Nota da Autora: Twilight e seus personagens pertencem a Stephenie Meyer. Eu não possuo nada. Nem mesmo Boozeward*. Ele pertence às fabulosas senhoras da WAreabilitação e elas podem fazer o que quiserem com ele (exceto permitir que ele esteja em qualquer lugar perto da água, ou alimentá-lo depois da meia-noite). Muito obrigada por todas as suas amáveis palavras e incentivo!
*Boozeward: em inglês, "booze" significa embriaguez, beber até ficar bêbado; e "ward" seria o final do nome de Edward, então a tradução seria como Bêbadoward.
Capítulo 2
Edward POV
"Eu liguei para o meu pai hoje." Lauren começou, seu cabelo quase platinado no brilho da luz fluorescente. Ela olhou para baixo enquanto brincava com as unhas, encolhendo seus ombros. "Ele desligou na minha cara, mas - eu acho - bem, ele levou mais tempo do que o habitual? E eu acho que talvez eu esteja fazendo algum progresso, sabe? Será que... soa estúpido pensar isso?"
Eu poderia reconhecer sua expressão otimista, ainda que cansada. Eu senti isso tantas vezes. Todos nós balançamos nossas cabeças em silêncio, algumas pessoas selecionadas murmurando seu habitual "dê a ele um tempo" e garantias de "Roma não foi construída em um dia". Ela já tinha ouvido isso antes, mas um sorriso fraco puxou seus lábios quando ela cruzou as mãos no seu colo.
A sala ficou em silêncio enquanto todos nós olhamos para baixo em nossas xícaras de café, esperando que a próxima pessoa começasse.
Jasper limpou sua garganta e todos nós levantamos nossos olhos, à espera. "Eu meio que estou vendo alguém." Ele suavemente anunciou.
"Quem é a sortuda?" Lauren perguntou, sorrindo animadamente. Ela adorava ouvir as histórias felizes.
Ele coçou sua sobrancelha, incapaz de lutar contra o sorriso mal reprimido que se espalhou pelo seu rosto. Eu quase poderia detectar um tom de rosa. "Hum, apenas alguém que eu conheci através de um amigo. Você gostaria dela. Ela é realmente uma... pessoa feliz." Ele balançou a cabeça pensativamente em sua xícara de café, tomando um gole pensativo antes de acrescentar em voz mais baixa, "Ela me faz uma pessoa feliz".
Tyler entrou na conversa, dando tapinhas nas costas dele. "Isso é uma coisa épica".
Nós todos acenamos nosso acordo enquanto Jasper encolheu os ombros. "Eu só estava pensando em como..." Seus olhos escureceram quando ele se mexeu na cadeira. Estávamos todos ouvindo com muita atenção porque Jasper era um homem de poucas palavras. Quando ele falava, era significativo. "Nós estamos mantendo isso em segredo. A família dela... eles não aprovariam – a mim. Não que eu pudesse culpá-los nem nada, mas-" Ele parou seu discurso com um sopro de ar frustrado, terminando secamente, "Isso é meio frustrante".
Carlisle cantarolou suavemente, um braço sobre o seu peito, o outro segurando a sua xícara com cuidado. "É claro que seria frustrante, Jasper - ser feliz e ter de esconder a origem disto".
Todos concordaram em silêncio.
Exceto Jasper, que balançou a cabeça, murmurando, "Eu provavelmente vou acabar fodendo isso, de qualquer maneira. Acho que vai ser mais fácil que menos pessoas saibam." Ele parecia completamente desanimado agora.
A sala ficou em silêncio por vários momentos.
O suspiro de Carlisle foi complacente. "Talvez você tenha aprendido com seus erros? Talvez esta pessoa simplesmente não esteja disposta a comprometer-se a um relacionamento com alguém na recuperação? Talvez a família dela vá ver você por quem você é e não quem você uma vez foi? Nada é certo, Jasper. Nem mesmo o fracasso. Não perca a fé tão facilmente".
Quando Jasper ofereceu apenas um sorriso triste e um rolar de seus olhos, nós consideramos essa discussão apropriadamente fracassada. Isso viria à tona novamente. Foi um choque para mim, isso é certo. Olhei Jasper por cima da minha xícara com uma expressão de interrogação, mas ele estava evitando o meu olhar. Carlisle, em seguida, respirou fundo e se virou para mim, sorrindo encorajadoramente quando cobriu seu queixo.
