Obrigada por ler!
Pretendo fazer ao menos duas atualizações por semana. Não será uma história muito longa. Por volta de 20 capítulos.
OBS: Os personagens pertencem a Stephenie Meyer.
Capítulo 2
"Oh merda, Bella. Eu não posso. Nós não podemos. É tão errado". Ele se levanta e começa a andar de um lado para outro, sem me olhar nos olhos. Eu levanto em seguida, com a garganta seca de medo. Ele não pode me afaste agora! Ao perceber meu movimento ele me olha. Eu estendo a mão na direção dele e ele recua.
"Não, Bella. Isso foi um erro. Eu...Você é tão...". Ele tem um olhar atormentado agora que só confirma o que já sabia: ele me quer, mas se sente culpado por isso. Mas mesmo sabendo disso, ainda dói ouvi-lo dizer que foi um erro. Eu engulo seco e tento não pensar nisso. Sinto que é a hora de deixá-lo saber que isso não foi uma coisa de momento pra mim, não era apenas luxúria.
"Não Edward. Por favor, não fala isso. Eu te quero tanto. Eu sempre quis você. Só você. Eu te amo tanto". Ele me olha como se tentando fazer sentido das minhas palavras. Eu me aproximo dele, sem tocá-lo e continuo.
"Eu sei que você me quer também. Eu vejo como você me olha, às vezes". Estendo a mão e acaricio sua bochecha. Por um momento ele se rende ao meu toque, mas logo se afasta.
"Não. Não. Isso é errado Bella. Não pode ser assim". Ele fala tentando convencer nós dois e volta a caminhar de um lado pro outro na sala. Ele continua a negar existe entre nós.
"Você está confundindo as coisas, é natural. Você perdeu seus pais e eu sou a pessoa mais próxima de você. E é por isso que é errado, eu sou seu tio. O que você acha que sente por mim, não é...". Ele geme, puxando seus cabelos.
Eu não o deixo continuar. "Não tente me dizer que eu não sei o que eu sinto, que isso é por causa dos meus pais. Você sabe que não é assim!". Ele continua balançando a cabeça e irritação começa a crescer em meu peito ao vê-lo desmerecer meus sentimentos.
"Não é de agora o que eu sinto por você. Começou muito antes do acidente. Então, não venha me dize que eu estou transferindo minha dor para o que está acontecendo com a gente. Eu sei que você me quer. E...". Ele me interrompe e fale calmamente olhando em meus olhos.
"Não tem nada acontecendo entre nós. Isso foi um erro, independente do que você acha que sente por mim". Ele continua me olhando e sua voz bem como seu olhar tem algo agora que não tinha antes. Uma frieza e determinação apertam meu coração.
"Você diz que eu olho pra você. Ok. Eu sou um homem e você desfila com quase nada na minha frente, mas isso não quer dizer nada. Não significa que eu quero você. Eu olharia para qualquer uma", ele fala e desvia o olhar.
"Não". Eu digo baixinho, em desespero, enquanto meus olhos enchem de lágrimas. "Eu sei que você está dizendo isso por culpa, porque você é meu tio e é mais velho, mas isso não importa. Você não é...nós não temos o mesmo sangue e você não é tão mais velho. Isso não importa. Nós somos...". Ele me corta mais uma vez.
"Não, Bella. Eu sou seu tio e o que eu sinto por você não é nada mais do que isso. O que aconteceu hoje foi porque eu me deixei levar pela tensão acumulada e o clima do filme, mas eu não posso...eu não...eu não quero você". Ele diz me olhando e eu sinto como se tivesse levado uma facada no peito. Ele não me quer. Eu começo a repensar o que achava que sabia, o que eu pensava que ele sentia por mim. Ele não me quer. Ele não me quer.
"Você não...". Eu não consigo completar. Eu não consigo olhar mais nos olhos dele. Eu mal sinto meus pés no chão e me apoio na cômoda da sala. Segundos se passam e parecem horas. Quando eu não digo mais nada, ele fala mais uma vez.
