Capítulo II
Um gemido baixo chamou a atenção de Bella, que virou-se para espiar a irmã, na semi-escuridão do interior da carruagem. Rosalie tinha os olhos fechados, mas o cenho franzido indicava que estava acordada. Ela se mexia, inquieta, enquanto o veículo sacudia.
Então os cavalos escorregaram na estrada coberta de gelo, e Bella teve de se segurar para não cair. Quando a carruagem finalmente retomou a posição correta, ela viu que Rosalie havia se encolhido como uma bola, firmemente encaixada no canto do banco.
Bella voltou a se concentrar na paisagem sombria. A tarde escura e chuvosa de fevereiro chegava ao fim. Logo ela avistou a hospedaria Three Feathers, situada na metade do caminho entre Swanland e Londres, na estrada de Bath. Passariam a noite lá. Se estivesse viajando sozinha, Isabella faria a viagem em um único dia, mas Rose sofria em viagens. Com sorte, se continuassem naquele ritmo lento e descansassem a noite inteira, ela chegaria a Londres em condições de, ao menos, cumprimentar a avó.
A única outra ocupante da carruagem era a criada de meia-idade, Angela, que cuidara das irmãs desde o berço. Ela cochilava, envolta em xales de lã, em frente a Bella. Depois de muita consideração, tia Sue fora deixada em casa. Embora não houvesse nenhuma mensagem específica a esse respeito na carta de lady Esme Merion, convocando-as para uma temporada em Londres, as conversas na mansão Swan haviam deixado claro que tia Sue continuaria a cumprir sua função, e acompanharia as jovens na viagem. No entanto, o reumatismo de tia Sue era legendário, e Bella não queria se sobrecarregar com a implicante, embora muito amada senhora, fosse na estrada, fosse em Londres, onde as duas esperavam se divertir. Além do mais, a opinião de tia Sue sobre os homens de qualquer posição era extremamente desanimadora. Bella acreditava que a presença dela não ajudaria em nada a encontrarem um bom marido para Rose. Ainda assim, em sua carta cortês, informando lady Esme de sua chegada, não fazia nenhuma referência a tia Sue.
Eric, o cocheiro, sentiu-se grato pelo fato de a chuva haver se mantido fraca, pois a viagem a Londres era sempre arriscada. E ficou aliviado quando finalmente parou a carruagem diante da grande hospedaria. Cavalariços apressaram-se em desatrelar os cavalos, enquanto o proprietário, Sr. Black, ajudava as irmãs a sair da carruagem.
Lá dentro ele se mostrou ansioso e não demorou a se desculpar e explicar:
— Há um torneio na vila, senhorita. Estamos lotados, reservei um quarto para as senhoritas, mas receio não ser possível servir-lhes o jantar em uma sala particular.
Bella respirou fundo. Depois de viajar naquele ritmo tão lento, durante o dia inteiro, pouco importava o que acontecia à sua volta, desde que ela e Rose tivessem uma boa noite de descanso. Depois de olhar em volta e se certificar de que o lugar era limpo e bem arrumado, disse.
— Muito bem. Poderia nos levar até o quarto, por favor?
O Sr. Black adivinhara a posição das irmãs Swan pela carta enviada por Isabella, solicitando a reserva de um quarto e uma sala particular. No entanto, achava uma vergonha duas moças tão jovens e bonitas viajarem acompanhadas somente por criadas. Sabendo o que deveria acontecer na hospedaria antes que a noite chegasse ao fim, teve o cuidado de preparar para elas um quarto grande, próximo à parte da construção reservada à sua própria família, relativamente isolada dos demais aposentos.
Quando chegaram ao topo da escada, o Sr. Black abriu uma porta pesada.
— Instalei-as neste quarto, senhorita, porque fica isolado dos outros. Em breve a hospedaria estará lotada de cavalheiros que vieram assistir ao torneio. Minha esposa sugeriu que as senhoritas ficassem em seu quarto, pois ela e minhas filhas trarão o seu jantar, e tudo mais que precisarem. Assim evitaremos qualquer ocorrência desagradável. Trarei sua bagagem em instantes.
