2.

As motos atravessavam as ruas em alta velocidade, sendo perseguidas por Kandorianos. Não demorou para que fossem alcançadas. Lucy Lane e Jimmy Olsen caíram das motos. Lucy se ergueu e atirou contra os kandorianos. A pólvora das balas era misturada com pequenos estilhaços de kryptonita verde. Bruce Wayne tinha um pequeno estoque mas em breve ele acabaria, o que seria um grande problema. Lucy conseguiu atingir um dos kandorianos, que caiu no chão. Ela vibrou. Jimmy se ergueu e se aproximou de Lucy.

- Muito bom, amor!

- Não fui criada no Exército à toa, Jimmy! – ela sorriu pra ele. – Vamos antes que outros apareçam.

Jimmy concordou e os dois montaram nas motos. O kandoriano abatido ainda conseguiu usar a visão de calor e acertar as costas de Lucy, que gritou de dor.

- Lucy! – Jimmy berrou, alarmado.

- Está tudo bem, eu aguento! Vamos! – ela exclamou e eles fugiram.

Foram direto para o QG da Resistência que ficava no subsolo de Metropolis, abaixo da rede de esgoto. Todo o local era revestido por chumbo, já que seus inimigos não enxergavam através do material. Bruce tomara todas as precauções caso a Liga da Justiça fosse ameaçada de alguma maneira e foi o que acontecera.

Jimmy entrou apressado, amparando Lucy. Emil Hamilton se aproximou.

- O que foi?

- Ela foi atingida por um dos kandorianos!

- Não é tão grave assim... Acho que peguei uma corzinha. – disse Lucy, evitando gemer de dor.

Emil olhou as costas de Lucy. A queimadura fora de primeiro grau. Ele tratou do ferimento e recomendou repouso.

- Não posso me dar a esse luxo, Emil, a Resistência precisa de mais pessoas no campo!

- Machucada você não vai poder fazer muita coisa... – alegou Jimmy e Lucy bufou. Ele acariciou o cabelo dela. – É só até você melhorar, amor.

- Tá e quem vai ficar no meu lugar? Nós temos uma missão, Jimmy!

- Deixem que eu resolvo isso.- Bruce disse, entrando no local. – Eu prefiro que você esteja 100% lá fora na batalha, do que ferida e correndo mais risco de ser pega. – ele disse e Lucy foi obrigada a concordar. – Pelo visto terei que pedir que Luthor providencie trajes mais resistentes aos poderes dos kandorianos.

- Lois diz que Luthor não é confiável. – lembrou Lucy.

- Sua irmã não confia em ninguém. – Bruce achou graça.

- Por isso vocês combinam tanto. Ainda estão naquela historinha de ser apenas bons amigos?

- É melhor assim, acredite. – disse Bruce, tranquilo.

- Que pena, você daria um ótimo cunhado.

- Cuide-se, Lucy. – Bruce disse e saiu dali.

Jimmy sentou ao lado da esposa e trocaram um beijo. Jimmy acariciou a mão dela.

- Soube que Bruce entrou em contato com uma amazona que teria poderes como os de Kal-El.

- Será que existe alguém tão poderoso quanto ele? Alguém capaz de pará-lo? – Lucy questionou. – Tenho minhas dúvidas. A Liga... a ex-Liga teve muitas baixas... Kal-El tanto fez que quase acabou com tudo. Só porque tentaram lhe devolver a sanidade... Ninguém o conhecia e de repente ele surgiu passando como um rolo compressor sobre todos. Todo aquele poder voltado pro mal...

- E matou Zod diante de todos. E daí por diante as coisas só pioraram... Tantas vidas se perderam nessa guerra...

- Mas ainda há esperança. – Lucy deu um beijo no rosto de Jimmy. – Nós estamos lutando por um mundo melhor para nós e quem sabe... nossos filhos.

- Filhos? Num mundo como esse? – indagou Jimmy. – Não é uma boa ideia, Lucy.

Lucy ficou calada e depois meneou a cabeça. Não sabia como o marido reagiria quando soubesse que ela estava grávida, mas poderia esperar quando ele estivesse mais positivista.

Lucy abraçou Jimmy, que correspondeu.

-x-

LexCorp

Lois entrou na sala presidencial e viu Lex trabalhando.

- Suas roupas especiais não são tão especiais assim. – ela foi dizendo.

- Que pena, achei que estava adequadamente vestido para uma visita surpresa. – ele gracejou.- O que faz aqui, Lane? Desde que o Planeta Diário fechou, você é pessoa non grata.

