Título: Primeiras Impressões
Autoras: Bia Elric e Carol1408
Beta: Schaala
Ship: Draco Malfoy / Harry Potter
Classificação: M
Sinopse: Nem sempre as primeiras impressões são as que realmente importam.
Avisos: Fic feita em dupla com a minha amiga Bia, ela "fez o papel" do Harry, e eu do Draco. Inspirada na história do casal Yukina/Kisa de Sekai-ichi Hatsukoi. Possui conteúdo SLASH (relacionamento homossexual), se não gosta, não leia.
Disclaimer: Harry Potter não nos pertence, ele pertence a J. K. Rowling (várias editoras) e a Warner Bros. Nem Sekai-ichi Hatsukoi é nosso, é da mangaká Shungiku Nakamura, publicado pela editoria CIEL e pelo Studio DEEN, no Japão. Essa fic não possui nenhum fim lucrativo, nem viola direitos autorais ou marca registrada.
PRIMEIRAS IMPRESSÕES
CAPÍTULO 2
Harry se sentia elétrico, e mesmo sabendo que café o deixaria ainda mais agitado, pediu um cappuccino bem forte. Ainda faltavam mais de duas horas para que o expediente do loiro terminasse e ele não tinha ideia de sobre o que iriam falar. Nunca foram amigos, então não poderiam ficar trocando figurinhas sobre os "bons" tempos de escola. Também não poderia sair perguntando de cara o motivo pelo qual ele estava trabalhando naquela livraria. Forçou a memória e lembrou-se de ter lido em algum lugar que as empresas Malfoy iam de vento em popa, então ele não havia ficado pobre nem nada do tipo.
Mas de certo alguma coisa acontecera, já que Draco sempre fora uma pessoa extremamente vaidosa e gostava de ostentar seu status e riqueza.
O moreno balançou levemente a cabeça tentando afastar a imagem do Draco adolescente da mente. Tinha que superar seu preconceito em relação a ele se quisesse que começassem do zero. Obviamente era difícil. Nunca foi uma pessoa rancorosa, entretanto, Draco Malfoy sempre mexera com o seu sangue, por bem ou por mal. A prova disso era que estava com o sangue em ebulição agora e ele nem precisara dar qualquer sinal de interesse para que isso acontecesse.
Ocupou um lugar próximo da janela, mas de lá podia ver todas aquelas garotas praticamente enfiando o rosto do loiro dentro dos seus decotes e a vontade de sair correndo voltava com tudo. Aquilo jamais daria certo! Ele nunca fora amigo de Draco e certamente não queria isso agora. Queria mais. Muito mais. E apenas o que ganharia com aquilo seria um olho roxo caso não conseguisse se controlar e agarrasse o loiro.
Sorriu tristemente. Jamais teria coragem de fazer algo assim. Suas paixões por caras lindos de morrer eram totalmente platônicas.
Foi para o fundo da cafeteria, ocupando uma mesa no canto, pegou alguns papéis em branco e começou a esboçar uma nova história. Ele não gostava muito daquele jeito meio arcaico de escrever, mas seu notebook havia descarregado e precisava aproveitar enquanto a ideia ainda estava fresca em sua mente.
Estava tão concentrado no que escrevia que nem percebeu o tempo passar. Escrever, para ele, era melhor que uma terapia e logo estava calmo.
Só percebeu que já passava das onze horas quando viu Draco parado ao lado da mesa, esperando por um convite para ocupar o lugar vago.
-Eu estava distraído. Pode sentar - apressou-se em dizer. Observou o loiro tirar o cachecol e o casaco, pendurando-os na cadeira.
Simplesmente não soube o que dizer. Ele era tão bonito. Poderia ficar apenas admirando-o. Draco deveria estar pensando que ele era um bocó batizado. Aceitava o convite dele para encontrá-lo depois do expediente e então ficava parado que nem um dois de paus!
-Você mudou bastante fisicamente... Por isso eu não o reconheci - arriscou.
