Primeiramente, gostaria de agradecer ao meu querido carneirinho Orphelin pela revisão e pelo comentário, e à fofíssima Haru-chan (será que é minha irmã? O.O) pelo comentário! Muito obrigada! Espero que gostem deste novo capítulo!
À primeira vista
Sage não se considerava homofóbico, tampouco gay ou bissexual. Era uma daquelas pessoas que se intitulava "de mente aberta"; que dizia orgulhosamente "eu amo o meu irmão gay"; que acompanhava os amigos gays às boates gays; que recebia inúmeras cantadas gays; e, por fim, que deixava seus admiradores frustrados com o famoso "desculpe, mas não sou gay". Aliás, foi assim até o momento em que ele conheceu um rapaz que se mostrou ser uma verdadeira "ameaça" à convicção heterossexual de qualquer homem.
A começar, Albafica já era um nome feminino, ironicamente dúbio como aquela criatura maravilhosamente andrógina. Então, tudo colaborou para que Sage, à primeira vista, achasse que especificamente aquele Albafica, logo ali na sua frente, fosse uma mulher... e não uma mulher normal, mas uma mulher estonteante! Shion não demorou a perceber o súbito interesse do irmão pelo recém-chegado à boate, ou melhor, pela pintinha sexy que o holandês tinha bem abaixo do olho esquerdo. Sage parecia petrificado enquanto observava o outro descaradamente, tanto que Shion precisou puxá-lo para longe e avisá-lo de que aquela pessoa era um amigo dele, e não amiga.
Um tanto sem jeito por descobrir que estava paquerando outro homem, Sage tomou a decisão que lhe pareceu mais coerente naquela hora: aproximar-se do rapaz até convencer-se de que ele era um homem como outro qualquer, e que, portanto, não o atrairia fisicamente, assim como todos os outros. Mas Sage não poderia prever que, além de mui belo, Albafica também fosse extremamente inteligente. Uma tensão sexual não tardou a se instalar entre ambos, o que fez com que mantivessem o papo num nível amigável ao invés de admirarem-se abertamente.
O problema era que estava sendo muito difícil, para Albafica, conseguir desviar sua atenção dos olhos verdes e amendoados de Sage, que procuravam por contato com seus expressivos olhos cor de turquesa com determinação. Shion e Dohko, que estavam ao lado dos outros dois, permaneciam atônitos com aquela cena, especialmente, com o notável interesse de Sage em outro homem. Porém, em questão de minutos, eles chegaram à conclusão de que era até natural, pois Albafica tinha todas as qualidades físicas e psicológicas que atraíam Sage em uma mulher. Concluíram, ainda, que um relacionamento entre Sage e Albafica viria a calhar, uma vez que resolveria os problemas amorosos tanto de um quanto do outro.
Só que uma pergunta intrigante não queria se calar: afinal, por que alguém tão interessante quanto Albafica estava solteiro? E por mais complexa que pudesse parecer, a resposta era até muito simples: nenhum pretendente tinha coragem para enfrentar o insano ex-namorado do holandês... até aquele momento, porque Sage era diferente, de acordo com o que Albafica já tinha ouvido a respeito do imponente irmão do seu amigo Shion. Era o único com culhões suficientes para enfrentar o próprio irmão gêmeo e chefe da família Kahdro, Hakurei, até onde fosse necessário, e forte o suficiente para sair razoavelmente vivo da série de lutas corporais que tinham entre as discussões. Shion dizia aos amigos que a capacidade de sobrevivência de Sage era absurda e sua resistência física era algo que merecia ser objeto de estudo científico.
Albafica não escondeu o contentamento por ser paquerado pelo famoso e corajoso Sage, apesar de ter ficado um pouco apreensivo também, por ter ouvido dizer que ele era heterossexual, ou seja, que nunca tinha demonstrado interesse por outros homens. Mas, a conversa fluía naturalmente e ambos riam divertidamente, pelo menos até o ponto em que um rapaz se aproximou de Sage e lhe lançou uma cantada nada discreta. Em razão do inegável clima em que se encontrava com Albafica, o tibetano não conseguiu esquivar-se do rapaz inconveniente com o habitual "não sou gay", porque, para ele, soaria contraditório, então, demorou-se a formular alguma coisa coerente para responder, abrindo brecha para uma maior aproximação do outro. A resposta veio de Albafica, que se levantou de sua cadeira em um rompante, encarando o rapaz com uma cara de pouquíssimos amigos, e sentou-se no colo de Sage com aparente naturalidade, cruzando as pernas em uma postura altiva.
