Poderia ser só mais um dia.

E era, para falar a verdade.

Acordei e, ainda com os olhos fechados e com a maior preguiça do mundo, me espreguicei. Então, fiquei parada, aproveitando aquele colchão macio e quentinho. Lentamente abri meus olhos e senti minha vista já ser afetada pela luz que entrava pela janela. Virei-me e vi. O sol e as nuvens brancas dançando no céu por uma fresta aberta na cortina.

Eu adorava dias de sol. Eles eram os melhores. E vinham junto com flores e sorrisos. Sempre assim. Automaticamente, um sorriso brincou em meu rosto e, sentando-me na cama, passei as mãos pelos meus cabelos bagunçados e aproveitei o normal e aconchegante frio das manhãs de Hogwarts.

Normalmente, eu simplesmente voltaria a dormir, depois Lily me acordaria, mas, Merlin sabe o motivo, me vi tirando os pés da cama e indo até o meu baú, a frente da minha cama, percebendo que fui a primeira a acordar. Peguei uma muda de roupas, então andei até o banheiro, pronta para tomar um rápido, para poder tomar café da manhã e ir logo para a aula.

Espera! Aula?

Arregalei os olhos. Eu havia me esquecido que não haveria aula hoje porque era fim de semana. Um fim de semana em que eu poderia aproveitar dormindo...

Rolei os olhos. Eu poderia estar dormindo... Mas já que não iria conseguir mesmo, peguei outra muda de roupas no baú e entrei no banheiro, tomei um banho morno e troquei de roupas. Quando saí, vi Lily sentada na cama dela, com cara de quem tinha acabado de acordar.

"Bom dia, lírio do dia!"

Ela murmurou alguma coisa que eu nunca conseguirei decifrar nesta vida e deitou-se novamente, falando mais claramente:

"Por que você já está de pé?" Disse-me, com a cara amassada no travesseiro, os cabelos por toda a fronha e os olhos fechados.

"Eu não sei, mas hoje me parece um daqueles dias em que devemos sair do quarto! Acredita que pensei que iria ter aula?" Ri, sozinha, enquanto Lils franzia o cenho para mim. Sentei-me ao seu lado na cama. "Podemos fazer um piquenique, caminhar com as meninas..." Continuei. "...curtir a vida lá fora! Vamos, Lils? Vamos pro jardim, depois podemos dar uma volta, ir na cozinha e mais tarde, quem sabe, fofocar e-"

"Estudar..." Ela disse.

"Podemos fazer as tarefas no final da tarde, ou amanhã, mas vamos aproveitar o dia, aproveitar o sol..." Disse, sorrindo.

"Não, Holly, você não entendeu... Esqueceu que combinamos de estudar hoje com os meninos?"

Paralisei.

"Eu... esqueci." Abaixei a cabeça.

"É, vá descendo que eu vou tomar um banho e então podemos ir para uma sala qualquer, sim?" Lily falou, sentando-se na cama, me encarando.

"A gente não pode fazer isso amanhã, não?" Fiz um biquinho, eu queria aproveitar o dia! Sair do castelo, não pensar em homens...

Lily arregalou os olhos.

"Não!" Exclamou, tomando o cuidado de manter o tom de voz baixo, por causa das outras meninas, mas, mesmo assim, exaltada "Vamos terminar isso tudo hoje!"

"Terminar? Lils, eu tenho muitas dúvidas em Poções! Não sei se vou conseguir entender tudo até o fim do dia... Não aprendi com aquelas milhões de aul-"

"Relaxe, Hall, sei o que digo..." Interrompendo-me e levantando-se, Lily foi até o seu baú, pegou uma muda de roupas e, virando-se para mim, disse:

"Desça, e vá comer logo, temos muito o que fazer..."

"Não. Te espero aqui mesmo!" Disse. Lily foi para o banheiro então levantei-me de sua cama e fui para a janela, abrindo mais os panos que cobriam o sol.

"Holly! Fecha isso!" Gritou Mia, sonolenta.

Fechei as cortinas, fazendo uma careta por ter sido repreendida, e olhei rapidamente para Mia, que estava com a cara totalmente amassada pelo travesseiro e uma expressão de raiva e sono no rosto, logo ela dormiu novamente. Ri silenciosamente e sentei-me na cama, esperando pela minha ruiva.

Lily saiu rapidamente do banheiro, já com outras roupas. Esticou seus lençóis e reclamou comigo por não fazer o mesmo. Tive que esticar meus lençóis também, para não ouvir ela repetindo que eu não era organizada a manhã toda novamente.

Descemos os degraus e logo encontramos James, Sirius e Peter.