Eu não me importava em expor a minha merda para essas pessoas. Eu estive fazendo isso por quase um ano, vindo a estas reuniões e ficando familiarizado com as histórias que eram, por vezes, pior que a minha, às vezes melhores. Isso nunca foi uma competição. Era apenas uma discussão geral com um monte de pessoas lutando. Eu odiava admitir que isso ajudou – no início. Mas não mais. Eu não tenho tempo nem energia para perder com orgulho ou amargura.
Com um suspiro, eu pensei sobre o meu mês e finalmente comecei, "Uh, bem... eu não consegui aquele emprego na Northam." Todo mundo fez careta com simpatia, mas encolhi o ombro, concluindo, "Hey, eu nem estava esperando consegui-lo. Tenho certeza que eu comi a filha do administrador…" Fiz uma careta enquanto eles riram, Jasper bufando.
Sim, eu fodi a filha dele, mas, em minha defesa, eu nem sequer me lembro disso – não realmente. Lembrei-me da maneira que seu cabelo tinha varrido meu rosto enquanto ela montava em mim. Ela era loira e tinha sido como uma auréola de seda da menina. Eu, na verdade, me referia a ela como "Loira de cabelos compridos, John Frieda*, reta como uma tábua." Sr. Northam ficou confuso. Saber o nome dela poderia ter me salvado de um monte de dor.
*John Frieda: é uma marca de produtos de beleza, como shampoos, condicionadores, hidratantes etc.
Poderia.
Provavelmente não.
Deus, Forks era tão pequena.
"Enfim, estou procurando por alguma coisa aqui em Port Angeles, então se vocês conhecerem alguém que está contratando..." Enviei para todos um sorriso irônico enquanto Carlisle visivelmente reprimiu seu rolar de olhos.
Ele estava tentando me pegar no hospital durante meses, mas eu não pegaria isso. Conseguir um emprego era algo que eu precisava fazer sozinho, e isso não tinha nada a ver com orgulho. Eu já vivia sob o seu teto, comia a comida dele e usava o carro de Esme. Eu aceito o suficiente da sua ajuda. O objetivo era usar a sua generosidade como ferramentas, não muletas.
Jasper apitou em seguida, finalmente erguendo seus olhos. "Vou manter minha orelha atenta para você".
Eu sorri, oferecendo um pequeno, "Obrigado".
A batida das mãos de Carlisle contra suas coxas sinalizou o final da reunião, e todos nós levantamos, esticando os nossos membros e alongando nossos pescoços.
Depois de um rápido recital da Oração da Serenidade, todos dispersamos, com alguns indo para a mesa de abastecimento para devorar os donuts em excesso, alguns se reunindo com seus padrinhos e outros simplesmente saindo com acenos amigáveis.
Este era um bom grupo - definitivamente o melhor em que eu já estive. Era sólido e confiável, e Jasper, meu padrinho, era gente boa. Claro, ele era tão fodido quanto o resto de nós, mas se um dia eu me encontrasse preso na Segunda e Lafayette, estacionado na frente do ABC Licor, ele estaria lá para acalmar-me antes que eu pudesse sequer desligar o telefone celular. Esses favores eram sempre devolvidos na mesma moeda, é claro.
Foi tudo Carlisle, na verdade. Ele estabeleceu essas reuniões no porão da igreja St. Mary a cada terça-feira. Dedicou-se a assisti-las completamente, para ajudar as pessoas. Carlisle nunca tinha sido um alcoólatra. No passado, as pessoas tinham desprezado este grupo em particular somente por esta razão.
Eles se perguntavam como ele poderia pregar para eles se nunca tinha experimentado o vício. Mas o que eles não perceberam era que Carlisle havia experimentado os efeitos do vício, apenas do outro lado. Ele provavelmente sabia disso melhor do que a maioria dos viciados. Viciados eram idiotas que raramente ficavam presos por perto para testemunhar a destruição que causavam, de qualquer maneira. Carlisle tinha visto como o alcoolismo pode rasgar violentamente uma família. Ele sabia porque seu filho era alcoólatra e tinha passado anos e anos da sua vida causando aqueles cabelos grisalhos por empurrá-lo ao redor e fazer sua vida miserável.
