E mais um capitulo. Ainda não será nesse que as coisas se revelam.


Está chovendo! Ando por uma calçada, pisando sobre o chão molhado.

Gosto de frio, mas não quando este vem acompanhado de chuva. O céu esta totalmente nublado, sou incapaz de ver um único raio de sol fugir por entre as nuvens escuras e carregadas.

Ando de cabeça baixa, segurando meu guarda-chuva com uma mão e com a outra seguro meu próprio queixo, pensando no nada.

As rachaduras do chão me parecem uma ótima vista, pois não paro de fitá-las. Escuto passos vindo em minha direção, na verdade correndo.

Levanto minha cabeça para ver do que se trata e sinto-me ser empurrada.

-Hei vocês! -grito para os pestinhas que passaram feito furacão por mim. Derrubaram-me no chão molhado e parecem nem ter se importado, não tiveram o trabalho de olhar para trás. Miseráveis!

Fecho meus olhos e massageio minhas costas, bateu na parede com o impacto, está doendo um pouco e tenho certeza de que vou ganhar um pequeno hematoma nessa área. Meu guarda chuva está caído de ponta cabeça ao meu lado, acumulando uma poça de água sobre ele. Perfeito! A chuva está caindo sobre mim.

Ajoelho-me no chão e apoio uma mão sobre o mesmo, me preparo pra levantar.

Uma mão.

Alguém está estendendo a mão para mim. Que gentileza.

Sem saber de quem se trata, não olhei para o rosto da pessoa apenas para a mão masculina, a seguro com firmeza, está muito fria. Sou puxada para cima, conseguindo ficar de pé.

-Obrigado! -eu digo enquanto olho para o meu casaco desalinhado e um tanto ensopado. Estou concentrada em ajeitar minha roupa e após fazê-lo, finalmente olho pra frente -Não é todo o dia que...

Não vejo ninguém.

Mas para onde foi o bom samaritano? Estou sozinha em meio a uma rua deserta onde mal passa carro, encharcada e morrendo de frio.

Tiro a água que se acumulou em meu guarda chuva e saio rápido desse lugar. Estou com aquela sensação de estar sendo vigiada.

OoOoOoOoOoOoOoO

A chuva não impedirá meu percurso.

Acabei de passar por um portão de ferro um tanto alto. Caminho pelo cemitério ainda sentindo frio, estou molhada e corro o risco de ficar resfriada.

Finalmente chego onde queria.

-Espero que ainda esteja inteira -falo olhando para o tumulo a minha frente. Abro meu casaco bege e tiro de dentro dele uma rosa branca. Está um pouco amassada e algumas pétalas se soltaram, mas é de todo meu coração. A deposito acima da sepultura, fecho meus olhos e posso escutar com clareza o som das gotas de água caírem forte e rapidamente sobre o chão.

Tirando o clima mórbido que esse ambiente traz, sinto-me em paz com a tranqüilidade que se tem aqui. Mas ainda estou com aquela sensação estranha de estar sendo vigiada. Não gosto disso.

Despeço-me do meu falecido irmão e finalmente retorno ao meu apartamento, neste domingo de tédio.

OoOoOoOoOoOoOoO

O amor é tão lindo! Gostaria de ser amada.

Observo meus amigos, Neji e Tenten, formam um casal tão bonito. Posso ver estampada no olhar de ambos, a paixão, que sentem um pelo outro.

Já tive namorados, poucos, mas nunca me senti verdadeiramente amada e ouso dizer que nunca amei. Estou solteira no momento e pretendo continuar assim até encontrar o que procuro, embora eu não faça a menor idéia do que seja.

Eu me sinto a espera de um romance, sempre estive esperando por um amor que desconheço. Tenho a sensação de que poderei amar um homem, somente um. Não sei de onde vem isso, mas sinto-me presa, é como se o meu coração já tivesse dono.

Estamos, Eu, o casal de pombinhos e meu outro amigo, Shikamaru, sentados em uma mesa circular do bar que sempre freqüentamos.

Percebo que Neji está segurando de forma possessiva a cintura da minha amiga, Tenten. Não deixo de rir internamente. Mas acho que fui à única que notou esse detalhe. Shikamaru me parece alheio a tudo ou simplesmente prefere estar.

-Por que não se junta a nós Sakura? -Tenten me olhava com um sorriso de malicia, ela não tem jeito mesmo, mas não adianta insistir para mim.

- Porque eu odeio boates. Prefiro ficar em casa lendo um bom livro -respondo convicta. Sinceramente odeio barulho. Tenten já conhece minha resposta então simplesmente suspira desanimada.

-Você me lembra a minha tia avô, a peste em pessoa, autoritária e antiquada -fecho a cara com esse comentário do Shikamaru.

Vejo que Tenten começou a rir escandalosamente para amenizar a situação. Ela deve achar que eu vou agarrar o pescoço do individuo ao meu lado, mas engana-se. Sou madura o suficiente para calar-me diante dessas piadas, já estou acostumada. Ainda mais vindas do Shikamaru, ele parece não ter consciência da própria ironia, é o inteligente mais burro que eu conheço.

Não sou antiquada, apenas tenho um gosto diferente, pelo menos comparada às mulheres da minha idade.

-Também não quero ir nesse lugar -escuto Neji dizer para Tenten, e ela é claro não gostou nenhum pouco, mas ela tem seus truques. Com o maior descaso do mundo ela disse que, já que ele não quer ir junto, se divertirá sozinha no meio da pista de dança. Já deu pra imaginar, o demônio possessivo tomou conta do Neji. Ele não tem coragem de deixá-la a solta por ai, com lobos famintos a cercando. Deu-se por vencido, mas com certeza isso não seria de graça, se bem o conheço, cobrará dela quando estiverem a sós.

