– Que horas a Rachel chega, Kurt? – perguntou Burt.

– Não sei, a qualquer momento, eu acho.

Kurt, Finn e Burt estavam sentados na sala, em frente à TV, assistindo ao jogo de futebol americano, no qual o time pelo qual Burt e Finn torciam estava jogando. Kurt estava lá apenas... Nem mesmo Kurt sabia por que ele estava lá assistindo àquela batalha sangrenta que chamavam de esporte. Só o pai dele e Finn estavam prestando atenção de fato. Ou talvez fosse só Burt mesmo. Finn estava tão autista quanto havia estado durante toda a última semana.

– Eu pensei que ela viesse a tempo do jantar, mas nós já jantamos e até agora ela não chegou.

– É, ela preferiu jantar com os pais, mas daqui a pouco ela está por aqui.

Tão logo Kurt terminou de falar, ouviu-se o barulho da campainha da casa.

– Ela chegou. – Kurt se levantou para ir abrir a porta.

– Eu gosto da Rachel, ela é uma boa amiga para o Kurt. Você não acha, Finn?

O garoto apenas grunhiu como resposta, enquanto Kurt e Rachel se cumprimentavam na porta. Demorou apenas o suficiente para Rachel desejar boa noite a Burt e Finn, e os dois já estavam subindo as escadas correndo. Kurt estava aliviado por poder se livrar, finalmente, do futebol americano.

Os dois entraram no quarto e ele rapidamente fechou a porta.

– Ainda bem que você já chegou. Não aguentava mais aquele jogo.

– Que jogo? – Rachel já estava tirando o casaco e largando suas coisas em cima da cama.

– Um aí. – Kurt fez um gesto abanando a mão como para tirar a importância do assunto. – Hoje é uma noite muito importante. – ele se sentou em frente a Rachel na cama, falando a última sentença com os olhos bem abertos e balançando a cabeça para cima e para baixo, lentamente.

– Você só fica falando assim comigo, como quem sabe de muita coisa, mas não me explica nada. O que tem essa noite de diferente das outras?

Kurt sorriu para ela, misterioso.

– É uma coisa que... Bom, que eu pensei e... – Kurt procurava as palavras certas para dizer. De repente, ele temeu que Rachel não visse a genialidade do plano, assim como ele temia que Finn, aéreo do jeito que estava, não conseguisse entender o mesmo. – É algo genial, Rachel! Mas talvez... Talvez ainda não seja a hora de dizer, no final das contas.

– Ah, não! – Rachel exclamou. – Kurt! Eu vou morrer de curiosidade. Se não queria me contar, então que nem tivesse começado.

– Eu sei, eu sei. – ele se levantou da cama e começou a andar pelo quarto. – Mas agora que estou pensando melhor... Talvez não seja o momento ainda. – ele parou e se virou para ela novamente. – É sobre o Finn, como eu já tinha te falado. É uma coisa que eu venho pensando faz um tempo, mas achei que ele teria melhorado o humor desde então. Mas o Finn parece o zumbi de sempre. Talvez não seja a hora para ele ainda.

Rachel passou a mão pelos cabelos, nervosa.

– Então você mudou de ideia.

Era mais uma constatação do que uma pergunta. Se Kurt decidira não falar o que ele estava planejando, então que cortassem o assunto de uma vez por todas.

– Não é que eu tenha mudado de ideia. Ela foi apenas adiada.

– Por quê?

– Já te falei, Finn não está bem da cabeça, capaz dele não poder raciocinar direito o que eu falar para ele. – e, se ele conversasse com os dois juntos, precisaria passar por todo o processo de convencimento apenas uma vez, pensou Kurt.

Rachel bufou e rolou os olhos.

– Então esquece essa história e coloca o filme para nós assistirmos. Eu trouxe vários, e se quisermos assistir a todos, temos que nos apressar. – ela procurava o DVD dentro da bolsa. – Também trouxe meus recém adquiridos playbills!


Eram quase três horas da madrugada e a casa estava em silêncio, a não ser pela dupla de amigos que se encontrava na cozinha, matando a fome depois de ter assistido três de seus musicais favoritos. Pela milésima vez, diga-se de passagem.

