OUT OF CONTROL

by Kitri


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Capítulo II

"I know what you're thinking
We were going down
I can feel the sinking
And then I came around

And everyone I've loved before
Flashed before my eyes
And nothing mattered anymore

Now your head is spinning
Broken hearts will mend
This is our beginning
Coming to an end"

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Uma de suas mãos buscou pelo telefone na cabeceira da cama enquanto ele terminava de calçar os sapatos. Apesar do horário avançado, ele estava bem acordado. Não tinha sequer visto seu travesseiro aquela noite, apenas a papelada que trouxera do trabalho para analisar. Quem diria que um dia ele trabalharia tanto! Depoimentos, pistas, evidências... Mentiras e inconsistências. Era fácil demais encontrar um criminoso diante de tanta hipocrisia...

Ele parou de repassar os casos que acompanhava, pensando no que diria a Padfoot. Ele realmente não esperava uma notícia daquela. Há quanto tempo não via Marlene? Um nó se formou em sua garganta e ele preferiu não insistir em lembrar. 'Muito tempo... ' pensou. Precisou ligar duas vezes. Ele realmente não esperava que o amigo acordasse na primeira tentativa.

- Sírius!

- Não acredito Prongs! – ele murmurou ameaçador no telefone – Pode me ligar depois das duas da tarde, por favor! – ele terminou irônico.

James apenas soltou um suspiro irritado enquanto procurava pelas chaves do carro. Tentou buscar na mente onde tinha largado as coisas após o serviço, mas parecia que seu cérebro tinha pifado. 'Por que ele estava na ficha de emergência de Lene?' Eles tinham sido grandes amigos no passado, mas tinha sido há tanto tempo... Tempo esse que não apagara os sentimentos guardados.

- É impor...

'Idiota!' James pensou quando Sírius desligou o telefone na sua cara. Buscou o último número discado e ligou novamente. Eram três e quinze da manhã, mas não tinha como esperar que Padfoot resolvesse acordar. Alguém que se tornara distante, mas que realmente importava, estava ferido gravemente.

- Você é um idiota! – berrou assim que ele atendeu ao telefone novamente – Um grande e perfeito idiota!

- É você que está me ligando às três da manhã, James! – Sírius respondeu mal educado. - Quem é o idiota aqui? O que foi? Sonhou com a Lily de novo e resolveu me ligar? Às três da manhã! Era só o que me faltava...

O garoto de óculos fez um barulho estranho no telefone. O estômago se contraindo ao ouvir aquele nome. Muitas lembranças em uma só noite... Pensou que nunca deveria ter mencionado o sonho com a ex-namorada aos amigos. 'Patético!' Pelo menos ele estava bêbado... James teve os pensamentos interrompidos por uma voz feminina ao fundo do telefone.

- Estou atrapalhando sua noite? – James perguntou malicioso.

- O que acha? – Sírius respondeu – Estaria atrapalhando mesmo que eu estivesse dormindo. Se você está sofrendo de carência afetiva deveria procurar Julie!

Parou e encarou o lugar bagunçado. A moça da limpeza só vinha três vezes por semana. Praguejou por ter escutado a namorada e não ter escolhido um apartamento menor. 'Porque as mulheres se preocupavam tanto com status?' James encontrou as chaves largadas no sofá da sala e apanhou, apresado, a carteira sobre o console da lareira. Pegou o sobretudo preto dependurado próximo a porta e apagou as luzes.

- Estou indo para o hospital! – ele murmurou simplesmente.

Encarou o corredor vazio do prédio enquanto trancava a porta. James apertou, insistentemente, o botão do único elevador em funcionamento enquanto praguejava. 'Quem estaria segurando aquela porcaria naquela hora da madrugada?'

- O que foi que você quebrou dessa vez? – Sírius perguntou zombeteiro, mas James sentiu a preocupação na voz do amigo. Ele sabia que era mais do que isso.

O garoto socou, irritado, as portas do elevador. Eram treze andares... Ele não ia recorrer às escadas, mesmo que a situação exigisse pressa. Ele observou os números no alto da porta saírem do insistente sétimo andar e começarem a mudar, lentamente... Oito... Nove... Dez... Onze... Doze... E ahh... Até que enfim!

- Lene...

- Droga! – ouviu-se a voz de Sírius rouca ecoar no telefone.