- Ainda não percebeu que ele está acompanhado? – Shion chegou a engasgar com a bebida que tomava ao escutar a pergunta do amigo, temendo pela vida do mesmo. Dito e feito. O rapaz desconhecido logo foi embora e... Albafica permaneceu sentado no colo de Sage sem que este desse sinais de irritação. Mal sabia Sage que aquele gesto era algo absolutamente normal para o holandês, visto que ele tinha crescido na Grécia, onde sentar-se no colo de outras pessoas, sem segundas intenções, era bem comum.
E Dohko foi o segundo a sair engasgado com a bebida naquela noite, depois de ver Sage chamar a atenção de Albafica, imaginando que para pedir para o rapaz se levantar – como o esperado por todos, e roubar-lhe um beijo. O holandês ficou surpreso, mas foi tão espontâneo quanto o outro em se aproveitar da oportunidade. Beijaram-se lentamente, sem pressa e sem se importarem com detalhes, como, por exemplo, a presença de Shion e Dohko, ou dos demais amigos, que continuavam bestificados com a rendição do 'hétero' Sage aos encantos de Albafica.
- Vamos dançar, Sage? – Albafica convidou o outro quando apartaram o beijo, mais para afastá-lo da mesa e da companhia do irmão e dos amigos boquiabertos, querendo privacidade, do que para realmente dançarem. Sage concordou e se ergueu, puxando Albafica pela mão, pedindo licença aos outros e saindo em direção ao salão. Enquanto dançavam, aproveitaram para trocar alguns amassos mais intensos em meio à pista de dança. Tudo ia bem até pararem para recuperar o fôlego e Sage, com seus reflexos muito apurados, notar uma garrafa de vinho branco literalmente voar na direção de Albafica.
Imediatamente se virou para proteger o outro, sentindo, em seguida, um forte baque em suas costas, no que a garrafa que o atingiu se partiu em inúmeros pedaços, fazendo com que os cacos de vidro e a bebida voassem para todos os lados. E mesmo com as costas tingidas de sangue, Sage estava mais preocupado em verificar se o seu acompanhante tinha saído ileso do ataque. Em contrapartida, Albafica procurava, em meio à multidão, o previsível responsável pela agressão. Como já imaginava, não foi difícil encontrá-lo; estava lá, esgueirando-se entre as pessoas e carregando aquele sorriso sádico e doentio que só ele tinha. Furioso e cansado daquela situação, tentou avançar na direção da pessoa, mas foi impedido por Sage.
- Está tudo bem! Não tente revidar.
- Mas você se feriu... – Albafica entrou em pânico quando Sage se virou, afastando os cabelos dele das costas, e observou, através da camisa social branca, a quantidade de sangue que ele perdia. – Vamos para o hospital imediatamente, você precisa levar pontos!
- Vamos sair sem que Shion nos veja... não quero preocupá-lo sem necessidade.
Não foi preciso sair da boate para encontrarem socorro, pois um segurança logo se aproximou deles e chamou, de prontidão, uma ambulância para auxiliá-los, retirando-os de dentro do local para não chamarem ainda mais a atenção dos demais clientes. Sage, nesse meio tempo, enviou uma mensagem para o celular do irmão mais novo, dizendo que estava "raptando" Albafica, o que deixou Shion espantado com a "pressa" do casal em ficar a sós.
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Albafica teve vontade de chorar, já no hospital, sentindo-se responsável por Sage ter levado doze pontos nas costas, em sentido horizontal, o que limitaria o movimento de seus braços; notou, também, que tinham outras marcas de grandes ferimentos pelas costas e braços dele, provavelmente ganhas na infância. "É o que acontece quando alguém se aproxima de mim. Sou mesmo um amaldiçoado. Para a segurança dele, é melhor que se afaste como todos os outros." Estava cabisbaixo, chateado por tudo, quando se surpreendeu ao ter o queixo segurado suavemente por Sage, que olhou bem fundo nos seus olhos e selou os lábios dele nos seus.