- Desde que aquele cretino do Kal-El proibiu a imprensa de trabalhar, a menos que o exaltem. O Planeta Diário nunca se dobraria a isso.

- E foi desmantelado. Se tivesse seguido ordens, ainda poderia estar funcionando.

- Não vou ser capacho de um maldito cretino que só porque tem poderes se acha melhor do que todo mundo. Não é esse tipo de cartilha que eu rezo, Luthor.

Lex entendeu a indireta e se ergueu. Deu um sorrisinho. Lois era uma força da natureza. Apesar de todos os revezes que sofrera, ainda continuava de pé.

- Já disse que pode me chamar de Lex. – ele falou e Lois apenas ergueu uma sobrancelha. – Parece que ainda não ganhei status de confiança na sua vida. Vou mandar melhorar as roupas dos seus amigos. Aposto que Batman vai conferir cada um deles para ver se não há nenhuma arapuca da minha parte.

- Não pode culpá-lo por isso. Você só está do nosso lado porque Kal-El está no lugar que acredita ser seu.

- Eu só quero o bem de todos, Lane.

- Conversa fiada. – ela rosnou. – Não pense que me engana, Lex. Antes de toda essa loucura começar e esse tal Kal-El surgir, eu lembro muito bem como você era. Você e todos os Luthors. Mas daí ele matou Lena. – ela lembrou e ele ficou sério. – Não sei se doeu ou foi um alívio.

- Ela era minha irmã. O que acha? Aquele alien matou a única família que me restou.

- Estou quase chorando, Lexie. – ela debochou. – Seu papai, lá no inferno, pra onde você o mandou, deve estar tocado também. Entre uma labareda e outra.

- Meu pai se suicidou. – Lex afirmou. – Não devia fazer acusações das quais não tem provas.

- Será que não tenho mesmo? – Lois cruzou os braços.

Lex forçou um sorriso e a fitou.

- O que você quer, Lane? Não veio aqui só pra falar sobre as roupas dos seus colegas.

- Sei que você anda me vigiando, Lex. Sei que quer saber as coisas que você acha que eu sei.

- E o que você sabe, Lane?

- Não sei, me diga você. – ela foi até a porta. – Só vim dar um aviso. Da próxima vez que aquela sua secretaria enxerida cruzar o meu caminho, vou mandar os pedaços dela pra você. E se insistir, eu te caço onde você estiver e arrasto essa sua cara sem vergonha no asfalto.

- Não pode me ameaçar. É só uma repórter.

- Não sou mais. – disse friamente.

Lois saiu e fechou a porta. Lex fechou o punho, com raiva.

-x-

- No mundo dos homens, vocês só entendem a guerra. Não sabem viver em paz sem tentar matar uns aos outros. – Diana olhou para Bruce.

- Parece que não temos uma boa fama na ilha. – disse Bruce, bem humorado.

- Minha mãe, a rainha Hipólita, os considera indignos de confiança.

- Mas mesmo assim você está disposta a nos ajudar.

- Eu acredito que apesar de tudo, a Humanidade ainda tem algo de bom a oferecer, só nos resta tentar resgatar isso. Eu vejo nos seus olhos que você acredita nisso também.

- É pelo o que lutamos. – afirmou Bruce. – Posso contar então com as amazonas quando chegar a hora?

- Pode. – garantiu Diana e Bruce sorriu, satisfeito.

-x-

Máxima ia entrar no aposento de Kal-El mas foi barrada. Ela ficou sem entender. Lana parou diante dela com um sorriso debochado.

- Pelo visto, meu marido está se divertindo com mais uma das suas vagabundas. – disse Máxima, com desprezo. – Saia da minha frente, escrava.

- Então você não está sabendo? Seu lugar está vago, ex-Alteza. – Lana contou.

- Eu não compreendo relinches. Saia da minha frente, senão eu faço você sair.

- Não é mais a rainha. Não tem autoridade sobre mim. Você não serve para o imperador do mundo.

Máxima acertou o rosto de Lana com um tapa que a fez ser jogada contra a parede e desmaiar. Máxima entrou no quarto do marido.

- Kal-El, eu exijo que você mate essa escrava abusada! O que ela pensa que é? Minha vontade foi de torcer o pescoço dela!

- Por mim, faça o que bem entender. – ele disse, sem dar importância. Ele vestiu a capa. Aproximou-se de Máxima e segurou o rosto dela. – Você é linda, Máxima. Uma pena que inútil.

