Em primeiro lugar, agradeço a quem deixou reviews. Em seguida, peço desculpas pela demora em atualizar a fic. Vamos ao capítulo


Capítulo 2 – Misteriosa Dama Loira.

Sentada a beira da própria cama, ela afagava o pêlo do cão, o qual ao seu lado se deitava. Largou um suspiro frustrado enquanto observava seu armário vazio, exceto pelas fardas militares e alguns vestidos mais formais.

-Ele vai tocar a campainha e direi que não vou. –comentou ao canino, que não deixou de repreendê-la com alguns latidos. –Hayate, você sabe há quanto tempo eu não saio com um homem? Anos.

De fato, se ela fosse falar de sua vida amorosa, aquilo seria a mais límpida verdade. Saíra com homens nos últimos anos, mas geralmente eram assuntos profissionais ou dentro de um grupo grande de pessoas.

Quando em grupo, já tivera seus casos de um dia, ou uma noite. Afinal, ela também não era estúpida de abster-se durante anos. Mas, o caso era que não saía com a intenção de arranjar alguém. Portanto, não se produzia para a ocasião.

Riza observava como seu guarda-roupa era escasso. Não era dada a vaidades como possuir uma tonelada de roupas entulhadas. Tinha o necessário para sua vida atarefada.

Quando dizia que não possuía o que vestir, não era como as outras milhares de mulheres. Ela realmente não possuía uma roupa adequada à situação e sabia daquilo. Logo Havoc estaria tocando à sua porta e Riza estaria ainda em seu roupão, com os cabelos penteados e uma quase inexistente maquiagem.

-Você não vai me deixar faltar, vai? –o canino latiu em resposta, o que Riza considerou como uma confirmação. Observou o relógio e percebeu que ainda tinha quinze minutos até o horário marcado. –Se eu tivesse mais tempo... Ligaria para a Rebeca me ajudar. Ela ia ficar feliz em saber que tentei sair com alguém.

Riza abriu uma das gavetas e retirou dali uma peça de roupa envolta por um fino embrulho de papel. Ainda que não acreditasse em firmar um relacionamento sério com seu companheiro de trabalho, queria agradá-lo.

Também desejava se esforçar naquele encontro para fazer tudo dar certo. Mesmo que não com o loiro, queria reconstruir uma vida social para si, com estabilidade. E ele havia sido aquele primeiro passo, caso fracassasse em dá-lo, poderia desistir de fazê-lo e voltaria à sua infinita espera.

A peça era um vestido azul marinho. Não possuía muitos detalhes, um decote leve, nada vulgar, e as costas eram inteiras, pois como todas as suas outras roupas, deveriam esconder a gigantesca tatuagem da região.

Com facilidade, encontrou uma sandália de salto e a retirou da caixa. Calçou-se após largar o roupão em cima da cama e vestir-se.

Ainda faltavam alguns detalhes quando ouviu alguém chamar à porta com um ruído seco. Sem pressa, Riza caminhou até lá para abri-la. Ao fazê-lo deparou-se com um desconcertado Jean parado. Possuía um leve rubor na região abaixo dos olhos, o que provocou um sorriso na loira. Chegava a ser cômico que ele estivesse envergonhado com algo tão simples.

-Entre. Só tenho de pegar uma coisa. –Riza lhe deu espaço para que entrasse. Observou que o loiro andava vagarosamente pela sala, em um estranho ir e vir que a fazia rir internamente. –Você sempre fica assim, nervoso?

N-n-não. –Jean gaguejou um pouco ao perceber que Riza tinha em mãos dos revólveres pequenos e os mirava como se parecesse ponderar qual usaria. –Vai armada? Você tem permissão fora do trabalho?

A loira não conseguiu evitar rir, fizera-o de maneira silenciosa e discreta, como era seu costume. Havoc tinha medo que ela atirasse nele, todavia não era por este motivo que carregava a arma. Não cogitava a possibilidade de o companheiro querer avançar os limites da decência, mas Riza nunca saía vulnerável. Decidiu-se, travando a arma e guardando-a dentro da bolsa.

-Nós, militares, estamos sempre correndo perigo. Deveria pedir uma autorização de porte também. –e ao contrário do natural esperado pelo loiro, ao dizer aquelas palavras, Riza não possuía o costumeiro tom rigidamente autoritário. A mulher que via era bastante diferente da que trabalha acima dele e lhe ditava ordens. Parecia-se mais como uma jovem normal, com uma simpatia agradável. Todavia não deveria esquecer que ela ainda era Riza Hawkeye e estava armada.

-Não tinha pensado deste modo, é que acabou ficando muito seguro andar pela cidade depois do...

-Vamos? –Riza o interrompeu com um sorriso estampado na face. Se havia um assunto que ela não sentia vontade de falar era aquele. O assassinato do Füher e tudo aquilo que o fato trazia à tona lhe eram desconfortáveis.