- Estou tão envergonhado por tê-lo envolvido em meus problemas... já não bastasse Shion!
- O que meu irmão tem a ver com isso?
- Ele não te contou nada sobre o meu ex?
- Não! O que aconteceu exatamente? – Albafica se encolheu na cadeira, temendo pela reação do outro, mas o olhar que Sage lhe dirigia era terno. Tomou coragem para contar o ocorrido ao outro, mas não sem antes mexer nervosamente nos cabelos.
- Shion uma vez interveio quando Minos tentou me bater... e acabou sendo acertado em meu lugar.
- Ele bateu no meu irmão? E por que esse Minos tentou bater em você? – Sage arregalou os olhos e perguntou em voz alta, bem mais alta do que a recomendada para um hospital, sendo repreendido pela enfermeira. Agora sim, definitivamente, ele queria devolver o "favor" e acertar o atrevido que havia batido em seu irmão com uma garrafa ainda maior do que aquela que havia acertado suas costas; aliás, acertar uma daquelas de cinco litros na cabeça do maldito não lhe pareceu má ideia.
- Ele não aceita o término do nosso relacionamento... e tem me seguido há anos. Mudei-me da Grécia para me livrar dele, mas de nada adiantou.
- Já chamou a polícia?
- Já, inclusive há um mandado de prisão expedido contra ele... e não é pelas agressões que sofri. A Interpol está atrás dele pelo crime de estelionato.
- Estelionato? Como você namorou um sujeito como esse?
- Bem... antigamente ele não era como é hoje. Ou, eu prefiro acreditar que não... dizem que o amor é cego, afinal.
- E você, como está?
- Eu estou bem, não me feri. Sinto muito pelo que aconteceu, é melhor que vo-
- Não é sobre isso que estou falando. Você está com medo, não está?
- Eu... – Albafica tentou dizer que não tinha medo, mas seria mentira. – Na verdade, tenho medo pelos outros, não por mim. Não me importo de sair ferido, desde que outras pessoas não estejam envolvidas nisso. Cheguei a me afastar do seu irmão e do Dohko, para não envolvê-los, mas eles eram tão insistentes e... tão acolhedores. – Albafica abriu um pequeno sorriso, feliz por lembrar que tinha verdadeiros amigos. Surpreendeu-se, outra vez, ao ter uma das mãos gentilmente apertada pela mão enorme e pesada do outro.
- Então não seja indiferente ao que lhe acontece... se você se machucar, eles ficarão tristes também.
- É verdade! É isso que chamam de família, não é? Shion sempre diz que sou como um irmão mais novo para ele.
Sage ficou em silêncio, observando as feições emocionadas de Albafica, e chegou às suas próprias conclusões. Albafica não tinha uma família própria, era o que imaginava. Lembrou-se de uma ocasião em que Shion havia comentado sobre um vizinho dele que estava passando por grandes dificuldades pessoais em razão de não ter com quem contar, logo, que havia decidido se tornar a 'família' dessa pessoa, já que ela não tinha nenhum parente vivo. Suspirou, intuindo que seu acompanhante era aquele sobre quem o irmão havia falado.
- Você... não tem família?
- Eu tive um pai adotivo, grego, mas ele morreu quando eu ainda era criança. Então fui mandado para um orfanato até completar a maioridade. Tive alguns poucos amigos na Grécia, mas Minos afastava todos.
- É por isso que está sozinho até hoje?
- Sim.
- Pois não está mais.
- Hum?
Distraído com suas lembranças, Albafica tentou compreender o que Sage quis dizer com aquilo, mas demorou-se demais para resolver perguntar. O médico se aproximou, liberando Sage após verificar os pontos e entregá-lo o receituário, com inúmeras recomendações para que ele não forçasse demais os músculos das costas. Só então Albafica prestou mais atenção no corpo de Sage, analisando como os músculos daquele homem eram muito bem definidos, dando indícios de que ele praticava atividades físicas constantemente.