"Olha Bella, eu sinto muito se estou te machucar agora e se o que aconteceu hoje te fez mais confusa. Mas você vai superar, você é tão jovem. Ainda vai ter um monte de garotos atrás de você, querendo namorar", ele diz franzindo a testa. "E logo você vai perceber que isso não passou de mal entendido, que você fez uma confusão sobre o que sente". Ele sorri. Ele sorri? Que merda é essa?
"Toda menina boba da sua idade se imagina apaixonada por alguém impossível, um professor, o pai da amiga, sei lá. Vai passar e você vai me agradecer por interromper essa tolice quando você encontrar alguém com quem você realmente se importa, alguém como você. E eu...eu também vou encontrar uma mulher...adequada ", ele termina.
Eu olho pra ele e não consigo formular sequer uma palavra para responder. Jovem. Menina boba. Tolice. Eu olharia para qualquer uma. Ele vai encontrar mulher adequada pra ele.
Ele se vira e sobe as escadas sem olhar pra trás.
-E-E-
Eu caio no chão, com lágrimas rolando em meu rosto. Cruzo os braços, abraçando a mim mesma, buscando algo que diminua a minha dor. Eu não posso acreditar que ele disse essas coisas. Eu me sinto em choque, minha cabeça parece que vai estourar e não consigo pensar claramente. Apenas as palavras continuam na minha cabeça. As palavras dele.
Eu não quero você.
Você é uma menina boba. Tola.
Ele vai encontrar uma mulher adequada.
As palavras e todos os acontecimentos da noite se repetem na minha cabeça e eu já não sei há quanto tempo estou aqui no chão. Tento firmar minhas pernas e me levantar. Apoiando-me na cômoda eu fico de pé e subo as escadas para meu quarto. Chegando ao segundo andar da casa, onde ficam o meu quarto e o de Edward, eu nem olho para a porta dele.
Entro rapidamente no meu quarto, tranco a porta e me jogo em cima da cama. Eu me sinto tão magoada! É uma dor que parece tomar conta até da minha alma. Agarro meu travesseiro e deixo as lágrimas caírem silenciosamente.
Algum tempo mais tarde, quando eu paro de chorar, outro sentimento ganha força dentro de mim. A raiva. Como ele pode dizer tudo isso pra mim? Mesmo que eu estivesse enganada sobre o que ele sente por mim, o modo como ele me tratou não foi justo.
Ele não respeitou meus sentimentos.
Ele chamou de tolice o que aconteceu entre nós.
Ele me chamou de menina boba.
Ele tentou desacreditar meus sentimentos e culpar o meu estado frágil causado pela morte dos meus pais.
Menina jovem e boba.
Ele me comparou a um monte garotas inconsequente que existem por aí, como se ele não me conhecesse. Como se ele não soubesse tudo o que já passei até hoje, mesmo antes da morte dos meus pais. Tudo aquilo que me fez crescer mais rápido. Ele mesmo me disse isso inúmeras vezes, o quanto se orgulhava de mim.
Meus punhos se apertam ao redor do travesseiro.
E agora ele usa a minha idade pra dizer que eu não sei o que eu quero. A raiva parece que se espalha por todo o meu corpo e eu tenho vontade de gritar e quebrar tudo o que vejo. Eu me sento na cama e respiro fundo tentando em acalmar.
Mesmo que ele não ame como eu o amo, ele não deveria me menosprezar como ele fez. Me tratar como ele tratou. Sinto mágoa e raiva. Não sei qual dos dois sentimentos é mais forte agora. A forma como ele se comportou é algo que eu nunca imaginei que ele faria.
Com a cabeça doendo ainda mais do que antes, eu pego um analgésico na minha bolsa e deito novamente. Penso em como será amanhã e daqui pra frente. Mal consigo pensar em olhar no rosto dele sem sentir a raiva aumentar em meu peito.
Eu só quero dormir e esquecer tudo isso.
Fico rolando na cama por algum tempo até o efeito do medicamente me deixa sonolenta.
-E-E-
Acordo de repente, com o som de algum barulho na casa. Abro os olhos e tenho que fechá-los devido à claridade. Minha cabeça se sente pesada. Imediatamente eu me lembro de tudo o que aconteceu ontem. Permaneço deitada, ainda com os olhos fechados e fico atenta a quaisquer barulhos na casa. Tento abrir os olhos e me sentar calmamente. Então, ouço o barulho do portão na garagem e de um carro saindo.