-Claro. E, Riza, desculpe por tocar no assunto. –Ela nada disse, não havia necessidade. Ninguém precisava saber que não gostava de recordar o que acontecera.

Ainda que a distância entre a porta e o carro do loiro. Em um gesto desajeitado, Jean a oferecera o braço. A realidade, é que nenhum dos dois sentia-se confortável a agir como ditavam as básicas regras de um encontro. A loira demorou a perceber o cavalheirismo, só se dando conta quando o loiro desistira.

Dois adultos. Agindo como se o primeiro encontro da vida deles fosse. E por quais motivos era difícil compreender. De um lado, o temor de estragar mais um relacionamento, e piorava quando a mulher não era uma estranha pela qual ele se apaixonara. Riza era sua superiora e fazer algo errado poderia deixá-lo desconfortável pelo resto da vida.

Por outro lado, a loira sentia-se tola em sair com um homem que facilmente se iludia em relação às mulheres, quando ela própria tinha em mente outro. Seria difícil que ela acabasse nutrindo algum tipo de paixão por ele, ao contrário dele, um ser passional. Sentia-se baixa em fazer aquilo, mas já estava feito e teria de enganar-se por algum tempo.

Estes motivos culminaram em um silêncio constrangedor dentro do automóvel, todavia quando Riza percebeu uma demora incomum na viagem, resolveu-se por pronunciar-se.

-Aonde vamos? –Riza perguntou enquanto o observava, notou um sorriso maroto lhe tanger a face.

-Surpresa. Confie em mim, não será nada que a faça sentir vontade de sacar a arma. –então ele estava outra vez fazendo suas brincadeiras. Era uma demonstração de que estava menos preocupado com toda a situação. –Não demora cinco minutos.

Desperta em curiosidade, Riza não pode fazer nada se não calar-se e aguardar. Confiava na boa escolha do amigo. Riza teria balançado a cabeça tentando esquecer como havia se referido a ele, como amigo, todavia limitou-se a sorrir. Não queria parecer débil diante de um simples encontro.

-Sempre temi surpresas. –Havoc sorriu, era difícil de imaginá-la com medo de algo, mas naquele momento, Riza temia o inesperado.

-Certo, é um restaurante. –e em tom de brincadeira pronunciou. A loira preferiu não comentar que havia muitos outros restaurantes nas proximidades de sua casa. Contudo deveria haver algo de especial no escolhido por seu companheiro.

E de fato, havia. Quando Jean parou o carro, a visão que tiveram foi a de um prédio bastante imponente. Não que fosse demasiado alto, mas era o modelo de arquitetura que lhe conferia tal característica.

A princípio, observava-se um teatro no primeiro andar, o qual equivalia a três andares de um prédio atual. Todavia, ainda veriam na cobertura da construção a presença de um restaurante clássico.

-Não era só o restaurante, mas o teatro tinha de ser surpresa. –Jean pronunciou com algum receio de sua resposta. Não obstante, Riza sorriu constatando que não era só ela em uma tentativa sobrecomum de esforçar-se com aquela relação.

-Não vejo problemas nisto, parece agradável.

Logo, Jean anunciou que a peça não tardaria a começar e aquilo foi de algum modo tranqüilizante. Nos breves minutos que antecediam a apresentação, o silêncio imperou. De fato, o convívio dos dois se limitava a conversas sobre o trabalho e não era um assunto que tratariam fora dos muros do quartel.

Não conheciam muito sobre o outro ou sobre seus interesses comuns, assim, não sobrava muito para conversar. E quando as luzes se apagaram, reprimiram sua frustração por parecer tão difícil agir naturalmente. Aliviados pelo anúncio de que calar-se era necessário, confortaram-se em seus assentos e atentaram à apresentação.

Todavia, vez ou outra, quando a cena pedia, soltavam comentários sussurrados ao pé do ouvido. Não que fosse uma atitude cúmplice, mas o tom de suas vozes deveria ser baixo para não incomodar os outros. E não foram muitas palavras que se deram ali, bem como não existiram gestos entre eles que denunciassem segundas intenções.

De qualquer forma, foi uma apresentação agradável, o que rendeu um assunto comum a ambos durante o jantar. E graças à peça, o encontro deixara de ser desastroso, pois falavam animadamente sobre o há pouco assistido ao mesmo tempo em que se deliciavam com a comida do local.

Contudo, o caminho de volta não retomou o silêncio, foi outro motivo o criador de uma atmosfera pesada entre ambos. Logo que Havoc parou o carro, a confusão se instalou dentro de cada um. Sem saber como prosseguir, permaneceram calados por alguns segundos.

