BRITISH ACCENT

Capítulo II

South Park College, faculdade de Direito.

Era mais ou menos o terceiro suspiro de Eric em menos de meia hora. Ele realmente estava animado com a faculdade, ele se identificava com o curso, conheceu garotas, estava no time de basquete e começando a se tornar popular. O professor falava alguma coisa sobre a soberania dos estados diante das leis penais americanas, mas ele estava mais preocupado em ficar olhando para o garoto à sua frente, com o um boné verde amassando os cachos ruivos e com uma expressão bastante interessada na aula.

Não que Kyle fosse perceber qualquer um que fosse olhando pra ele, especialmente porque ele estava há uma distância significativa de Eric, mais ou menos umas três pessoas os separavam, ainda assim Cartman ficou mais da metade da aula olhando para o amigo.

Como se ainda estivessem na quarta série, Cartman pegou uma das folhas de seu caderno, arrancou e amassou. No momento em que o professor virou-se de costas para escrever algumas anotações no quadro branco, Eric mirou e atirou a bolinha de papel na cabeça de Kyle. Alguns alunos em volta olharam com desaprovação a atitude infantil, mas não disseram nada. Kyle, por sua vez, virou-se pra ver de onde tinha vindo a bolinha de papel e deu de cara com um Cartman rindo baixinho olhando pra ele. O ruivo apenas balançou a cabeça negativamente como se perguntasse algo como "que pensa que está fazendo, seu retardado?" enquanto Eric apenas ria. O garoto judeu revirou os olhos e fez um gesto com as mãos pedindo a Cartman que simplesmente prestasse atenção na aula. O moreno fez uma careta engraçada, sempre achou Kyle certinho demais e quando este virou-se de volta pra prestar atenção na aula, o sorriso de Cartman ia diminuindo aos poucos ainda sem tirar os olhos do outro.

Ao fim da aula, os alunos guardavam seus materiais sem a pressa costumeira da escola, alguns até trocavam ideias sobre a aula, outros combinavam saídas e festas, Eric andou na direção de Kyle ficando ao lado dele. O garoto continuou guardando os livros e olhando para Cartman como se esperasse ele dizer o que queria.

- Vamos comer alguma coisa. – Cartman disse desinteressado.

- Cara, vou sair com a Bebe. Acho que vamos ali no...

- Você só pode estar brincando. – Eric mal podia conter o ciúmes.

- Cartman... – Kyle respirou fundo pondo a mochila sob o ombro esquerdo. – Eu achei que quando entrássemos na faculdade, você encontraria outro "saco de pancadas".

- Ah Kyle, para de ficar choramingando. – Eric revirou os olhos.

- E você arrume o que fazer. – O garoto ruivo mal deu ouvidos ao outro e começou a andar em direção à saída da sala de aula.

- Kyle! – Cartman gritou, mas o outro não se rendeu e simplesmente continuou andando até deixar o recinto. – Judeu idiota. – Eric resmungou e tomou o mesmo caminho de Kyle, só que partiu pra outro prédio.

South Park College, faculdade de Engenharia Química e Nuclear.

Eric deixou os livros no carro e foi para um dos laboratórios de Engenharia Química e Nuclear, meio que engolindo seu próprio orgulho. Afinal, Craig Tucker continuava não sendo uma das suas pessoas preferidas no mundo. Aliás, ele bem que queria poder fazer a mesma faculdade de Craig escolheu, mas sua mãe achou que ele se juntaria a Craig e eles acabariam por fazer algum tipo de bomba.

O garoto saiu do laboratório com alguns amigos, mas logo se despediu deles. Eric observou de longe enquanto Craig se encostava e em um dos pilares perto da porta de saída, com aquele mesmo olhar maníaco de sempre quando acendeu um cigarro. Pareciam aqueles momentos de desespero, em que ele estava em aula, mas precisava urgentemente de um cigarro. Eric conhecia bem os vícios e virtudes de Tucker.

- Ei, Craig. – Eric cumprimentou como quem não queria nada.

