Capítulo um, finalmente! :D Desculpem por demorar tanto, mas eu esperava chegar logo no final de You Belong With Me. Espero algumas reviews para este cap., plz, e Edward ainda não apareceu, mas relax, bbs. Bjs :*
J.C.
Capítulo um
Baile de Inverno
See the lights, see the party
The ball gowns
(Love Story, Taylor Swift)
— Tempo passado—
OS VESTIDOS LONGOS DESLIZAVAM PELO CHÃO DE LINÓLEO BRANCO PERFEITO. As belas e charmosas damas da realeza desfilavam pelo salão, cumprimentando seus conhecidos com doces sorrisos nos rostos. Os cavalheiros se aproximavam das moças reunidas em grupos e, com uma reverência educada, convidavam as mais bonitas para dançar a valsa.
Em minha imaginação, eu estava em um desses grupos. Eu era uma delas. Era da realeza. Um dos cavalheiros usando uma máscara negra se aproximava de mim e, enquanto as moças ao meu redor me olhavam entusiasmadas, fazia uma reverência e erguia uma mão em minha direção, convidando-me para dançar. Eu aceitava com um sorriso tímido e lhe entregava minha mão, e era guiada até o centro do salão. As outras pessoas nos olhavam, e o salão se esvaziava. A sala escurecia, e um círculo de luz nos envolvia, seguindo nossos passos lentos. De repente havia apenas nós dois.
Eu não podia ver seu rosto, mas sentia que já o conhecia. Eu via seus olhos verdes, duas esmeraldas brilhantes e profundas, e seu sorriso gentil. Seus cabelos cor de bronze despenteados, e aquele cheiro delicioso de rosas e jasmim...
Descansei minha cabeça em seu ombro e respirei aquele perfume profundamente, extasiada.
— Quem é você? — sussurrei, meus olhos fechados, seguindo seus pés pelo chão. — Sinto que já o conheço...
Ele abre a boca para responder...
— Isabella Marie Swan, pare de sonhar acordada e continue a varrer o chão!
Não, esse não é o meu príncipe encantado. Não é o meu Romeu.
Essa é Miss Taylor, a governanta do palácio dos Cullen, uma das famílias mais influentes da Inglaterra do século XVI. E é nesse palácio, nesse castelo imenso dentro do maior terreno fora de Londres, que eu trabalho como camareira. Assistente de camareira. Eu, Isabella Marie Swan, órfã do conselheiro do Conde Carlisle Cullen, dono deste palácio, desde os sete anos. Fui acolhida pela família do Conde e não pude deixar de retribuir a gentileza com meus serviços. Sempre fui boa nas tarefas de casa, cuidando da nossa quando papai ainda era vivo, pois mamãe havia morrido ao me dar à luz.
Ajeitei minha postura e fiz uma pequena reverência com a cabeça para Miss Taylor.
— Peço perdão, Miss Taylor — eu disse. — Prometo não repetir.
Ela assentiu e com um baixo, "Acho bom", dirigiu seu corpo gordo e pequeno em direção à escadaria, fazendo uma reverência exagerada ao ver a filha caçula do conde, Miss Alice Cullen, descer rapidamente os degraus.
Alice era minha melhor amiga desde sempre. Dois anos mais moça do que eu, era hiperativa e dona de um sorriso que nunca desaparecia de seu rosto fino e bonito. Tinha cabelos curtos, com as pontas desviadas para todos os lados, e escuros, contrastando belamente com sua pele pálida de porcelana. E olhos castanhos de um mel claro, quase dourados, invejados por toda a Londres.
— Olá, Bella — ela cantarolou, arrancando a vassoura das minhas mãos e puxando-me para uma dança improvisada enquanto ria.
Eu ri com ela, acompanhando-a.
— Qual é o motivo de tanta alegria desta vez, Miss Alice? — perguntei, levada por sua alegria contagiante.
Ela fez uma careta fingida.
— Primeiro, não me chame de "Miss" nada. É tão formal. — soltou uma risadinha. — Segundo, eu já falei com papai. Vai acontecer!
Eu parei de dançar e a encarei, maravilhada, antes de puxá-la para um abraço forte.
— Ah, Alice, não acredito! Ah, não, por favor, não diga que é mais uma brincadeirinha de seu irmão! Oh, Alice!
Ela riu junto.
— Não é uma brincadeira! Vai acontecer! — virou-se para me olhar. — O baile será chamado de Baile de Inverno, e acontecerá no solstício de inverno.
Eu fiz uma conta mental e meu queixo caiu.
— É daqui a uma semana.
Alice assentiu.
