Sumário:Draco está cansado de ser apenas o servo do Voldemort e, já que está metido numa missão suicida, porque não aproveitar os seus últimos momentos em Hogwarts com uma distracção saborosa?
Notas de Autor:Fic passada no 6º ano em Hogwarts. Contém cenas explícitas de sexo. Foram avisados...
Disclaimer:A J.K(iller) Rowling é que é a boss e é dona de todas as personagens e lugares. A música pertence a Laura Branigan e dá pelo título de Self Control. Viva os 80's! \m/
FLORESTA DE SONHOS
Capítulo 2: A Prova
«Another night, another day goes by
I never stop myself to wonder why»
(Outra noite, outro dia passa
Nunca paro para me perguntar porquê)
Hermione acordou num sobressalto. Olhou o relógio que tinha na mesinha de cabeceira: nove horas da manhã. Estava atrasada! Levantou-se de rompante e enfiou a saia pelas pernas acima.
Já estava a atar o cabelo num rabo de cavalo apressado quando olhou para o calendário dos Gryffindor que estava pendurado por cima da sua cama. Era fim-de-semana.
Soltou uma gargalhada seca de alívio e deixou-se cair na cama. Era fim-de-semana. Abanou as pernas vigorosamente para sacudir a saia e voltou a soltar o cabelo rebelde. Voltou a sorrir exasperadamente e gatinhou para dentro dos lençóis fofos. O sol da manhã entrava pela janela entreaberta e acariciava-lhe a face, banhando os seus cabelos com a maravilhosa luz matinal.
Tentou esticar-se preguiçosamente mas ao invés disso gemeu de dor. Estava completamente dorida. Teria dormido mal? Teria caído da cama durante a noite sem dar por isso?
Doía-lhe as costas, pernas, braços e... porque raio é que também lhe doía ali?
Levou a mão à boca e mordiscou a unha sem realmente a roer e arrancar. Um mau hábito que não conseguia abandonar. Não conseguia encontrar explicação para estar extremamente dorida.
Suspirou e puxou os cobertores quentes até ao queixo. Fechou os olhos. Foi então que uma série de imagens lhe surgiram na mente, passando num flash. Tão rápido que Hermione mal as distinguia correctamente. Era isto que ela tinha estado a sonhar?
Tivera o sonho mais vívido que alguma sonhara.
Deu por si a corar. Não admira que tivesse caído da cama durante a noite. Ou pelo menos era essa a explicação racional que tinha encontrado para explicar o porquê de estar tão dorida.
Que sonho intenso que tinha sido. Lembrava-se perfeitamente da maior parte dos pormenores. Os beijos intensos e molhados; o toque suave, gentil e extremamente excitante; a respiração ofegante e húmida contra o seu pescoço arrepiado...
A única coisa que não se conseguia lembrar, por muito que se esforçasse, era exactamente aquilo que mais queria saber: quem era o autor de tais beijos, toques e carícias?
Sentiu a sua face a arder e a enrubescer. Talvez fosse Ron. Sorriu como uma menina tola. A única coisa útil à descoberta da identidade do misterioso rapaz que se conseguia recordar era as suas mãos. As suas mãos gélidas e esguias que lhe percorreram o corpo quente, arrepiando, acariciando, tocando...
Hermione abanou a cabeça para afastar tais pensamentos. Que tola que estava a ser. O que importava realmente quem tinha sido ou não o protagonista do sonho mais erótico alguma vez pensado pela sua mente racional?
Não tinha passado de um sonho, nada mais.
Levantou-se novamente e decidiu tomar um longo banho. Era fim-de-semana. E por alguma razão não conseguia deixar de sorrir.
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«You help me to forget to play my role
You take my self, you take my self control»
(Tu ajudas-me a esquecer o meu papel
Tu roubas-me o meu auto-controlo)
Caminhou apressadamente em direcção ao salão. Tinha-se demorado um pouco mais do que o habitual e Ron e Harry tinham saído da sala comum para ir tomar o pequeno-almoço sem esperar por ela.
Esfomeados insensíveis! Uma hora não era assim tanto tempo! Bufou de irritação enquanto entrava no salão. Os seus olhos perscrutaram a mesa dos Gryffindor, mas eles não estavam lá.