Craig olhou de canto, mas logo desviou o olhar. Tragou o cigarro como quem buscava se acalmar. Os cabelos estavam bagunçados, ele vestia um jeans qualquer surrado preto e um suéter azul. Em mãos ele tinha um jaleco branco e alguns livros. Guardou a carteira de cigarros no bolso juntamente com o isqueiro, um zipo prata dos Beatles.

- O que você quer, Cartman? – Perguntou parecendo que queria livrar-se logo da situação.

- Kyle está saindo com a Bebe. Vim te avisar porque...

- Porque é um péssimo amigo. – Craig não o deixou terminar e apenas acrescentou rindo de canto. Ele soltou a fumaça e finalmente encarou Eric. – Não estou com ela mais e não me importo com quem ela fique.

- Mas...

- Ao contrário de mim, Kyle sempre foi seu amigo desde criança. – Tucker nunca era de ficar ouvindo ladainhas de pessoas mimadas como Eric. Talvez fosse por isso que Cartman o detestava tanto: queria ser um pouco como ele. – Está a fim da Bebe?

- Não! – Eric disse rindo, como se aquilo fosse mesmo um absurdo.

- Porque vocês namoraram.

- Mas não, nunca gostei dela e ela sabe disso. – Cartman disse indiferente, mas não com a costumeira maldade.

- Então porque se importa? – Craig desencostou do pilar e deu um passo na direção de Eric como se falasse com ele em segredo. – Talvez não seja a Bebe o problema... talvez seja o Kyle.

- De que está falando? – Cartman riu um pouco nervoso. – Eu odeio Kyle. Ando com ele porque... bom, ele é quem anda comigo, é diferente.

- Aham. – Craig continuou. – Continue tentando se convencer disso, Cartman.

- Que porra está querendo dizer? – Cartman enfezou-se rapidamente. Ele ergueu o queixo e fez menção de ir pra cima de Craig, mas é claro que ele não faria aquilo. Primeiro porque estavam em plena faculdade e, segundo, ele sabia que Tucker era perfeitamente capaz de dar uma surra nele.

- Você sabe muito bem do que estou falando. – Craig nunca se sentiu intimidado por Eric. – Além do mais, fique tranquilo, é apenas uma fase da Bebe. Acho que ela precisava dessa compensação, Kyle nunca deu atenção a ela quando éramos crianças, achou uma brecha agora. Ambos sabemos que assim que Clyde voltar de Denver, ela vai correr pra ele de novo. – Ele disse e pode jurar que viu Eric até relaxar mais os ombros. De certo pensou que garota nenhuma resistiria a um jogador de futebol americano bem sucedido como Clyde Donovan, que agora jogava profissionalmente pelo Denver Broncos.

Eric não tinha exatamente uma boa resposta. Sentiu-se por um momento agindo feito idiota. Pra que ele iria deletar Kyle? O que ele esperava? Que Craig se munisse de sua raiva e fosse, sei lá, bater em Kyle? Eric provavelmente bateria em Craig de volta, nem que isso ignificasse apanhar feio, se fosse pra defender o outro. Além do mais, quem em são consciência recorre a brigas físicas em plena faculdade?

- Vou encontrar com Tweek. – Craig continuou devido ao silêncio raro de um Eric Cartman sem resposta. – Eu te convidaria, mas Tweek não gosta de você. – Ele na verdade não convidaria porque iria almoçar e acabar dando uns amasso com o colega no banheiro masculino de qualquer forma. Faziam isso escondido desde a adolescência.

- É, o mesmo pra ele. – Eric respondeu como se fosse a melhor resposta do mundo, quando na verdade não passava nem perto.

Craig simplesmente saiu deixando Eric sozinho por um momento. Estava enlouquecendo. Não era mais ele mesmo, sentia-se perdido, mas não queria demonstrar. O que ele iria fazer? Se deixar levar por aquele sentimento estranho que, apesar de estar negando completamente nos últimos dias, sabia muito bem o que era.