O loiro saiu do carro e deu a volta no automóvel. Riza já estava de pé, esperando-o, e pela primeira vez, Jean lhe estendeu a mão em um gesto acanhado. Mas com toda a simplicidade do ato, conseguiu transmitir que apesar de todas as falhas de comunicação, ainda estava disposto a terminar a noite de uma forma amável. Aceitou sentindo os dedos serem entrelaçados pelos do companheiro.

-Não foi o que eu chamaria de encontro perfeito, mas está longe de ser uma perda de tempo. –declarou ele enquanto tomavam o caminho da porta dela. E parada à porta, Riza pode declarar.

-Foi um pouco constrangedor no início.

-Mas acho que acabamos lidando bem com isto. –Riza, parada à porta, colocou a chave na fechadura, abrindo-a, mas estava impedida de entrar enquanto sua mão não estivesse livre. Afrouxou os dedos indicando que deveria ser solta, o que não aconteceu. –Você deveria repensar seu conceito sobre surpresas.

O que se sucedeu não se encaixa no surpreendente, pelo contrário, era bastante plausível de acontecer. Tendo dito, o loiro deu um passo se aproximando e com sua mão livre, tocou-lhe as costas pouco abaixo da cintura, porém em altura conveniente, deveria proceder com cautela, pois ainda era Riza à sua frente.

Seu ato findou a distância entre os corpos. E sem sentir algum gesto de repúdio, resolveu-se por encerrar a distância entre seus lábios em um inocente beijo. Riza não se sentiu baixa por retribuir quando amava a outro, para falar a verdade, tampouco pensou no moreno.

Não se pegou pensando durante aquele beijo que poderia encontrar os olhos negros em vez dos azuis, ou durante o silêncio, se com o moreno teriam conversado mais. Não cogitou se seria diferente o modo como se sentiu ao beijar o loiro.

Se com Roy poderia ter sido menos vazio. Não havia cogitado aquela possibilidade. Pois, apesar de haver um vazio de sentimento naquele gesto, havia dos dois uma incrível necessidade de doar-se inteiramente naquele procedimento, que quando se separaram, ela sentiu-se ligeiramente desnorteada.

-Acho que posso começar a gostar de surpresas. –ela comentou sentindo a face vermelha. Acreditava-se realmente surpreendida e se não fosse o caso de não haver luz no local, teria percebido que havia também um rubor atormentando a face do homem.

Havoc procedeu com um último e menos acanhado beijo, agora menos temeroso da reação de Riza. Logo, tomou seu rumo murmurando um "boa-noite, até amanhã" entre sorrisos, enquanto a observava sumir pela porta.

Do outro lado, Riza não se sentiu culpada pelo que acabara de fazer. Não havia pensado no moreno até o momento em que trancara a porta. Percebia que se demorara tanto para que ele lhe assombrasse o pensamento, talvez devesse continuar com aquilo, afinal, já era um grande avanço em seus planos de esquecer o superior.

Por que não? Perguntou-se ao ser recebida pelo canino com a cauda a balançar. Sua vida necessitava seguir em frente e a melhor escolha parecia ser o companheiro. Entregar-se-ia por completo àquela relação. E se ela se encontrasse apaixonada pelo loiro e o relacionamento acabasse?

Ignorou aquele pensamento, afinal, sentimento algum por pessoa que fosse. Nada a iria ferir mais do que o amor não correspondido por Roy.


-Eu vi, Havoc. –Breda comentou sentando-se ao lado do loiro. Suas palavras fizeram com que ele sentisse um arrepio percorrer a espinha e até mesmo o curtíssimo cabelo de sua nuca tornara-se levemente eriçado. Jean levantou os olhos do papel tentando fingir desconhecer sobre o que falava o companheiro.

-O que?

-Você é bem rápido com as mulheres. Eu vi vocês dois próximos ao teatro ontem. –o ruivo continuou sua inquisição, deixando o loiro ainda mais nervoso. Riza ficaria irritadíssima se pensasse que ele havia contado algo. Sabia o quanto ela era discreta e não gostaria de ouvir nenhum tipo de comentário sobre aquilo.

-Não sei do que está falando, Breda. –tentou desconversar antes que mais alguém entrasse na sala e tentasse se juntar ao amigo naquelas perguntas.

-Ela parecia muito bonita, mas eu não quis me aproximar muito para não incomodá-los. –aquilo atingiu Jean tranqüilizando-o profundamente, afinal, o colega não havia reconhecido quem era a mulher com ele e seria menos desastroso que aquilo chegasse aos ouvidos de Riza.

-Certo, eu levei uma mulher ao teatro ontem. –sabia que Breda não desistiria antes de obter uma mínima resposta comprovando sua teoria de que Havoc havia saído com alguém, e principalmente, descobrir quem era.