Com isso, ele se retirou, deixando as duas irmãs consternadas, olhando uma para a outra, sem saber o que fazer.
— Talvez seja melhor seguirmos viagem, Srta. Isabella — disse Angela, sentando-se em uma poltrona diante da lareira — Tenho certeza de que sua avó não vai gostar de saber que as senhoritas passaram a noite em uma hospedaria repleta de homens!
— Não creio que haja outra hospedaria perto daqui, Angela. Além disso, o proprietário está certo. Se ficarmos aqui dentro, com a porta trancada, o que poderia nos acontecer? — Bella falou com a calma habitual, enquanto tirava a capa e as luvas.
— Bem, se você não se importa, Bella, prefiro ficar aqui a voltar para a estrada. — disse Rosalie.
A voz fraca convenceu Bella de que a irmã não se sentia nada bem.
— Ficaremos aqui, querida. Por que não se deita até o jantar chegar? Na verdade, acredito que se sairmos daqui correremos o risco de ficar em situação ainda pior.
Ouviram uma batida na porta.
— Quem é? — Angela inquiriu.
— Sou eu, Rebecca, filha do proprietário.
Angela abriu a porta, e uma jovem de rosto bonito e corpo roliço entrou, carregando as malas.
— Minha mãe logo mandará o jantar, mas gostaria de saber se as senhoritas desejam alguma,coisa.
— Ah, sim. Gostaríamos de água quente para nos lavar e de uma cama extra para nossa criada. Prefiro que ela durma aqui, conosco. — Bella declarou.
— Sim, senhorita. Estarei de volta em um segundo.
Pouco depois, Rebecca voltou com uma grande jarra de água quente e uma cama desmontada. Enquanto ela e Angela armavam e arrumavam o pequeno móvel, Bella e Rose lavaram as mãos e o rosto e sentiram-se bem melhor.
Uma vez cumprida a sua tarefa, Rebecca voltou a se dirigir a Bella.
— Trarei o seu jantar dentro de meia hora, senhorita. Não se esqueça de trancar a porta quando eu sair.
Bella agradeceu e fechou a porta. Rose deitou-se, e Angela voltou a se sentar diante da lareira. Uma vez resolvidos os problemas imediatos, Bella pôs-se a andar de um lado para outro, sentindo-se dolorida e inquieta. Depois de um dia inteiro na carruagem, ansiava por um pouco de ar puro, antes de enfrentar a noite abafada dentro do quarto. De repente, lembrou-se de Eric. Tendo Rosalie como passageira, o normal seria partirem no meio da manhã. Porém, como a hospedaria estivesse lotada de cavalheiros, talvez fosse melhor partir bem cedo, quando ainda estivessem dormindo. Olhou pela janela, mas descobriu que seu quarto dava vista para os fundos do estabelecimento. Colou o ouvido na porta e não ouviu nenhum barulho que indicasse a presença dos tais cavalheiros.
Atravessou o quarto com passos rápidos e sussurrou para Angela:
— Vou descer para falar com Eric. Devemos partir bem cedo, amanhã, para evitar os cavalheiros. Fique aqui e cuide de Rose. Vou demorar apenas um instante.
Antes que a criada pudesse protestar, apanhou a capa e saiu. Parou no topo da escada para vesti-la e ouviu o som de gargalhadas. Desceu os degraus em silêncio e seguiu pelo corredor, na direção oposta, chegando à porta que se abria para o pátio lateral. Lá fora, cavalariços trabalhavam apressados, e Eric não estava por ali. Por isso, Bella afastou-se da porta e foi espiar o estábulo.
— Ora, ora! O que temos aqui? Uma coisinha linda! Venha comemorar conosco!
Ao sentir o braço forte em torno de sua cintura, ela sentiu o sangue gelar. Bella virou-se e deparou com um par de olhos azuis, que pareciam ter dificuldade em focalizar seu rosto. Ora, o homem estivera bebendo!