~oOo~
- Você também mudou bastante. - Draco percebeu o semblante confuso do antigo colega - Mas não pude deixar de reconhecê-lo por... - ele engoliu em seco o mais discretamente que pôde, sem saber se falava a verdade ou não, mas o que achava que era expectativa na face do outro acabou incentivando-o a continuar - por causa dos seus olhos. Eu não me lembrava de mais ninguém com os olhos tão verdes quanto os seus.
Pronto, tinha dito. Quis se jogar pela janela do café e ser atropelado por um ônibus. Maldita boca grande! Mas a bobeira já estava feita mesmo, desde o momento em que pedira a Harry para esperá-lo. Uma idiotice a mais ou a menos não faria diferença, pensou, enquanto aguardava que o moreno se manifestasse.
~oOo~
As bochechas de Harry ganharam um forte tom avermelhado. Ótimo! Estava agindo como uma menininha boba que se apaixonou pela primeira vez. E aquilo era tremendamente ruim porque primeiro e óbvio: não era uma garota, e segundo mais óbvio ainda: não estava apaixonado. Nem sabia por que se abalara tanto com aquele comentário. Não era como se não ouvisse aquele tipo de coisa sobre seus olhos com frequência. Mas havia algo no tom profundo de voz do loiro que mexia com ele de uma forma assustadora.
-Eu pensei que você tivesse me reconhecido por causa da cicatriz - afirmou em um tom divertido, conseguindo disfarçar o seu constrangimento. - Você adorava me chamar de 'testa rachada'.
~oOo~
O loiro reparou que as bochechas de Potter ganharam uma coloração avermelhada, e quis se esmurrar. Não era como se ele pudesse retirar o que dissera. Nem era algo tão ruim assim, assegurou a si mesmo.
Mas quando o moreno se lembrou do antigo "apelido carinhoso", Draco não pôde deixar de sorrir levemente, constrangido com a lembrança. Pelo menos ele podia mudar o tão amaldiçoado tópico sobre os olhos de Harry.
- Quase não dá para vê-la agora, seu cabelo está mais comprido e a sua franja tampa quase toda a cicatriz. Mas eu ainda posso chamá-lo assim se você quiser, testa-rachada. - ele gracejou com o moreno, sem conseguir se impedir de sorrir.
~oOo~
-Idiota - Harry resmungou, mas sorria também, afinal, idiota era praticamente o segundo nome de Malfoy nos tempos de escola.
Ele queria perguntar tanta coisa, mas não sabia como. Não eram íntimos o bastante para que pudesse enchê-lo de perguntas. Enquanto ele fazia o pedido à garçonete (que estava toda derretida para cima dele - será que havia uma única garota que não caísse de amores por Draco Malfoy?) pensou no que poderia perguntar sem parecer muito desesperado por informações.
-Você está trabalhando nessa livraria há muito tempo? - optou pela pergunta mais impessoal possível.
~oOo~
Agora uma pergunta que Draco realmente esperava. Não era estranho Harry estar curioso quanto a isso, afinal, ele era um ex-ricaço (ou, pelo menos, assim se considerava).
- Comecei há pouco tempo, antes eu estava trabalhando como garçom num restaurante italiano. Mas esse emprego tem mais vantagens, além do gerente ser mais legal e deixar os meus horários mais flexíveis quando eu tenho provas na faculdade, e meu salário também é melhor.
Draco se apoiou graciosamente no encosto da cadeira, observando Harry. Decidiu dificultar um pouco as coisas, para ver se ele se arriscava a perguntar o que ele realmente queria saber.
- E você, virou escritor? Lembro que vivia cercado de livros na escola. - comentou, achando melhor omitir o fato de que já tinha lido alguns dos trabalhos de Harry. Ia parecer uma garotinha apaixonada, coisa que ele não era - nem garota, nem apaixonado.
