Meio dia, estava quente e seco, as pessoas andavam calmamente como se nada tivesse acontecido, e não mesmo. Não obteram nenhuma notícia de incêndio. Pegadinha? Talvez. A menina estava andando em direção à estação de trem, com sua calça jeans convencional, um tênios branco, e uma blusa caida de um ombro só preta com detalhes em flores em azul marinho, bem opaco. Levava em um ombro uma sacola que tinha uma estampa engraçada,meio havia livros,e seu Ipod.

Iria para sua entrevista de emprego, na cidade vizinha. Não era grande coisa, já que a distância entre elas é muito pequena, mas a oportunidade era muito boa. Saira da faculdade,e chutando pedrinhas enquanto caminha,pensava na noite anterior,e de como as coisas eram incertas e duvidosas: quem era ele? E ela? Por que se sentiu assim quando a viu? E por que sentia que conhecia o misterioso garoto? Deu os ombros, e finalmente chegou à estação.

Subiu na plataforma, e esperava pelo trem. Estava cheio para uma sexta, ainda mais para aonde seguia. Olhando para frente, ouvindo seu Ipod, seu cabelo começou a voar para o seu rosto. O vento que anunciava a chegada de um trem pusera-o lá. Era refrescante. Do outro lado da plataforma, passou um trem, seu cabelo a cegava,e quando abriu uma brecha, havia do outro lado, um garoto parecido com o de ontem, mas sem máscara. De novo aquela sensação: será que é o mesmo? Como poderia se nunca viu sua face? Maldita máscara.

Ele estava parado do outro lado da plataforma, usando uma camiseta preta, e um jeans. Parecia olhar vagamente, até levantar a cabeça e avistar a menina do outro lado. Ficou ali, olhando em sua direção. Ela o mesmo fez,e não sabia o porque seus olhos estavam tão fixados nele. Quando percebeu, ele estava acenando. Não sabia se era para ela, e ficou imóvel. Sua mente tinha parado de funcionar por um instante, tentava entender as coisas,e como que funcionavam. Quando se deu conta, e ia levanatr o braço para retribuir ao gesto, parou. O garoto estava abraçado com uma outra menina, cabelo castanho, comprido. Era bonita. E familiar. Estes trocaram um beijo,e a menina, coitada, abaixou a cabeça e fechou os olhos querendo que aquele momento saísse de sua mente. Se sentiu mal, triste, enciúmada. Levantou a cabeça, e abriu os olhos, eles estavam partindo. Nisso, seu braço, invonlutáriamente, ergue-se parando com a palma da mão em frente ao seu rosto. Estava na mesma posição da dança de ficou olhando a mão com um olhar vago.

Ao irem embora, o garoto se virou,e reparou na garota. Assustado, olhou para o gesto, e estremeceu. Será? -pensava. Mas já era tarde, o trem da menina tinha chegado, e sua namorada lhe abraçado. Deu as costas, envolveu seu braço na cintura da namorada, e saiu andando intrigado, perplexo. Queria conhecê-la, queria saber se era a mesma do baile, a que o confortava.

- Consegui, Mila! - gritava a menina toda feliz ao chegar em casa. Jogou a bolsa na mesa,e deu um abraço em sua amiga, colega de quarto da faculdade. - Nossa, que felicidade!

- Jura, amiga? Que máximo, parabéns! - Mila abraçou forte, e depois bagunçou seu cabelo. - Mas e ai, não é muito rolê até la?

- É, um pouco…Mas nao importa, to feliz! - deu um sorriso amarelo. Sua amiga sentou no sofá, e a puxou para junto dela.

- E aquele babado?

- Que babado?

- Do baile, conte-me! Quem era aquele moço?

A menina contara de ontem,e de hoje. Falou dos sentimentos reprimidos e tristes. Mas queria conhecê-lo, estava curiosa. Mila levantou-se falando , e falando, como sempre, e a menina foi pro seu quarto, começou a mexer em suas gavetas, quando caiu um envelope no chão.

Pegou, olhou os dois lados, e só achou algo escrito : " Para nos lembrar.". Fez um bico torto,e pensou : " Para nos lembrar… Do quê? Eu não lembro disso!" Deu uma risada tonta, sua piada tinha sido muito ruim. Sentou-se na cama, e abriu. Havia uma carta,e no meio uma foto. Ao pegá-la, arregalou os olhos, ficou trêmula. Não acreditava naquilo que via, seus olhos deviam estar mentindo. Não era real.

Apressadamente, abriu a carta, e começara a ler. Seu coração batia mais forte a cada palavra que lia, e fazia questão de não acreditar. Por algumas horas, sua mente entrou em um fluxo de memórias. Estas resgatadas, cada uma passando brevemente pela sua cabeça, uma por uma. Doía só de vê-las, e a cada minuto que lia, algo mexia em seu sub-consciente : ela tinha a resposta. Conhecia mesmo o menino mascarado. Largou tudo quando sua mente trouxe a imagem do beijo de hoje à tarde: chorou. Em prantos, apenas chorava..