Ele a arrastou na direção de um grupo de sete homens semi-embriagados, determinados a ter uma longa noite de diversão. Bella deu-se conta do seu erro tarde demais. O pátio principal estava repleto de cavalheiros. Um deles puxou seu capuz, revelando-lhe o rosto. Ela tentou desesperadamente desvencilhar-se do jovem que a arrastava, mas ele manteve a mão firme em seu braço.
No mesmo instante, uma voz indolente interrompeu o burburinho:
— Deixe a dama em paz, Crowley. Eu a conheço e não posso permitir que continue a incomodá-la.
Reconhecendo a voz, Bella desejou que o chão se abrisse sob seus pés e a engolisse.
O efeito daquelas palavras foi imediato. O rapaz soltou-a ao mesmo tempo que o marquês se aproximava.
— Ah, desculpe, Cullen! Eu não fazia idéia de que ela é uma dama.
As últimas palavras fizeram as faces de Bella arderem. Ela ajeitou o capuz, enquanto os homens tentavam ver quem era a mulher que merecia a proteção de Edward.
O marquês encaminhou-se para ela, sem pressa, dizendo:
— Tenho certeza de que todos gostariam de pedir desculpas por qualquer embaraço que tenham causado à senhorita, mesmo sem saber com quem falavam.
Um verdadeiro coro se ergueu do grupo.
— Mil desculpas, madame!
— Não tivemos a intenção de ofendê-la, senhorita.
— Por favor, não guarde mágoas, madame!
Black, tendo se dado conta do problema um tanto tarde, correu para o grupo a fim de prestar assistência ao seu freguês mais ilustre.
— Black — o marquês chamou, ao vê-lo —, creio que uma rodada de rum faria bem aos cavalheiros, depois desse pequeno mal-entendido,
— Sim, milorde, claro! Se os cavalheiros me acompanharem, terei prazer em servir-lhes doses do meu barril especial!
Assim, não foi difícil levar os homens para o refeitório.
Quando os outros se afastaram, Emmett, lorde McCarty, postou-se diante do amigo, erguendo as sobrancelhas em uma interrogação muda. Afinal, atravessava o pátio ao lado de Edward quando o marquês proferira um palavrão e lançara-se na pequena multidão. Embora fosse quase tão alto quanto o amigo, com Edward à sua frente fora impossível enxergar o que atraíra a sua atenção. Ao se aproximar, ouvira o conhecido tom de voz lânguido do marquês, e calculou que havia uma senhorita por perto. Mas foi somente quando Edward virou-se para falar com Black que McCarty deu-se conta de que Edward estava, na verdade, protegendo-a dos olhares curiosos dos homens espalhados pelo pátio.
Agora Cullen dirigia-se a ele.
— Verifique se entraram todos, por favor, Emm. Irei me juntar a você dentro de alguns minutos.
Emmett assentiu e, sem dizer uma só palavra, virou-se na direção da hospedaria. O tom lânguido dera lugar à voz normal de Edward, e bastou um olhar para o rosto do amigo de infância para confirmar as suas suspeitas: o marquês estava furioso.
Quando, finalmente, ficaram a sós, Bella tentou voltar ao pátio lateral, mas Edward segurou-a pelo braço, impedindo-a de se afastar.
— Prometo acompanhá-la dentro de um instante. Gostaria de trocar algumas palavras com a senhorita.
Mesmo para Bella, que mal o conhecia, as palavras soaram ameaçadoras. Já era ruim ver-se em uma situação como aquela, mas estava mortificada por ter sido defendida justamente por ele.
Para seu alívio, o marquês conduziu-a ao pátio lateral, quase deserto.
— Posso saber o que estava tentando fazer sozinha aqui fora? — ele inquiriu, sarcástico.
Em vez de se intimidar, Bella empinou o queixo e sustentou-lhe o olhar.
— Se quer mesmo saber, estava tentando encontrar o meu cocheiro para dizer a ele que pretendo deixar a hospedaria bem cedo, amanhã, para evitar exatamente o tipo de atenção que, lamentavelmente, não pude evitar agora.
Edward estreitou os olhos.
— Creio que foi muita displicência de Black não adverti-la para que ficasse em seu quarto.