— Ah, mas não se preocupe. Miss Taylor pode cuidar de tudo facilmente. Estaremos prontos. Mamãe começará a enviar os convites amanhã pela manhã. Convidará todos os nobres da Europa. Será lindo! — ela sorriu e deu giros, animada.
Eu imaginava isso há semanas. Imaginava como seria estar em um verdadeiro baile. Um baile da realeza. Estar no mesmo salão que o rei e a rainha da Inglaterra e ter a chance de cumprimentá-los pessoalmente seria incrível.
Mas...
— Alice — eu a chamei baixinho, interrompendo sua comemoração.
Ela se virou para mim, curiosa.
— Sim?
— Eu... — olhei para meus pés enquanto falava. — O Conde lhe contou se... se os empregados estavam convidados?
Ela deu de ombros.
— Imagino que tenham que trabalhar na noite, na verdade. Não importa. Por que quer saber disso?
Mordi os lábios, insegura, e balancei a cabeça. Procurei a vassoura pelo chão e voltei a segurá-la, continuando a varrer.
Alice ficou ao meu lado, observando-me com uma sobrancelha arqueada.
— Bella...
— Sim?
— Quando você perguntou sobre os empregados, você se referiu a si mesma?
Dei as costas, continuando a varrer.
— Você se referiu a si mesma, Bella? — Alice insistiu com um sorriso tolo no rosto.
Suspirei.
— Sim. Também sou uma empregada, se já não se esqueceu.
Ela deu um risinho e me segurou pelos ombros, obrigando-me a olhá-la nos olhos.
— Bella. Você não é uma empregada. Você só trabalha porque é teimosa. Quando papai a trouxe para cá, não lhe deu a opção de trabalhar para sobreviver. Ele quis que você fosse uma nova filha para ele. Mas você recusou e disse que queria retribuir o favor, e trabalhar como camareira. E agora, Bella, dez anos depois, você diz que é uma empregada? — ela arqueou uma sobrancelha, mostrando completa incredulidade.
Eu desviei o olhar e fiquei quieta, esperando que ela me soltasse.
— Você vai para o baile — Alice decretou. — Vamos começar a procurar vestidos no final desta semana, em Paris. E você vai conosco.
Voltei a olhá-la e sorri brevemente.
— Obrigada, Alice.
— Você é a minha melhor amiga — ela disse. — E faz parte desta família. É claro que não iríamos esquecê-la.
Eu a abracei.
— Isabella Marie Swan! — ouvi os gritos agudos de Miss Taylor e virei-me para encará-la.
— Sim, Miss Taylor?
Ela ficou muda ao ver Alice ao meu lado, olhando-a surpresa, e fez uma pequena reverência, afastando-se.
— Não é nada. Perdoe-me, Miss Alice. Não vou interrompê-la novamente. — e se afastou em direção à sala de jantar.
Alice deu de ombros e eu ri.
****
No final daquela semana viajamos para Paris na carruagem do Conde. Ficaríamos lá durante dois dias, procurando por sapatos e tecidos para encomendar os vestidos. Um para Alice, outro para a Condessa Esme, outro para mim.
Chegando à modista mais famosa da capital da França, Alice meteu-se entre os vários tipos de tecidos diferentes pendurados para exibição. Escolheu cinco tipos para seu vestido e os entregou para a assistente da modista, entusiasmada. Virou-se para mim.
— Como vai querer o seu, Bella?
Dei de ombros. Estar ali já era bom demais para ser verdade. Mandar fazer meu próprio vestido de festa para meu primeiro baile sem ter que pagar já era muito perfeito.
— Ah, vamos lá, Bella — Esme tocou meu ombro, um sorriso gentil em seu rosto em formato de coração. — Escolha um tecido. Qualquer um. Depois veremos os modelos.
Condessa Esme Cullen era uma das mulheres mais bondosas e carinhosas que eu já havia conhecido. Como se irradiasse uma onda de calor e ternura para qualquer pessoa que se aproximasse. Quando ela falava comigo, tinha o dom de me fazer sentir a pessoa mais especial do mundo. Eu tinha certeza de que era assim com os outros também.
Tinha um cabelo cor de mel comprido preso em um coque no alto da cabeça, deixando algumas mechas lisas caindo delicadamente por seu rosto. Seu rosto era fino e delicado como o da filha, e seus olhos eram do mesmo tom de mel de Alice. Era muito bonita. Incrivelmente.
— Talvez cetim — opinou a modista, com um sorriso gentil. — Ou algo mais delicado. Seda. — aproximou-se de mim, tocando meu braço, sentindo a minha pele. — Hm, sim. A pele fina pálida, macia como seda. Seda seria uma escolha perfeita para a sua filha, madame.
Esme e Alice trocaram olhares e sorriram.