~oOo~
Garçom? Isso era meio difícil de imaginar. Harry já suspeitava que Draco não fosse sair por aí tagarelando sobre os motivos que o levaram a trabalhar e, se ele quisesse saber, teria que ser mais direto, mas não tinha essa cara de pau. Talvez devesse ter continuado aquela discussão sem sentido sobre a adolescência deles, ao invés de se aventurar em perguntar sobre a vida do loiro. Draco era uma pessoa fria e calculista, ele estava jogando consigo para que ele perguntasse diretamente, mas ele não tinha coragem.
-Ah, eu só arrisco. Estou longe de ser um Philip Pullman da vida - encolheu os ombros levemente. - Eu sempre gostei muito de ler e já escrevia umas bobagens na escola. Adorava a aula de literatura da McGonagall! Em compensação levava altas bombas na matéria do seu padrinho - acrescentou com desgosto ao lembrar-se das terríveis aulas de química. - Eu dei sorte por Hermione estar na editora e ter indicado um livro meu para ser publicado. Eles não são tão bons assim.
A garçonete chegou naquele momento, interrompendo a conversa. Harry teve ganas de chutá-la para longe ao ver como ela era toda sorrisos para o loiro.
Para disfarçar seu incômodo, pegou o cardápio e fingiu escolher outra coisa, mas logo largou o objeto de volta sobre a mesa quando ela se afastou.
- Eu achei que você simplesmente se formaria em Administração e iria trabalhar com o seu pai - jogou verde. - É Administração que você está cursando?
~oOo~
Bingo.
Ele sabia que Harry ia tentar voltar ao assunto, para descobrir por que ele estava trabalhando numa livraria. Draco decidiu matar a curiosidade dele, no fim das contas.
- Não, eu já terminei o curso no ano passado. Mas decidi não aceitar o cargo na empresa do meu pai e começar a faculdade de medicina, que é o que eu sempre quis fazer. Tive uma briga feia com Lucius por isso e acabei saindo de casa. Consegui alugar um apartamento com um amigo e tive que arranjar um emprego para pagar as minhas contas. Então, surgiu a oportunidade de trabalhar na livraria, e o gerente, ao ver minha facilidade em interagir com os clientes e ao descobrir que eu já que tenho diploma de Administração, acabou me chamando para trabalhar também na função de assistente dele.
Bem, dizer que tivera uma "briga feia" com Lucius era minimizar a situação, já que o pai ameaçara deserdá-lo caso ele se recusasse a trabalhar na empresa. Draco abriu a boca grande para dizer que não era tão fácil assim deserdar um filho e que nenhum juiz faria isso. E então o pai resolveu provar o contrário. Narcisa tentou apaziguar a situação entre o marido e o filho, mas ela não conseguiu impedir que Draco saísse de casa, jurando que nunca mais pediria um centavo ao pai.
~oOo~
Harry piscou seguidamente tentando processar o que Draco havia dito. Ele estava fazendo medicina? Draco não tinha a menor cara de médico. Os pensamentos nada puros do escritor nos quais o loiro aparecia todo de branco pronto para brincar de médico com ele o fizeram perceber que sim, era possível.
"Oh, por favor, Potter!", pensou exasperado. "Isso é sério!" .
Mas era uma surpresa. Novamente era o seu preconceito falando mais alto. Aquele Draco Malfoy das suas lembranças não parecia ser do tipo que se preocupava com as pessoas. Imagine sujar as mãos com o sangue delas. Harry realmente gostou de saber dessa nova faceta do loiro. E isso não era estava decidido a não se deixar encantar ainda mais pelo loiro, mas lá estavaEle estava decidido a não se encantar por Draco outra vez , mas lá estava ele, prestes a babar em cima do futuro médico.
-Sinceramente, eu não esperava isso - confessou após breves segundos de silêncio. - Você sabe, Malfoy, eu sempre te vi como um riquinho metido à besta. Jamais imaginei que você fosse conseguir sair do caminho planejado para você pelos seus pais. Mas eu fico feliz, sabe? Isso prova que eu estava errado e não deveria ter sido tão áspero com você quando o reconheci.