"Onde está Remus?" Perguntei enquanto deixávamos o Dormitorio. Peter engoliu em seco e James respondeu que ele já tinha ido tomar café, pois estava com fome, por causa da energia gasta na lua cheia do dia anterior.

"Mas ontem foi lua nova!"

"Ah, mas não é desse tipo de lua que eu estou falando!"

Minha cabeça tombou para o lado enquanto andávamos para o refeitório. Não havia entendido uma virgula do que James tinha falado. Enquanto a minha confusa mente explodia em pensamentos duvidosos, Sirius me bateu seus dedos em meu ombro e sussurrou:

"Se ajuda, eu também não entendi nada do que James disse."

"Não ajuda se não descobrir..." Olhei para trás, onde James parara Lily e a agarrara. Continuamos andando, os três.

"Esses dois não tem um pingo de vergonha na cara?" Sirius pareceu ofendido, mas ouvi o tom brincalhão.

"Olha quem fala!" Sorri abertamente e Sirius riu. Então percebi que estávamos sozinhos. "Onde está Peter?"

Olhamos para trás novamente, onde Lily falava algo para Peter e ele acenava fortemente com a cabeça. James olhava, deslumbrado, para Lils, com os lábios completamente rosados e brilhantes pelos gloss da namorada. Levantei uma sobrancelha. Eles era hilários.

"Quando Lily morrer, ele não vai agüentar nem mais um segundo e vai seguir ela."

Arregalei meus olhos ao tamanho de duas goles inchadas e dei-lhe um tapão na cabeça.

"Sirius! Isso lá é coisa que se fale?" me indignei um pouco.

"Ai!" Ele levou a mão a cabeça e massageou o local dolorido. "Achei que isso era romântico!" Ele exclamou "Fala sério, que mão pesada!" Murmurou, pensando que eu não ouviria.

"E quando falar em morte é algo romântico?" Disse-lhe eu.

"E não é?" Sirius me sondou, enquanto íamos em direção ao Salão Principal.

"Não, Six, não é!" Rolei os olhos.

Sirius olhou para baixo com o cenho franzido e murmurou algo que não entendi, logo voltou rapidamente a falar comigo:

"Mas e aí, e as novidades?" Sorri um pouco. As únicas novidades eram que eu não estava mais chorando até dormir enquanto sofria secretamente por gostar dele...

"Nenhuma." Olhei para o teto. "E você?"

Me arrependi de ter perguntado. E se ele começasse a falar sobre o seu namoro com Marlene?

"Ah, eu... er... eu?" Ele se atrapalhou um pouco com as palavras e disse: "Que fome! Será que terão salsichas hoje?"

"Sirius, sempre tem salsichas... Você as comeu ontem lembra? E antes de ontem, no dia anterior e no dia antes desse!" Levantei meus braços, exasperada. "Você come salsichas todos os dias! Por que não teriam salsichas junto hoje?"

Ele pareceu pensativo e ficou me olhando por um tempo, com o cenho franzido.

"Você reparou que eu como salsichas todos os dias..." Disse, num tom baixo.

Parei de andar e, consequentemente, ele também.

"Six, todos em Hogwarts sabem que você come salsichas pelas manhãs, tardes e noites!" O olhei como se estivesse louco. "Só um trasgo não saberia!"

"O que tem James?" Lily perguntou, enquanto chegava mais perto, segurando a mão de Jay, que a olhava amorosamente.

"O que tem eu o que?" James pareceu acordar de um transe quando seu nome fora mencionado, desviando seus olhos de Lils.

"Quem?" Perguntou Peter, que estava voando também.

"Salsichas..." Sirius falou.

"O que tem elas?" Lily questionou, franzindo o cenho.

"Será que terão salsichas hoje?" James indagou, mais para si do que para os presentes.

"Tomara que sim..." Disse Peter, passando por mim e quase correndo, para, provavelmente, comer salsichas.

Coloquei a mão no rosto e segui Pete, rindo sozinha. Eles não tinham jeito!

"Ta rindo do quê?" Perguntou James, enquanto entravamos no salão.

"Salsichas!" Exclamei, enquanto me sentava.

"Quer umas?" Sirius passou o prato dele para mim. Levantei as sobrancelhas.

"Está me dando suas preciosas salsichas?" Ele acenou fortemente, sorrindo, como um cachorrinho querendo agradar seu dono.

Lily riu abertamente. Abertamente demais, na verdade.

"O que foi?" Sirius perguntou, alto demais, como se alguém o tivesse acordado.

"Nada..." Ela disse "É que James me fez cócegas aqui!" E deu um tapa de leve no ombro do menino que não estava entendendo nada. "Ah James, para!" Riu-se ela, bobamente.