Ele queria dizer alguma coisa. Queria pensar em algo substancial para acalmar a si mesmo e o amigo, mas, naquele instante, as portas do elevador se abriram e revelaram a James uma esbelta figura feminina. Os cabelos castanhos desgrenhados e os olhos, de um azul estonteante, manchados de vermelho. Mas os olhos dele não pararam apenas no rosto da garota. Eles analisaram o lençol de linho branco que ela ironicamente vestia e a garrafa de whisky que ela apertava, compulsivamente, em uma das mãos. 'Ótimo!' pensou sarcástico... 'Isso era tudo que eu precisava no momento. ' O garoto deu dois passos para entrar no elevador e o barulho das portas se fechando o trouxe de volta a realidade. Ele se lembrou de Sírius no outro lado da linha.

- Acabaram de me ligar do hospital... Achei que deveria saber...

James fechou o telefone com um estalido seco e encarou a garota devastada a sua frente com uma das sobrancelhas erguidas. Ela desviou o olhar, perdida, e ele começou a achar a situação um pouquinho mais complicada.

- Noite difícil? – perguntou simplesmente, tentando quebra o silêncio.

Ela apenas assentiu levemente enrolando-se protetoramente no lençol. Ele sorriu brevemente enquanto buscava o botão da garagem no visor. Aparentemente a garota tinha escolhido o térreo. Tentou se lembrar da presença dela no prédio, mas não veio nada em mente. Provavelmente era uma visitante, ou uma nova moradora. Ela não era do tipo que se passava despercebida, pelo menos, não para ele.

- Não acha os trajes inadequados para uma madrugada de inverno? - perguntou irônico.

Ela apenas fungou enquanto se encolhia cambaleante contra uma das paredes do elevador. James deu de ombros, achando melhor não tentar alimentar uma conversa... Não que tivesse preconceito por garotas bêbadas seminuas no elevador... Não! Mas o momento não permitia confusões.

No entanto, antes que pudesse voltar a se concentrar nos seus próprios problemas, ele ouviu a garota soluçar baixinho. Encarou, apreensivo, o visor do elevador. Odiava ouvir mulheres chorando. Ele não queria ter que presenciar esse tipo de cena... Principalmente num momento como aquele. Mas a garota não colaborou... Provavelmente todo o prédio estaria ouvindo. James buscou na mente alguma palavra de consolo, mas não precisou. No instante seguinte a garota se lançou, aos prantos, em seu colo. Ele apenas a amparou, atordoado, os braços a envolvendo num abraço apertado.

- Tudo bem... – ele sussurrou lhe dando tapinhas nas costa – Vai ficar tudo bem... Vou levar você para casa.

Ao ouvir aquelas palavras, o choro dela atingiu um nível acima do suportável. Ela abandonou a garrafa de bebida que saiu quicando furiosamente e agarrou-se a blusa dele com uma força desesperadora. 'Ótimo! Agora só falta a megera da sindica aparecer!'James pensou nas escadas... 'Por que não tinha pego as malditas escadas?'

- Onde você mora? – ele perguntou em tom urgente, mas tentando soar controlado.

A garota apenas negou com força, enquanto se lançava com mais força contra ele. James observou o botão do térreo se acender e as portas do elevador se abrirem. Encarou o porteiro com a expressão de quem pede socorro. Thomas veio em seu auxílio e manteve as portas abertas enquanto ele arrastava a garota para fora.

- Qual o apartamento dela? – ele perguntou deixando-a em um dos sofás do hall principal.

- Ela não mora aqui... – Thomas responde simplesmente – Chegou acompanhando um sujeitinho estranho que comprou um apartamento na semana passada.

- Então ligue para ele – James disse simplesmente, como se aquilo fosse a coisa mais fácil do mundo.

Ele tentou desamarrotar a roupa e ajeitar o cabelo. Duas tarefas impossíveis.

- Mas agora? – o porteiro disse assustado.

James o encarou com uma expressão que dizia 'isso não é óbvio?' e depois observou a garota. Ela aninhou-se no sofá enquanto fechava os olhos lentamente. 'Ah não!' pensou desesperado 'Você não pode dormir agora!'

- Bom... É a garota dele. – ele disse indicando-a – Eu tenho que sair agora. Sinto muito, mas estou com pressa. Você vai ter que resolver isso!

Ele voltou a andar em direção ao elevador, ignorando a expressão ultrajada do porteiro. Não tinha tempo para ajudar ninguém naquela noite. Thomas teria que se virar.

- Mas Sr. Potter!

- Apenas ligue para ele e peça para vir buscá-la! – ele disse gesticulado para ilustrar a resolução do problema.

