CAPITULO UM
Isabella Swan, abaixada no piso frio do banheiro, tentava não fazer barulho ao respirar e esforçava-se para ouvir o som de passos vindos do quarto ao lado. Se ela pudesse parar até o som das batidas de seu coração por pouco tempo que fosse, talvez evitasse passar o Natal na prisão.
Porque ela estava escondendo-se de um completo estranho, no banheiro de uma das suítes do Hotel Ritz?
Desta vez, a culpa fora inteiramente de Rosalie.
Ela confiara na amiga. Concordara em participar de um esquema perigoso, que se desse certo traria uma promoção a Rosalie, mas se não, poderia levar Isabella para a cadeia.
O som de passos que, até então, estava ouvindo foi interrompido. Bella respirou profundamente e tentou prender o ar ao maximo. O volume da televisão foi aumentado e ela ficou ainda mais apavorada. Agora não seria mais capaz de ouvir se o homem se aproximava do toalete ou não. Tudo o que podia fazer era rezar em pensamento. "Por favor, não deixe que ele entre aqui... Não dixe que ele entre aqui!"
Enquanto rezava, gotas de suor escorriam por sua testa. Reclinou a cabeça contra os azulejos frios da parede, ergueu os olhos e fitou o chuveiro, ao mesmo tempo em que se perguntava como exatamente tinha acabado nessa situação: faminta, apavorada e à espera de um policial que certamente viria prendê-la.
Tudo começou na lanchonete de uma livraria, Rosalie havia reconhecido "o bonitão".
- Eu estou lhe dizendo... Aposto o que você quiser que é ele! – Rosalie sussurrou para Bella, enquanto devorava seu terceiro sanduiche.
- Não é ele, Rose – Bella insistia enquanto o gerente da livraria fazia um discurso para a multidão, falando sobre o ultimo lançamento de um livro de crimes misteriosos cujo escritor era conhecido apenas como Masen.
Nos últimos cinco anos, esse escritor havia se tornado uma sensação mundial. Embora a imprensa ainda não tivesse conseguido especular nada sobre a vida pessoal dele.
Rosalie era uma das repórteres destinadas a desmascará-lo.
Elas estavam ali a cerca de vinte minutos ouvindo a voz monótona do gerente da livraria discursar sobre o novo livro de Masen.
Foi aí que o "bonitão" entrou.
Bella viu primeiro. Ela não gostava de homens altos, achava-os intimidadores mas, por Deus!, esse homem era surpreendente. Alto, pálido e lindo, tudo isso era pouco para descrevê-lo.
Os espessos e brilhantes cabelos em um tom peculiar de cobre, o rosto esculpido e um corpo de tirar o fôlego. Usava calças jeans de cor escura, botas pretas de couro e suéter.
Ela sentiu um forte impacto percorrer-lhe o corpo, assim que ele fixou os profundos olhos verdes nos dela. Quando ele voltou sua atenção ao gerente da livraria que continuava a falar sobre o lançamento do livro, Bella deu um profundo suspiro.
Ele era um homem notável. Confiante. Arrogante. De presença marcante. O tipo de homem que atraia o os olhares de todos por onde passava.
Naquele momento Bella não comentou nada com Rosalie sobre o "bonitão". Ela sabia exatamente como a imaginação fértil da amiga poderia ir longe com qualquer especulação que fizesse. E pouco tempo depois, constatou que não estava errada.
- Quem é ele e o que faz aqui? – Rosalie indagou, maravilhada, ao contemplá-lo. – Não é um repórter, eu saberia se fosse. E também não está falando com a equipe da Editora.
- Deve ser algum curioso que resolveu entrar na livraria para ver de que o evento se tratava.
- Ele está indo embora! – Rosalie exclamou enquanto depositava o restante do sanduiche no prato, erguia-se da cadeira e agarrava um dos braços da amiga. – Vamos segui-lo!
Antes mesmo que pudesse protestar, Bella já estava sendo arrastada por Rosalie para fora da loja. Esquivava-se dos pedestres que circulavam pelas calçadas da Piccadilly Street, enquanto Rosalie tentava seguir as longas passadas que o estranho dava. Cinco minutos depois ambas estavam quase sem fôlego e parada em frente ao hotel Ritz.