Franzi o cenho e a minha cabeça, novamente, caiu para o lado.

Loucos.

(...)

"Nossa, como essa comida estava boa!" Exclamou Lily, depois que escovamos os dentes, de volta ao dormitório. Mia era a única que ainda dormia.

"Lily, você está se sentindo bem?" Perguntei enquanto descíamos as escadas, de volta para a Sala Comunal.

"Hã? Por quê?" Perguntou, enquanto equilibrava alguns livros de Poções.

"Oh James! Sinto cócegas! Hihihihihi!" A imitei, fazendo uma voz muito fina e fui agredida! "Ai!" Ri da sua cara, mesmo com dores em um braço que, em pouco tempo, estaria com um belo hematoma.

"Só vá para a sala em que combinamos, ok?" ela disse, visivelmente constrangida (bochechas vermelhas, cabeça baixa e corpo um pouco encolhido), então franzi o cenho.

"Não vai junto?"

"Não, vou passar antes na biblioteca, tem um livro que vou usar para te ensinar a poção do-"

"Não quero saber! Ainda estou nos meus momentos de liberdade! Até chegar até sala de Binns, estou livre!" Virei o corpo para o quadro, com Lily em meu encalço "Ah, ontem a noite chamei Mia para ir estudar com a gente, ela também está com duvidas em Poções, então eu acho que deveríamos acordar ela e..." Lily se surpreendeu visivelmente com a minha declaração e engasgou com Merlin sabe o quê!

"Lils!" Exclamei, enquanto batia nas suas costas e ela tossia loucamente. Repentinamente, ela levantou o corpo e disse:

"Esqueci uma coisa lá em cima, eu chamo ela, sim? Já volto!" E saiu correndo para as escadas.

"Lily! O que foi que esqueceu?" Perguntei com o cenho franzido.

"Meu caderno de poções..." Disse automaticamente, enquanto deixava cair um caderno de suas mãos cheias de livros.

Caderno de poções. Era o que estava escrito na capa enfeitada por ela.

"Oh!" Ela disse, olhando para baixo, com o rosto vermelho.

(...)

"TPM, só pode ser... Lily não pode ser tão atrapalhada assim em dias normais!" Exclamei comigo mesma, enquanto carregava uns livros, indo em direção a sala que Lily tinha reservado para estudarmos.

Uns meninos do primeiro ano estavam passando por mim enquanto falava sozinha e saíram correndo. Poderia ter sido de mim ou de Snape, que passou correndo por mim... Prefiro pensar que foi por ele.

Mas, bem... Snape nunca fora o vilão da história... Não até eu saber que ele havia se juntado a... Você sabe... Mas antes, até que conversávamos bastante, afinal, Lily é a minha melhor amiga e ele já fora melhor amigo dela. Eu já fui brincar na casa dele junto com Lily e me sentia bem lá, correndo e rindo com eles e chamando-o, carinhosamente de 'Sev'.

Trocamos um olhar sem emoções logo que ele passou e não tive coragem de sorrir, como faço sempre e com qualquer um que me olhe.

Agora eu o odiava mortalmente. Não só por ele ser um Comensal, mas por ele atrapalhar bastante a vida de Lily e James, meus melhores amigos que, finalmente, estavam juntos!

Sorri comigo mesma pelo meu casal preferido e, logo após, franzi o cenho para um garoto do terceiro ou quarto ano que sorriu de volta para mim, provavelmente pensando que eu estava sorrindo para ele. Ele balançou a cabeça num 'e aí' e eu preferi ignorar, abaixando a minha cabeça e apressando o passo para o estudo.

"Holly?"

"Oh, hey Paul!" Acenei para Paul, enquanto os cinco livros que eu segurava caiam no chão.

"Você é desastrada demais!" Ele riu.

"Obrigada pelo elogio..." Bati levemente em seu ombro.

"Ei, Holly com livros na mão... Boa coisa não é, vai espancar alguém?" Riu Paul enquanto se abaixava para me ajudar a pegar os livros caídos.

"Haha! Não. Vou estudar com Lils hoje. Ela vai me ajudar com Poções... na verdade, ela vai me ensinar Poções..."

"E você, vai ensinar algo pra ela?" Perguntou meu sorridente amigo.

"Não." Pisquei rapidamente, não havia entendido o que ele quis dizer.

"Bom..." Percebendo a minha confusão, ele continuou "Se ela vai tirar um dia para te ensinar uma matéria..." ele equilibrou os livros nas minhas mãos, empilhando-os "...Você poderia dar algo em troca ou ensinar algo também, entende?"