Finn saiu de seu quarto e imediatamente ouviu a risada dos dois no andar de baixo. Ele não estava conseguindo dormir e pensou que talvez um leite quente ajudaria, mas ao ouvi-los, considerou voltar para o quarto e esquecer o leite. O garoto chegou a dar meia-volta, mas, quando olhou para a cama, soube que não suportaria ficar deitado nela, olhando para o teto e pensando em coisas que não queria por mais tempo.

Ele desceu as escadas silenciosamente, enquanto ouvia o barulho de Kurt e da amiga dele ir em aumento à medida que ele se aproximava mais. Quando Finn entrou na cozinha, os dois, que estavam gargalhando com entusiasmo, pararam assim que o viram.

Finn se sentiu desconfortável com o olhar de ambos, abaixou a cabeça e colocou a mão direita dentro do bolso da calça do pijama.

– E aí... – foi o que ele conseguiu dizer.

Ele pôde ver os dois trocando olhares, antes de Kurt responder:

– Finn, desculpe se te acordamos.

– Não, eu já estava acordado.

Rachel observou o garoto alto dar mais alguns passos à frente, olhar rapidamente para ela e depois caminhar em direção à geladeira.

– Eu pensei em descer para tomar um leite morno, ver se isso me ajuda a dormir.

– Ah... – expressou Kurt.

Nem ele, nem muito menos Rachel sabiam o que dizer naquele momento. Finn não parecia estar muito disposto a conversar, parecia cansado, e Rachel percebeu algumas olheiras embaixo dos olhos dele. Pensou que aquela não era a primeira noite que ele estava com dificuldades para dormir. A aparência desolada de Finn deu uma súbita vontade nela de abraçá-lo e dizer que tudo ficaria bem. Mas ela reprimiu os desejos em relação a Finn, assim como já fizera tantas outras vezes.

Os três permaneceram em silêncio, enquanto Finn colocava um pouco de leite num copo e o esquentava no microondas.

– Vocês não têm que ficar calados só porque eu estou aqui. – ele finalmente quebrou o silêncio.

– Ah, não se preocupe, não estávamos falando nada demais. – Kurt era o único que respondia, enquanto que Rachel ainda não tinha aberto a boca desde que Finn chegara. – Rachel e eu estávamos relembrando o tombo que Jacob Ben Israel levou com a bandeja de comida no refeitório. – Kurt falava, com humor na voz. – O coitado se melecou todo.

– É, eu vi... – Finn murmurou, depois deu um longo gole em seu leite.

Ele estava agora apoiado com as costas no balcão, enquanto Kurt permanecia de pé a uns três metros dele e Rachel estava sentada na mesa.

– Geralmente, você não é assim tão calada.

Rachel demorou alguns segundos para se dar conta de que Finn estava falando com ela. A garota não pôde evitar abrir os olhos um pouco mais do que o normal e olhar para Kurt surpresa, antes de tentar responder.

– Eu... – a voz saiu mais trêmula do que ela pretendia. Rachel odiava as reações que tinha na frente de Finn. Não era a toa que ele a considerasse uma boba.

– Eu estou sempre ouvindo a sua voz sem parar quando você está aqui. Principalmente quando estão todos no quarto do Kurt.

Os quartos dos dois meio-irmãos ficavam um do lado do outro, e Finn às vezes podia escutar as conversas de Kurt com as amigas dele. A voz de Rachel era a que mais ouvia. Ele não sabia como uma pessoa podia falar tanto e tão rápido.

Mas se ele ficava impressionado com a capacidade dela de falar tantas coisas em tão pouco tempo, ficava ainda mais impressionado quando a ouvia cantar. Nesses momentos, Finn parava o que quer que estivesse fazendo em seu quarto e ficava quieto, ouvindo o som da voz dela. E era realmente incrível. Ele nunca havia confessado essa obsessão pela voz daquela garota a ninguém, óbvio.

– Geralmente, você não fala comigo.

Finn a ouviu responder, finalmente, tirando-o de seus pensamentos. Ele riu brevemente e levantou uma sobrancelha.

– Touchè.

Rachel também riu para ele, com timidez.