— Não, não, Isabella não é minha filha — a Condessa disse. — Ela é... uma amiga da família.
A modista virou seu olhar avaliador para mim. Olhos afiados e manipuladores, fazendo-me encolher-me.
— Très bien — ela disse com um sorriso falso. — Muito bem. Vejamos. — voltou-se para os tecidos pendurados nos cabides. — Como eu já disse, uma seda cairia perfeitamente bem em seu corpo, minha jovem.
Eu mordi os lábios e assenti.
— O que acha, Bella? — Esme voltou-se para mim, alheia ao comportamento falso da modista.
— Bem... — lancei um olhar rápido para a seda azul escura que a mulher alisava. — Não importa. Quero dizer, qualquer vestido serviria para mim. Não possuo nenhum tipo de ganância quanto a isso, condessa.
Esme sorriu docemente e tocou o ombro da modista.
— Quero a seda mais bonita da cidade. A mais cara.
A modista assentiu obedientemente e saiu da sala, dirigindo-se a uma escadaria no canto do cômodo.
****
— Impeccable — disse a modista, satisfeita. Seus olhos, no entanto, continuavam afiados como antes. Sob aqueles olhos, senti um arrepio descer pela espinha.
— Sim, impecável — concordou a condessa, com ares sonhadores. — Está linda, Bella.
Eu forcei um meio sorriso, virando-me para a cabine onde Alice se trancara há cerca de vinte minutos. Podia-se ouvir um barulho baixo vindo do outro lado, como um pequeno gemido.
— Alice — aproximei-me da porta, encostando a orelha na superfície. A condessa e a modista estavam do outro lado da sala, agora, procurando o terceiro vestido. — Alice, precisa de ajuda?
— Hmm... não... obrig... obrigada — ela gemeu mais alto e soltou um suspiro insatisfeito. — Ora, será possível que eu não consiga fechar este vestido?!
Eu abafei o riso e bati uma vez na porta.
— Alice, deixe-me entrar para ajudá-la.
Soltando outro suspiro, ela liberou a tranca e permitiu que eu entrasse. Alice talvez seja a garota mais pequena que conheço. Magra e baixa, tinha feições miúdas, e obviamente qualquer vestido apertado cairia bem nela. Até mesmo o espartilho, que eu tanto odiava, não a fazia sentir dificuldades em respirar. Ao contrário, ela o adorava.
Aquele vestido em minha frente, contudo, era ridículo. Não no quesito beleza, é claro, sendo Alice a garota de mais bom gosto que eu já havia conhecido. Mas ridículo no fato de ser apertado demais.
— Oh, meu Deus — suspirei, indo até Alice.
— Feche a porta — ela disse sob o fôlego, se é que ela ainda tinha algum.
— Desculpe — mordi o lábio inferior e recuei para recolocar a tranca. Depois voltei-me para ela. O zíper em suas costas só conseguia ir até o meio, e todo o tecido ao redor de sua cintura estava esticado de uma forma brutal, fazendo-me apenas ter uma pequena ideia de como Alice estava conseguindo suportar a dor.
— E é... só... o protótipo — ela suspirou, e o zíper desceu alguns centímetros. — Imagine como será quando nós o comprarmos.
— Não, não, não — puxei o zíper para baixo, fazendo-a dar um sorriso extasiado. — Alice, você não pode comprar este vestido. Escolha outro, qualquer outro. Ou um tamanho maior. Porque, por Deus, isto é...
Ela assentiu e começou a despir-se, chateada.
— Eu sei, eu sei — dizia. — Talvez seja melhor escolher outro. — levantou os olhos para me olhar. Sua expressão mudou. Seus olhos se arregalaram e sua boca se entreabriu em choque. — Oh, meu Deus. Bella, você está... você está linda.
Eu senti minha face esquentar e balancei a cabeça, abaixando-me para ajudá-la a tirar o vestido. Coloquei-o sobre o braço e virei-me para sair.
— Espere — Alice disse.
Eu parei. — Sim?
— Você não pode estar se achando menos do que bonita. E esse vestido também é um protótipo. Imagine quando o real estiver pronto. — eu me virei novamente para vê-la sorrir. — E como está se sentindo? O baile será em uma semana. Deve estar ansiosa.
— Nervosa — eu a corrigi —, sim.
Ela levantou os ombros.
— De qualquer maneira — seu sorriso se alargou —, não tem nenhuma dúvida? Nenhuma pergunta ou confidência que gostaria de compartilhar comigo?
Eu pensei um pouco, mordendo os lábios, e finalmente desabafei. — Eu não sei dançar.
Alice arregalou os olhos e me tomou as mãos.