"Tipo o quê? Ela é a criatura mais inteligente desse planeta, não saberia ensiná-la nada!" Novamente, a minha cabeça caiu para o lado enquanto pensava.

"Você pode dar um bolo ou biscoitos para ela, como agradecimento, meus pais fazem assim...!" Paul sorriu e eu também.

"Boa idéia!" Então franzi o cenho "Paul! Eu não sei como fazer biscoitos!"

"Você pode pedir aos elfos que eles lhe darão alguns-"

"Não! Quero fazê-los! E você vai me ajudar! Hoje a noite vamos a cozinha e você vai me ensinar essa receita Trouxa!"

"Mas eles não vão deixar a gente cozinhar..."

"Vão sim!" Disse, certa "Todos ali conhecem e amam os Marotos, a mim e Lily, eles nos deixam pegar toda a comida possível, então devem deixar a gente usar o forno!" Sorri.

(...)

Com os planos da noite traçados, me dirigi a sala que Lily me mandou ir. Ao passar pela porta, encontrei Sirius sentado numa cadeira, murmurando alguma musica.

"Oh, oi Six!" Ele se virou e sorriu pra mim. Lógico que meu coração pulou, mas já havia aprendido a ignorar as minhas reações enquanto estava perto dos sorrisos maravilhosos de Sirius Black.

De repente, ele me pareceu estar com raiva.

"O que foi?" Perguntei.

"Nada não. E aí, tudo bem?" Ri um pouco, me sentia desconfortável, mas mantive o rosto intacto.

"Nada mudou desde o café, Sirius." Disse, sorrindo.

"É, suponho que sim..." Ele disse, num tom mais baixo.

Coloquei meus livros em cima da mesa enquanto um silêncio incomodo se instalava naquela sala. Eu não tinha ficado sozinha com Sirius nem uma vez desde... muito tempo. Tanto que nem me lembro. Não quero lembrar.

Onde estava Lily?

"Lolly?" Sirius chamou meu apelido de infância. Aquele que eu detestava...

"Você realmente precisa me chamar assim?" Perguntei, mais desconfortável ainda, enquanto prendia meu cabelo num rabo de cavalo.

"Preciso." Disse, convicto "Escuta, eu queria, hum, te falar uma coisa."

"Fale."

Então ele me olhou. E me olhou... E foi ficando pálido... Eu já ia perguntar se ele estava se sentindo bem quando ele se levantou:

"Então Holly... É o seguinte... Como posso dizer?"

"Abra a boca e as palavras sairão..." Sugeri amigavelmente, quase rindo como uma hiena pela cara que o menino estava fazendo. Encostei minha cintura na mesa, enquanto via Sirius, confuso, tentar me explicar que, para as palavras saírem, era preciso deformar a boca e fazer com que o ar passe pela garganta. O interrompi:

"Fala logo, Sirius."

"Sabe o que é? Eu estive, hum, pensando durante esses últimos dias e cheguei à conclusão de que..." Ele procurou as palavras enquanto mordia o lábio inferior "As pessoas só dão real valor às coisas quando as perdem."

Ia perguntar o que ele tinha perdido desta vez, mas fui interrompida antes.

"Não. Espera... É como um tio de James. Ele, hum... Foi para a guerra..." Franzi o cenho. James fez o quê?

"O tio, não James, James não tem idade para ir para a guerra..." Ele se explicou.

Oh... Jay nunca tinha me contado que seu tio tinha ido para a guerra. Que guerra foi essa?(N.A.: BOA PERGUNTA, PAULA!)

Sirius continuou:

"O tio foi para a guerra e lá ele perdeu a perna e só quando ele precisou de uma bengala para sair correndo atrás de nós por ter estragado a grama dele, que estava horrível, por sinal, é que ele percebeu o quanto ele precisava da perna..." Ele pigarreou e continuou "O que estou querendo dizer, Lolly, é que você... você é minha perna."

...

Silêncio.

"Hum..." Incerta do que pensar sobre a perna do tio de James, perguntei sarcasticamente: "Certeza que não sou o braço?" Levantei uma sobrancelha.

Sirius, que estava sorrindo, triunfante, pareceu um pouco confuso por uns instantes e balançou a cabeça, se explicando:

"Quê? Nah, daria para correr atrás da gente sem braço... Além do mais, ele perdeu a perna, Holly, não o braço. Vê se presta atenção na história que usei como metáfora!"

Ele estava bravo por eu não ter entendido a pior metáfora do universo?

"Eu sei, Sirius." Disse, um pouco impaciente "Mas dá para explicar a metáfora?"