Agora era Kurt quem permanecia em silêncio, observando a cena. Aquela era a primeira vez que ele via Finn sorrindo em dias. Por mais fraco que tenha sido o sorriso, era alguma coisa. E havia sido Rachel, de todas as pessoas, a conseguir aquilo.

A ideia, que ele havia decido adiar, voltou para sua mente com força máxima. Talvez não fosse tão cedo quanto ele imaginara.

– Eu sinto muito pelo que aconteceu com a Quinn. – Rachel comentou, titubeante. Na verdade, ela estava feliz pelo fim do namoro dos dois, mas considerou que aquilo não era a coisa mais adequada a se dizer.

Kurt sorriu internamente. O assunto que ele queria abordar finalmente viera à tona.

Finn fechou a cara instantaneamente, o que fez Rachel se arrepender de ter feito o comentário.

– Tá tudo bem. – mas não, não estava tudo bem, pensou Finn, enquanto colocava o copo vazio dentro da pia de lavar pratos.

– Finn ainda tem esperanças de voltar com ela. – Kurt começava a preparar o terreno para chegar aonde ele queria, portanto, ignorou o olhar feio que o outro garoto lançou a ele.

– Isso não é da sua conta. – o rapaz respondeu, severamente.

– Talvez não... Mas eu estou errado?

– Não é da sua conta! – repetiu, com os dentes cerrados.

– Tudo bem, tudo bem. – Kurt levantou as duas palmas das mãos. – Não é da minha conta, mas eu tive uma ideia que talvez possa ajudar.

Finn olhou para Kurt com a testa franzida. Por acaso ele tinha pedido ajuda a alguém?

Rachel olhou para Kurt, magoada. Por acaso ele não sabia que a melhor amiga dele estava apaixonada por Finn há anos?

Então que papo era aquele de ter tido uma ideia para fazer Finn e Quinn voltarem? Pensaram os dois.

– Eu estive pensando em algo. E, por mais que não queira admitir, eu sei que você quer voltar com a Quinn. Não. – ele completou, quando Finn ia dizer algo. – Não precisa dizer de novo que não é da minha conta. Pelo menos escute o que eu tenho a dizer, afinal de contas, mal não vai fazer, ou vai?

Finn não sabia o que dizer. Ele não queria conversar sobre o assunto com ninguém, muito menos com Kurt. Principalmente com aquela garota, que ele mal conhecia, estando lá.

Mas, sim, ele queria voltar com Quinn. Muito. E por mais que tivesse pensando em uma maneira de consegui-la de volta, não conseguira bolar nenhum plano, e ele sentia que Quinn estava escapando entre seus dedos cada dia mais. Talvez ouvir Kurt não fosse tão ruim assim.

– Não. – ele disse. – Que ideia é essa?

Kurt sorriu abertamente e sentou-se à mesa, empolgado, ao lado de Rachel, que voltara a ficar calada, imersa em seus próprios pensamentos. Ele tinha que escolher bem as palavras, para que os dois entendessem e aceitassem o plano.

– É o seguinte, – ele começou. – eu vi que você tem corrido atrás da Quinn, feito um cachorrinho, todo esse tempo e ela nem te deu bola. Não me interrompa. – Kurt exclamou, quando viu que Finn abrira a boca para protestar. – O problema é que ela acha que te tem nas mãos. O que é verdade, aliás. – ele levantou a sobrancelha. – Mas, enfim, o que eu quero dizer é que você tem que fazê-la pensar que não está mais afim dela.

– Mas se ela pensar isso, não vai ser pior?

– Não. – Kurt se ajeitou na cadeira e se inclinou na mesa, apoiando-se nos cotovelos. – As mulheres odeiam competição. Enquanto ela achar que pode te ter a hora que quiser, ela não vai te dar valor. Por isso, você precisa mostrar a ela que está em outra, para provocar sentimento de posse, entende?

– Talvez, mas eu não estou em outra. – Finn falou, como se fosse a coisa mais óbvia.

– Mas ela não precisa saber disso. Você pode fingir. – Kurt olhava para Finn fixamente neste momento. Ele procurava tentar convencê-lo não apenas com as palavras, mas também com o olhar. – Fingir que está namorando outra garota. Isso deixaria Quinn furiosa, pensar que foi trocada.