— Ah, bem, não é grande coisa, Bella. Realmente, é fácil. Posso ensiná-la quando voltarmos.
Diante disso, joguei meus braços ao redor de Alice, deixando o vestido cair ao chão.
****
Após os piores dias de trabalho em minha vida, o salão do baile estava impecável. Miss Taylor manteve-se longe de mim durante todo o tempo em que Alice estava por perto, nos observando arrumar tudo com um olhar admirado.
— Lembre-se — ela me advertiu, arrancando a vassoura da minha mão. — Hoje à noite. Sete horas. Meu quarto. Vamos deixá-la linda.
Eu assenti e peguei a vassoura de volta, continuando a varrer.
A ansiedade havia se transformado em nervosismo havia algumas horas. Como se eu soubesse que não iria conseguir, afinal. Mesmo com o tempo extra ensaiando os passos de dança, eu sentia que não ficaria nem mesmo apresentável o suficiente. E pensar que todos os nobres estariam aqui... criava borboletas em meu estômago.
Às sete horas, os convidados começaram a chegar. A Condessa os recebia educadamente com Emmett ao seu lado. Os convidados sorriam, juntavam-se em pequenos grupos e se espalhavam pelo salão.
Eu me mantive em um canto, meio escondida, esperando por alguma deixa que nunca aparecia. De repente eu gostaria apenas de voltar ao meu quarto e ir dormir. Alice me contaria tudo o que acontecera pela manhã do dia seguinte.
— Bella — um assovio soou atrás de mim.
Virei-me em um salto para ela, já pronta e arrumada, olhando-me com decepção da porta da cozinha.
— Por que não subiu como eu mandei? — repreendeu-me aproximando-se e me segurando pelo braço. Começou a me arrastar para os fundos da casa, onde outra escadaria menos elegante nos levaria ao corredor dos quartos. — Logo minha mãe vai nos chamar e você não estará sequer vestida ainda.
— Acho que não vou — sussurrei.
Seus olhos voltaram à minha face, estreitos.
— O que disse?
— Alice, eu não...
— Você sabe dançar. Você vai ficar linda. E você vai para essa festa estúpida. Entendeu, Bella? Estamos esperando por isso há meses. Não pode simplesmente desistir em cima da hora. E já compramos os vestidos.
Meu vestido era azul. Um vestido de cetim azul, com camadas de um violeta claro brilhoso, e uma máscara de mesmo tom.
Enquanto me ajudava a vestir o espartilho, ouvi Alice sussurrar com pesar:
— Desta vez irá doer um pouco. Encolha a barriga o máximo que puder.
Eu assenti obedientemente e assim o fiz. Ela puxou os fios para trás, fazendo-me usar as mãos para me segurar na parede. Eu senti minha cabeça ficando tonta, mal podendo eu respirar.
— Ai, Deus.
— Eu sei — ela concordou. — Encolha a barriga. — voltou a puxar com mais força, fazendo-me gemer. — Vai valer a pena, contudo — ela garantiu. — Vai valer a pena.
O vestido foi mais fácil. Eu já havia aprendido a ficar sem respirar por alguns segundos, a controlar minha própria respiração, e então o que faltava era o penteado e a maquiagem, que chegaram a demorar quarenta minutos de puro silêncio concentrado e tenso.
— Voilà — Alice disse, finalmente, fazendo sinal para que eu me levantasse e encarasse minha imagem ao espelho.
Irreconhecível. Seria uma boa palavra para descrever como eu estava. Não era eu. Não podia ser. E, ainda assim, certos traços não pertenceriam a outra pessoa. Não, sem dúvida, era eu. Mas deveria haver algum erro. Qualquer erro...
— Quase oito horas — Alice me alertou com um sussurro apressado, e voltou-se para a penteadeira para ajeitar o próprio penteado. — Pronto. Vamos. — virou-se para a porta e me arrastou com ela pelo braço.
— Lembre-se de sorrir sempre, sob quaisquer circunstâncias, mesmo que se sinta desconfortável em frente a alguém, sorria — ela disse enquanto andávamos quase correndo pelo corredor. — Outra coisa: se alguém a convidar para dançar, aceite sem pensar. Não é educado demorar a aceitar ou recusar um convite. Não, chega a desrespeitar a honra da nossa família. E você não quer que os Cullen sejam desonrados, quer?
Eu balancei a cabeça imediatamente. Ela me deu um sorriso tranqüilizador assim que chegamos à grande escadaria.
— E aqui estamos. — disse ela, mostrando-me um salão já cheio de convidados, alguns dançando, outros conversando e rindo animadamente. — O Baile de Inverno.
Capítulo dois no Tempo Presente. Valeu , luv ya *--*