"Ah, claro... Bem... Hum, lembra que nós éramos amigos? Ainda somos, na verdade... Enfim, desde o primeiro ano..." Ele pensou um pouco "Ou desde o segundo? Acho que foi segundo; no primeiro eu não gostava de nenhuma de vocês... Ah, desculpe por isso, eu não gostava de vocês no começo..." Levantou os braços, com as mãos para frente, em sinal de paz "Enfim, e eu gosto muito de ser seu amigo, assim como gosto de ser amigo de Lily ou dos Marotos, mas de um jeito diferente, é claro... Primeiro porque nunca beijei nenhum dos meninos, ainda bem, teria sido trágico..." Fez uma careta e concordei mentalmente com ele, seria completamente trágico "Enfim, eu quero dizer que... Er, que eu gosto de ser seu amigo."

"Ah!" Entendi! "Obrigada, Sirius." Sorri para ele. Era só isso? Nossa, que ser mais estranho... Uma perna para dizer que gosta dos amigos!

"Só tem isso a falar?" Ele franziu o cenho.

Hãn? E ele queria que eu falasse o que? Que estou loucamente apaixonada por ele que nunca saberá disso, mas que estou feliz em fazer parte de sua perna amigável? Mantive o sorriso e abri a boca.

"Er..." engoli em seco "O que você queria que eu falasse? O que Lily falou quando você disse isso a ela?" Desviei seu objetivo.

"Quê...? Por que eu diria isso a ela?" Perguntou, confuso.

"Porque ela, hum, é sua amiga!" Declarei o obvio.

"Acho que você não entendeu, Lolly." De novo com o apelido? "Eu... eu gosto de você." Franzi o cenho.

Então ele disse que eu fazia parte da perna dele... Mas Lily não?

"E não gosta de Lily? Então por que é amigo dela?" Perguntei.

Como assim? Ele estava sendo falso com a minha melhor amiga?

Sirius se aproximou de mim. Meu coração parecia que iria sair pela boca.

"Holly. Escuta." Disse, lentamente, me encarando, determinado.

"Então diga."

"Eu. Gosto. De. Você."

Isso eu já tinha entendi! Duh! O que eu quero saber é por quê você não gosta de Lily!

"Sim, você já falou isso, Six, eu já entendi!" Disse-lhe, esperando que ele esclarecesse logo suas palavras anteriores.

"Droga, Holly, presta atenção! Eu sou apaixonado por você, menina!"

Meus olhos se arregalaram e meu coração ficou muito acelerado. De repente, as minhas mãos estavam suadas e a minha respiração descompensada, minhas pernas se tornaram gelatinas e, qualquer movimento brusco e elas cederiam. Dei um ou dois passos para frente, mas gelei. Não conseguia andar mais.

Minha boca permanecia aberta, mas nada saía. Sirius não desviou seu olhar do meu em nenhum instante.

O homem que você ama está aí, dizendo que está apaixonado por você. Faça um som sair dessa boca escancarada, mulher!

"Sério?" Foi só o que eu consegui dizer, mas foi tão baixo comparado ao som do meu coração - palpitava tão alto que eu conseguia ouvir o 'tum tum' -, que ele poderia nem ter ouvido.

"Nunca falei mais sério em toda minha vida." Sua expressão não mudou. Ele falava com muita seriedade.

Sem pensar em mais nada, praticamente pulei em seu pescoço e o beijei. Ele me tirou do chão e apertou fortemente a minha cintura enquanto a sua língua invadia a minha boca, me provocando arrepios e me levando todo o ar.

Dane-se! quem precisa de oxigênio?

Quando respirar se tornou uma vaga lembrança para o meu corpo, o beijo, já intenso, se tornou quase desesperado. Sirius me sugou a língua e me segurou mais forte ainda, como se eu fosse sua propriedade. Meu corpo se encheu de arrepios e eu já não sabia mais o meu nome.

Não me importava o mundo lá fora. Era como se e eu tivesse sido feita para aquele momento. Como se minha vida tivesse sido uma espera longa e dolorosa para que eu, finalmente, pudesse sentir os lábios do homem que amo com a certeza de que tudo seria correspondido.

Eu estava entorpecida pelo seu calor, sabor, textura e cheiro. À essa altura, o meu coração ameaçava explodir e o meu corpo, incendiar...

ESPERA AÍ!

Sirius Black está me beijando? Ele é comprometido!

O empurrei para longe de mim, desesperada.

"Marlene!" Gritei.

Mesmo tendo empurrado-o com toda as minhas forças, ele ainda segurava a minha cintura e percebi que não iria soltar de jeito nenhum.

"O que é que tem?" Perguntou, voltando ao mundo real.