Hermione arqueou as sobrancelhas. "Estranho..." Virou-se de repente e embateu contra o peito de alguém. "Au!" Um cheiro familiar assolou-lhe as narinas, se bem que não fazia ideia de onde é que conhecia tal fragrância.
"Vê por onde andas, sim? Ou és assim tão larga que nem consegues passar pela entrada?"
O Malfoy tinha acabado de a chamar de gorda? Hermione sentiu as suas orelhas a fumegarem com o insulto. Mas também sentiu a sua face a escaldar, os seus joelhos a tremer e o seu coração a acelerar. Apesar de não saber propriamente porque se estava a sentir de tal maneira.
Antes que tivesse tempo de conseguir articular uma espécie de resposta, já Draco se encontrava no outro lado do salão, sentado na mesa dos Slytherin com um sorriso de orelha a orelha. E ela continuava com ar de parva na entrada do salão a corar e a tremer que nem uma idiota sem saber bem porquê.
Sacudiu a cabeça vigorosamente e deu meia volta. Tinha atribuído os tremores à falta de alimento no estômago e não se ia arriscar a desmaiar algures no castelo. Por isso, foi ainda com o coração aos saltos que Hermione se sentou na mesa dos Gryffindor, tirou uma torrada e um pouco de leite e tomou um pequeno-almoço solene.
E para piorar a situação, sabia que estava a ser observada.
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«I, I live among the creatures of the night
I haven't got the will to try and fight»
(Eu, eu vivo entre as criaturas da noite
Não tenho vontade de tentar e lutar)
"Ahah! Então foi aqui que se esconderam! Corri o castelo todo à vossa procura!" Pousou as mãos na cintura e franziu as sobrancelhas. "Acreditam que até entrei na biblioteca para ver se lá estavam? É claro que saí no minuto a seguir e vim a correr para aqui!" Levou a mão à cabeça e abanou-a. "Que parva que sou. Onde mais haveriam vocês de estar senão no campo de Quidditch?" Terminou com um suspiro prolongado.
Ron e Harry pararam as vassouras junto a Hermione e trocaram um olhar cúmplice. A Hermione estava a ter um dia 'daqueles'... o que significava que eles estavam condenados. Fizessem bem ou mal, ela iria criticar. Quem, no seu perfeito juízo, é que decidiu criar as mulheres?
"Oh, Hermione! Vá lá! Não fiques chateada!" Ron falou com um sorriso nervoso. "Estavas a demorar tanto a descer do dormitório."
"E sabes perfeitamente que não podemos lá entrar!" Interveio Harry.
"Então decidimos jogar uma partidinha de Quidditch!" Ron torceu o nariz e cruzou os braços. "Afinal qual é o problema?"
Hermione bufou de irritação. Como é que estes dois idiotas que eram os seus melhores amigos, conseguiam ser tão insensíveis em relação ao seus sentimentos? Cruzou os braços e, em forma de indignação, virou a cabeça de lado e levantou o queixo. "Olhem-..."
"Hermione o que é isso?" A voz de Harry era um misto de preocupação e curiosidade. Ela olhou para ele e viu que Harry apontava para o seu pescoço. Ron aproximou-se para tentar ver o que era.
Hermione levou a mão ao pescoço preocupadamente. "O que foi? É algum bicho? O que é? Porque é que estão feitos parvos a olhar? Digam logo de uma vez o que se passa!"
Nenhum dos dois respondeu. Ron olhou para Harry. Harry olhou para Ron. Ambos trocaram expressões horrorizadas, o que deixou Hermione num estado de puro pânico e histeria. "Digam logo o que foi!" A sua voz saiu num agudo esganiçado, mas isso não apressou os rapazes.
Ron apontou para o pescoço de Hermione com raiva espelhada no olhar. As suas orelhas estavam cor de escarlate e, apesar de estar a abrir e a fechar a boca como um peixe fora de água, as palavras pareciam não querer sair.
"Tens um... um... um..."
Harry auxiliou Ron, também enraivecido e curioso, e terminou a sua frase: "Tens um raio de um chupão no pescoço, Hermione!"
Hermione corou desde as orelhas até à ponta dos dedos dos pés. "O... o... quê...?" Foi o máximo que conseguiu articular.
