Título: O loirinho no Limbo.

Legenda: -Normal: Fala. Itálico: lembrança ou pensamento. Negrito: Dar ênfase. Ex: Não. Eu não vou convidá-lo.

Autora: Marina

Categoria: Bones

Advertências: ^^ Não deixe de ler ^^

Classificação: Livre K/K+

Capítulos: 1/9

Completa: Não

Sinopse: "Cansado de vê-los apenas como amigos, Parker decide mudar o rumo da história de Brennan e seu pai, e com a ajuda de Ângela, ele quer mais que tudo que sejam mais que parceiros".


Capitulo I: Memórias e Interação.

Ele conhecia sua própria definição de insanidade. Seus defeitos, seus pontos, positivos e negativos. Sim, Seeley Booth se conhecia. De um modo geral, e infelizmente solitário... Romanticamente falando.
Isso o lembrou algo... Talvez alguém.
Mas sua atenção foi desviada para o pequeno garoto diante de seus olhos.
Seu pequeno milagre.
Seu filho.
E seu sorriso aumentou gradativamente ao vê-lo rir e erguer a pequena mão, que colocou sob a palma da sua.
Parker.

-Oi Parker...

°°°°BB°°°°

-Agente Booth?

-Sim?

-Tem uma ligação de seu filho. Ele chega daqui a duas horas...

-Certo... Mande o Haley buscá-lo sim? Obrigado Jim.

°°°BB°°°°

Ele nunca admitiria para o seu pai, mas adorava aquele lugar.
As pessoas indo de um lado para o outro, imersas em suas conversas particulares, descobertas. Às vezes em silêncio, ou conversando animadas, mas educadamente. O jeito como pareciam médicos e se pudesse brincar com aquela caracterização até jogadores, pois sempre trajavam os mesmos tipos de roupas.
Exceto pelos novatos como seu pai lhe disse uma vez, estes usavam roupas parecidas como as das crianças. Brancas. E seu sorriso surgiu sem que ele nem mesmo se preocupasse em ser educado ao vê-la caminhando em sua direção. A prancheta já em mãos analisando alguma coisa relativa ao trabalho. Uma amiga ao seu lado que ele identificou ser Ângela, pois arrancava risadas dela sempre que podia às vezes olhares incrédulos quando se desviava do papel em suas mãos.
Mas o cenho do garoto se franzia a cada pessoa que passava por ela para cumprimentá-la. Às vezes de uma forma exagerada, que ele registrou ser pelo que seu pai uma vez lhe dissera por ela ser praticamente "a chefa" ou como ele se referiu as palavras de Angie, por eles dois serem "o centro".
Elas pararam e se encararam. E Parker sorriu com o olhar de Ângela e suas mãos erguida em sinal de rendição. O olhar de Brennan em pura descrença. Ele sorriu de novo ao ver a antropóloga retomar sua caminhada para sua sala, com a amiga ainda em seu encalço, lhe dizendo o que não gostaria de ouvir provavelmente.

-Você enlouqueceu Ângela? - Brennan a fitou. Sua expressão demonstravam incredulidade, mas a da melhor amiga, frustração, e ela que a conhecia a mais tempo se olhasse melhor, até divertimento.

-Não. Por que você sempre me pergunta isso?

-Já reparou que você tem uma incrível capacidade de persistir em uma teoria, nesse caso, em um encontro? – A outra assentiu. –Eu não vou convidá-lo.

-Tá bem, e se ele te convidar? – Brennan a olhou descrente de novo. Aquilo era um péssimo sinal. – Querida, logo você que é tão inteligente, às vezes é muito burra!

-Não estou familiarizada com esse termo Angie.

-Bom dia Dra. Brennan. – Ela acenou para um homem que passara cumprimentando-a. –Srta. Montenegro.

-Bom dia.

-Oi. – Ângela também o cumprimentou educadamente. Voltando sua atenção para a amiga. –Isso quer dizer que às vezes você não percebe o que está bem na sua frente.

-Eu vejo o que está a minha frente. Minha visão é perfeitamente-

-Não é ver. É perceber! – Ela a mirou frustrada. –Bom dia também Larry. – O homem a fitou surpreso. Nem havia as cumprimentado ainda.

-Bom... Dia Dra. Brennan.

