2. Lágrimas alegres e sorrisos tristes.
O dia seguinte amanheceu nublado. O sol estava encoberto. Curiosamente o dia estava igual ao clima da casa dos Field. Se passara um mês desde da morte da senhora Field e era a missa de um mês de morte durante esse tempo, Valey não mudou seu comportamento com seu pai, ao contrário, o mesmo piorava a cada dia. Ela passava a maior parte do tempo em seu quarto e só se encontrava com seu pai na hora das refeições e ainda assim mal se falavam.
O relacionamento dos dois sempre fora um tanto difícil. Apesar de Claus Field dar tudo que Valey e sua falecida mãe necessitavam, faltava algo, o principal: amor e carinho. Como ele era um rico comerciante, vivia tratando de negócios e mal tinha tempo para ficar com a família. Era frio, parecia que cuidava da família apenas por pura obrigação e com Valey não era diferente.
O Sr. Field só pensava que precisava casar Valey o mais rápido possível com Dreik, só assim ela se ajeitaria. No dia do enterro de sua mãe, dois dias depois que ela faleceu, Valey, vendo seu pai chorar logo pensou: "Como é falso, eu sei muito bem que essas lágrimas no fundo são de alegria por minha mãe ter partido. Canalha!". Assim que a missa acabou, muitas das pessoas foram para casa, mas outras a convite de seu pai foram para a casa dos Field para refletir e conversar um pouco mais sobre a falecida e para a surpresa de Valey, não tão surpresa assim, seu pretendente, Dreik estava lá. Em uma determinada hora da noite, seu pai a chamou:
-Valey, preciso falar com você. É realmente importante.
-Mas eu não quero.
-Você tem que vir comigo. – disse ele agarrando Valey pelo braço.
-O senhor não vai querer dar vexame aqui, não é , meu pai?
-Basta vir comigo. Tenho certeza que será de seu proveito.
Valey então aceitou, em memória de sua mãe, pois se quisesse, faria um verdadeiro escândalo. Seu pai a conduziu á biblioteca, chegando lá, ela viu Dreik. Eles entraram e Valey pressentindo a conversa que viria, tentou permanecer séria como sempre.
-Valey, eu trouxe o senhor Dreik aqui porque vocês têm um assunto pendente e precisam conversar. – Valey fez uma cara de indiferença, mas teve um idéia.
-Á princípio, eu poderia dizer que não tenho nada para conversar com esse senhor, mas agora vejo o contrário.
-Ótimo! – exclamou o senhor Field com satisfação – Vou deixá-los a sós. – disse o Senhor Field saindo da biblioteca.
-Valey, meu amor, perdoe-me se fui um pouco precipitado. Mas o meu maior desejo é me casar com você. Eu a amo.
-Tenho certeza que sim. Perdoe-me pelos meus maus modos. Eu sinto muito, mas percebi que não há razão para brigarmos mais.
-Fico feliz em ouvir isso. – disse Dreik erguendo os braços para abraçar Valey.
-Vamos com calma, querido. – disse ela se desviando do abraço de Dreik – Teremos tempo pra isso no dia em que nos casarmos e eu mal posso esperar para que esse dia chegue.
-Pena que eu não trouxe a sua aliança, assim você poderia colocá-la e se tornar minha noiva novamente.
-Por que não vem amanhã? Pedirei para meu pai organizar um jantar especial para o senhor. Que tal ás 20:00h? Quando chegar, suba. Pois quero descer as escadas ao seu lado.
-Se é assim que quer. Assim será.
-Então o verei amanhã, marcaremos a data, que eu espero ser o mais rápido possível e assim ficaremos bem.
-Não sabe como eu quero você, tenho que me controlar para não abraçá-la, beijá-la. – disse ele em um susurro.
-Repito que teremos tempo para isso. Por enquanto terá que me cortejar para que a cada dia eu fique mais encantada com meu querido noivo. Agora é melhor ir, pois amanhã será um dia inesquecível, para nós dois.
-Claro, querida. – disse Dreik se retirando da biblioteca.
" Babaca! Não acredito que tive que falar todas essas coisas, mas vai valer á pena. Tenho certeza que vai". Com esse pensamento em mente, Valey se dirigiu a seu pai, que estava na sala. Todos os convidados haviam saído e ela precisava comunicar a seu pai sobre o compromisso que marcara com o senhor Dreik, tinha certeza que ele ficaria radiante, afinal o mês de luto prometido já passara.
-Meu pai, preciso comunicar algo. – disse Valey.
-Espero que eu fique satisfeito com esse comunicado, Valey. O senhor Dreik saiu a alguns minutos e disse que você falaria comigo sobre essa situação. Então, o quê houve?
-Melhor sentar, meu pai. – disse Valey apontando o sofá, á medida que os dois sentavam. – Eu conversei bastante com o senhor Dreik e nós chegamos a uma conclusão sobre o assunto referente ao nosso noivado e casamento.
-E que decisão foi essa, Valey? Por favor, não me decepcione de novo.
-Não decepcionarei, me pai. Eu marquei um jantar amanhã, ás 20h com o senhor Dreik, para que ele marque a data do casamento logo. E ele também trará a aliança que eu, tola joguei no chão, no dia em que minha mãe morreu. Meu pai, vi que não há mais motivo para que nós briguemos mais, pois o senhor Dreik realmente será o marido ideal para mim.
-Ah, finalmente! – disse o Sr. Field com mais satisfação do que dissera anteriormente – Fico feliz por vocês dois minha filha, será um ótimo casamento.
-Meu pai, amanhã, quando o Sr. Dreik chegar, ele subirá para me esperar descer junto com ele. Quero que o senhor me veja descendo as escadas com aquele que será meu futuro marido.
-Por mim não há problema, minha querida. Amanhã será uma noite inesquecível.
-Vou me recolher, amanhã tenho que preparar muito bem para o jantar. Boa noite.
-Boa noite, mandarei os cozinheiros prepararem um cardápio especial para vocês.
-Com licença – disse Valey, saindo da sala com um sorriso especial no rosto.
O Sr. Field estava radiante, satisfeito. Sentia que finalmente sua filha havia tomado juízo, porém mal sabia do que estava prestes a acontecer na noite seguinte. Valey subiu as escadas, não suportou aquela situação de ter que falar com seu noivo, para ela, ele era um sujeito desagradável e que se gabava demais, ele nem ao menos percebia os sorrisos tristes que ela dava, pois mesmo com raiva dele e de seu pai, ela lembrou de sua mãe nesse dia.