Isso poderia ter matado Carlisle. Inferno, provavelmente o fez de uma forma - não que ele alguma vez tenha permitido que alguém realmente visse. Mas Carlisle simplesmente não deitaria e aceitaria uma derrota como essa. Ao contrário do pai de Lauren, ele nunca desistiu e, como resultado, ele era mais do que qualificado para ser líder nestas reuniões. Ele sabia tanto sobre o monstro como qualquer um.
Ele sabia porque ele era o pai do monstro.
Ele sabia porque ele era o meu pai.
Eu costumava odiar acordar. Eu era um ímã de ressaca. Não importa o quão hidratado eu sempre me mantinha, eu sempre acabava sentindo-me absolutamente miserável com a chegada da manhã - ou da tarde - ou da noite. Estes eram, provavelmente, alguns dos meus momentos mais sombrios: acordar na cama de uma mulher qualquer - ou na minha própria cama com a dita mulher aleatória ao meu lado – a cabeça latejando, músculos doendo, imaginando o que diabos eu havia feito na noite anterior e sabendo que eu provavelmente irritei alguém no processo.
O sexo era geralmente medíocre - eu acho.
O cabelo era tudo que eu sempre lembrava sobre isso porque era feminino e delicado e eu nunca na minha vida inteira tive sexo sóbrio. Quão triste era isso? Depois de tanto tempo, era impossível não associar imediatamente o cabelo com o sexo, então era o único recurso de uma mulher que eu sempre me importava. Infelizmente, quando eu acordava sóbrio e começava realmente a enfrentar os rostos a que pertenciam os cabelos, eu ficaria com nojo de mim mesmo por não ser mais exigente. Esses pensamentos sempre me deixavam incrivelmente mais deprimido.
Você tinha seus bêbados raivosos (Jasper), seus bêbados bobos (James), seus bêbados promíscuos (Lauren) e seu bêbados deprimidos (todos). Eu simplesmente aconteci de ser todos esses tipos de bêbados, dependendo da hora do dia. Nada era pior do que as manhãs, no entanto. Eu costumava odiá-las, muito fodidamente.
Claro que, agora, eu acordava completamente renovado e lúcido. Era como dia e noite, preto e branco. A primeira vez que eu acordei sem ressaca, eu sabia que estava em alguma coisa. Foi patético que me levou tanto tempo para perceber que a minha única fonte de verdadeira alegria também foi minha fonte de uma verdadeira miséria.
Energizado pelo momento em que meus pés bateram o tapete, eu tinha deixado manhãs como essa para trás. Eu tinha começado a fazer flexões quando eu acordava e depois de semanas de rotina, agora eu estava em cinqüenta. Eu gostava de sentir-me produtivo e ajudar em casa, à procura de empregos durante o horário das nove às cinco. Eu gostava de fazer Esme sorrir.
Eu devia a ela 12 anos disso.
Fiz minha cama depois porque mesmo que eu fosse um homem de trinta anos de idade, eu poderia sempre esperar que Esme viesse aqui e arrumasse depois de mim. Às vezes eu a deixaria porque ela não tinha mais nada para fazer. Ela também gostava de conseguir alguns desses anos de volta que eu tinha roubado dela egoisticamente.
Alonguei-me enquanto fui ao meu armário e abri a porta, examinando o marcador preto rabiscado por todo o comprimento da madeira. Cocei meu queixo distraidamente quando removi minha caneta da prateleira, à procura de um Sr. Jenks. Uma vez que encontrei o nome dele, me agachei, abrindo a tampa da caneta e reverentemente passando a ponta de feltro sobre ele.
Não havia melhor sensação no mundo do que riscar alguém na minha lista na parte da manhã. Soa cafona como o inferno, eu sei, mas fazer reparações pelos últimos 12 meses era muito parecido com curar uma ferida por vez – feridas que eu nem tinha percebido que existiam. Todas aquelas manhãs que eu passei na cama, acordando sentindo-me uma merda, convencido de que nunca seria possível voltar às boas graças de alguém, e aqui estava eu, riscando o Sr. Jenks, já que eu tinha finalmente amadurecido para ligar na noite passada e pedir desculpas por invadir seu primeiro escritório de advocacia. Tinha sido uma degradação ao pequeno estabelecimento, e James e eu tínhamos realmente feito um número sobre isso. Eu conhecia o Sr. Jenks desde que eu era pequeno, por isso sempre tinha meio que me prendido que eu tinha conseguido causar problemas a ele com o meu comportamento imprudente.