- Dez dias sem kendo e kung fu. – Fez uma pausa dramática. – Precisarei gastar minhas energias de outra forma... vamos para o meu apartamento? – Sage sabiamente emendou a observação com a conclusão e o convite, voltando a surpreender sua companhia com tamanha audácia. Albafica, por sua vez, não tinha como não se sentir intensamente atraído pela tentadora proposta do outro, tão decidido e firme, além de fisicamente irresistível... e, mesmo assim, acabou devaneando por alguns instantes, relembrando-se da 'pegada' que experimentou na pista de dança.
- Mas...- Albafica tinha medo de que Minos os tivesse seguido, o que não passou despercebido pelo outro.
- Sem 'mas'. Vamos logo, que eu vou deixar você cuidar de mim enquanto não posso me mover direito. – Sage sorriu, selando os lábios nos do holandês novamente.
- Ao menos assim posso me redimir, mesmo que um pouco... – Albafica suspirou aliviado, sentindo-se seguro ao lado do outro. Pegaram um táxi à frente do hospital e logo estavam no prédio onde Sage morava. O tibetano roubou mais um beijo de Albafica antes de apresentá-lo ao seu apartamento, mostrando-lhe cômodo por cômodo e deixando seu quarto por último. Pediu ajuda para retirar a camisa que usava e puxou Albafica para a cama, derrubando-o para deitar-se por cima dele.
- Sage, os pontos! – Retrucou antes de ter os lábios tomados em um beijo lento, mas acabou entregando-se completamente ao momento, inebriado pelos braços fortes e gentis que o envolviam, assim como os lábios quentes e exigentes que forçavam os seus cada vez mais em busca de um contato ainda mais íntimo. Apartaram-se, com custo, Albafica já ofegante enquanto Sage dava prova de seu invejável físico ao respirar normalmente depois de um breve suspiro resignado.
- Esses pontos... não vou conseguir esperar dez dias para forçar os músculos! O que vamos fazer até lá? Oh Buddha Celestial... – Fez uma careta ao sentir uma pontada de dor na parte costurada, depois de forçá-la para erguer-se sobre os braços. Desistiu do esforço, rolando de lado na cama e fazendo outra careta.
- Está doendo, Sage?
- Não. Só quando me movo. A questão é que eu quero me mover... como vamos fazer? – Esboçou um sorriso largo ao ver o rosto de Albafica ficar todo avermelhado pela vergonha, antes que este passasse a observar o quarto com atenção, ainda acanhado.
- A mesa? Talvez... – Respondeu o holandês sem olhar nos olhos do outro, perguntando-se por que estava tão envergonhado. Não era costume seu envergonhar-se daquela forma, mas Sage mais parecia um predador que se extasiava em deixá-lo encabulado.
- A mesa? Por quê? – Sage tinha compreendido perfeitamente bem o que o outro quis dizer, mas queria ouvir a resposta com todas as letras. Rolou novamente na cama, alcançando o criado-mudo e pegando um pote de lubrificante dentro de uma gaveta. Em sequência, girou o corpo de volta ao lugar em que estava, contendo um gemido de dor ao sentir uma nova fincada no local dos pontos cobertos pela faixa.
- Posso me deitar na mesa se você preferir... porque assim você... quero dizer... não... bem... não vai precisar forçar os braços e os músculos das costas... – Albafica respondeu, ainda sem conseguir encarar os olhos verdes.
- E as nossas roupas? Você me ajuda a tirar? Por que não olha para mim, Albafica? Quero ver os seus olhos...
O rapaz respondeu positivamente com a cabeça, no que teve o queixo erguido por uma das mãos de Sage, que o encarava intensamente. Albafica, aos poucos, foi se desfazendo das próprias roupas, deixando que elas caíssem ao chão. O tibetano estava boquiaberto com o corpo do outro, admirando-lhe a pele pálida, os mamilos rosados, a androginia estampada em cada traço delicado daquele ser. Constatou, impressionado, que até mesmo as partes mais íntimas dele lhe pareciam belas.
