entendo. Haruna, quem é o teu tutor? Estou mesmo curiosa por saber!
- Chama-se Yuuki Tachimukai; mas ele prefere ser chamado apenas de Tachimukai. É um rapaz muito simpático, e também um pouco tímido.
- Então todas as raparigas desta escola têm um tutor?
- Sim, mesmo todas!
- Ah, é verdade, menina Hagane – Diz-lhe a professora, chamando-lhe a atenção, - esqueci-me de te dizer. Hoje vai até ao quarto 45, para conheceres o teu tutor.
- «Quarto 45? Será que ela ficou com o Kazemaru? Não é nada mau, mas se ela ficou com o companheiro dele, isso sim foi sorte…» - Pensou ela, sorrindo perante o seu pensamento, esperandoansiosa por saber qual seria o tutor da sua nova amiga.
- Tenho um pressentimento de que te vais dar muito bem com ele. O seu nome é Fubuki Shirou.
- O quê? – Disse Haruna surpreendida, para depois mudar a sua expressão para um sorriso de orelha a orelha. – Tasha, tu não sabes a sorte que tens! – Disse-lhe entusiasmada, ainda que sussurrando.
- Ai sim, e porquê? – Disse feliz, contagiada pela alegria de Haruna.
- Porque o teu tutor é um dos melhores alunos desta escola, tem um comportamento de ouro, é muito bom em desportos que envolvam correr num campo com uma bola nos pés, ou se - Haruna foi cortada por Tasha, que se ria por dez.
- Haruna, tu sim, és a comédia em pessoa. Tanta coisa apenas para dizer que ele é bom a jogar futebol. Ai, que eu quase rebento de tanto rir!
- És muito má! Nem sequer me deixas-te terminar. Sabes que mais? A partir de agora, eu já não te vou falar mais do Shirou, isto é, do Fubuki.
- Ouve, sabes que acabaste de dizer que prefere que lhe chamem Fubuki, não sabes? – Respondeu ela, rindo-se da ação da sua amiga.
- Oh… Errr… Eu não me tinha dado conta. – Respondeu-lhe ela corada, rindo-se devido à ironia da cena.
- Desculpa ter-te interrompido, não era minha intenção, a sério! – Desculpou-se ela, com olhos de cachorrinho. – Perdoas-me, Haruna? Por favor!
- Sim, não faz mal, não te preocupes! – Conforta-a, sorrindo.
- Obrigada! Haruna, fala-me mais dele. Eu quero saber mais sobre o Fubuki! – Disse-lhe entusiasmada, e muito curiosa.
- Falo contigo no intervalo, estamos a perder muita matéria da aula! – Responde-lhe preocupada.
- Hagane! Otonashi! Posso saber sobre o que é que estão a cochichar? – Ralha-lhes a professora, com um olhar fulminante e enraivecido.
- Desculpe, professora! É que eu queria saber um pouco mais sobre o meu tutor, então a Haruna estava a matar-me a curiosidade. Se quer castigar alguém, castigue-me a mim! – Confessou-se ela à sua professora, muito corada.
- Ao que parece, estás muito interessada no teu parceiro. Acho que tenho uma coisa para fazer depois da aula. – Disse a professora, com um leve sorriso no canto dos lábios.
- Acho que acabei de meter a pata na poça… - Desculpou-se ela, sentando-se, enquanto uma gota deslizava pela sua cabeça.
As aulas passaram rapidamente, e quanto mais tempo passava, mais curiosa se punha Tasha. Estava tão ansiosa por conhecer o seu tutor, queria saber como era a sua maneira de ser, qual era o seu aspeto, como soaria a sua voz… Mas mesmo estando excitada, começava a pensar se ele se iria dar bem com ela, qual seria a sua reação ao vê-la, se seria gentil e leve com ela; ou se, pelo contrário, seria brusco e duro; ela tinha um medo terrível a que as pessoas fossem pesadas com ela, já tinha peso que chegue no coração, não precisava de outra pessoa a aumentar a ferida.
De repente, soou a campainha para o intervalo do almoço, quando Tasha reparou que a professora estava a sair da sala.
- Olha, Haruna… - Diz-lhe, não desviando o olhar da porta.
- Sim, o que foi?
- Os professores almoçam na cantina connosco, não é? – Pergunta-lhe ela, agora olhando Haruna nos olhos.
- Sim, almoçam connosco lá, é ao fundo do corredor, anda, eu vou contigo! – Diz-lhe sorrindo, levantando-a e encaminhando-a pela mão, até à porta.
- Então, por que é que a professora vai pela esquerda? – Disse-lhe ela, intrigada.
- Bem, a única coisa que há pelo caminho da esquerda, são as casas de banho dos alunos e… - Haruna fez questão de ponderar um pouco sobre aquilo que ia dizer a seguir.
- E o quê? Vá lá, sabes que as palavras não mordem! – Responde-lhe ironicamente, apenas fazendo com que Haruna não mudasse de estado, até que respirou fundo, e resolveu contar a sua desconfiança.
- As casas de banho dos alunos, e a sala de aulas dos rapazes.- Disse um pouco corada, à medida que vários pensamentos embaraçosos lhe vinham à cabeça.
Entretanto, na sala dos rapazes…
- Senhor Otomura, – Disse a senhora Mitsuki, a professora das alunas da ala feminina, ao professor da ala masculina, - sei que ainda tinha uns minutos de aula para dar, mas será que podia dispensar dois dos seus alunos?
- Menina Mitsuki, penso que não haverá problema, dependendo dos motivos que tem para serem dispensados.
Então, a menina Mitsuki, explicou ao senhor Otomura as razões para querer que dois dos seus alunos fossem dispensados mais cedo, e este, ao ouvir as suas razões, concordou plenamente, e apoiava a sua decisão.
- Então, está de acordo com o meu pedido? – Pergunta-lhe a professora esperançosa.
- Sim, acho que teve uma ótima ideia, menina Mitsuki. Eu vou já chamá-los.
- Muito obrigada, senhor Otomura. Espero por você na cantina.
-É claro. Se me dá licença, tenho trabalho para fazer. – Despediu-se, e voltou a dirigir a sua atenção à sua turma, que neste momento, estava feita num circo, todos a cochicharem uns com os outros, de um lado para o outro.
- Todos calados! – Gritou o professor, gritou tão alto que se ouviu o seu grito na sala das raparigas, que ao ouvi-lo, estavam entretidas a pensar o inferno que os rapazes estariam a passar. – Hoje, tínhamos planeado prolongar a aula durante mais quarenta e cinco minutos. Ainda assim, hoje, dois de vocês irão ser dispensados. Fubuki, Tachimukai, são vocês.
- Professor, o senhor desculpe. Por que é nós vamos ser dispensados? – Pergunta-se Tachimukai.
- A professora Mitsuki, da ala feminina, tem uma tarefa para vocês. Vão lá, senão apanham um sermão a dobrar. – Dito isto, Fubuki e Tachimukai sentiram um arrepio na espinha, sabiam que o seu professor era duro, mas também sabiam que a professora das raparigas não estava para brincadeiras.
- Estamos a ir. – Responde Fubuki, pondo um sorriso nervoso, que qualquer um podia notar a quilómetros de distância.
Quando chegaram à porta da ala feminina, respiraram bem fundo, e nesse momento, Fubuki ganhou coragem e resolveu bater à porta.