~oOo~
- Não é como se eu sempre tivesse ansiado por um momento de contrariar Lucius, mas eu sempre tive meu gênio difícil, você deve se lembrar. Eu cursei Administração por comodismo, mesmo não gostando, mas durante a faculdade fui arranjando estágios e juntando o meu dinheiro e percebi que eu podia me virar sozinho. Medicina é uma faculdade legal e me dá uma sensação de que estou sendo útil para alguma coisa.
Draco tomou um gole do seu café, mas como este já estava gelado, fez uma careta. Ficara falando tempo demais.
- Mas e você, Potter? Está fazendo faculdade ou já se formou em alguma coisa? Também me lembro que a irmã do seu amigo era muito a fim de você no colégio. - Ele lançou um sorriso torto ao moreno que fez a garçonete mais atrás suspirar.
~oOo~
O moreno quase cuspiu o cappuccino. Ele havia escutado direito? Draco estava perguntando sobre a sua vida... Amorosa? Encarou o rapaz com os olhos arregalados e sem saber muito bem o que dizer. Mordeu levemente o lábio inferior. Oh, céus. Será que ele apanharia muito se dissesse: 'Sabe, Draco, na verdade eu sou gay e passei essa semana fantasiando só com você, eu e uma cama'. Com certeza levaria uns sopapos por isso e seria deixado falando sozinho.
- Na verdade, eu acabei de me formar em letras, mas nunca tive muita inclinação para dar aulas - respondeu, meneando levemente a cabeça. - Mas acho que vai ser o jeito, porque minha porcentagem com vendas de livros ainda não é lá essas coisas. Eu não estou mais morando com os meus pais e com o que ganho dá pra me virar, mas passo um sufoco e eles acabam me ajudando de vez em quando. Só que isso não é lá muito legal, não é? - interrompeu-se, tomando ar antes de responder à pergunta mais importante. - E... Bem, eu namorei Ginny por algum tempo, mas não deu muito certo e nós terminamos uns seis meses depois.
Ele olhou para o loiro em busca de alguma mudança na expressão dele, porém Draco não deu qualquer sinal de ter gostado ou não da informação.
Harry abriu a boca para dizer que no momento estava solteiro, quando uma garota loira - que havia acabado de entrar no café - se dirigiu até a mesa deles e praticamente voou em cima de Draco, que se virou assustado ao ser atacado no pescoço. Os olhos de Harry crisparam-se. Ele tentou reconhecer a jovem, porém esbarrou em sua costumeira falta de memória. Entretanto, pela forma intima com a qual ela o abraçou, deveria ser uma velha conhecida da escola.
~oOo~
- Astoria! - o loiro resmungou, inconformado com a cena que se desenrolava - Que diabos! Dá pra me largar?
- Mas, Draco! - a garota estava nitidamente ofendida, mas ele não ligou, fazendo-a largar o seu pescoço. Ela se sentou emburrada ao seu lado - E o que você está fazendo aqui, posso saber? Quem é ele? - ela apontou para Harry.
O loiro teve ganas de chacoalhar a garota, pela falta de educação.
- Harry, desculpe o escândalo dessa aí, não ligue. Astoria, esse é Harry Potter, um amigo meu do colégio; Harry, essa é Astoria Greengrass, uma colega minha da faculdade.
- Fiquei um tempão te esperando na frente da livraria! - ela ignorou as apresentações, olhando indignada para o loiro - A gente não ia estudar juntos para a prova? É amanhã! Temos que ir logo, porque...
Mas Draco lhe lançou um olhar gelado que a fez fechar a boca num instante.
- Astoria, eu nunca disse que ia estudar com você. Além do mais, não vê que estou conversando aqui?
Ela arregalou os olhos, descrente. Ele não estava no humor para aguentar as infantilidades da garota e decidiu ignorá-la.
- Harry. - Draco chamou, fazendo questão de usar seu primeiro nome para não dar brecha para Astoria dizer que eles não eram amigos nem nada - Você já terminou seu café? Nós podemos conversar em outro lugar, se você quiser, ou posso te dar uma carona até em casa, se já estiver tarde para você.