– Kurt, – Finn também se sentou à mesa. – isso pode até ser verdade, mas eu não tenho outra garota.

– Claro que tem. Rachel! – Kurt passou o braço em volta dos ombros da amiga, que virou a cabeça para ele, tão rápido que ela não sabia como a cabeça não desprendeu do pescoço, e com os olhos arregalados como dois pratos.

– Está maluco? – ela perguntou, como se ele tivesse perdido completamente o juízo. Kurt acabara de oferecê-la para Finn sem mais nem menos, ou ela estava enganada?

– Talvez eu esteja um pouco! – Kurt não se continha de ansiedade. – Você – ele apontou para Finn, que olhava para Rachel com a testa franzida. – e você – depois apontou para Rachel, que continuava olhando para ele como se tivesse vendo uma assombração. – vão fingir que são namorados. E é para todos, ninguém além de mim pode saber a verdade, nem mesmo papai e Carole. Quanto menos gente souber, melhor.

– Kurt, – Finn falou, finalmente. – esse plano me parece meio arriscado. Quer dizer, nada contra a Rachel, mas... – ele olhou para ela. – Como eu poderia começar a namorar com ela, quando nós nem mesmo nos falamos direito. Ninguém acreditaria.

– É por isso que vocês não começariam desde já. Primeiro, vocês iriam fazer as pessoas pensarem que estão se tornando amigos. Digamos assim... Durante umas duas semanas. Daí depois vocês diriam que começaram a namorar.

– Mas por que a Rachel? – ele não pôde evitar perguntar. Talvez uma outra menina, alguém com mais notoriedade no colégio seria melhor, pensou Finn. Uma menina mais bonita e que se vestisse melhor também.

Ele viu quando Rachel tirou os olhos de Kurt e olhou para ele. Finn achou ter visto um brilho de dor nos olhos dela, como se ela soubesse o que ele estava pensando. Ele desviou o olhar, envergonhado dos próprios pensamentos.

– Rachel é de confiança. Ela não iria usar isso para te chantagear nem nada do tipo. Quando tudo passar, ela não vai usar o que sabe contra você.

– Sei... – Finn colocou a mão no queixo, pensativo. É, talvez Kurt tivesse razão. Quer dizer, ele não conhecia Rachel, mas Kurt sim, e se ele estava dizendo que ela era de confiança, é porque era. E olhando bem, até que ela era bonita. As roupas um tanto quanto duvidosas, é verdade, mas Finn lembrou de ter se pegado olhando para certas partes do corpo dela, em algumas ocasiões anteriores, quando ninguém podia notar, e ele havia apreciado o que vira. – Pensando bem, pode até ser que funcione. – ele sorriu.

– Então está decidido! – Kurt deu um tapa na mesa.

– Não! – Rachel se levantou da mesa. Ela tinha uma expressão ofendida. – Não fiquem falando de mim como se eu não estivesse aqui, ou combinando coisas que me envolvam como se eu estivesse de acordo. – ela olhou para Kurt. – Então essa era a sua "ideia genial"? – ela fez o sinal das aspas com os dedos. – Pois eu nunca ouvi tamanha idiotice! Vocês acham que eu não tenho uma vida própria, para concordar com esse plano, não?

– Rachel, se acalme. – disse Kurt.

– Eu estou calma. E não estou de acordo com tudo isso. De jeito nenhum.

– Rachel. – Kurt se levantou da cadeira e segurou a mão dela. – Vamos conversar na sala, só nós dois.

– Não. – ela puxou a mão. – Kurt, você não vai me convencer do contrário.

Ele segurou a mão dela novamente, dessa vez com mais firmeza.

– Vamos até a sala. – e a puxou para fora da cozinha, sem dar ouvidos aos protestos da garota, enquanto dizia a Finn para esperar pelos dois lá.

– Kurt, você ficou maluco. – Rachel disse, quando eles já estavam sozinhos na sala escura.

– Me escuta.

– Não. Eu não acredito que você fez isso. Como pôde? – os olhos dela encheram-se de lágrimas. – Eu pensei que fosse meu amigo. Você sabe como eu me sinto em relação a ele. – ela falou a última frase num tom mais baixo, e apontando em direção a cozinha. – E está me pedindo para ajudá-lo a conseguir voltar com a ex-namorada?