Também ajudou que o estatuto de limitações o impediu de apresentar queixa.
Dei um passo atrás e avaliei a lista escrita na minha porta. Eu fazia isso todas as manhãs, mas naquelas em que eu conseguia realmente riscar alguém parecia como se um outro pedaço do meu eu individual se acomodasse em seu lugar. As peças eram irregulares e nem sempre familiares, mas elas estavam lá e, porra, isso era alguma coisa.
Realmente, o tamanho da lista era um pouco ridículo. Só porque eu não conseguia me lembrar de muitas das minhas imprudências não significava que eu nunca soube sobre elas. Como eu disse, Forks era uma cidade pequena. Alguma vez sentindo-se estranho como merda? Vá até uma completa estranha e diga que está arrependido por ter roubado seu dinheiro depois que você a fodeu, mas só foi capaz de reconhecer seu cabelo. Então a chame de algo como, "Pantene Pro-V, brilhante, morena com irritante rabo de cavalo." Eu tinha mais dessas interações do que eu pensava ser possível.
Suspirei quando cheguei ao final da lista. Cada outro nome tinha sido riscado, mas este... este era especial para mim. Ele voltava para as raízes dessa bifurcação na estrada. Eu não posso dizer exatamente onde tudo começou, é claro. Poucos poderiam explicar o que os colocou em um caminho destrutivo porque eles estavam muito ocupados tomando o caminho para parar, olhar para trás e até mesmo considerá-lo.
Eu tive uma infância privilegiada: ótimos pais, irmã incrível, cargas de amigos e um bom sistema de apoio. Carlisle uma vez pensou que eu tinha uma personalidade que causa dependência. Talvez seja verdade, e não havia como parar isso – eu fodidamente não sabia.
Mas eu sei quando isso tudo foi por água abaixo e a última pessoa na minha lista sofreu por isso.
Eu sofri por isso.
Todo mundo sofreu por isso.
Esse evento pode ter me empurrado em qualquer direção polar. Se eu tivesse sido uma pessoa melhor, tivesse sido um homem melhor, eu poderia ter usado essa experiência para ficar sóbrio sozinho então. Isso foi o que muitas experiências sóbrias significavam fazer. Mas isso não aconteceu. Empurrei-me mais por esse outro caminho mais escuro porque era onde eu estava convencido de que eu pertencia - entre os monstros do mundo.
Era um instinto com o qual eu ainda lutava, até hoje.
Com um bufar, tampei a caneta e fechei a porta. Isso era algo que provavelmente nunca seria riscado da minha lista, no entanto, e por boas razões. A filha do chefe Swan tinha se mudado para Jacksonville após aquele dia e, durante os últimos 12 anos, ele se recusou a desembolsar qualquer tipo de informações de contato.
"Ela só quer seguir em frente." Ele disse uma vez. "E você vai deixá-la".
Depois de tanto tempo, eu já tinha desistido. Aceitei o que eu não podia mudar. Isabella Swan estava, provavelmente, vivendo a sua vida, casada, com filhos, ou algo assim, e perfeitamente feliz. Acreditar nisso me fez feliz, e assim eu deixei ir.
Mas ela nunca seria riscada da minha lista e, mesmo naquele momento, enquanto eu estava sob o chuveiro e senti uma sensação de realização por ter riscado o anterior ao último nome rabiscado na porta do meu armário, o dela sempre permaneceria lá - um lembrete daquela parte de mim que eu nunca poderia reclamar.
"Por que você não para de ser tão orgulhoso?" Esme perguntou, fazendo beicinho para mim suavemente sobre o balcão do café da manhã enquanto eu bebia avidamente um copo de suco de laranja.
Revirei meus olhos. "Não é orgulho." Eu prometi, enfiando uma colherada de cereais em minha boca.
"Não quer dizer que ele estaria colocando alguma pressão sobre você, mas ele confia em você com a posição." Ela insistiu, os olhos com esperança.