- Sage, você tem certeza de que quer se deitar com um homem? Não irá se arrepender depois? – Albafica perguntou nervosamente, após constatar que o outro se demorava demais em observar seu corpo, aparentemente surpreso com o que via. Porém, surpreendeu-se ao vê-lo se sentar na beirada da cama, puxando-o para se sentar no colo dele e deslizando com as mãos em toques suaves - embora possessivos - por seu rosto, pescoço, ombros, braços, torso, ventre, nádegas, pernas... e nádegas de novo, para apertá-las firmemente.
- Irei me arrepender somente se você disser que deseja fazer comigo, neste momento, exatamente aquilo que eu desejo fazer com você. Então é bom que você me diga agora mesmo quais são as suas intenções... – Albafica arregalou os olhos e não conseguiu conter uma gargalhada.
- Mas é claro que não! Eu quero que você me faça seu, somente isso. Não tenho nenhum fetiche em inverter as posições... – Albafica segurou o rosto do mais alto entre as mãos, vendo um enorme sorriso se formar nos lábios dele. Beijaram-se mais uma vez, de forma mais intensa, as mãos de Albafica desabotoando a calça de Sage. O tibetano se ergueu da cama, levando o holandês no colo, no que este protestou de imediato em razão dos pontos nas costas do outro. Tranquilizou-se apenas depois de constatar que eles não haviam se rompido.
- Sage, por favor... nós teremos de voltar ao hospital se você não se comportar! – Albafica comentou com um tom divertido, sem querer interromper aquele momento para retornar ao hospital.
- Ok, ok, já parei! – suspirou, enfadado. Tinha inúmeras ideias nada castas passando por sua mente, as quais não podiam ser concretizadas em razão dos malditos pontos. Praguejava ainda mais, internamente, contra o maldito que havia lhe atirado aquela garrafa de vinho.
Albafica sentou-se sobre a mesa, aguardando Sage se aproximar com o pote de lubrificante em mãos. Tomou o pote da mão do mais alto, colocando-o sobre a mesa, e, só então, passou a empurrar a calça do outro para baixo, detendo-se atentamente no enorme volume sob a cueca que ficou à vista. Sem pestanejar, segurou firmemente o elástico da boxer cinza que Sage usava, fazendo pressão para baixo e empurrando-a até que descesse pelas coxas grossas do outro e caísse no chão em seguida.
- Acho que a altura está perfeita, o que você acha? – Sage colou o corpo no de Albafica, insinuando-se entre as pernas deste, tanto que o obrigou a entreabri-las um pouco mais para que se encaixasse ali.
- Perfeito! – Albafica murmurou, ansioso, pegando o pote de lubrificante ao seu lado e destampando-o. – Você sabe o que fazer agora, Sage? Digo... com um homem... é diferente...
- Está me subestimando? Vamos ver se eu sei como se faz... – Sage suspirou para conter o temperamento difícil, pois não seria propício revelar ao seu acompanhante que já havia feito sexo anal com mulheres. Seria uma péssima hora para revelar detalhes como aquele. Lambuzou os dedos da mão direita no pote, introduzindo um deles no interior do outro, firmemente e sem aviso. Sorriu de canto ao ouvi-lo gemer baixo, capturando os lábios dele em mais um beijo lento enquanto dava início à massagem.
- Estou fazendo certo? – Sage alargou o sorriso ao sentir a cabeça de Albafica pousar em seu ombro e se mover positivamente, introduzindo outro dedo no interior dele após a resposta. Movimentava-se dentro do outro quando sentiu que havia ali algo de diferente em relação às mulheres, um ponto esponjoso que ele passou a tatear, curioso, surpreendendo-se ao ouvir um gritinho rouco escapar e ser rapidamente abafado pelos lábios de Albafica. Na verdade, já tinha ouvido amigos gays falarem sobre como a próstata era sensível ao toque, mas nunca havia imaginado que fosse tanto.
Introduziu mais um dedo no interior do holandês, simulando estocadas para alargá-lo um pouco mais. Surpreendeu-se ao sentir a mão de Albafica segurar-lhe o pulso firmemente. Sabia bem o que o outro queria, mas esperou até que o próprio lhe dissesse o que devia ser feito.
- Fiz alguma coisa errada?
- Não... é que eu... não aguento mais...