Andou de volta pelo mesmo caminho de onde veio e era uma daquelas raras vezes em que ele não estava incomodado em saber se os outros três rapazes o estavam novamente boicotando, para que não os encontrassem. Sabia que Kyle deveria estar com Bebe, Stan provavelmente com Wendy e Kenny... Bem, Kenny deveria estar em seu dormitório estudando, com medo de ficar com ntoas baixas e perder sua bolsa de estudos.

Depois de alguns longos minutos de caminhada e pensamentos, pegou-se entrando no pub Jolly Rogers, um de seus lugares preferidos de South Park. Pegou um mochaccinoe sentou-se em uma das mesas mais afastadas. A verdade é que ele não aguentava mais pensar em Kyle, mas parecia que não tinha outra escolha... Talvez pensasse tanto nele que uma hora ou outra sua mente simplesmente se cansaria.

- Ei, Eric! – A voz de Token Black surgiu de uma das mesas perto das de Cartman. Não que eles fossem grandes amigos, mas Eric até gostava do menino.

- E aí, Token. – Cartman respondeu sem muita animação, tomando outro gole de seu café.

- O que está fazendo aí sozinho? – Token perguntou fechando o livro que lia e o colocando ao lado de seu copo gigante e vazio de café.

- Nada, só estou aqui. – Eric respondeu sem fazer muita questão de esconder que não estava a fim de conversar.

- Está fazendo Direito não é? – Token perguntou tentando puxar assunto.

- Estou. – Eric certamente não respondeu com a mesma vontade.

- Kyle também, não é? – E lá vinha Token mencionando a última pessoa na face da terra de quem Eric queria falar a respeito. – Estou fazendo Odontologia.

- Eu sei, Stan comentou. – Eric tomou mais um gole de seu café.

- É, faremos duas matérias no mesmo laboratório. Legal né? – Token estava realmente gostando desse novo mundo de faculdade. Ao ver Cartman com aquela cara de velório achou que talvez algo grave estivesse acontecendo, até porque o "Eric Cartman normal" estaria nesse momento enfiado em algum lugar badalado, ou fazendo planos para entrar na fraternidade mais popular, ou andando com algumas garotas exibindo seu Porshe por aí.

Sentado em um canto do pub Jolly Rogers não era exatamente uma forma de imaginar Eric Cartman na faculdade.

- Aconteceu alguma coisa, Eric? – Token insistiu com mais cuidado desta vez. Desde criança, não lembrava de ter visto Cartman com aquela cara. Apesar de Token ter passado a infância com os meninos, nunca se sentiu exatamente como parte da turma, não sabia se era porque era negro ou porque sua família era rica.

- Não, está tudo bem. – Mentiu Cartman terminando de tomar seu café. – Quer sair? – Não que fosse muito normal Eric ser visto andando por aí com Token. – Sei lá, vamos ver umas meninas por aí, saber onde vai ser a festa dos calouros...

- Claro, cara! – Token se animou. Talvez Eric realmente tivesse mudado e agora era um cara legal.

Eles deixaram o pub no momento em que Stan estava chegando para trabalhar em seu turno. Pararam na porta quando Token cumprimentou Stanley animadamente.

- Stan! – O garoto sorriu quando Marsh retribuiu seu cumprimento.

- E aí, Token! – Stan sorriu apesar de achar estranho que Cartman estivesse com ele. – Onde estão indo?

- Vamos por aí, ver umas garotas. – Respondeu o futuro dentista. Eric confirmou com a cabeça de um jeito prepotente. – Uma pena que você precise trabalhar agora, senão poderia ir com a gente.

- Tudo bem Token, podemos fazer isso no próximo final de semana. – Stan respondeu tranquilo. – E, bem, não sei se a Wendy vai gostar de saber que estou indo "ver garotas". – Ele riu fazendo o outro rir também.

- É verdade! Até mais tarde então! – Token despediu-se rindo com o amigo e atravessou a porta.

- Cartman posso falar com você? – Stan disse antes de deixar o moreno alto passar e seguir Token.

- Token, o Porshe está no estacionamento do meu dormitório, pode ir andando, já te alcanço. – Cartman disse um pouco impaciente porque sabia que Stan iria pedir algum tipo de satisfação.