— Ele me advertiu.
A expressão dele tornou-se ainda mais dura.
— Mal posso acreditar na sua falta de cuidado com a própria reputação. Já lhe avisei que esse seu jeito independente não será bem aceito na sociedade. Só me resta repetir o que já disse: não saia sem companhia, sejam quais forem as circunstâncias, aconteça o que acontecer. Se eu voltar a encontrá-la sozinha, farei com que não possa se sentar durante uma semana!
Ao vê-la arregalar os olhos, incrédula, acrescentou:
— Ah, sim, eu seria perfeitamente capaz de fazer isso.
Fitando aqueles olhos fascinantes, Bella soube que a ameaça não era um blefe. Àquela altura, porém, estava tão furiosa quanto ele. Com que direito ele lhe dava ordens e a ameaçava? Sujeito arrogante, autoritário e insuportável! Naquele momento Cullen pareceu dar-se conta de que ainda estavam no pátio. Sem perder tempo, levou-a para dentro.
— Onde fica o seu quarto? — inquiriu.
Ainda incapaz de falar, Bella apontou para o topo da escada.
— Excelente! É, sem dúvida, o quarto mais seguro da pousada esta noite. Você não terá uma noite de paz, mas também não sofrerá interrupções indesejadas.
Ignorando a expressão irada no rosto dela, empurrou-a para a escada. Bella virou-se, na intenção de passar-lhe uma descompostura, enquanto estava acima dele. Infelizmente, ele adivinhou seus pensamentos e, rapidamente, passou por ela, voltando a assumir a posição de domínio que sua alta estatura lhe proporcionava.
De repente, o proprietário apareceu no corredor.
— Black!
— Sim, milorde?
— Uma dose do seu melhor conhaque, imediatamente.
— Sim, milorde!
Embora considerasse o pedido estranho, Isabella não lhe deu atenção, considerando-o mais uma prova das extravagâncias do marquês.
— Lorde Cullen! — começou, decidida a dar vazão à sua fúria — Devo dizer que o tratamento que me dispensa é inaceitável! Não vou mais admitir seus sermões sobre a minha conduta, pois o senhor não tem esse direito. O que aconteceu esta noite foi um acidente lamentável. Sou perfeitamente capaz de cuidar de mim mesma e...
— Teria preferido se eu a houvesse deixado nas mãos de Crowley e seus amigos? — ele a interrompeu com eficácia — Tenho certeza de que não ia se divertir nem um pouco.
Mais uma vez, Cullen pôde ler os pensamentos dela através da expressão de seu rosto. Ao se dar conta de que, graças ao marquês, não se encontrava em uma situação desesperada naquele exato momento, Bella empalideceu. Enquanto a observava, viu Black aproximar-se. Apanhou o copo pedido e disse:
— Falarei com você dentro de alguns minutos, Black. — então, virou-se para Bella ê estendeu-lhe o copo — Beba.
— Não bebo conhaque.
— Há sempre uma primeira vez. — como ela continuasse imóvel, Edward suspirou e explicou: —Talvez você não saiba, mas está exibindo todos os sintomas de choque. Está muito pálida, e seus olhos estão vidrados. Em breve começará a tremer e sentir-se muito fraca. O conhaque vai ajudar. Portanto, seja uma boa menina e beba. Do contrário, serei obrigado a forçá-la.
Percebendo que sua luta era inútil, Bella aceitou o copo e levou-o aos lábios. O marquês esperou pacientemente até que ela esgotasse a bebida. Então, lembrando-se do que ela tentava fazer no pátio, perguntou:
— Está viajando para Londres? — ela assentiu — Como se chama o seu cocheiro?
— Eric. Pensei em dizer a ele que partiremos às oito horas.
— Uma escolha sensata. Cuidarei para que ele receba o recado. Agora, sugiro que entre em seu quarto, tranque a porta e só abra para a família do proprietário. — ele declarou em tom calmo, sem nenhum indício de emoção.
— Sim, sim, claro.