Como assim, o que é que tem? Ele é comprometido e não pode fazer isso com ela... A não ser que ele tenha terminado com ela...

"Você ainda está com ela?" Resolvi tirar a minha duvida.

"Oh, é..." Ele murmurou, com os lábios vermelhos e a cara limpa.

Revirei os olhos.

"Não vou te beijar enquanto você estiver com ela." Declarei.

"Então que bom que você trouxe pena e pergaminho..." Demorei um segundo para processar a informação e o olhei, completamente descrente do que tinha ouvido.

"Você não pode terminar com ela por uma carta!" Exclamei.

"E por que não?"

"A pessoa precisa ouvir sua voz falando isso, Sirius." Declarei o obvio. Como ele pretendia terminar um namoro por carta?

"Tá, eu uso um berrador..."

Como?

"Eu quis dizer que ela precisa te ver, seu idiota!"

"Tem pó de flu aí? Ou eu posso mandar um recado só com a cabeça..." Revirei os olhos novamente. Ele não tem jeito.

"Sirius, querido, você precisa fazer isso pessoalmente." Expliquei, bem devagar, para que ele entendesse.

"Eu temia isso..." Pensou um pouco "Ei!" Exclamou.

"Quê?"

"Você não disse que gostava de mim!" Sorri abertamente.

"Sou apaixonada por você desde o Natal, bobo..." Pelo menos eu acho... Bom, eu sempre gostei de Six e isso era um fato.

Ele ia falar alguma coisa, mas Pete entrou pela porta, com cara de quem estava corrido e, olhando para o chão, ofegante e se apoiando nos joelhos, disse:

"Desculpa o atraso, Ja-" Mas se interrompeu quando nos viu ali, abraçados.

"Rabicho!" Six exclamou "Oi! James, pode sair de trás da mesa..."

Mesa?

Olhei para a mesa de Binns e vi três seres humanos saírem dali com a cara de pau sorridente. Olhei para Lily e ela rapidamente piscou para mim. Sorri.

Por dentro eu estava sentindo fogos de artifício explodindo e por fora... o mesmo.

"Vocês três armaram isso?" Six perguntou.

"Não, Sirius, foi Binns." James revirou os olhos enquanto falava "Ele sabia que vocês dois estavam apaixonados." Afirmou Jay, sarcasticamente.

"Ufa, pensei que vocês tivessem armado para cima de mim..." Respondeu Sirius, aliviado.

"Tá bom! Acho que nosso trabalho por aqui acabou..." Disse James, vendo Six fazer o gesto que os Marotos sempre faziam quando queriam ficar sozinhos com uma garota. Jay arrastou sua namorada e os meninos foram atrás.

Depois que todos saíram da sala, ficaram apenas Six e eu ali, olhando para a porta. Franzi os lábios.

"Lolly..." O olhei mortalmente. "Me ouve." Dei de ombros e ele começou.

"Eu nunca, nunca mesmo, pensei que iria estar numa situação como esta, hum, quero dizer, apaixonado, sabe?" Ele me olhou nos olhos, segurou a minha mão e senti um choque passar por mim. "Mas você realmente é a minha perna e eu percebi que não quero... não consigo mais, hum, ficar sem você" Então seu olhar caiu e seu rosto se avermelhou um pouco, na verdade, foi tão pouco que, se eu não estivesse analisando seu rosto em detalhes e guardando tudo na minha memória, não teria percebido o leve rosado que estava em sua face.

Sorri levemente e o abracei pelo pescoço, mantendo os nossos corpos apenas distantes o bastante para nos vermos.

"Você também é a minha perna." Eu disse sorrindo e ele me acompanhou, me olhando nos olhos e fazendo carinho nas minhas costas.

Não sei quando fechei os olhos, nem quando começamos a nos beijar, pois eu já havia me perdido novamente em sua boca. Quando me dei conta de que o estava beijando, me separei dele de novo, mas dessa vez, nossas testas continuaram coladas. Estávamos arfando e eu abri meus olhos para ver um Sirius lindo, de boca avermelhada e olhos fechados na minha frente.

"O que foi?" Ele perguntou, arfante.

"Não podemos" respira "fazer isso" respira "enquanto você" respira "ainda está comprometido" minha respiração foi se regulando, me permitindo criar uma frase completa, sem arfar tanto "com Marlene..."

"Mas eu não sei quando vou vê-la de novo e não quero mais ficar sem você nem por um minuto." Disse, ainda com os olhos fechados. Sua voz era como a de uma criança sem seu brinquedo preferido. E eu, mesmo querendo beijá-lo mais, me detive. Ele me apertou em seu abraço, não querendo ficar longe.