~oOo~
Então não era alguém da escola, mas isso não o fez se sentir menos mal. Era como se tivesse levado um soco no estômago. Estava finalmente conversando com o cara lindo que admirara secretamente durante toda a semana, após descobrir que ele era Draco Malfoy, em uma versão infinitamente melhor do que a que conhecera anos atrás, que simplesmente se esquecera de que não deveria se dar esperanças. Homens como Draco jamais olhariam para alguém tão sem graça como ele.
E a tal garota era linda. Harry era ciumento, mas não cego. Ele poderia encontrar mil e um defeitos nela, porém tinha consciência de que era seu ciúme gritando enlouquecido em sua cabeça. E o pior de tudo, ele não tinha nenhum direito de sentir aquele sentimento de posse. Acabara de reencontrar Draco, e na verdade não passavam de dois estranhos.
-Não, tudo bem - tirou algumas notas da carteira e jogou sobre a mesa, pagando a sua parte das despesas. - Eu não quero te atrapalhar. Nos falamos outra hora. Tchau - acrescentou apressado, reunindo os papéis que ainda estavam espalhados pela mesa, e saiu praticamente correndo até a porta do lugar.
~oOo~
Draco ainda se levantou para segurar Harry, mas ele foi mais rápido e sumiu porta afora.
Draco quis dar uns tapas em Astoria, mas seria, além de violência contra mulher, muita grosseria, e ele não queria ser preso. Sentou pesadamente em sua cadeira.
- Você tinha que ser tão grossa com o amigo dos outros?
- Eu? Você que foi grosso comigo, Draco!
Mas ele a ignorou, levantando-se de novo e deixando o dinheiro para pagar o resto da conta. Saiu rápido do café, porém Astoria veio em seu encalço.
- E ele não é seu amigo coisíssima, Draco! Ou você acha que eu não reparei que ele estava te secando antes de eu chegar?
Draco travou a um passo de sua moto estacionada mais à frente e se virou para Astoria.
- Você pirou de vez, guria? Que me secando o quê! Não alucina.
Ele subiu na moto, dando a partida. Ela ainda gritou mais alguma coisa, indignada, mas o ronco do motor abafou a sua voz, e Draco disparou pelas ruas de Londres, deixando a garota para trás, ainda mais indignada.
Mas Harry estava o secando? Ela só podia ter se enganado...
~oOo~
O apartamento - ou apertamento, como James chamava - não ficava muito longe da livraria. Harry andou até lá cabisbaixo, decidido a nunca mais voltar naquele lugar e encontrar Draco Malfoy. Ele que fosse feliz com aquela loira mal-educada, ou com alguma daquelas colegiais atiradas. Por que as coisas tinham que ser daquele jeito? Por que ele não se apaixonou por Ginny, casou e teve vários filhos? Sua sina pelo jeito seria ficar para 'tio' dos filhos de Hermione e Ron, mas isso não era o pior. O que mais doía era aquela solidão que sentia. Não ter ninguém para compartilhar o dia, dar uns bons amassos, ou simplesmente observar. Nem olhar mais Draco ele poderia.
Suspirou resignado enquanto abria a porta do apartamento e foi recebido por uma cadelinha saltitante.
-Jane! - exclamou feliz. - Pensei que já estivesse dormindo, menina!
Ela latiu e recebeu muitos afagos do dono. Jane foi o presente de formatura de Sirius, junto com aquele apartamento modesto. Ele sabia que Harry jamais aceitaria uma cobertura nem nada do tipo, então procurou por algo pequeno, mas confortável e elegante.
Foi até a secretária eletrônica e percebeu que tinha diversos recados. Lembrou que na pressa de sair do café nem ao menos dera seu número a Draco. Talvez ele pudesse entrar em contato com ele e...
"Não fique alimentando falsas esperanças. Isso não tem futuro, Harry, conforme-se!", pensou exasperado.