Ele saiu para o trabalho.
Olho para o relógio. 07:02.
Ele saiu mais cedo do que normalmente sai. Com certeza que está tentando me evitar. Suspiro e meus olhos se enchem de lágrimas. Eu não vou chorar! Tento resistir porque eu não quero lembrar, eu não quero sofrer mais. Mas eu não consigo. Eu revivo cada momento: os beijos, o seu toque. Mas também suas palavras cruéis. Eu não sei o que pensar. Será que me enganei tanto assim pensando que ele também me queria?
Quando penso em tudo que ele disse, me sinto uma tola que viu apenas o que queria ver. Mas a forma como ele me tocava, me abraçava e como ele se comportou nos últimos meses indicam que ele queria mais. Tantas vezes no café da manhã ou quando ele chegava do trabalho a noite, ele me abraçava de surpresa por trás, me chamava de menina linda ou princesa, e me beijava no canto da boca enquanto me pressionava contra ele. Durante nossas sessões de filme ele me recebia quando eu o abraçava, ele acariciava meus braços e costas. Ficávamos deitados não como tio e sobrinha, mas como um casal de namorados.
Eu simplesmente não consigo colocar chegar a um acordo em minha mete sobre tudo isso.
Fico na cama até o meio da manhã, quando encontro forças pra levantar. Tomo um banho e mal consigo comer uma fruta.
Eu sinto um vazio dentro de mim. Sinto-me sozinha. Não sei o que fazer. Acho que esse seria um bom momento para ter aulas, pois pelo menos eu teria algo para me distrair. Um motivo pra conseguir me levantar e sair de casa.
Sair de casa.
Mas eu posso sair de casa! Tento me convencer.
Posso ir pra qualquer lugar.
Não tenho que ficar olhando para tudo o que me lembra dele.
Penso em Ângela, minha amiga. A única amiga em quem confio, mas lembro que ela está viajando de férias com os pais. Meu coração cai. Seria bom ter alguém pra conversar. Mas não posso ligar e simplesmente atrapalhar as férias dela. Começo a chorar de novo.
É somente no meio da tarde quando consigo me colocar pra fora de casa.
Sem rumo. Sem saber aonde ir.
Acabei no centro da cidade. Poderia ficar sentada em um banco no parque. Ir a algum museu. Cinema. Coisas que eu sempre amei fazer, mas nesse momento não são atividades atrativas pra mim. Decidi sentar no parque e tentar colocar meus pensamentos em ordem.
Não quero encontrar com Edward. Sei que no momento em que eu olhar pra ele, a minha dor vai se tornará ainda maior.
O que ele vai me dizer?, eu especulo. Se é que ele vai falar comigo. Ele vai continuar me evitando. E eu também não sei que quero vê-lo.
O que eu posso falar quando eu o ver?
Não adianta. Não sei o que fazer.
Desisto de tentar resolver qualquer coisa e olho as pessoas no parque. Pais passeando com os filhos, casais de namorados, grupos de amigos conversando, se divertindo. Eu queria tudo isso agora, mas tenho ninguém agora. Sinto-me tão triste e sozinha sem meus pais, sem minha amiga aqui e agora, também sem ele. Começo a chorar de novo.
Decido sair do parque e vou ao cinema para tentar preencher minha tarde. Escolho uma comédia idiota, que nunca assistiria em estado normal.
Quando o filme termina eu dou mais uma volta na cidade, não querendo voltar pra casa. Olho para o relógio. 06:47. Ele provavelmente estará em casa logo. Não sei se corro pra chegar antes e me esconder ou se espero mais algum tempo na rua. Eu gemo comigo mesma. É melhor ir de uma vez.
Abro a porta de casa e percebo que ele ainda não chegou. Alívio toma conta de mim. Eu vou rapidamente para meu quarto e me tranco lá dentro. Tomo banho. Ligo meu MP3 e fico na cama até pegar no sono, tentando não prestar atenção em qualquer barulho dentro de casa.