O Neji é um cara bem reservado, aprecio isso, mas minha querida amiga Mitashi é o oposto. Quando se conheceram...Nem quero comentar, odiavam-se, justamente por serem tão distintos um do outro. Ma no final deixaram o orgulho de lado e agora estão desse jeito, apaixonados.

OoOoOoOoOoOoOoO

Olho para a montanha de livros a minha frente, tenho de arrumar todos eles. Não sei o que está acontecendo hoje, mas sinto-me cansada, mais do que o normal. Estou com um leve mal estar.

Deixo isso de lado e ponho a mão na massa.

-Finalmente! -exclamo com orgulho. Observo tudo arrumado com um sorriso de satisfação no rosto.

Meu expediente acabou. Ando pela rua que leva até onde eu moro, só falta uma quadra para chegar a minha moradia.

É impressão minha ou o ar está mais carregado? Sei que está frio, mas essa neblina está um tanto exagerada. Mas eu não sinto aquela brisa carregada de gotículas de água. Será só impressão minha?

Minha respiração está ficando mais pesada e a neblina está aumentando. Paro de andar, pois estou me sentindo tonta. Apoio uma mão no poste de iluminação que está ao meu lado, minha outra mão eu levo até minha testa.

Afinal o que está havendo comigo? Respiro fundo e tento continuar o meu caminho, mas com essa neblina está difícil de enxergar.

-Só mais um pouco -Incentivo-me. Já posso ver, meio distorcida, a portaria do condomínio, mas minhas pernas estão fracas e estou sentindo uma pequena e leve pontada no peito.

Não consigo mais caminhar e minha visão não ajuda, será a neblina ou eu que estou ficando desnorteada? Rendo-me ao chão de concreto, caindo para frente, até posso sentir o impacto. Antes de perder totalmente os sentidos, sinto-me ser amparada por braços fortes. Não faço idéia de quem seja, porque em seguida não sinto mais nada.

OoOoOoOoOoOoOoO

-Volte para mim...

Quem está falando? Minha cabeça dói, não consigo abrir os olhos.

-Porque os humanos têm de ser tão fracos?

Sinto meu rosto ser acariciado, me arrepio. Que toque gelado.

-Tão frágeis...

Essa voz. Eu já ouvi antes.

-Não vou deixá-la partir de novo...Não agora.

Sim! É a voz que ouço todas as noites.

-Catherine volte para mim!

Sinto-me na obrigação de abrir os olhos. Com um pouco de esforço eu consigo, e vou os abrindo vagarosamente. Minha visão vai focando um teto branco, mas está tudo meio escuro por aqui.

Espera um minuto. Esse é o meu quarto! E eu estou deitada em minha cama, mas como eu cheguei até aqui? Minha mão está sendo segurada por outra mão.

Olho para o lado e assusto-me ao ver uma silhueta desconhecida. Em reflexo eu me sento sobre a cama com o coração disparado, mas não sei se é pelo susto ou pelo fato da minha mão ainda estar sendo segurada.

-Q-Quem é você? -Pergunto tremula, não consegui evitar.

-Você sabe quem eu sou -Ele me responde. É uma bela voz masculina -Lembre-se quem você é.

Do que ele está falando? Como assim lembrar quem eu sou? Eu sem muito bem quem eu sou, Sakura Haruno. Mas ainda não sei quem é ele. Espera aquele nome...

-Sasuke? -arrisco chamá-lo. Por causa da escuridão estou impossibilitada de ver qualquer tipo de expressão no rosto dele -Sasuke Uchiha?

Eu apenas sinto ele apertar minha mão como resposta. Novamente meu coração dispara e dessa vez não é por susto.

Eu deveria ter medo dele, um desconhecido, que pode tentar qualquer coisa, até mesmo me matar. Mas ao invés disso eu sinto meu corpo se aquecer e meu coração descompassar. Por que? Eu nem o conheço.

No seguinte momento eu me senti ser puxada pela mão e fui de encontro ao corpo dele. Senti uma mão sobre o meu rosto, porque ele é tão frio? Não possui calor algum.

Ele está tão perto do meu rosto, mas não sinto a respiração dele mesclar-se com a minha. Ele está se aproximando e junto a isso minha face ferve.

Ele me beija. Sou incapaz de rejeitá-lo, apenas fecho meus olhos e correspondo. É tão maravilhosa essa sensação, e alias já a senti antes. É esse o gosto que sinto todas as noites. Separo-me dos lábios que a pouco me sufocavam de desejo.

-Lembre-se...-É tudo o que eu escuto antes de um vento forte invadir o quarto. Rapidamente acendo o abajur, mas já não há ninguém por aqui.

"Catherine volte para mim!"

Por que ele me chama de Catherine? Está tudo tão estranho, confuso e perturbador. E eu ainda sinto aquela pontada no peito, fraca, mas ainda está presente em mim.


Ebaaa leitoras, entre elas duas conhecidas, Marin the noir dona da comu Sasuke e Sakura 4ever e a Nihal que é colega de comu e de fianfic né.

espero conhecer os leitores durante a fic.

Respondendo a pergunta da mye-chan. Sim ela tem continuação e não está relacionada com a outra que você leu. Aquela é mó antigona, minha primeira fic, essa é novinha.