- O que está fazendo, Cartman? – Stan perguntou após um suspiro. – Não vá meter Token em confusão.

- Pode deixar, mãe. – Eric respondeu ironicamente.

- Cartman, falo sério. – Stan realmente falava. – O que você tem que está tão estranho por esses dias? Kyle disse que você apareceu ontem à noite super tarde no dormitório dele, depois foi pro seu mesmo com o mundo de chuva desabando em sua cabeça. – Cartman revirou os olhos enquanto Stanley falava. – E ficou jogando bolinhas de papel na cabeça dele na aula.

- Vocês são viadinhos demais. – Cartman começou, irritando-se. – Tudo que um faz, conta pro outro?

- Eu não sei o que deu em você inclusive se ir tentar colocar o Craig contra o Kyle! – Ele fechou seu argumento com chave de ouro. Cartman engoliu a seco, mas não demonstrou que aquilo realmente o constrangia. – Eu sei que você e o Kyle nunca foram exatamente os melhores amigos, mas achei que eram alguma coisa.

- Craig não deu a mínima!

- Exatamente. – Stanley tentava controlar o tom de voz. – Kyle não se importa com o que Craig pensa dele... Ele se importa com o que você pensa, Cartman. E isso foi uma bela apunhalada pelas costas.

- Como você sabe? Craig foi fazer fofoca?

- Craig foi dizer a Kyle que tudo bem que ele estivesse com a Bebe, e disse que não precisava se preocupar com você. – Stanley disse como se não fosse algo importante.

- Stan, eu...

- Você é nosso amigo desde criança. – Marsh não deixou que ele falasse. – Só que está na hora de parar de agir como uma.

- Quem você pensa que é? – Eric disse dando um passo na direção de Stan de forma agressiva. – Vocês estão sempre tentando me deixar de fora.

- Cartman, para de fazer drama. – Stanley massageou as têmporas.

- Stan, podemos ter essa conversa depois? – Eric realmente estava com muito pouca paciência.

- Não se meta em encrenca, Cartman. – Stanley disse com calma. Apesar de tudo, ele gostava muito de Eric.

Cartman suspirou e passou pela porta do pub de maneira um tanto quanto abrupta. Stan balançou a cabeça negativamente e foi para trás do balcão iniciar seu trabalho.

Cartman correu um pouco para alcançar Token e, depois de alguns minutos conversando, eles chegaram ao dormitório de Eric para pegarem o Porshe.

Denver, Colorado – Campo de treinamento do Denver Broncos

Clyde Donovan tinha crescido significativamente. Seus um metro e noventa, pesando quase cem quilos de músculos tinham lhe rendido uma boa posição no time de futebol americano de Denver. Ele estava no vestiário terminando de secar o corpo após o banho. Estava sozinho quando começou a vestir suas roupas.

- Pronto pra ir pra casa? – Ele tomou um susto ao perceber que alguém tinha acabado de entrar.

- Quer me matar? – Foi a resposta do moreno alto. Bem mais alto do que o loiro que tinha acabado de entrar. – O que está fazendo aqui? – Ele perguntou com um sorriso enquanto o outro se aproximava.

- Vim ver meu namorado. – Pip sussurrou no ouvido de Clyde quando abraçou o jogador.

- Achei que você só chegasse amanhã! – Clyde retribuiu o abraço dando um beijo no rosto do loiro. – Como estava Londres?

- Incrível. – Phillip respondeu saudosista. – Quem sabe você possa ir comigo no final do semestre.

- Claro que sim. – Clyde disse enquanto desenrolava a toalha da cintura pra vestir uma cueca.

Pip sorriu ao olhar o belo corpo de Clyde quando sentou-se no banco central do vestiário esperando o outro se vestir. Mal podia acreditar que tudo aquilo era seu, somente seu.

Clyde vestiu um jeans claro com um suéter cinza escuro. Pôs um All Star preto e não levou mais que dois minutos para tudo isso. Pip contou sobre seu passeio em Londres com seus pais adotivos, sobre os lugares da Europa que foi eventualmente, e fez questão de frisar que viu todos os jogos de Clyde.