- Você viu, eu lhe disse... – Bella protestou, ainda ofegante. – Ele é um turista. Graças a Deus que não percebeu que nós estávamos seguindo-o.
- Espere um pouco... Acho que tive uma idéia.
Ela franziu as sobrancelhas assim que Rosalie entrou apressada no saguão do hotel. Estava frio e começava a chover, Bella havia esquecido o casaco na livraria, estava faminta e só queria ir para casa. Ficou intrigada, quando Rosalie voltou exibindo um olhar animado.
- Bella, é certeza, tenho certeza de que é ele! – declarou Rosalie, fitando os enormes pilares de mármore da entrada do hotel. – Obrigada, meu Deus! – ela exclamou ao mesmo tempo que sorriu para Bella. – Poderei ser promovida por apresentar essa matéria.
Bella sabia que não deveria encorajar a amiga, mas ela mesma estava curiosa para saber do que se tratava.
- O que a faz pensar que esse homem é Masen?
- Colin é um dos administradores do hotel.
- O quê? Quem é Colin?
- Colin, meu ex-namorado.
- Está bem, mas o que ele disse a você?
Isso seria ótimo, pensou Bella com ironia. Se ela bem se lembrava, Colin era um completo imbecil.
- O homem foi registrado com o nome de Dempsey. Ele está instalado na suíte máster, uma das mais caras.
- Tudo bem. – Bella considerou a informação. – Então ele é um turista rico. E daí?
- Bella... – Rosalie deu um largo sorriso e agarrando-lhe um dos braços, revelou: - Colin possui a chave mestra.
- E...?
- Pense! – exclamou Rosalie – Logo ele sairá para jantar no restaurante do hotel. Enquanto isso, Colin a conduzirá até a suíte dele. Tudo o que você tem que fazer é descobrir se ele realmente é quem diz ser.
- O quê? Você tem noção do que está me pedindo? – Bella esforçou-se para manter a calma e prosseguiu: - É completamente ilegal. E por que eu faria isso? Sou uma assistente editorial. Você é a repórter.
- Você escreve as criticas em uma das colunas da revista.
- Somente porque Dansworth acha que ninguém lê. – retrucou Bella.
Ela havia trabalhado muito para conseguir a oportunidade de escrever criticas sobre os livros que eram publicados e era a única coisa que realmente apreciava em fazer seu trabalho na London Nights.
- O que estou pedindo a você só ira lhe tomar alguns minutos. – suplicou Rosalie.
Bella estremeceu, sentindo-se incomodada.
- Ainda não consigo entender porque você não pode fazer isso!
Rosálie ficou visivelmente constrangida.
- Eu estarei ocupada com Colin. Ele não se arriscaria a ser preso sem ter nada em troca, você sabe.
Bella ficou boquiaberta.
- Você não pode estar falando serio! Fazer um "favor" para ele, por causa de uma matéria que ainda nem sabe se existe?
A amiga ergueu uma das sobrancelhas e declarou.
- Ele beija bem. – Rosalie apanhou na própria bolsa o cartão de imprensa, que exibia o nome e a foto dela e declarou: - Se alguém pegar você no flagra – ela fez uma pausa proposital e continuou -, o que não irá acontecer, você pode dizer que sou eu.
Ela entregou o cartão para Bella e acrescentou:
- A foto já está tão desbotada, que ninguém irá desconfiar que não seja sua – e afastando uma mecha de cabelos loiros do rosto, enfatizou. – Bella, você sabe o quanto a revista precisa de uma boa matéria. As vendas não estão indo bem há alguns meses. Existem até boatos de que poderiam interromper a publicação.
- Eu não ouvi esse boato. – Bella comentou, pensativa. Ela precisava do emprego. A hipoteca do minúsculo flat em West London era enorme e não iria se pagar sozinha.
- Bella, se eu estou disposta a fazer esse sacrifício com Colin para salvar nosso emprego, você deveria estar preparada para fazer um esforço também.
