Dois meses haviam se passado desde que Harry sonhara com sua irmã pela última vez. E sempre que tentava pensar nela ou até imagina-la, nada lhe vinha à cabeça. Era como se alguma coisa a estivesse bloqueando, e a única coisa que Harry conseguia imaginar era que se ela ainda não estava, talvez agora estivesse morta.

Uma semana atrás, Harry e seus amigos Hermione Granger, Ron Weasley, Gina Weasley, Luna Lovegood e Neville Longbotton, haviam ido até o ministério para 'resgatar' seu padrinho, Sirius Black, que fora 'sequestrado'. Ao chegarem lá, perceberam que era uma visão que Voldemort criara na mente de Harry, exatamente para fazê-lo ir até lá, para retirar a profecia de seu lugar protegido. Houve uma pequena guerra naquela noite, guerra na qual seu padrinho Sirius quase fora assassinado pela própria prima Belatrix Lestrange. Alastor Moody o auror, prevendo o que iria acontecer, lançou um feitiço estuporante em Sirius, o fazendo voar para longe dali. Foi arriscado, já que ele poderia bater em uma parede ou alguma pedra, mas foi necessário. Duas horas depois todos da Ordem da Fênix – Uma sociedade secreta – estavam vivos, com alguns cortes e arranhões, mas vivos. E o melhor, Sirius estava finalmente livre. Fato que não demorou a sair em grande destaque no Profeta Diário.

Naquela noite, três dias depois das férias de julho começarem, todos estavam na Toca, o que Harry achou um milagre, já que Dumbledore não deixava Sirius sair da Mui Nobre Casa dos Black nem para respirar, mas ele disse que resolveu dar uma brecha, já que agora Sirius estava livre. Estava tudo correndo muito bem. Risadas ecoavam em toda a casa devido a alguma brincadeira proporcionada pelos gêmeos Fred e George; a senhora Weasley preparava um jantar delicioso para comemorar as notas razoáveis/boas de Harry, Ron e Hermione nos NOM's enquanto ralhava e resmungava pelo fato de os gêmeos terem fugido da escola para abrir aquela loja de logros no Beco Diagonal; Na sala, todos estavam entretidos com uma conversa onde Remus e Sirius contavam detalhadamente algumas das marotices que eles junto de seus amigos marotos – James e Petter que ficava mais com medo do que ajudava - aprontavam na escola em seu tempo, e até a risada da senhora Weasley podia ser escutada da cozinha de vez em quando.

Tudo estava correndo bem, até que todos ouviram, vindo do jardim da frente, o conhecido 'clap' de aparatação.

...

Bem longe dali, em uma mansão velha e suja no meio de uma das florestas da Albânia, Lord Voldemort torturava mais uma vez a menina Potter. Normalmente ele somente assistia aos seus comensais fazendo isso, lançando de vez em quando uma azaração ou outra. Mas já fazia uma semana que ele estava descontrolado. Anne não entendia o por que de estar sendo torturada. Nunca entendeu. Mas a menina não era burra e sabia que se perguntasse ou contestasse seria pior para ela própria então ficava quieta e segurava os soluços deixando apenas algumas das muitas lágrimas que tinha para liberar, caírem.

Naquela noite estava sendo diferente, pior. Os cortes estavam mais fundos eos feitiços lançados com mais força.

–Sabe porque você passa por isso Anne? – perguntou o 'Lord' andando até a menina que estava jogada no chão, coberta por uma poça de sangue. Ela ficou quieta, não sabia, mas preferiu não responder. – ME RESPONDA! CRUCIO!– a menina gritou, a dor era muito grande, e xingou mentalmente, por um momento o bruxo que criou a Maldição Curciatus.

–Não – respondeu em meio a um gemido quando a dor diminuiu – Eu não sei. – Ele riu debochadamente.

–É por causa do seu querido irmãozinho. – ela o olhou. Irmão? Que irmão? – Ele me irritou muito nesta última semana, e eu tinha que descontar essa raiva em alguém. E por que não você? – Ela arfou. Não estava prestando atenção no que ele estava falando. Caramba! Ela tinha um irmão. – Sabe, eu entrei na cabeça dele por esses dias, e pude ver o quanto ele ama e se preocupa com a irmãzinha que nunca nem conheceu. Mas hoje, como estou de bom humor, eu decidi que vou justar vocês dois.

– V-você vai? – perguntou tremendo pela perda de sangue. Sentia seus cabelos ensopados com o líquido que saía pelos seus cortes.

–Ah vou sim. Vai ser interessante matar os dois juntos daqui a um tempo. – ele riu de novo. Para Anne - e ela tinha certeza que era assim pra outras pessoas também – era repugnante e cruel, mas se ia estar com seu 'recém descoberto' irmão, ela aceitava qualquer coisa. – AVERY! – gritou chamando um de seus mais fiéis comensais.

–Sim, milorde? – perguntou se abaixando em uma reverência.

–Aparate com a senhorita Potter para a agradável casa dos Weasley. – disse irônico fazendo Avery soltar uma risadinha.

–Sim milorde. – fez uma segunda reverência e foi em direção a menina.