-Bom dia. – Ela se virou para a amiga. –Eu não vou dizer isso pra ele só porque você quer que aconteça algo entre nós dois. Além do mais... – Ela aceitou uma pasta de um entregador que lhe trouxe para assinar e o fez. –Obrigada. Eu respeito a nossa parceria.

Parker acompanhava atento, ao desfecho da conversa das mulheres. E quase se esquecendo de cumprimentar a parceira de seu pai que se aproximava.

-Você ainda vai se enfurecer por não ter dito nada a ele.

-Olha Ângela, há uma atração sim entre nós... – Ela admitiu.

-Bom dia Bones.

-Bom dia Parker. Mas eu não vou-. – Ela olhou surpresa para o garoto. –Parker?

Ele sorriu com a expressão dela, que também agora sorria ao vê-lo. Ângela os olhou curiosa, mas não deixando de ter a mesma expressão dos dois a sua frente.

-O que faz aqui?

-Papai se atrasou. Perguntei se podia vir e participar do grupo infantil... Posso? – Ângela a fitou.

-Claro! – Brennan não demorou em responder. –Se o Booth chegar me avise. Vou levar o Parker ao Limbo onde estão as outras crianças.

-Obrigado Bones. – Ele agradeceu abraçando-a.

-Hum... – Ângela murmurou com um olhar que a amiga não identificou. Parecia... Contentamento e? –Ok.

-Vem. Vou levá-lo até lá. – Ela olhou para ele que sorriu e parou ao sentir a pequena mão dentro da sua e esperando que ela o conduzisse.

°°°°BB°°°°

Seu olhar se fixou nas nuvens. Estaria de volta a Washington em menos de vinte minutos.
E raramente dormia quando sabia que voltaria para lá. Pelo simples fato de se lembrar de sua parceria com um certo agente especial do FBI que acabou há quase dois anos.

°°°°BB°°°°

Parker nunca precisou de tapinhas nas costas, ou palavras reconfortantes. No momento, de alguma forma, era a última coisa que ele precisava ouvir. Que ele queria ouvir.
Pessoas que diziam que o entendiam. Elas não o entendiam. Não poderiam, já que não passavam pela mesma situação que ele. Sua mãe fora assassinada. E aquilo doía. Muito.
Seus olhos pararam na foto dela, seu sorriso, seu olhar. As palavras, brigas e brincadeiras. Tudo. Sim, tudo. Ele fechou os olhos. Focava em sua mente a presença dela. O rosto dela, os olhares que lhe dava, sobre algo que não devia fazer por ser perigoso, ou por ser idiota. O sorriso amarelo que ele lhe devolvia pedindo desculpas silenciosas e a risada que ela dava dizendo que as aceitava.
Com um suspiro, ele disse ao pai que ia até lá fora alguns minutos, e ele apenas assentiu. Sem esperar por alguma recomendação, o garoto o fez, levantou-se e saiu com as mãos nos bolsos.
Sua cabeça não raciocinava, e talvez ele soubesse o que isso significava. Seus olhos pararam na TV, onde há alguns minutos ele ouvira um burbúrio que a lista de mortos saíra. E que alguns também comentavam que ele era o alvo. Mas se ele era o alvo, porque ela estava morta? E o seu padrasto, e seu pai estavam ali, chorando a perda de Rebecca? Não ele?
O garoto localizou um banco, e se aproximou sentando-se. Não se lembrava de sentir isso. Essa sensação vazia... Essa...

-Parker?

Ele ergueu os olhos para fitá-la. Os dela não lhe demonstravam pena, como todos os outros. Os dela tinha algo mais. Algo que ele procurava.
Tinha... Compreensão. Brennan se sentou ao seu lado, esperando que ele lhe pedisse que saísse dali, que gritasse com ela ou apenas abaixasse sua cabeça e voltasse aos seus devaneios. Ignorando-a, mas nada disso veio. O garoto a abraçou.

-Bones...

Ela sentiu algo naquele abraço que não gostou. Ela sentiu culpa. Medo E o pior: Ela sentiu impotência. A impotência que Booth demonstrara ao saber da notícia, e que quase desabara pensando que era Parker quem havia se ferido. Por causa dele.

E Não gostava de vê-lo assim. Frágil, vulnerável. Abraçou-o também, e seus olhos se ergueram para Booth, que viera atrás do filho verificar se este estava bem.

-Hey... Parker...