Agora Bella podia ouvir até seu estomago roncar, apesar do barulho alto da televisão que continuava ligada no quarto.
Enquanto o sacrifício de Rosalie significava ser levada ao paraíso pelos "ótimos beijos de Colin", a tarefa de Bella era ficar abaixada na banheira de uma suíte de hotel no meio da noite, esperando ser pega por alguém e conduzida à cadeia.
Bella suspirou.
Claro que fora Rosalie que a havia colocado nessa situação estúpida. Mas, por que ela se deixara influenciar? Deveria simplesmente ter dito à amiga que não aceitaria participar do plano.
Bella agarrou fortemente sua bolsa, com as mãos úmidas pelo suor.
Quantos erros estúpidos ela ainda cometeria em sua vida?
O pensamento a fez lembrar-se de Mike, o Rato. O bonito, arrogante e falso Mike. O sorriso encantador, o corpo robusto e os constantes sinais que ela deveria ter notado. Mike, que ela pensava ser o homem certo, mas que na realidade fora seu maior erro. Como fora tola em não conseguir enxergar quem ele realmente era.
Parecia que a televisão fora desligada. Bella engoliu a saliva, apreensiva. Esteve tão ocupada pensando em Mike que nem mesmo elaborou um plano descente para uma emergência.
***
Edward Cullen depositou o controle remoto sobre a cama e aproximou-se da janela.
Puxou as cortinas e vislumbrou o trafego noturno, na Piccadilly Street. As luzes decorativas de Natal misturavam-se a iluminação da rua refletindo sobre o asfalto molhado. A chuva já havia cessado, mas as pessoas que haviam saído para as compras de presentes se acotovelavam no ponto de ônibus e pareciam sentir muito frio.
Com uma das mãos, ele bagunçou mais seus cabelos e franziu a testa. Ele sabia exatamente como aquelas pessoas se sentiam.
Mas o que estava acontecendo com ele? Já haviam se passado três meses e ele ainda não conseguia superar. O tédio. A insônia. O vazio que sentia dentro do peito.
Dirigiu-se ao minibar e encheu meio copo com uísque escocês.
Ele estava cansado de viver em quartos de hotel, sempre se escondendo de repórteres. Não queria dar entrevistas sobre suas publicações a imprensa e seu agente estava insistindo nisso, mas que escolha ele tinha?
Edward tomou o uísque de uma só vez, sentindo-o queimar sua garganta.
Quanta ironia! Quando era criança acreditava que dinheiro e sucesso seriam a chave para a solução de todos os seus problemas. E nesse exato momento, dois de seus livros estavam na lista dos Best Sellers publicada no jornal The New York Times.
Ele possuía propriedades em Paris, Nova York e Bermudas. E ainda não poderia fixar residência em lugar nenhum.
Edward depositou com força o copo sobre o minibar. "Supere-se Masen!"
Ele tinha que parar de pensar tanto. Era hora de agir. Sair um pouco do hotel já seria um começo. Poderia verificar alguns bares locais. O que ele precisava era mudar o cenário. O rápido passeio que fizera à tarde até a livraria havia sido um importante passo. Ao menos o tirara a falta de inspiração por um tempo.
Lembrou-se da garota que vislumbrou na livraria. Não a achou tão bonita quanto a mulher que estava sentada a frente dela, mas havia alguma coisa naquela garota que chamara sua atenção. Não conseguira parar de olhar para ela. E os olhos dela também encontraram os seus. Ele lembrou-se claramente, eram de um castanho chocolate, brilhantes e expressivos.
Pensativo, Edward roçou dois dedos no queixo. Ele precisava de um bom banho e também de barbear-se. Talvez tivesse a sorte de encontrar a garota que o intrigara e a amiga dela, conversando em algum bar próximo dali. Animado com este pensamento, começou a assobiar enquanto retirava o suéter e a blusa que estava por baixo, jogando-os sobre a cama. Depois, dirigiu-se ao banheiro e abriu a porta.
***
Bella cerrou as mãos para tentar fazer com que parassem de tremer e encolheu-se ainda mais dentro da banheira, assim que a lâmpada foi acesa. Através das cortinas da banheira, pode ver a sombra de um homem parado frente ao espelho.