"Mas traição é algo que ninguém quer sentir... Não é como se as pessoas gostassem de andar por aí com uma galhada na cabeça..."

"James gosta." Revirei os olhos.

"Ela não é James... E nem você." Ele sorriu.

"E nem queria ser, porque se fosse, não poderia beijar você!" E me deu um selinho de leve. "Eu vou respeitar a sua vontade," Disse "e vou conversar com Marlene quanto antes eu puder!" Abriu os olhos "Mas, se você contar pros Marotos que eu estou concordando em não te beijar, entrarei em greve!" Então sorriu abertamente para mim.

Continuamos nos olhando e sorrindo bobamente até que Sirius começou a sorrir de um jeito diferente, mais... marotamente. Levantei as minhas sobrancelhas. No que ele estava pensando?

"Você disse que eu não posso te beijar, certo?"

"Certo..." Concordei, desconfiada.

"Mas e em relação a você me beijar? Eu ser atacado é uma coisa completamente dife-"

"Sirius!" Exclamei.

"Ok, ok, eu já imaginava essa reação, mas..." Ah não!

"Mas o quê?" Perguntei, desejando ter mantido a minha boca fechada.

"Você não disse se eu estou proibido de fazer isso!" E ele atacou o meu pescoço, me mordendo e me beijando, deixando o meu corpo todo arrepiado. Mas não foi só isso! Comecei a sentir cócegas! E o pior! Percebi que ele estava fazendo aquilo propositalmente!

"Ah! Six, para! Para, para, para!" Gritei, em meio a milhões de risos.

E foi aí que piorou, ele começou a fazer cócegas na minha cintura. Comecei a me contorcer em risadas e, como ainda estava abraçada a ele, fomos ambos ao chão, rindo.

(...)

Estávamos subindo as escadas do Dormitório masculino, com Six segurando a minha mão – isso causou polêmica enquanto passávamos pelos corredores, até a mulher gorda que era a chave no nosso Dormitório levantou a sobrancelha quando nos viu assim. Eu não tinha nada para reclamar.

"Lolly..." Ele começou.

"Você está me chamando demais de 'Lolly' hoje..." Revirei os olhos.

"O que eu posso fazer... Você é a minha perna, tenho os meus direitos!"

"Fala logo!" Disse impaciente.

"Vamos sair esta noite?"

"O quê?" Perguntei, incrédula.

"Sair... É o que um casal faz quando está junto, sabe?" Piscou e me deu um beijo na bochecha. "Precisamos tirar o atraso e-" Eu o cortei.

"Sirius! Eu já falei que não vou sair, ou beijar, ou fazer qualquer coisa desse tipo com você enquanto não terminar com Marlene!" Repeti as minhas palavras de mais cedo, enquanto andávamos pelos corredores, vindo para o Dormitório.

"Tudo bem, eu posso conviver com isso, mas quando eu terminar com ela, nós iremos sair escondido pelo-"

"Ok, Six, acho que você não conhece a regra."

"Que regra?"

"Não se pode sair com alguém no mesmo dia em que se termina um relacionamento!"

"Mas eu estou aqui pra isso!" Ele exclamou.

"Hãn?"

"Para quebrar as regras!"

Argh!

"Não comece, Six..."

"Mas Holly...!" Ele arrastou a voz, manhoso.

Abri a porta do quarto dos Marotos e Paul e entrei com ele no meu encalço.

"Não, Sirius!" Exclamei novamente.

"Qual o problema?" Jay perguntou, sentando-se.

"Ele quer sair comigo no mesmo dia que ele terminar com Marlene!" Disse, exasperada. Remus gemeu e Six revirou os olhos.

"Não é como se eu tivesse marcado três encontros no mesmo dia, e, acreditem ou não, eu já fiz isso!" Disse. Revirei os olhos, pois me lembrava desse dia, no quarto ano, quando tive que acobertá-lo e despistar duas garotas enquanto ele estava com uma, tudo isso porque ele me pediu quase chorando e alegando que elas eram 'bonitas demais para ficarem sozinhas num fim de semana'...

Eu ganhei uma boa grana e uma linda garrafa de Firewiskey que estava enfeitiçada para nunca acabar. A garrafa estava escondida no meu baú, enrolada em uma blusa velha. Lily não aprova aquela garrafa, mas eu e as nossas colegas de quarto discordamos da ruiva...

Jay levantou-se e pegou de Remus alguns galeões, provavelmente de uma aposta que fizeram.

