Olá, obrigada a quem está seguindo e favoritou.
Diante do sofá Felicity vela o sono de Tommy, deitado de bruços, uma perna e um braço para fora do mesmo e vestindo somente a calça da noite anterior, em um sono sereno. Tão bonito, um rosto tão angelical e tão cafajeste!
Com um suspiro alto ela sorri. Ele é um tremendo de um gostoso. E ela provavelmente está fazendo uma besteira, pensa consigo mesma. E se Oliver descobrir que Tommy dormiu com ela.
Bem, não com ela, mas na casa dela. E se nada Felicity, Oliver não está nem aí pra você e não tem nada demais fazer uma caridade pra alguém. Por que á isso que ela está fazendo, não é? Uma caridade. É, é isso mesmo, uma caridade!
Percebendo que já está a tempo demais ali ela se apressa a ir para a cozinha preparar o desjejum, ele estaria com fome ao acordar. Ele. De novo ele. Desde que chegara em casa, seu único pensamento é o cara bonito que dorme em seu sofá.
- Bom dia!
Ela ouve o som da voz dele se sobrepor ao do liquidificador, desligando-o, dá de cara com um Tommy despenteado e sem camisa apoiando-se no balcão que dividi a cozinha em duas partes. Mordendo o lábio inferior, ela o avalia descaradamente.
Puta que pariu, ela tinha que morder o lábio dessa forma. Ele desvia o olhar do dela tentando manter a compostura. A visão de Felicity com aquele vestido decotado e mordendo o lábio juntando a sua ereção matinal que ainda não havia se desfeito por completo o faz levar a mão a parte frontal da calça, na tentativa de aliviar a pressão. Ainda bem que tem esse balcão. Pensa aliviado embaraçado com a situação.
Não querendo que ela o veja naquele estado. Está agradecido pela gentileza e não quer estragar tudo, pois percebeu logo que a conheceu que ela não é como as outras garotas com que ele teve seus casinhos antes de Laurel.
- Bom dia. - ela por fim diz - Estou terminando o desjejum, tem café quente na cafeteira. - aponta para o objeto no início do balcão, próximo a parede.
Tommy serve-se de uma pequena quantidade e sorve o líquido tendo dificuldade em não fazer uma careta. O café está horrível e ele espera sinceramente que seja só o café.
- Está muito bom. - mente descaradamente.
- Mentiroso. - ele ergue a sobrancelha, a boca abrindo e fechando em surpresa - A cozinha e eu nunca nos damos bem, mas eu tento. - ela dá um sorriso culpada e ele entende, não é só o café que estaria ruim.
Felicity definitivamente não estava brincando quando disse que nunca se deu bem na cozinha. Educadamente ele come o que ela lhe serviu, os ovos com as gemas quase cruas e um excesso de sal, o suco ela poderia muito bem ter aproveitado o açúcar a mais que pôs no café e o bacon. Oh céus, ele esperava que aquilo não o fizesse rei por um dia. Mas ele evita reclamar, seria o cúmulo de sua parte tal ato.
- Você não precisa comer se não quiser.
Desolada Felicity sente pela primeira vez a necessidade de ter se dedicado mais a arte de cozinhar.
- Não se preocupe Felicity, eu vou comer, eu quero comer, eu sei que você se esforçou.
Com um sorriso amarelo ela concorda em um meneio de cabeça.
- Eu sou muito boa com computadores, mas com fogões...
- E é por isso que Oliver confia em você.
- Ele só quer me usar, oh... - ela para de falar momentaneamente, as bochechas coradas - Eu quero dizer, não me usar dessa forma que você deve estar pensando, usar meus serviços, digo minhas habilidades com computadores, por que eu sou boa com computadores e eu acho que eu já disse isso né, o ponto é, ele precisa da hacker e não da pessoa.
Ela desanda a falar se atropelando nas palavras e fazendo caretas engraçadas o que o faz rir levando-a a rir junto. Ela nunca achou graça quando alguém riu dela, mas há algo nele que a contagia e ela se deixa levar pelo som da risada dele.
Depois do ataque de risos continuam a refeição em silêncio, não aguentando mais a curiosidade ela quer saber.
- Então como Thomas Merlyn foi parar no banco traseiro de um carro?
- Como você já sabe Malcolm cortou minha mesada e bloqueou todos os cartões e com o que eu ganho na Verdant não dá pra custear meu antigo apartamento.
Felicity larga o talher e o encara.
- Mas a boate está sempre cheia e tem ótimos lucros.
- Sim, mas o problema é que ainda estamos pagando pelos empréstimos, no início Moira ajudou, porém ela e Oliver brigaram e ele não pode tirar subsídios da empresa sem a autorização dela e do conselho.
- Entendo o seu ponto, mas ainda assim, mesmo com dívidas e sei que tem os funcionários a pagar, mas até com meu salário de secretária tenho um teto.
- Isso é por que você é inteligente, - o elogio a faz abrir um sorriso - eu nunca pensei na possibilidade de perder a mordomia e só fui me afundando nas contas, contando com meu pai, e ele nem mesmo me avisou o que faria, só fez, não tenho condição nenhuma de manter aquele apartamento ou qualquer outro até conseguir quitar pelo menos a metade das dívidas.
- Uau, não consigo nem imaginar de quanto estamos falando.
Ele revira os olhos, frustrado e decepcionado consigo mesmo.
- Nem queira saber.
Após o desjejum Felicity ofereceu o banheiro para que ele possa tomar um banho decente já que ele vem fazendo suas higienes no banheiro da boate. Tommy buscou roupas limpas no carro e seguiu para o banheiro enquanto Felicity segue para a cozinha para limpá-la.