"Veja." Comecei, apontando a colher para sua carranca dramática. "Você acha que eu acho que vocês dois não confiam em mim, mas não é sobre isso." Eu já sabia que eles não confiavam em mim. "Encontrar um emprego significa mais para mim quando eu faço isso sozinho. E eu vou," eu acrescentei, "fazer isso sozinho".
Ela pigarreou e girou sobre seus calcanhares, parando na porta quando o telefone tocou. Ela pegou e deu uma falsa encarada em mim quando ela atendeu.
Eu apenas sorri. Carlisle sabia melhor do que importunar-me sobre o trabalho no hospital. Ele sabia que, às vezes, um homem simplesmente precisava ter essa paz de espírito. Esme, no entanto, não era tão facilmente dissuadida.
"O quê?" A voz chocada de Esme chamou minha atenção. Sua mão voou para o seu peito e ela parou, o telefone na sua orelha, o rosto pálido quando ela engasgou. "Oh, Carlisle – isso – isso é tão horrível!"
"O quê?" Eu perguntei, vendo seus olhos brilharem com lágrimas. Foi como levar um murro no estômago. Eu odiava ver Esme chorar. Mesmo nos meus piores momentos, isso secretamente me atingia. Eu não poderia lidar com um período de mulher chorando, mas quando era a minha própria mãe, era como... maldição. Simplesmente me esfaqueie no peito, por que não?
Ela colocou a mão sobre o receptor e sussurrou-me, "Chefe Swan morreu na noite passada".
Meu suco de laranja prendeu na minha garganta quando eu engoli, vendo-a chorar ao telefone. Escutei quando ela encomendou arranjos florais para o serviço funerário que seria realizado na tarde seguinte, meu cereal de marshmallows balançando morbidamente na minha tigela de leite abandonada.
Eu me senti mal.
Meus pais tinham ficado de certa forma próximos do Chefe após o incidente na escola com a sua filha. Eles sentiam-se responsáveis, uma vez que eles eram responsáveis por mim, e tinham feito um ponto para se manterem em contato próximo com ele depois que ela foi embora. Eu me ressenti com eles por isso durante um longo tempo porque eu nunca poderia chegar longe o suficiente daquele erro. Estava sempre ali, olhando para mim através dos rostos da minha família – um relampejar em seus olhos, ou um aperto em seus lábios.
Mas eu acho que fiquei um pouco mais próximo do Chefe também. Não de uma forma amigável, amiguinhos – tipo de uma forma como companheiros. Ele nunca teria sequer permitido que eu passasse através da sua porta. Mas houve aqueles dias em que eu estaria sóbrio o suficiente para elaborar uma carta para a sua filha na esperança de que ele a entregasse para ela, desesperado para que ela, pelo menos, soubesse que eu estava arrependido. Eu acamparia na frente da sua casa e esperaria por ele sair, geralmente armado.
Eu praticamente imploraria e rastejaria aos seus pés por uns dez minutos até que eu desistiria e fosse embora, deixando a carta em seus degraus. Eu então encontraria o bar mais próximo e chafurdaria pesadamente na minha culpa entre os monstros que me rodeavam, onde eu pertencia. Essas passagens foram sempre muito ruins.
Chefe Swan me encontrou em seus degraus em uma sexta-feira à noite - provavelmente todo grogue e desgrenhado, eu nem mesmo sei o que eu parecia, mas deve ter sido muito ruim porque ele disse para mim, "Filho, eu não sei por quê eu ainda me incomodo em trazer a minha arma aqui. Você já está fazendo um trabalho muito bom de matar-se sozinho por nós dois." Então ele bateu a porta na minha cara.
Ele estava certo sobre isso.
Ele estava certo sobre um monte de coisas.
"Você acredita em sinais?" Perguntei a Carlisle na tarde seguinte enquanto comíamos um lanche rápido, encerrando o nosso dia. O meu tinha sido gasto em um pouco de um estupor enquanto eu acompanhava a minha perspectiva final de trabalho em Forks. Eu já tinha esgotado todas as outras. Felizmente para mim, Mike Newton não tinha uma esposa. O que ele tinha era uma loja de artigos esportivos que precisava de uma pessoa para arrumar o estoque.
"Sinais? Como uma intervenção divina?" Ele esclareceu, dando uma mordida em seu sanduíche.