Bella estava atordoada. A mistura de choque, fúria, conhaque e marquês de Cullen exerciam um efeito definitivamente embriagante. Respirando fundo, ela manteve a cabeça erguida e disse:
— Milorde, devo agradecer-lhe por ter me ajudado, libertando-me daqueles cavalheiros
Ao erguer os olhos, deparou com o sorriso mais encantador que já vira.
— Sim, creio que deve, mas não se preocupe com isso agora. Quando estiver em Londres, tenho certeza de que encontrará muitas oportunidades de fazer com que eu me arrependa do comportamento arrogante e odioso que tive em seguida. — depois de fitá-la por um longo momento, murmurou, ainda sorrindo: — Boa noite, Srta. Swan.
Sem saber o que dizer, Bella virou-se e bateu na porta.
— Angela, sou eu.
Sempre sorrindo, Edward retirou-se para as sombras, quando a porta se abriu com alarde.
— Por Deus, senhorita! Entre, depressa. Está pálida como um fantasma!
Bella foi puxada para dentro, e a porta, trancada.
Edward esperou até ouvir todas as trancas ser acionadas. Então, desceu a escada pensativo. Na porta dos fundos, encontrou Black.
— Black, tenho um problema.
— Pois não, milorde.
— Quero ter a certeza de que as damas não serão perturbadas pelo resto da noite. Por acaso não tem um primo grande e forte por perto, que poderia assumir o posto de sentinela?
Billy exibiu um sorriso largo ao ver a moeda de ouro entre os dedos do marquês.
— Bem, milorde, meu filho mais velho queixou-se de uma terrível dor de dente, o dia todo. Acho que ficará satisfeito em deixar a cozinha para assumir tal posto.
— Ótimo. — a moeda mudou de mãos — E... Black?
— Sim, milorde?
— Também quero ter a certeza de que as damas recebam o melhor tratamento possível.
— Claro, milorde. Minha esposa levará o jantar para elas, agora mesmo.
Edward assentiu e saiu para o pátio. Lá procurou por seu valete.
— Billy?
— Sim, milorde?
— Quero que encontre um homem chamado Eric. É o cocheiro das Srtas. Swan. Diga a ele que a Srta. Swan deseja partir às oito horas, amanhã, a fim de evitar a confusão que haverá por aqui mais tarde.
— Está bem, milorde.
— Mais uma coisa, Billy. Esteja aqui, amanhã, às oito horas. Se as senhoritas encontrarem qualquer tipo de dificuldade para deixar a hospedaria, quero ser chamado imediatamente.
— Sim, milorde.
— Muito bem. Boa noite, Billy.
Billy afastou-se, nem um pouco perturbado pela idéia de se levantar mais cedo, desde que pudesse ver a Srta. Swan de perto. Presenciara a discussão dela com seu patrão, e sabia que o marquês não estava se comportando como de costume. Afinal, ele jamais perdia a calma com uma dama. Por isso, Billy daria tudo para saber como era a jovem capaz de alterar tanto o equilíbrio de seu patrão.
Edward entrou na hospedaria pela porta da frente e aproximou-se do refeitório. Através de uma nuvem de fumaça azulada, certificou-se de que todo o grupo de jovens dos quais ele havia resgatado Isabella estava lá. Então, dirigiu-se à sala particular que sempre tinha à sua disposição quando se hospedava ali. Quando entrou, McCarty descascava uma maçã, com os pés apoiados na mesa.
Ao vê-lo, o amigo riu.
— Ei! Aí está você! Já começava a me perguntar se seria prudente sair em seu socorro.
Edward exibiu um leve sorriso.
— Tive de tomar algumas providências, depois que acompanhei a Srta. Swan até seu quarto.
Então, tirou a capa de viagem serviu-se de um copo de vinho.
— E quem é essa misteriosa Srta. Swan?
O marquês ergueu as sobrancelhas.
— Não há mistério algum. Ela mora em Swanland, propriedade vizinha de Denali Park. Ela e a irmã estão a caminho de Londres para visitar a avó, lady Esme Merion.
— Compreendo. Como nunca ouvi falar dela?
— Ela sempre viveu no campo e nunca freqüentou os mesmos círculos que nós.