Thomas o alcançou e parou bloqueando sua passagem. Ele desviou e o porteiro voltou a correr atrás dele.

- Eu não posso fazer isso!

James suspirou irritado. Ele pensou em Marlene gravemente acidentada no hospital e pediu aos céus que ele conseguisse chegar lá antes que as coisas ficassem piores. Deu meia volta e se dirigiu a balcão da recepção. Ele buscou pelo telefone e encarou Thomas.

- Eu faço, então! – disse impaciente - Qual o número do apartamento?

- Por favor, Sr Potter... Eu posso perder o meu emprego! – disse com uma voz desesperada.

James soltou o telefone e o olhou irritado. Ele apontou para a garota que já dormia em sono alto e se dirigiu a Thomas.

- O que você quer que eu faça? – ele não tinha intenção de ser rude, mas sua voz soou ameaçadora.

O porteiro piscou duas ou três vezes antes de encolher os ombros. Eles encararam a garota adormecida. James soltou alguns palavrões e avançou até ela em passos apressados. Ele tentou buscar alguma alternativa. Voltar com ela para o próprio apartamento demoraria muito. Fora que, se Julie aparecesse por lá, ele seria um homem morto.

- Vou sair... Ela vai comigo! - disse erguendo-a no colo. Thomas pareceu perplexo, mas não protestou – Vamos, Thomas! Eu disse que estava com pressa!

O porteiro correu para o elevador e apertou o botão da garagem. James entrou com a garota nos braços pensando em que diabo de problema estava se metendo. Demorou uns dois segundos até que chegasse ao seu destino. 'Garagem!' pensou aliviado. Encontrou seu carro e abriu-o com dificuldade. Colocou a garota no banco traseiro e bateu a porta com mais força do que pretendia. 'Ótimo!' pensou enquanto assumia o volante 'Uma amiga no hospital e uma desconhecida tonta no banco traseiro do meu carro, o que mais falta para acontecer?'

Ele chegou ao hospital alguns minutos mais tarde. A mulher disse que era urgente, mas foi difícil ele conseguir sair de casa. Não imaginava que o caminho do apartamento no décimo terceiro andar até ao piso da garagem seria tão árduo.

Estacionou o carro em uma rua próxima e pensou no que ia fazer com a garota. 'Ia ter que largá-la no carro.' pensou... Só esperava encontrá-lo inteiro quando voltasse. Ele lançou um olhar irritado a ela... Se Julie soubesse... Ele provavelmente não sobreviveria tempo suficiente para contar a história toda.

Trancou o carro e começou a percorrer as ruas brancas de neve. Ele adorava o frio, mas preferia aproveitá-lo no conforto de sua cama. Entrou no hospital e encontrou uma sala de espera vazia e silenciosa. Dirigiu-se a recepção e esperou, impaciente, as explicações incoerentes da atendente. 'Pessoas em hospitais não deveriam ser tão confusas.' James já ia interrompê-la dizendo que precisava falar com o médico responsável quando ouviu aquele nome. 'Não podia ser... ' pensou atordoado 'Ela não podia estar ali!' Os olhos buscaram pela figura conhecida, o coração acelerando de maneira dolorosa. Ele não precisava procurar mais, em um instante ele sabia que ela estava ali... Não precisava nem ao menos vê-la. Sentia a presença dela... O cheiro dela... Lily Evans! Ele buscou pelos olhos da garota ruiva, a imagem deles se formando em sua memória. Ele percebeu ao encontrá-los, com certo rancor, que eles eram mais verdes e brilhantes do que era capaz de lembrar.


N/A: Ok... Eu sei que eu demorei muito. Me desculpem... Mas é que, duas semanas depois de começar a postar a fic, me chamaram para trabalhar. Meu primeiro emprego... Eu custei a entrar no ritmo.

O capítulo não é exatamente uma sequência, mas percebi que eu precisava contar a parte da noite do James também. Minha cabeça anda muito atordoada com as idéias dessa fic e eu estou tendo dificuldades em colocá-las no papel. Prometo que o próximo capítulo não demora tanto.

Meus sinceros agradecimentos a todos que comentaram. Vou começar a responder as reviews, agora... Se alguém ficar sem a resposta, por favor, me avise.

Tive uma dificuldade enorme de encontra uma música para esse capítulo... Foo Fighters "Wheels". Aceito sugestões de bandas!

Espero que ninguém tenha abandonado a fic por causa da demora. Mais uma vez, peço desculpas. Comentem, por favor! Beijos e até a próxima. Kitri.