- Kal-El, eu sou a rainha de Almerac!

- Almerac será só uma breve lembrança. Já extraímos quase tudo que queríamos de lá.

- Kal-El, eu sou sua esposa!

- E eu sou o governante de tudo e de todos! – ele gritou e viu os guardas chegarem. – Espero que goste das suas novas instalações.

- O que?! – Máxima se viu cercada pelos guardas. – O que significa isso, Kal?!

- O que você acha?

- Kal, nós ainda podemos ter um filho! – ela gritou, desesperada.

- Já não preciso mais. Vou ao encontro de alguém mais à minha altura. Tirem-na daqui. – ordenou.

- Não! Kal! Não! Seu desgraçado! Maldito! Eu te odeio! – Máxima gritava, sendo levada pelos kandorianos.

Kal saiu voando. Chegou até os limites da Ilha das Amazonas. Pousou e viu a rainha Hipólita se aproximando. Ele a saudou e depois beijou sua mão.

- Senhora...

- Kal-El... – ela respondeu com um ar de empáfia. – Pensei que não viria.

- Eu jamais deixaria de atender um pedido da rainha das amazonas. Pensou em tudo que eu lhe disse?

- Fiquei pensando especialmente na possibilidade de não aceitar o seu pedido e você mandar os seus comandados invadirem a minha ilha. Sei que aqueles que se opõe ao ditador não vivem para ver o outro dia.

- Vocês amazonas sempre foram neutras. Nunca se intrometeram em assuntos mundanos. Se continuarem assim, não tem porque atacá-las.

- Hum. Mas você tem ciência do nosso poder de ataque.

- Sim, eu sei que são poderosas guerreiras e por isso pensei em uma aliança.

- Ninguém o atacaria, Kal-El. O tal grupo de Resistência não tem força contra você.

- Eu sei que são cachorros que mais latem do que mordem, mas eu sei que tenho muitos inimigos e que eles adorariam me ver debaixo da terra. Tenho que me precaver. Mostrar pra todos que eu não cheguei até aqui a toa.

- Entendo... – Hipólita fez uma pausa. – Acontece que Diana já é uma mulher adulta, não posso simplesmente entregá-la de mão beijada para um homem.

- É claro que pode. Eu me informei sobre as suas tradições. Você é a rainha e ela é sua filha, que lhe deve obediência. Uma aliança comigo não é algo que pode ser simplesmente dispensado e você sabe disso.

- Já vi reinos inteiros de homens cair, Sr. Kal-El.

- Não sou um homem comum. – ele afirmou. – Não sou como esses humanos ordinários. Em Krypton, as coisas são bem diferentes do que aqui.

- Mas seu planeta não existe mais e você teve que vir pra cá. Embora sua história aqui no mundo dos homens seja obscura. Porque esconde quem foi?

- O passado deve ficar no passado. Ele não importa. – afirmou, sério. – O presente e o futuro é o que interessa. A nós dois. Uma rainha não gostaria de ver sua única filha com qualquer um. Diana será futuramente a rainha das amazonas. Sabe que essa união é vantajosa para ambos os lados.

Hipólita o olhou com atenção e depois assentiu.

- Eu não confio em homens, mas como você mesmo disse, não é um homem comum, embora não deixe de ser um homem, com todas as falhas que eles possuem. No entanto, tem poderes e sim, é vantajoso saber que Diana irá assegurar que mundos podem conviver de forma pacifica. Desde é claro, que não haja interferência sua no modo como são conduzida as coisas em meu reino.

- Claro que não. As coisas continuaram a ser como são. Ninguém se intromete no assunto do outro. Um campo neutro. A única diferença será que Diana será a minha rainha.

- E a sua outra rainha?

- Não se preocupe com ela. Máxima e eu nunca pudemos ter um herdeiro, então ela resolveu retornar ao seu planeta, Almerac.

- Hum. Bom, minha filha não irá dividir o seu título com ninguém.

- Não haverá esse problema, lhe garanto. – ele assegurou. – Máxima e eu não temos mais nada em comum. E como sou eu quem faz as leis, já posso me considerar um homem livre. Livre para a sua adorável filha.

Hipólita deu um breve sorriso.

- Ela não é tão adorável e não acho que será simples para que você a conquiste. Mas como estamos falando de uma aliança... Sim, eu acho que podemos selar um acordo.

- Fabuloso. – Kal-El sorriu. – É uma honra me aliar a tão poderosas e valorosas guerreiras.

Kal e Hipólita trocaram um aperto de mão.