Naquele momento, Black entrou, trazendo bandejas repletas de comida.
— Até que enfim! — Emmett aplaudiu — Estou faminto!
— Fiz tudo o que o senhor pediu, milorde. — Black informou a Edward, depois de colocar os pratos na mesa.
O marquês assentiu em agradecimento, e Billy se retirou. McCarty estudou o amigo, mas não disse nada.
Comeram em agradável silêncio. Os dois haviam crescido juntos, tendo nascido em propriedades vizinhas, com um mês de diferença. Mais tarde haviam estudado juntos em Eton e, depois, Oxford. Durante os últimos dez anos, vivendo em Londres, os lordes Cullen e McCarty eram como irmãos. Não costumavam guardar segredos um do outro, mas por alguma razão que ele mesmo ainda não saberia explicar, o marquês omitira seu encontro com Isabella Swan do melhor amigo.
Uma vez terminada a refeição, Emmett retomou a ofensiva:
— É tudo muito nebuloso.
Resignando-se ao inevitável, Edward ainda fingiu inocência.
— O que é nebuloso?
— Você e a Srta. Swan.
— Por quê?
— Bem, para começar, conte-me como a conheceu, uma vez que ela não freqüenta os mesmos círculos que nós.
— Nós nos encontramos apenas uma vez, informalmente.
— Quando?
— Em agosto, quando estive em Denali Park.
Emmett estreitou os olhos escuros.
— Fui visitá-lo em Denali Park, em agosto, e você disse que quase não havia moças interessantes por lá.
— Ah, sim — Edward murmurou, pensativo — Lembro-me de ter dito algo assim.
— E, com certeza, esqueceu-se da Srta. Swan naquele momento.
O marquês exibiu um sorriso maroto.
— Exatamente, Emm.
— Não espera que eu acredite nisso, espera? E, se eu não acredito, ninguém mais acreditará. E como Crowley também está hospedado aqui, é melhor você pensar em uma boa explicação, a menos que queira se tornar o assunto de toda Londres.
Edward suspirou.
— Infelizmente, você está certo.
Sir Tyler Crowley era um homem tolerado pelas damas da sociedade por sua habilidade em tecer fofocas maliciosas. Sem a menor sombra de dúvida, ele contaria como o marquês protegera uma senhorita de cavalheiros atrevidos em uma hospedaria. O fato de que Edward ficaria profundamente contrariado por ter seu nome envolvido em um acontecimento como esse garantiria que a fofoca corresse solta entre a Ton. A história em si não tinha importância, mas revelaria o fato interessante de que o marquês já conhecia a Srta. Swan, o que poderia criar complicações.
Após alguns minutos de silêncio, Edward ergueu os olhos.
— Desta vez, a verdade não poderá vir à tona. — confessou — Os detalhes do meu primeiro encontro com a Srta. Swan provocariam um verdadeiro escândalo.
Emmett estava surpreso, pois o amigo sempre tivera muitos envolvimentos, mas jamais agira de maneira duvidosa com uma dama de sua classe.
— Está dizendo que, quando a conheceu, ela estava desacompanhada?
Um sorriso maroto curvou os lábios de Edward.
— É claro que estávamos desacompanhados, mas o que eu realmente quis dizer é que, se a verdade vier a público, a reputação da Srta. Swan estará arruinada, e eu terei de me casar com ela.
— Meu Deus! — McCarty murmurou, incrédulo — O que você fez?
— Ei! Controle a sua imaginação! Eu a beijei, só isso!
— Beijou?
— Exatamente. Beijei. E não foi um casto beijinho no rosto.
— Está dizendo que a beijou como beijaria uma de suas amantes? Não acredito! Você não pode sair por aí beijando jovens donzelas como se fossem mulheres de bordel!
— Tem toda razão, Emm. Infelizmente, foi o que aconteceu.
McCarty piscou repetidas vezes, tentado a perguntar por quê, mas decidindo-se por outro rumo na conversa:
— Quanto tempo ela demorou para se recuperar do desmaio?