Eu balancei a cabeça, pensando alto, "Eu estava acabando de pensar sobre o Chefe Swan na manhã de ontem e como eu nunca conseguiria riscar o nome da sua filha da minha lista. Então - bem, talvez pudesse ser um sinal. Ela veio para o funeral, certo?" Eu olhei para ele, esperançoso e ansioso como o diabo. Era uma coisa escrever cartas e outra ficar cara a cara com ela.
Carlisle franziu a testa pensativamente. "É claro que ela veio para o funeral, mas, Edward, eu realmente não acho que é a hora e lugar para você-"
"Oh, não." Eu interrompi. "Eu entendo isso. Eu forçaria a passagem sobre ela, ou algo assim. Talvez ela vá ficar na cidade por um dia ou mais." Eu ponderei.
Ele simplesmente cantarolou em resposta, mas eu poderia detectar a tensão em torno dos seus olhos quando ele evitava o meu olhar. Eu conhecia o meu próprio pai bem o suficiente para perceber quando ele estava escondendo algo.
"Não me pergunte." Eu implorei com um suspiro. "Você sabe o que isso significa para mim".
Finalmente encontrando o meu olhar, ele colocou a palma da mão na sua bochecha, avaliando-me. "Você sabe como sua irmã fofoca, então isso é informação que eu levaria com um cuidado extra." Eu balancei a cabeça. Inclinando-se, Carlisle informou, "Dizem que ela se recusa a vender sua casa. Alguns arriscam que ela planeja se mudar, mas..." Ele deixou suas palavras permearem o ar com a incerteza.
Meu estômago já estava em nós.
"Cuidado extra." Ele advertiu, retornando para a sua refeição e fitando-me com severidade. "Mesmo que ela se mude, isso não significa que seria uma boa idéia. Lembra-se? Fazer reparações diretas a tais pessoas sempre que possível-"
"- exceto quando fazê-lo signifique prejudicá-las, ou a outrem. Eu entendi." Eu terminei fazendo uma carranca para o meu prato.
"Um dia de cada vez." Ele lembrou, limpando sua boca e rapidamente mudando de assunto. "Como foi lá no Newton?"
Eu aspirei um suspiro duro e levantei minha cabeça, listando, "Aplicação? Feito. Registro de Direção? Feito. Conversas estranhas com pessoas que me odeiam? Feito, feito e feito." Ignorei a sua expressão descaradamente de desaprovação. Não era que eu estivesse sendo pessimista, era apenas isso - Newton simplesmente conhecia uma versão diferente de mim. Eu não podia culpá-lo. "Eu não acho que vou esperar pelo telefonema, se você sabe o que quero dizer." Então foi a minha vez de mudar de assunto. "Jasper disse que viria para o jantar de domingo".
Como esperado, Carlisle foi facilmente distraído, e ele sorriu. "Isso é bom. Você sabe como Esme se preocupa com ele." Ele estava aliviado, então eu percebi que minha mãe tinha estado fixada sobre Jasper desde a última vez que ele tinha sido convidado para o jantar.
Ele era, segundo ela, "muito magro".
Deus me livre!
Nota da Tradutora:
Bem, aqui está o segundo cap. dessa fic... Edward agora em recuperação e um salto de 12 anos no tempo... e a triste notícia de que Charlie morreu, ou seja, Bella voltando para Forks... o que vc's acham que acontecerá?
Um esclarecimento sobre o cap. anterior, tem uma parte em que está escrito "Eduardo", não Edward. Isso não foi erro meu! Naquela parte James estava "zombando" de Edward falando em espanhol com ele, por isso ficou como Eduardo! Mesmo em inglês está assim, então não me crucifiquem achando que foi um erro.
Tem outra fic dessa mesma autora sendo traduzida pela Irene e a Lary, que já traduzem Wide Awake também, vale a pena ler as duas! Os links delas são:
Secando as Samambaias: http:/ www. fanfiction. net/ s/ 6653098/ 1/ Secando_as_Samambaias_by_AngstGoddess003 (retirar os espaços)
Wide Awake: http:/ www. fanfiction. net/ s/ 6567008/ 1/ Wide_Awake (retirar os espaços)
Deixem reviews!
Bjs,
Ju