A porta se abriu lentamente. Naquele momento, Jean desejou que fosse qualquer pessoa, menos as únicas duas que não poderiam escutá-lo de modo algum. Uma destas pessoas era Riza e a outra, Roy.

Seus esforços foram nulos, porque dentre as seis pessoas que ocupavam a sala, as duas que não poderia entrar o fizeram, e juntos. Com aquilo, o loiro deixou a cabeça pender, apoiando-a na mão em sinal claro de frustração.

-Aconteceu algo, Havoc? –Roy perguntou observando o estado crítico do subordinado. Sua voz atraiu a atenção de Riza ao homem que parecia completamente desesperado.

-Estava perguntando ao Havoc sobre a nova namorada dele. –o loiro levantou os olhos até Riza que mantinha uma expressão séria estampada na face e o mirava com repreensão.

-Podemos mudar de assunto? Não é nada para vocês ficarem fazendo alarde. –Jean completou tentando desviar-se daquilo, ou seria mandado diretamente ao hospital com alguns tiros pelo corpo.

Roy esboçou um breve riso, todavia silencioso, enquanto mirava os dois subordinados discutindo.

-Ela deve ser horrível. Havoc sempre fica se gabando das namoradas, porque com esta seria diferente? –o moreno comentou enquanto se encaminhava à sua cadeira. Não percebeu que atrás dele, Riza havia estampado uma expressão completamente diferente do seu habitual controlado. Carregava em sua face uma raiva pelo comentário que era inimaginável.

-Aí que se engana, Coronel! –Breda completou, o que despertou a curiosidade do superior. Roy havia parado antes de terminar seu caminho. Voltou-se aos subordinados com algum tipo de curiosidade e um sorriso sarcástico no rosto.

-Será que vale a pena conhecer esta jovem? –o moreno perguntou observando o subordinado ficar cada vez mais inquieto.

-O senhor bem que poderia deixar de roubar as namoradas dele, Coronel.

-Como ela é? –Roy ignorou o comentário de Riza.

-Ela é bem alta para uma mulher, deve ter a altura da Tenente Hawkeye. –o ruivo aproximou-se da mulher colocando a mão aberta na testa dela em uma tentativa de marcar a altura da mulher e subiu dois centímetros –ou um pouco maior. Também era bastante loira, assim como a Hawkeye.

-Tenente, pare de me usar como exemplo. –ela murmurou. Parecia que não o estrago não estava completamente feito e que Breda não havia reconhecido a mulher, deste modo não deveria facilitar que ele o fizesse ao compará-las.

-Desculpe.

-Prossiga. –Roy mantinha um sorriso maroto na face, estava se deliciando com aquela descrição.

-Claro. E o corpo...

-Breda, você não tem trabalho para fazer? -Havoc perguntou sem olhá-lo. Sabia que a descrição iria deixar a loira bastante irritada e ele não ousava observar como estava reagindo àquilo.

-Isto parece muito mais interessante, Havoc. –Era novamente Roy, que sorria malicioso pelo que ouviria em seguida e pelo pensamento em roubar mais uma das namoradas do subordinado. Adorava ver como ele ficava decepcionado com aquilo. –Prossiga, Breda.

-Certo, voltando. Ela é bem magra, mas o corpo é lindo, se é que me entende. –e com aquela declaração, o ruivo gesticulou com as mãos o formato da silhueta de uma mulher, exagerando absurdamente nas medidas.

-Coronel, acredito que o senhor tenha muito trabalho a fazer hoje. –Riza comentou em tom que não admitia réplicas, fazendo esvaecer o sorriso ligeiramente pervertido que habitava os lábios do moreno. Roy encaminhou-se à sua mesa e sentou-se à sua cadeira e com decepção observou a pilha de papéis ali depositada.

-Acho que vou me aplicar em descobrir que é esta jovem. –comentou ainda sentado, novamente com o sorriso maroto na face. Havoc, por sua vez, levantou os olhos ao superior.

-Uma pena, senhor. Esta mulher não é do tipo que trairia ninguém.

-Ora, Havoc, mulher alguma resiste a mim. É tão comprovado quanto água e óleo não se misturarem.

-Acho que a Tenente discorda disto. –Breda rebateu ao perceber o som que ela pronunciara com incredibilidade.

-Então, Hawkeye, você comprova minha teoria?


Ora, tenho de pedir desculpas pela demora em postar o capítulo, mas estava realmente difícil arranjar tempo de terminá-lo. Prometo que o próximo não vai demorar tanto quanto este.

Preview do próximo capítulo: Conflito interno.

Aquela pergunta a pegara de surpresa, seu coração palpitava fortemente enquanto Riza tentava responder ao superior sem deixar transparecer seu nervosismo. Diria a verdade? Ou seria forte e seguiria em frente com seu plano de findar seus sentimentos por Roy?

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