NA HORA DA MINHA MORTE

SUPERNATURAL ALTERNATIVE UNIVERSE

CAPÍTULO 2: A ÚLTIMA NOITE


LOCAL: SAN FRANCISCO GENERAL HOSPITAL, ALA GERIÁTRICA

TARDE DA NOITE

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- Como conseguiu entrar?

- Você foi transferido de quarto, não percebeu? Este não tem os símbolos pintados na porta e na janela.

- O que veio fazer aqui?

- Uma visita, o que mais?

- Você não é bem-vindo aqui. Nunca será. SUMA.

- Quanta grosseria. É uma visita de cortesia. O seu momento está próximo. Sabe disso. Eu vim aqui para dizer que terei muito prazer em recebê-lo em minha casa. Você terá tratamento VIP. O mesmo tratamento que venho proporcionando ao seu irmão esses anos todos. Aliás, eu ia esquecendo: Sam mandou lembranças. Está ansioso para revê-lo.

- MENTIROSO. Meu irmão não está com você. Nunca esteve.

- Em pouco tempo poderá conferir com seus próprios olhos. Eu faço questão de estar presente no reencontro. Mas, não espere abraços. Ele culpa você pela morte dele, sabia?

- Diga logo o que quer e SUMA.

- Esse é o seu momento da verdade, Dean Winchester. É a sua última chance. Você não estará vivo para saudar mais um amanhecer. Isso não é uma ameaça. É um FATO. Mas, não precisa ser assim. Esses últimos anos não precisavam ser como foram. Dores e limitações de toda a espécie. O seu Deus podia ter lhe reservado um outro final. Qualquer outro seria melhor que este. Nem que fosse pelos bons serviços prestados. Afinal, você acreditou ter lutado por Ele. E, em seu íntimo, acreditou que seria recompensado no final. Não minta para você mesmo. ACREDITOU. Mas, Ele não se importa com você nem com ninguém. É cada um por si. Você, mais do que todos, deveria saber que é assim. Uma vida inteira de lutas e você foi deixado de lado. Esquecido. Irrelevante. E Ele não foi o único a lhe virar as costas. Seu amigo de penas podia tê-lo curado se quisesse. Podia ter amenizado suas dores. Proporcionado a você uma velhice saudável. Não custaria nada para ele. Mas, ele nunca mais apareceu, não é verdade? Nem mesmo em sonhos. Ignorou seus chamados, suas súplicas, suas rezas. E aqui está você. Doente. Sozinho. O único que ainda se lembra e que se importa com você SOU EU. Eu quis ajudar você. Muitas e muitas vezes. Você é que nunca permitiu.

Demônios mentem. Não seria diferente com Crowley. Mas, às vezes, demônios fazem algo ainda mais cruel: dizem a verdade.

- Você nunca quis ME AJUDAR. Sempre quis barganhar a minha alma.

- E, agora, eu estou prestes a obter de graça a alma que você nunca aceitou negociar. Teria sido um bom negócio para você. Eu propus condições que nunca tinha oferecido antes a ninguém. Você e Sam rejuvenescidos. A garantia que meus demônios os deixariam em paz. Toda uma vida para viverem da forma como desejassem. Morte natural. Até mesmo nunca precisar tomar comprimidos azuis. Eram ou não eram condições excepcionais.

- A minha resposta hoje, no dia da minha morte, é a mesma que você escutou há cinquenta anos. É a mesma que ouviria daqui há cem anos se eu permanecesse vivo até lá. Você não terá a minha alma NEM HOJE, NEM NUNCA. Ou, ao menos, não serei eu quem a entregará de bandeja para você. Agora, DESAPAREÇA. VOLTE PARA O INFERNO e me deixe MORRER EM PAZ.

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29.06.2014