1991
Sem cores
Certos bruxos têm uma certa explicação para pôr nomes nos filhos. Uns falam que tal nome vinha de uma lembrança feliz ou homenagem a alguém muito querido.
Mas meu nome não era homenagem e nem ao menos lembrava algo feliz. Quando eu nasci, me deram o nome de Pansy.
Era o nome de uma flor. Amor-perfeito. Pansy Parkinson.
"Uma flor sem-graça" - segundo os outros. Porém de vários tipos e cores: amarela, azulada, branca, rosa, vermelha.
Ela era um paradoxo: ao mesmo tempo em que era colorida, era uma flor sem cores. Isto é, não tinha uma cor real.
E eu sou exatamente assim. Posso ter todas as cores, mas não tenho cor que me defina.
No meu primeiro ano de vida, minha cor foi azul. Depois, aos dois anos foi verde-limão.
Dos três ao cinco anos foi rosa. Dos seis até os oito anos, amarelo e ao os nove anos, foi roxo. Aos dez anos, foi a vez do vermelho – e de saber que eu era uma bruxa ao tornar o vaso chinês azul da minha mãe laranja.
Até os onze anos, eu achava que podia tê-las todas, realmente. Até eu entrar em Hogwarts.
Mais exatamente, até me apaixonar por Draco Malfoy e cair na Sonserina.
E saber que sua cor preferida era branca. E eu não podia ter o branco que não fosse o branco de Draco.