Ele era enorme e intimidador.
Mas, ao menos, estava assobiando. Talvez ele não se importasse quando encontrasse uma mulher "maluca" escondida no banheiro... Ela engoliu a saliva e rezou para que seu estomago não roncasse alto. O medo e as horas que havia passado em confinamento começavam a lhe provocar náuseas. De repente, o assobio parou. O que seria aquele zunido? Parecia um barbeador elétrico...
Bella ergueu um pouco a cabeça, mas com cuidado, para que sua própria sombra não fosse percebida por ele. O som parou e o assobio começou novamente. Em seguida, veio o barulho de um zíper sendo aberto e o baque de alguma coisa caindo no chão. Bella sentiu o coração "dar pulos" e teve de abafar um grito quando viu o homem colocar apenas um dos braços para dentro da banheira, através do vão da cortina, para abrir o registro do chuveiro.
Ele girou o registro por duas vezes e a água começou a cair em abundancia. Bella deu um grito assim que sentiu o impacto da água gelada caindo em seu rosto.
- Mas o que...?
A cortina que protegia a banheira foi de súbito escancarada e ela viu a sua frente "o bonitão" com a expressão assustada e o "pior"... completamente nu.
Apesar de a água atrapalhar sua visão, ela ergueu a cabeça e observou os expressivos olhos verdes acusando-a.
Bella afastou da testas cabelos ensopados. Suas mãos tremiam tanto que ela achou por um momento que estaria tendo um ataque.
- Mas que "diabos" está fazendo em meu banheiro?
Ela tentou erguer-se da banheira, mas escorregou e deixou cair a bolsa que segurava, enquanto a água do chuveiro continuava jorrando sem parar.
- Você poderia ao menos se virar de costas? – ela lastimou-se.
Ele ficou parado por um instante ainda, antes de alcançar o registro e fechá-lo, enquanto lançava um olhar furioso a ela.
Bella ergueu-se e fixou os olhos no rosto do homem evitando olhar para baixo. Ele soltou as cortinas e virando-se de costas apanhou uma toalha que estava na prateleira e enrolou-a na cintura, deixando-a bem ajustada. Não pronunciou uma palavra, mas conseguiu deixar Bella paralisada apenas com seu jeito ameaçador.
Edward dirigiu, então, o olhar para os seios dela e Bella ficou indignada pela ousadia, até se dar conta de que a água havia feito com que o tecido do sutiã e da blusa que estava usando ficassem transparentes. Os mamilos enrijecidos estavam bem visíveis devido ao tecido ensopado. Ela cruzou os braços a fim de encobri os seios, mas não pode impedir que uma onda de rubor a invadisse por inteiro. Será que a situação ainda poderia ficar pior?
- É melhor sair daí. – ele falou calmo.
Edward afastou-se um pouco e deixou-a sair.
Ela sentia a adrenalina aumentar, ao mesmo tempo em que pensava: "Deixe de ser ridícula e saia logo daí!". Rapidamente andou na direção da porta, embora os pés deslizassem nos azulejos molhados. Alcançou a maçaneta e após abri-la, entrou no quarto.
Ouviu os passos atrás dela e tentou andar mais rápido.
- Não, você não vai a lugar algum, querida.
Ela ouviu a voz forte dele bem perto de um de seus ouvidos e sentiu dois braços envolverem-na, puxando suas costas delicadas contra o tórax poderoso. Furiosa, ela impulsionou o cotovelo direito contra o peito dele e ouviu um fraco gemido de dor. Mas ele continuou firme e segurou-a ainda com mais força, aprisionando-a. A loção pós-barba que ele usará a pouco a invadiu.
- Pare de lutar. Não irei machucá-la. Só quero saber quem é você e o que está fazendo aqui!
Bella ficou apavorada. "Não ouse desmaiar, sua idiota", Bella repreendeu-se mentalmente. E no mesmo instante em que teve este pensamento, sentiu o corpo fraquejar e de repente tudo se tornar escuro a sua volta.
N/A: Eis o primeiro cáp. para vocês. Me digam se estão gostando.