"É isso mesmo que acabaste de ouvir." Harry continuou já que Ron parecia petrificado a apontar para Hermione. "Queres contar-nos como é que isso aconteceu?"
Hermione abriu a boca e fechou-a no segundo a seguir. Como é que isso aconteceu? Isso gostava ela de saber! Tanto quanto se lembrava tinha passado uma noite maravilhosa sem acordar uma única vez. Se não se tinha levantado nem estado com alguém, só havia uma resposta plausível: Não podia ser um chupão! Era simplesmente impossível.
Levou a mão ao pescoço e sentiu umas gotas de suor a escorrerem-lhe pela testa. "Oh! Vocês são uns idiotas insensíveis! Onde é que já se viu inventarem uma parvoíce dessas só para me atormentar?" Apontou um dedo acusador a Ron. "Ainda por cima com esse teatro todo! Não tenho chupão nenhum! Idiotas!"
E virou-lhes as costas ignorando os chamamentos dos seus amigos, correndo de volta ao dormitório. Eles tinham de estar a gozar com ela! A única coisa emocionante que lhe tinha acontecido na noite anterior fora o tal sonho...
Mas um sonho não é suposto deixar marcas incriminadoras na pele das pessoas! Já bastava estar envergonhada o suficiente por ter sonhado algo tão sensual e erótico, quanto mais ter provas físicas do assunto!
Suspirou e trancou-se na casa de banho do dormitório. Enfrentou o espelho de olhos fechados e respirou fundo. Os seus dedos trauteavam incessantemente contra a louça branca do lavatório. Abriu os olhos devagarinho e estudou o seu reflexo.
"Oh meu Merlin..."
Tinha um chupão.
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«Against a new tomorrow, so I guess I'll just believe it
That tomorrow never comes»
(Contra um novo amanhã, por isso vou acreditar
que o amanhã jamais virá)
"Estou a dizer-te! Não sei como é que isto aconteceu! E agora o teu irmão e o Harry estão furiosos comigo porque pensam que lhes estou a esconder alguma coisa - que não estou - e eu nem sei bem o que pensar porque não fiz nada de errado! A não ser no sonho... mas isso não tem nada a ver com a situação... aliás, eles não têm de meter o bedelho em todos os pormenores da minha vida! Ah! Como se eu lhes fosse contar o tipo de sonhos que ando a ter. Dava-lhes um belo de um fanico!"
Hermione parou para respirar e Ginny, que tinha estado a ouvir atentamente às aventuras e desventuras da sua melhor amiga, Hermione, sem proferir sequer uma única palavra, escolheu o preciso momento de abençoado silêncio para se expressar.
"Uau Hermione. Tens uma vida emocionante!" Levou a mão à boca para adicionar mais dramatismo.
"Não gozes... isto não é brincadeira, Ginny. Eles estão mesmo fulos comigo." Suspirou.
Ginny chegou-se mais para o pé de Hermione, baixando o volume da sua voz já que as coscuvilheiras mor, Parvati e Lavender, tinham entrado na sala comum.
"Mas ouve Hermione. Tu disseste que não saíste da cama durante a noite..."
"Certo." Hermione anuiu para dar mais ênfase à sua afirmação.
"A única coisa moderadamente interessante que te aconteceu ontem foi aquele sonho maravilhoso, pejado de erotismo e pormenores interessantes, certo?" Sorriu malevolamente enquanto esperava pela confirmação de Hermione.
"Certo..." A morena não conseguiu evitar um enrubescer repentino e algum desconforto. Mexeu-se no cadeirão e não pôde deixar de reparar que se sentiu dorida... demasiado dorida... mas não o pronunciou.
"Então e... ok, sei que isto vai parecer uma parvoíce, mas e se não foi um sonho?"
Hermione olhou-a incrédula e confusa. Não sabia onde a sua amiga queria chegar com tal insinuação. Ginny anuiu e chegou-se mais para a frente.
"Sim, Hermione." Continuou. "E se o teu sonho não foi bem um sonho, mas sim realidade! Não seria a primeira vez! Já li no Semanário das Bruxas que a minha mãe tinha para lá, que isso já aconteceu!"
"Como assim?" Aquela conversa tinha, sem sombra de dúvida, intrigado a morena.