– Me escuta, Rachel, já falei. Me escuta, que você vai entender.

Rachel respirou fundo e cruzou os braços, mas ficou em silêncio.

– Pensa bem. – Kurt continuou. – É a sua chance! Rachel, você vai ser a namorada dele por um tempo. Tudo bem que vai ser de mentirinha, mas vocês vão poder passar mais tempo juntos. Bem mais tempo! – Kurt pegou nas duas mãos dela. – Que oportunidade como essa você acha que terá? É uma chance para que vocês se conheçam melhor.

– Mas ele vai fazer isso para voltar com a Quinn. Ele não estará interessado em me conhecer melhor, como você diz.

– Tudo bem, talvez no começo não, mas aos poucos, com a convivência, isso vai ser inevitável. E pensa bem. – Kurt apertou as mãos delas, e se aproximou mais, olhando direto em seus olhos. – Pensa, Rachel. Os outros achando que vocês estão namorando, além de conviverem mais, não só na escola, como aqui em casa também, vocês terão que andar de mãos dadas. Terão que sentar juntos durante as aulas. Ele vai te acompanhar até a sua sala, quando tiverem aulas separadas e vai carregar os livros para você. Você pode até mesmo convencê-lo a entrar para o Glee Club. Sim, porque, se ele for seu namorado, seria o mais lógico que você o levasse para o Glee. Você disse uma vez que o ouviu cantar no banho e que ele canta bem, não foi?

– Foi... – Rachel não parecia mais tão contrária àquela ideia, o que animou Kurt a continuar.

– E mais. – ele sorriu. – Eventualmente vocês vão ter que se beijar. – o sorriso dele ia de orelha a orelha agora. – Todo casal se beija.

Rachel ia dizer algo, mas o pensamento a deixou sem palavras. Quantas vezes ela tinha sonhado com tudo aquilo que Kurt estava descrevendo. Principalmente com a parte dos beijos. E ele estava certo, ela não teria outra chance como aquela.

Em condições normais, Finn, o garoto mais popular da escola, não iria se interessar pela amiga nerd de seu meio-irmão, que além de ser da turma dos perdedores da escola, ainda fazia parte do clube do coral, a escória das escórias.

– Quem sabe assim, com o tempo, ele te conhecendo melhor, vocês não possam ter uma chance de fato?

Rachel deu uma risada nervosa.

– Kurt, não seja tolo. Finn nunca se interessaria de verdade por mim.

– Mas pelo menos você vai ter tentado, sua boba. Essa é a sua chance Rachel. Sua grande chance. E então, o que me diz?


Finn estava na cozinha, esperando os dois voltarem, como Kurt tinha pedido. Ele tinha a impressão de que Rachel não aceitaria aquela ideia maluca. Finn não sabia nem como ele tinha aceitado!

Mas ele não tinha escolha. Era finalmente um plano. Finalmente algo que ele ia fazer, uma ação. Era melhor do que tivera nos últimos dias. Pela primeira vez em dias ele estava sentido esperança de novo.

Mas se Rachel não aceitasse, teria que encontrar outra garota. Havia muitas garotas no colégio que topariam aquilo num instante, mas Kurt estava certo, elas poderiam usar o que sabiam contra ele, quando "terminasse" com elas. Mas Finn não podia desistir do plano, portanto, tinha que encontrar uma substituta para Rachel.

Quando Rachel e Kurt entraram na cozinha, Finn ainda estava especulando quem seria mais apropriada para a tarefa, mas não conseguiu pensar em ninguém. Eles ficaram de pé na frente de Finn, em silêncio. Quando não aguentou mais a expectativa, o rapaz perguntou:

– E então? Chegaram a alguma conclusão finalmente?

– Rachel aceitou. – falou Kurt.

Finn sorriu. Ele sorrira mais naquela noite do que havia feito durante toda a semana. Ele sentiu o coração bater forte. As coisas finalmente iriam mudar dali para gente. Ele tinha algo a fazer finalmente, tinha uma perspectiva de futuro. Ele sentiu como se tivesse posto a cabeça para fora da água e respirado profundamente, depois de um longo período submerso.