Os recados eram da sua mãe (com a preocupação de sempre: 'Você almoçou direitinho, meu amor?'), outro do seu pai dizendo que tinha conseguido ingressos para um jogo de futebol ('Inglaterra e Brasil! Não podemos perder, filho!'), outro de Sirius o chamando para passar o final de semana na casa dele, um de Ron reclamando que Hermione não parava de falar no bendito livro do moreno e, por fim, um recado da própria Hermione, dizendo que o gerente adorara a ideia da tarde de autógrafos e que o livro estava no topo dos mais vendidos da livraria há quase um mês.
Ele não gostou nada, nada daquilo. Tarde de autógrafos na livraria significava que ele teria que ver Draco outra vez.
~oOo~
Draco chegou em casa e a primeira coisa que viu foi a pilha de livros de medicina que ele pegara na biblioteca esquecidos na mesa da sala, esperando-o para que fossem devidamente lidos. Mas ele não estava no humor de estudar.
"Tenho dez mesmo na primeira prova, dá para recuperar na última se eu me ferrar nessa", pensou, conformando-se.
Largou-se no sofá da sala, alcançando a secretária eletrônica para ouvir os recados. Mas ele acabou perdendo o fio da meada entre inúmeras ligações de sua mãe preocupada, seus amigos lhe mandando parar de estudar e se divertir um pouco e de amigos da faculdade pedindo cola na prova.
Astoria dissera que Potter estava lhe secando. Ele não tinha reparado em nada disso.
Ele tinha dito que namorara a Weasley por um tempo. Mas isso não o impediria de ser... Bissexual?
Bem, Potter tinha corado quando falara sobre os seus olhos, contudo, deduzira que fosse por vergonha por um homem falando algo assim para ele.
Talvez ele...
Não.
Ele não iria começar com a mesma ladainha de sua adolescência. Potter lindo e maravilhoso, cheio de amigos, mas não precisando da sua atenção ou amizade. Ele aceitara que aquilo fora algo de momento, uma fase negra da sua história, para que começar com a mesma coisa de novo?
Mas agora eles não eram mais crianças e Harry não parecia mais nutrir rancor pelos tempos da escola. Draco havia pedido desculpas - indiretamente, pois era o máximo que ele conseguiria fazer - também. Eles podiam ser amigos, conhecerem-se melhor e depois...
Não, não, não! Lá estava ele, Draco Malfoy, seguindo mais um caminho tortuoso. Ele não queria mais sofrer por causa de uma paixonite boba, que nem tinha esperanças que mudasse para algo maior. Era a sua mente pregando peças de novo, querendo tirá-lo da solidão em que estava.
Mas ele tinha uma faculdade inteira para cursar de novo, um emprego, tanto para se preocupar. Ele não poderia continuar com algo tão sem sentido justamente agora.
Harry mudara, estava crescido, mais bonito, mais maduro. E era um homem, como Draco. Isso não podia, não daria certo...
Quando percebeu, estava acordando numa posição desconfortável no sofá, seu celular tocando incansavelmente, tentando acordá-lo.
- Minha prova!
Meu deus, estava ferrado! Tinha que correr se quisesse fazer realmente a prova - o que não era uma boa ideia, já que ele não tinha estudado nada.
Draco se levantou correndo, agarrando o casaco e o cachecol esquecidos na mesa da sala, e saiu apressadamente do apartamento. O frio da rua fez com que enfiasse as mãos nos bolsos.
E sentiu um papelzinho lá. O cartão da editora de Harry. Apertou-o entre os dedos.
Mais tarde faria uma ligação.
~oOo~
Já passava do meio dia quando Harry acordou. Jane estava quietinha no seu cestinho perto da cama, pois . pProvavelmente percebera a agonia do dono que ficara dando voltas e mais voltas de madrugada sem conseguir pegar no sono. Quando finalmente adormeceu, o dia já começava a raiar.