Aparatar. Ela já havia lido sobre isso. Precisava de toda a sua força, pois era como entrar em um furacão e a maioria das pessoas sentia enjoos, e ela quase não tinha força nem para respirar, quanto mais para aparatar. Estava com pouco sangue, e se perdesse um pouco mais, ela morreria. Então estava torcendo para que chegassem até esses 'Weasley' o mais rápido possível.

Avery caminhou até a menina com passadas largas e rápidas. Segurou-a pelo braço fazendo-a ficar quase como pendurada, já que estava sem forças para ficar em pé. Aparataram.

...

Quando Anne deu por si, estava no jardim de uma linda casa que parecia, na verdade, ser várias casas uma em cima da outra. Várias pessoas saíram pela porta da frente e ficaram em um tipo de formação.

–Entrega de um pacote. – riu Avery – Presente do Lorde das Trevas. – riu mais uma vez levantando o braço da garota.

–Quem é essa Avery? – perguntou Sr. Weasley dando um passo a frente. – Por que ela esta assim?

–Ela está assim por que o Lorde das Trevas quis que estivesse. E quanto a quem é... bom, fiquei sabendo que você tem uma irmã Harry. – ele disse tudo isso com um tom sério misturado com brincadeira, se é que é possível. Harry arregalou os olhos. Ela estava viva, estava bem na frente dele.

Anne estava perdendo a consciência, seu sangue ainda escorrendo pelos braços e encharcando ainda mais suas roupas. Ver o sangue escorrendo pelos braços da menina estava deixando não somente Harry, mas todos desesperados.

Avery percebendo que ela podia morrer a qualquer momento e o Lorde a queria viva, jogou a menina no chão e desaparatou.

Todos correram até ela. Com o impacto no chão, mais pressão foi feita em seus cortes, fazendo mais sangue ser perdido. Ela desmaiou.

Harry arregalou os olhos mais uma vez. Ela não podia morrer, ele nunca a tinha visto e agora que tem a oportunidade de cuidar dela como devia ter feito à vida toda ela morre? Não! Isso não podia acontecer.

Eles a levaram para dentro e a colocaram em cima da cama de Harry, já que ele provavelmente não dormiria a noite mesmo. Remo, Sra. Weasley e Tonks ficaram com ela no quarto por várias horas, o que estava deixando a todos muito angustiados.

–Se acalma Harry, ela vai ficar bem. – disse sua amiga Hermione se sentando ao seu lado e apoiando a mão em seu ombro.

Foi ela dizer isso para os três saírem de dentro do quarto, ambos com expressões preocupadas mas ainda sim aliviados.

POV Harry

– Como ela está? – perguntei aos três com receio de alguma coisa pudesse ter dado errado. - Posso vê-la?

– Agora ela está só dormindo querido. – respondeu a senhora Weasley sorrindo. – Podem ir vê-la, mas tentem não acordá-la. Pelas cicatrizes, ela deve ter passado por muita coisa, merece descansar.

– Tudo bem. – sorri. – Obrigado por tudo Sra. Weasley. – ela colocou uma mão em meu ombro esquerdo e sorriu antes de todos entrarmos para ver como Anne estava.

POV Harry Off

Todos entraram no pequeno quarto e pararam em frente a pequena cama onde se Anne se encontrava deitada. Harry se sentou na cadeira ao lado da cama e passou a mão na testa da irmã, lugar que parecia ser o único que não tinha um machucado. Se perguntava tudo o que ela já havia passado por.

Continuou com os carinhos na testa até que o cabelo da menina caiu para o lado, revelando uma cicatriz, igual a sua, o deixando surpreso.

–Nossa! – exclamou Rony – Ela também tem uma. Isso quer dizer que Voldemort também consegue...

–Sim, ele deve conseguir entrar na mente dela. – completou Remo – Mas ele sempre a teve em suas mãos, não acho que precisaria disso.

Harry não disse nada, se a cicatriz dela, tinha o mesmo poder da dele, então talvez essa não fosse a última vez que ela passaria por situações difíceis, e isso o preocupava ainda mais.

..

Meia hora depois, quando já eram quase duas horas da manhã e só estavam Harry, Hermione, Rony, Fred, George e Gina sentados perto da menina, ela começou a ficar inquieta. Tremia da cabeça aos pés, e estava com uma cara que demonstrava nitidamente que ela estava sentindo dor, o que foi confirmado quando grossas lágrimas começaram a descer por seus olhos, mesmo fechados.

–Vou chamar Remo para dar a segunda dose da poção. – disse Gina se levantando e saindo porta a fora.

Harry passou a mão na cabeça da irmã, sentindo sua temperatura, que estava altíssima. Remo voltou e todos os da Ordem que estavam na casa (Sirius, Sr. e Sra. Weasley e Tonks) vieram atrás. Ele despejou o conteúdo de um pequeno frasco na boca de Anne o que fez, quase que imediatamente a menina aquietar, apenas ficando com a febre um pouco alta.

–Venham meninos, vamos comer alguma coisa, vocês não jantaram direito hoje. – chamou Sra. Weasley. Harry hesitou, olhou para Anne, não queria deixa-la sozinha – Ela vai ficar bem querido. Vamos?! – Harry estava faminto, então decidiu seguir a todos até a cozinha.