Enquanto lava as louças sujas do café da manhã seus pensamentos estão a mil, a conversa com Tommy só a fez sentir mais afeto por ele. Ele foi um inconsequente sim, mas quem poderia julgá-lo? Ele só conheceu uma vida, a de playboy mimado e sedutor, acostumado a ter tudo o que quer. Cresceu na mordomia e no luxo, nunca precisou economizar, mas isso não fazia dele um cara desprezível, ela só tinha pena, pessoas assim quando caem não quebram só a cara, quebram todos os ossos do corpo. Ela toma a decisão de ajuda-lo, precisa ajudá-lo.
Aparecendo na cozinha Tommy quebra o silêncio tirando-a de seus devaneios.
- Muito obrigado Felicity, estava realmente precisando de um banho decente.
- Disponha. - deixando a pia ela segue até o balcão, olha-o por um instante, incerta se se é a coisa certa a fazer - Tommy?
- Sim?
- É, hum... Eu tenho uma proposta, bem, você não precisa aceitar, só se você quiser é claro.
Ele a fita intrigado pela volta que ela dá no assunto, mas sem interrompê-la.
- Se não se importa você pode ficar aqui por uns dias, comigo - ela balança a cabeça para organizar os pensamentos - quero dizer no sofá, até conseguir um lugar bom e barato. - soltando um suspiro por ter conseguindo terminar a frase ela brinca com os próprios dedos das mãos enquanto olha para um ponto qualquer do ambiente.
- Eu topo.
Ambos cruzam os olhares surpresos, feliz pela mãe que lhe é estendida Tommy nem pensa ao responder, mais uma vez ela prova ser uma pessoa incrível, oferecendo ajuda a um quase estranho, de imediato ele abre um sorriso genuíno que faz, por uma fração de segundos, o coração de Felicity falhar uma batida e ela força um sorriso. Estou perdida!
Em pé diante do monitor Felicity observa a imagem de Tommy desejosa, que anda de um lado a outro do salão da boate, cumprimentando somente ou parando para um diálogo com alguns clientes. Apesar de vê-lo todos os dias antes de sair para o trabalho ou quando casualmente se encontram nos fundos da boate por onde ela entra na cave para sua jornada noturna, sempre que está sozinha e não tem que auxiliar Oliver e John em alguma missão ela automaticamente pega o sinal das câmeras do piso de cima, só para vê-lo. A rotina se tornando um vício.
Às vezes ela se pergunta se está ficando louca, afinal, é Tommy, o cretino sem-vergonha que todos os dias ela vê se agarrar com algum rabo de saia. Sente-se ainda mais louca quando ela se pega imaginando estar no lugar daquelas garotas. Imaginando o toque dos lábios dele aos seus, as mãos grandes e firmes passeando por seu corpo, os sussurros em seu ouvido, com certeza todos pervertidos e sacanas. E quando está em casa ela evita o máximo olhar para ele só para não delatar seus olhares de desejo. Sente-se envergonhada por tais pensamentos, até poucos dias ela tinha plena certeza de seu amor por Oliver, e desde que conhecera Tommy, tudo mudou, ela não sabe o que é pior, Oliver ou Tommy, dois cretinos estupidamente lindos, o primeiro, com quem ela deseja ter um relacionamento estável, que extrai o melhor dela, que a faz querer ser a melhor em tudo e ela anseia por agradar e o segundo, o que extrai de si o pior, a faz ter pensamentos libidinosos, aquele com quem ela imagina um sexo selvagem e quente e ela só quer agradar em um lugar e com certeza não é em frente a um computador.
Você está em grandes apuros Felicity.
Suspira alto, ao mesmo tempo em que ouve a voz grave atrás de si.
- Por que está em apuros Felicity? - assusta-se ao perceber que deixou seus pensamentos criarem vida e que Oliver a escutou, desajeitadamente ela tenta mudar as imagens na tela do monitor o mais rápido que pode. Quando finalmente consegue, ela de imediato vira-se, aliviada por aparentemente não terem descoberto seu pequeno segredo.
Oliver a fita desconfiado, em seus olhos ele pode ver a culpa por ter sido pega fazendo algo que não devia, ele bem que tentou ver o que ela tanto cobiçava pelo monitor, mas a malandrinha foi rápida o suficiente para apagar as imagens, só para deixá-lo ainda mais curioso.
- Oliver, o que faz aqui?
- Caso não lembre aqui é meu esconderijo.
- Mas não era para estarem lá, nas ruas? - ela aponta para a saída.
Enquanto John a olha com um sorriso divertido Oliver fica cada vez mais desconfiado.
- Você ainda não respondeu a minha pergunta. - cruza os braços esperando por uma resposta.
Felicity senta-se o mais lentamente possível, tentando ganhar tempo para uma boa desculpa, ela finge arrancar um fio de linha invisível da barra do vestido.
- Estou esperando Felicity.
Droga, ele tinha que ser tão mandão.
- Ora Oliver, deixe a garota. Felicity tem todo o direito de ter seus segredos. – John intervém. Irritado por imaginar Felicity escondendo segredos dele, Oliver trinca os dentes, contudo não diz nada, John tem razão e ele não tem direito algum de exigir qualquer coisa dela. Dando meia volta, ele faz o caminho para o banheiro, frustrado por não arrancar a verdade dela.
- Obrigada John, mas não estou guardando nenhum segredo.
Mentirosa Felicity.
- É mesmo. - ampliando ainda mais o sorriso ele se aproxima dela - Será que certo playboy de carinha bonita e olhos sedutores não conta como um segredo. - ele fala baixo para que somente ela ouça e olha para o teto sugestivamente.
Felicity arregala os olhos e abre a boca surpreendida.
Maldito John, ele sabe.
E enquanto ela permanece parada tentando, em sua mente, descobrir como ele soube, John sai ainda rindo da cara dela.
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