Ele simplesmente não conseguia tirar Draco Malfoy da cabeça. Antes de saber o nome do rapaz misterioso e muito gostoso da livraria, ele fantasiou em como seria se descobrisse o nome dele e tentasse uma aproximação. Agora ele percebia que isso não era bom, porque o nome e o rosto dele ficavam martelando em sua cabeça, fazendo seu coração acelerar e suas pernas amolecerem. Por Deus! Tinha mesmo regredido para sua fase adolescente.
Naquele tempo costumava sonhar acordado enquanto lia e pensava: "Puxa, um dia ainda encontrarei alguém assim para mim". Porém crescera e convencera-se de que aquilo tudo era apenas fantasia. Mas agora bastava Malfoy sorrir para tirá-lo completamente do sério! Bom, isso acontecia no passado também, mas os sorrisos de antes eram carregados de ironia e sarcasmo. Os sorrisos de agora eram cheios de esperança, com uma pitada de indiferença, porque isso fazia parte da natureza de Draco, mas lindo e contagiante.
Harry afundou o rosto do travesseiro. Lá estava ele pensando no loiro outra vez.
Depois de bons dez minutos de surtos internos, ele levantou. Jane percebeu a movimentação do dono e ergueu a cabeça, olhando-o com curiosidade.
-Mais tarde eu vou passear com você - Harry disse e ela pareceu entender, pois latiu toda feliz. Ele sorriu e coçou atrás das orelhas dela, deixando-a toda manhosa.
Estava indo para a cozinha, pensando em como iria almoçar já que na geladeira só havia teias de aranhas (e ele realmente não queria recorrer à mãe, pois ela sempre o entupia de comida até deixá-lo passando mal), quando o celular começou a tocar. Resmungando ao reconhecer o toque de Hermione, ele começou a procurar pelo objeto. Encontrou-o entre as almofadas do sofá. A editora praticamente o intimou a ir encontrá-la em um restaurante no qual costumavam almoçar. Harry nem tentou negar, pois sabia que se ensaiasse um não ela iria bater na porta do apartamento. E caso ela aparecesse por lá e visse aquela zona, contaria para Lily sobre o "horrível"estado do apartamento, e então Harry teria que aguentar a mãe andando pela sua casa e tirando tudo do lugar - segundo ela, arrumando e deixando em ordem.
Quando ele chegou ao restaurante, Hermione já o aguardava.
-Até que fim! Passei a manhã inteira ligando para você! - exclamou aborrecida.
-Eu não dormi muito bem ontem - Harry limitou-se a responder, enquanto pegava o cardápio que o garçom oferecia.
Hermione não lhe deu muita atenção. Já começou a falar animada sobre a boa venda do livro, que provavelmente iria para a segunda tiragem, e sobre a tarde de autógrafos. Ainda não tinham um dia definido, então ele teria chance de tirar aquela ideia da cabeça dela.
-Malfoy ligou para a editora hoje - ela disse repente, e Harry enrijeceu na cadeira. - Perguntou por você.
-O que... O que você disse? - não conseguiu disfarçar o nervosismo e a garota, sempre atenta, percebeu.
-Que você quase nunca aparece por lá. Expliquei que seu trabalho é feito em casa, então você só aparece quando tem alguma reunião muito importante. Aí ele pediu o seu endereço...
-O quê? - exclamou exaltado. - Você não disse, não é?
-Harry, se ele quiser mesmo te encontrar, dará um jeito - Hermione disse séria. - A conversa ontem não foi legal? Vocês não superaram aquela rixa boba?
Oh, a conversa foi legal até demais. Até aquela tal colega de faculdade do loiro aparecer.
-Olha, eu sei que você gosta de homens, Harry...
-Hermione! Esqueci isso, tá legal? Era coisa de adolescente confuso. Eu já superei isso e sei do que gosto!
- Mas...
Harry a calou com um olhar. Ela resignou-se. Sabia que aquele olhar queria dizer 'Não vou ouvir nem discutir nada!'. Ela voltou a falar sobre o livro, fingindo não ter tocado naquele assunto.