— Ah, ela não desmaiou. — Edward respondeu, seu sorriso tornando-se mais largo — A Srta. Swan tentou me esbofetear.
— Ora, eu gostaria muito de conhecer essa Srta. Swan. Deve ser uma jovem fascinante!
— Poderá conhecê-la em Londres, em breve, mas trate de se lembrar de quem a conheceu antes.
Emm não poderia ignorar um comentário tão revelador, e suspirou com uma pontada de irritação.
— É mesmo do seu feitio encontrar as moças mais interessantes antes que qualquer outro sequer saiba de sua existência. Por acaso ela tem uma irmã?
— Por acaso, tem. Acaba de completar dezessete anos e é uma loira espetacular.
— Nesse caso, ainda resta esperança para o resto de nós. — McCarty zombou, recuperando a seriedade em seguida — Como vai explicar o fato de já conhecer a Srta. Swan?
— Ela é neta de lady Esme Merion, lembra-se? Farei uma visita à mansão Merion, assim que voltarmos à cidade, e tratarei de me colocar nas mãos dela. Não creio que seja impossível criarmos, juntos, uma história convincente.
— Desde que ela esteja disposta a perdoar o seu comportamento com a neta.
— Creio que será mais fácil conquistar a simpatia da avó do que da neta.
— Acha que ela poderá usar o incidente contra você?
Edward soltou uma risada.
— Não. Acho que, embora tenha ficado furiosa comigo, não se sentirá tentada a contar a verdadeira história para lady Esme.
Depois de refletir por um momento, McCarty sacudiu a cabeça.
— Não acredito nisso. Você sabe muito bem como são essas jovens. Vêem romantismo em todos os cantos. Provavelmente, terá contado a história, cuidadosamente enfeitada, muito antes de você se colocar diante de lady Merion!
O sorriso maroto voltou a iluminar o semblante pensativo do marquês.
— No caso dela, não creio que isso possa acontecer.
— Não é uma garota horrorosa, é? — Emmett inquiriu.
— Não. Não é bonita, mas ficaria muito atraente, se vestida adequadamente.
— Está dizendo que ela não estava adequadamente vestida quando a conheceu?
Edward soltou outra risada.
— Não exatamente.
Foi com relutância que Emmett abandonou o assunto. Embora a curiosidade o consumisse, ficara ligeiramente escandalizado por tais revelações. Nunca soubera que o amigo fosse capaz daquele tipo de comportamento, e jamais o vira naquele humor. Pela primeira vez em sua vida tinha certeza de que Edward estava escondendo algo.
— Ela tem vinte e dois anos, é prática e sensata. — o marquês declarou — Não desmaiou, nem fez uma cena. Se eu houvesse permitido, ela teria encerrado o encontro muito antes. Hoje, em vez de enterrar o rosto em meu peito, agradecendo-me por tê-la resgatado das mãos de Crowley e seus amigos, praticamente me mandou para o inferno. Resumindo, duvido que a Srta. Swan corra qualquer risco de sucumbir ao charme irresistível do marquês de Cullen.
McCarty arregalou os olhos.
— Compreendo. — mentiu, pois não compreendia coisa alguma.
Infelizmente, não teve a chance de insistir na conversa, pois uma batida na porta anunciou a chegada de um grupo de seus amigos. Mais tarde, porém, Emmett voltou a se lembrar de que Edward Cullen estava lhe escondendo algo.
Oi babies, tudo bem?
E entao, voces estao gostando da fic? É uma história bem romantica, muito fofa. Espero mesmo que gostem.
Queria agradecer a Lorena e Nina, fiquei muito feliz em saber que gostaram da história.
Eu também queria convida-los a visitar minha outra adaptação, Fallen. Quem gostar de mistérios e segredos vão adorar o enredo. Se tiverem um tempinho sombrando passem por lá. Vou ficar aguardando voces.
Vou tentar continuar postantando um cap por dia, mas estou estudando e fazendo um cursinho para o vestibular, entao a minha vida anda meio lotada. Mas vamos ver como as coisas se ajeitam.
Até amanha e me animem com muitos comets.
Beijinhos