"Obrigado, senhor Lupin. Agora eu posso comprar mais doces para Lily..." Disse James. Six sorriu e perguntou quais foram as apostas feitas, enquanto segurava a minha mão e fazia círculos nela, me causando arrepios. Jay explicou: "Que vocês demorariam mais de uma hora, que você tentaria terminar com Marlene e sair com Holly no mesmo dia e que você já marcou três encontros ao mesmo tempo." O cervo declarou "Remus não acreditou..." Deu de ombros.

"Você não me conhece bem, Aluado..." Ele disse, com pesar "James sabe que eu já fiz coisas piores... mais insensíveis." Jay concordou eu olhei para Lily, que estava me olhando. Sorri para ela e ela piscou para mim.

"Eu realmente gostaria de não saber, mas sabe como é... amigos são para isso..." Sorrindo, James concordou que Sirius já fizera muito mais atrocidades com garotas do que eu sabia.

"Acho que precisamos contar para Rabicho e Aluado os meus podres.." Ele disse, analisando os dois. Moony fez uma careta.

"Fico realmente lisonjeado, mas eu passarei a oferta adiante..." Ele respondeu e Lily, que estava praticamente explodindo de felicidade, me olhando, arregalou os olhos para o tamanho de duas goles inchadas como se tivesse lembrando de alguma coisa.

"Holly, você sabia que eles têm um gesto?" Me perguntou.

"Um... gesto?" Estaria ela falando daquele gesto?

"É, eles fazem um gesto e os outros saem para eles 'aproveitarem um tempo agradável com uma garota'!"

"Você não sabia disso?" Exclamei, pasma. Como assim, ela não sabia? Jay usava toda hora com a gente!

"Então todos sabem?" exasperou-se e continuou "Todos menos eu? É isso, James?" Jay sentou-se ao lado dela para confortar a namorada, fazendo o gesto.

Sorrindo, deixamos o quarto sem Lils perceber, ela parecia estar mais preocupada em olhar em seus olhos ou algo assim...

"Não, Lírio, não todos. Os Marotos, Holly e Paul, somente eu juro. Palavra de Maroto..." Fechamos a porta e eu ouvi ela suspirar alto.

"Ela vai ficar uma fera quando perceber que James fez o gesto sem ela perceber..." Eu disse. Sirius riu, concordando.

"Aposto que ela vai fazer uma greve só pra saber o gesto... Impossível James revelar assim!" Six sentou-se no sofá, me puxando para ficar em seu colo.

"Nah, eles vão é ficar lá, se agarrando até alguém ter a coragem de interromper!" Eu disse.

"Pois eu aposto que eles demoram menos de meia hora..."

"Pois então está apostado, duas vezes! Ela não vai fazer greve..." Revirei os olhos e Six sorriu.

"Está perdendo o seu dinheiro..."

"Eu concordo com Holly" Moony falou.

"Eu também, eles se gostam muito, impossível descerem em tão pouco tempo..." Pete concordou também.

"Oras, mas todos estão contra mim?" Sirius se fingiu de indignado, então deu de ombros "Tudo bem, assim faturo mais para quando sair com você!" E piscou pra mim.

"Espera... Quanto é que você pensa que está apostando?" Moony se manifestou.

"Eu? Dez galeões... Por quê?"

"Ok então, se perdermos, cada um lhe dará dez lindos galões... Mas, quando você perder... Serão dez galeões para cada um de nós." Todos sorriram, inclusive Six.

"Então podem ir abrindo as suas carteiras!" Ele disse a apontou para a escada, onde ouvimos o barulho de pessoas descendo. Encaramos a escada com expectativa e... Eram Lily e James.

E não tinham se passado nem quinze minutos!

Coloquei a mão no bolso e entreguei o dinheiro. Os meninos fizeram o mesmo. Emburrada, saí de seu colo e me sentei ao seu lado, segurando apenas a sua mão.

A minha melhor amiga riu e se sentou na poltrona dela, enquanto acariciava o cabelo de Jay, que estava com a cabeça em seu colo e o sentado no chão.

"Qual foi a aposta?" Ele perguntou. Revirei os olhos enquanto Six sorria.

"Eu disse que vocês demorariam menos de trinta minutos, que dariam um bom amasso, e que Lily iria fazer greve para saber o gesto." Lily corou.

"Greve, Sirius?" Revirou os olhos "Então eu trabalho para James?" Ela rebateu.

"Não, mas é sua obrigação, como namorada, de beijá-lo sempre que ele quiser." E apertou minha mão, me soltando esta bela indireta.

Homens!

Revirei meus olhos novamente e soltei um muxoxo, assim como Lily.

Oh, bem... Tinha que avisar a Paul que não cozinharíamos biscoitos esta noite, pois estaria um pouco ocupada.