Os dois já namoravam escondidos tinha alguns meses. Clyde terminou seu relacionamento com Bebe quando assinou contrato com o Denver Broncos, já que isso o forçaria a mudar para a capital do Colorado. Para sua surpresa, Pip apareceu em muitos jogos de Clyde, acabaram se aproximando devido às saídas com o pessoal do time e, apesar de tudo ter sido muito repentino, descobriram que havia um sentimento ali maior do que amizade.

Eles deixaram o vestiário andando em direção ao sedan que Clyde dirigia. Deixaram o estacionamento do local de treinamento do Denver Broncos e foram em uma lanchonete qualquer. Pip não havia parado de falar sobre suas férias e Clyde, apesar de extremamente feliz, estava um pouco apreensivo de saber que ambos voltariam para South Park para fazer faculdade.

- Eu estou falando há mais de quarenta minutos sem parar. – Pip riu após um longo suspiro engraçado.

- Claro que não, estou adorando saber que realmente se divertiu. – Clyde respondeu enquanto comia as batatas fritas do prato de Pip. – Demien já sabe que está aqui?

- Ainda não, não avisei você porque sabia que contariam... – Pip disse rindo. – É melhor irmos juntos e vermos todos ao mesmo tempo... – Pip pegou em uma das mãos livres de Clyde sob a mesa. – Realmente quer voltar a South Park?

- Eu preciso. – Clyde respondeu um pouco inseguro. Seus pais haviam pedido que ele estudasse em South Park pra que ficasse perto da família, já que sua temporada de futebol estava em recesso. – Prometi aos meus pais.

- Sabe que estou com você na decisão que tomar. Se quiser contar às pessoas...

- Você sabe que não podemos, Phillip. – Clyde disse um pouco triste. Passou uma das mãos pelos cabelos castanhos ainda um pouco molhados. – E não é por South Park, é pelo futebol.

- Mas... Clyde, você não é solteiro. – Pip disse com uma pontinha de ciúmes.

- Eu gosto de você, Pip... – Ele foi firme. – E sei que está pensando em como será quando Bebe me ver, pode ser que ela ainda tenha sentimentos por mim.

-Clyde, é difícil não pensar nisso. – Pip disse um pouco triste porque era exatamente o motivo dele estar preocupado. Ele suspirou baixinho e sentiu Clyde apertar com mais força sua mão. Quando olhou de volta pra ele, percebeu um meio sorriso do moreno alto.

- É isso o que eu mais gosto em você. – Clyde respondeu e viu os olhos de Pip brilharem por um segundo.

- O que? – Ele retribuiu o sorriso de um jeito um pouco tímido. – O fato de eu ser inseguro?

- Não, esse seu sotaque britânico. – Clyde disse com uma ponta de malícia fazendo Phillip abrir o maior sorriso. Ele riu, quase gargalhou, era o que ele fazia quando estava sem graça.

- Cala a boca! – O loiro respondeu fingindo ficar bravo por Clyde toda vez tocar naquele assunto.

- Vamos pra casa? – Clyde convidou mas já estava levantando-se da cadeira. – Fiquei duas semanas longe de você... Não é nem justo que eu te divida com o mundo agora.

- É, mas e quanto a mim? – Pip levantou-se seguindo o namorado o segurando pela mão. – Eu tenho que te dividir literalmente com o mundo durante meses até o Superbowl!

Eles deixaram a lanchonete rindo e foram pra casa de Clyde, a que ele tinha conseguido comprar desde que começou a jogar profissionalmente. Ambos estavam preocupados em voltar a South Park, mas ao mesmo tempo achavam que não teriam que se preocupar com aquilo agora. Namoros como o deles já eram difíceis por natureza, imagine quando se trata de um jogador famoso. O irônico é que eles não se preocupavam com as pessoas do resto do mundo, mas sim com os amigos e familiares.

Por um lado estavam preocupados com a cidade natal, por outro, estavam felizes por poderem voltar em breve.