Sage retirou os dedos de dentro do rapaz, sorrindo satisfeito, e encaixou-se ali, introduzindo-se aos poucos até preenchê-lo por completo. Capturou os lábios dele em mais um beijo lento e passou a se movimentar naquele ritmo, deliciando-se com os gemidos abafados do outro. O interior de Albafica o apertava, por vezes, como que se contorcendo de prazer ao ter aquela parte esponjosa pressionada. Saiu de dentro dele por alguns instantes, voltando a penetrá-lo aos poucos. Procurou identificar a melhor forma de chegar até aquele ponto na posição em que estava. Não demorou e Albafica perdeu o controle ao sentir sua próstata ser repetidamente estimulada, derramando-se sobre o próprio ventre.
- Você gosta tanto assim quando toco aqui? – Sage empurrou-se mais uma vez naquele local apertado, ouvindo um gemido alto em devolutiva. Albafica tentava raciocinar para responder verbalmente à pergunta de Sage, mas mal conseguia controlar seus próprios gemidos, que passaram a ecoar alto pelo quarto enquanto o outro continuava com aquelas estocadas certeiras em seu ponto mais sensível. Logo, Sage derramou-se dentro dele e parou de se mover por alguns momentos, extasiado. Afastou os cabelos colados em uma das faces de Albafica para tocá-la com carinho, abaixando-se para beijar a pintinha abaixo do olho esquerdo dele.
Albafica envolveu o pescoço de Sage com os braços e a cintura dele com as pernas, fazendo com que fosse penetrado ainda mais profundamente. E o tibetano retomou as estocadas no interior do outro sem resquícios de que aquela ereção fosse se enfraquecer ou que o cansaço pudesse impedi-lo de se mover de forma tão intensa. Portanto, atingiram o ápice de novo, com Sage tomando uma mão de Albafica e beijando-a repetidas vezes depois de entrelaçar seus dedos nos dele.
Aquele gesto de tamanho carinho fez com que Albafica se emocionasse, tentando conter as lágrimas quentes que teimavam em cair por suas faces. Não poderia negar que também havia experimentado prazer sexual intenso junto a Minos, mas o ex-companheiro sempre o tratava como um objeto, mais precisamente como uma boneca da qual ele se utilizava quando queria e descartava quando satisfeito. Não havia demonstrações de carinho da parte do ex, ou, então, era por meio daquela forma estranha que o outro demonstrava os seus sentimentos.
Sage era diferente, sabia demonstrar bem suas emoções através de pequenos gestos como aquele, que faziam com que Albafica se sentisse amado. Mesmo que não passasse de uma impressão – pensava –, sentia-se amado por aquele homem que havia conhecido há poucas horas. Sage percebeu as lágrimas do outro e o puxou dali para se deitarem na cama, abraçando-o ternamente e cobrindo-os com um lençol. Sentiu o corpo do mais novo se retesar repetidamente pelo choro que abafava em seu ombro. Os eventuais beijos de Sage no topo da cabeça de Albafica fizeram com que este chorasse ainda mais, até que se fosse vencido pelo cansaço.
- Você finalmente parou de chorar... – Sage enxugou as últimas lágrimas que já começavam a secar no rosto do outro, com um leve sorriso nos lábios. Aquele era um sorriso de empatia, de quem ironicamente compreendia bem a dor de chorar até que perdesse as forças e adormecesse. Geralmente, o companheiro dessas horas de desespero de Sage era o travesseiro, que agora estava sob sua cabeça, completamente desnecessário naquele momento. "A vida também não pegou leve com você, não é verdade?", pensava assistindo o outro ser vencido pelo sono.
Sage não conseguiu dormir, observando o belíssimo rapaz adormecido ao seu lado. Sentia, mesmo que intuitivamente, que compreendia Albafica, e se sentia compreendido de igual maneira. E era exatamente isso o que havia procurado em todas as mulheres com quem havia se relacionado, por mais que não tivesse encontrado em nenhuma. Agora, sentia-se inexplicavelmente cúmplice daquele holandês, surpreendentemente apegado a ele. A certeza era a de que o teria para si. "Seria isso o que chamam de amor à primeira vista?", ainda se fez aquela pergunta, por mais que, sinceramente, já soubesse a resposta.
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Fim deste capítulo!
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Grande abraço a todos,
Nathalie Chan