"Já não me lembro ao certo o que dizia, mas era algo sobre uma rapariga que tinha sonhos demasiado vívidos, tal como o que me contaste, em que ia até ao quintal, apanhava fruta e voltava a casa para cozinhar tartes e outras sobremesas. Quando acordava, não via nenhuma tarte na cozinha por isso achava que era só um sonho." Parou para respirar. "Até que um dia descobriu que as comia antes de ir para a cama."
Hermione revirou os olhos. "Ginny, isso é um típico caso de sonambulismo. Acontece imensas vezes, mas duvido que seja esse o meu caso, visto que não tenho qualquer antecedente de sonambulismo, nem tão pouco falo a dormir. Não pode ser isso." Abanou a cabeça com vivacidade. Aliás, não poderia ser isso... Havia algo de aterrador em pensar que o que tinha sonhado poderia ser real e não apenas imaginação. Principalmente porque não sabia quem tinha sido o protagonista do tal sonho.
Ginny olhou a sua amiga, algo pensativa. "Sim, talvez tenhas razão, Hermione. Mas não deixa de ser demasiada coincidência apareceres de repente com um chupão depois de teres tido esse sonho!" Suspirou e levantou-se. De seguida colocou uma mão no ombro de Hermione, reconfortando-a. "Não te preocupes. Tudo se vai resolver."
Hermione sabia perfeitamente que ela estava a falar de Ron e Harry sobre a zanga, mas não pôde deixar de pensar em quão dorida estava, no sonho e no estranho misterioso...
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«A safe night, I'm living in the forest of my dream
I know the night is not as it would seem»
(Uma noite segura, estou a viver na floresta do meu sonho
Sei que a noite não é o que aparenta)
Era noite novamente. O dia tinha passado a correr. Ainda mais porque tinha passado o resto do dia a evitar o Ron e o Harry com medo de enfrentar a sua reacção. Decidiu até ir jantar mais tarde para não ter de os encontrar.
Não estava quase ninguém no Salão. Apenas a equipa de Quidditch dos Ravenclaws, que deveriam ter estado a treinar no campo, e mais alguns Slytherins, incluindo Malfoy, se encontravam no Salão. Hermione franziu as sobrancelhas. Por alguma razão indecifrável, o Malfoy não parava de a olhar estranhamente.
Hermione tirou um pequeno espelho que tinha dentro da capa para verificar se tinha alguma coisa na cara ou se ainda se notava o chupão que tinha removido magicamente há pouco, mas estava tudo normal. Estranho. Se houvesse algo para o Malfoy implicar, seria certamente isso. Mas como nada estava visível, Hermione serviu-se do jantar.
"Oh, bolas." Virou-se um segundo para apanhar o garfo que tinha acabado de derrubar ao guardar o espelho e, quando se voltou a virar, ele estava ao pé dela.
"Então?" O tom dele estava completamente desprovido de qualquer emoção. O seu olhar estava um pouco vazio. Mas ela mal notou.
"Oh, por favor, pira-te daqui, Ron. Não aconteceu nada, não tenho nenhum chupão e não quero ouvir sermões. Posso acabar de jantar?"
Ron deu meia volta e, surpreendentemente, saiu do Salão sem lhe dirigir uma única palavra. Hermione seguiu-o com o olhar e mordeu o lábio inferior. "Estranho..." Murmurou entre dentes enquanto bebia um pouco do seu sumo de abóbora. Francamente, estava numa escola de magia, mas tanta coisa estranha ao mesmo tempo já era demais.
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"Então, conseguiste?"
Draco suspirou e empurrou o amigo para dentro de uma sala de aula vazia. "Sim, Goyle. Consegui o que queria." Draco guardou o frasco de poção dentro do bolso do manto. "Foste um Weasley bestial. Quase não notei a diferença."
Virou as costas e dirigiu-se para a saída. "Não saias daqui antes de te transformares novamente em Goyle. Não quero um Weasley na nossa sala comum."
"Espera. Para que é que querias que distraísse a sangue-de-lama?"
Draco sorriu. Depois continuou a andar. "Nada de especial. Adeus."
Continua...
Notas de Autor: Capítulo mais pequeno, menos interessante, mas mesmo assim espero que tenham gostado e que deixem uma review a comentar! :3