Três dias se passaram desde então. Ele não voltou à livraria. Ficou boa parte do tempo em casa, dando um jeito na zona. Saiu apenas para levar Jane para dar uma volta no parque ali perto e também para ir ao supermercado e assim reabastecer a geladeira. Tentava não pensar em Draco, mas acabava sempre se lembrando das discussões inúteis da infância e adolescência e repassando todo o acontecimento da livraria. Às vezes a sua vontade era de pular pela janela, porém sabia que Hermione o mataria se ele tentasse se matar sem entregar a continuação do livro. Nada animador.
Jane estava no quarto, toda esparramada em cima da cama, no décimo quinto sono. Harry pensou em acordá-la para irem dar um passeio, mas já passava das onze. Com o aquecimento geral do apartamento ligado deixando um clima agradável, Harry tirou a camisa, ficando apenas com a calça do pijama, e acabou voltando para a sala, com o notebook, e começou a digitar rapidamente assim que abriu o Word.
Alguns minutos depois, a campainha soou.
Franzindo a testa, imaginando que poderia ser Ron "exigindo" que ele desse uma folga para Hermione, foi atender.
Seus lábios se entreabriram pela surpresa ao ver que era Draco Malfoy parado diante da sua porta.
Nota da beta: Ahhhh, que coisinha mais linda esses dois se entendendo (matem a Astoria) e depois o Draco aparecendo inesperadamente na casa do Harry! Mein Gott, será que no próximo capítulo as coisas esquentam? Só deixando reviews para saber, rs. Beijos, amores!
Nota da Bia: ho ho ho O Draco não ia deixar o Harry escapar assim? O Harry tem que admitir que está doido para brincar de médico com o Draco... *apanha* xDD Bom, será que eles se entendem nessa conversa? Só lendo mesmo pra saber xDD
Nota da Carol:Oiee gente! Nossa, demorou um pouquinho para esse cap sair, apesar dele já estar pronto a um tempinho, mas foi por motivos de força maior, me desculpem x.x Mas o cap está aqui, bonitinho para vocês! Espero que gostem! As meninas já comentaram tudo, então só vou responder as reviews que não deu para responder por MP:
Alexandra: Oie, minha linda! Que bom que vc gostou da fic! Hahahaha Eu tbm tenho esse hábito de não ler as notas iniciais as vezes xD Sekai é mto amor, e sempre dá inpiração! Espero que a gente consiga fazer uma fic tão fofa quanto a nossa fonte de inspiração! S2 Muito obrigada por comentar! E espero que tenha gostado desse capítulo tbm! Bjão! S2
Schaala: AMORE MIO! Não sei pq a sua review saiu anônima, mas tbm não posso deixar de reponder! S2 hauhauahau Vc já leu ela toda, twin xDD Mas ainda vamos escrever mais e te mandar o final ;D Weee, nem fale das cenas quentes! Hauahauahau Brigadão por tudo, twin! Melhor beta ever! Amo demais! S2
Debora Malfoy: Oiee, menina! Tentei te responder por MP, mas não consegui xD E o FF não ta me deixnaod responder por reply normal. Sekai é mto perfeito! Nossa, somos fãs (eu e a Bia)!Fico muito feliz que tenha gostado da fic! Nossa, UA é tudo de bom! *o* hauahuahau Sim, sim! O raco praticamente se entregou dando o horário do fim de expediente! LOL Espero que tenha gostado desse cap tbm! n_n Bjão, minha linda! S2
Stephanie: Oiee, menina! [] Aii, fico muito feliz que tenha gostado da fic! Hauahauahau Eu quero sim terminar Enrolados, nem se preocupe que eu vou voltar a escrever! Esse semestre foi uma loucura pra mim, pq eu estou no último ano da facul e tive que defender a minha monografia, mas agora as coisas estão mais tranqüilas e eu vou terminar todas as minhas fics devidamente! ;D Muito obrigada por comentar e pelo incentivo, minha linda! S2 Bjão!
É isso, gente! Espero que gostem do cap! DEIXEM REVIEWS! S2
Bjão, seus lindos!
