Autora: Aislyn Rockbell Matsumoto
Título: Rock's heart
Categoria: Bandas
Fandom: The GazettE
Participação especial: Ainda é segredo...
Casais: Aoi x Uruha (principal)
Gênero: Romance, yaoi, colegial, AU
Classificação: Livre
Sinopse: O que fazer quando se descobre o amor por alguém que nem sabe que você existe?
Direitos autorais: O Aoi-kun é meu! *mostra documento com assinatura falsificada*
[Myv's POV]
Nunca pensei que o cabelo dessa cor chamaria mais a atenção do que verde. As garotas faltaram babar em cima de mim! Dando gritinhos e lançando sorrisos bobos em minha direção. O ano prometia! Com certeza conseguiria sair com várias delas. Algumas estavam ali apenas por curiosidade, mas não deixava de aumentar meu ego.
Com muita dificuldade, desvencilhei-me da multidão e fui para a sala. Reita disse que guardaria um lugar pra mim. Esse ano o Aoi não estaria na nossa turma, deveria ter passado cola pra ele, mas agora não adiantava reclamar. Ele com certeza estaria muito irritado!
Perdido em pensamentos, consegui chegar à sala e só fui me ligar do que acontecia à minha volta quando chegou a terceira aula. A professora de biologia levou a sala para o laboratório e explicou no percurso que íamos dissecar sapos!
Muito maneiro! Abrir o bichinho, mexer nos órgãos dele e depois usar pra assustar as garotas que eu não me interessar. Fomos separados em grupos de cinco alunos. Devíamos dissecar e analisar os órgãos, fazer um relatório e outras coisas que não prestei atenção.
_ Dr. Akira, me passe o bisturi! – hora de brincar de médico, pensei estendendo a mão para meu amigo colocar o que pedi. Os outros alunos do grupo, duas garotas e outro rapaz riram do que falei.
_ Sinto muito, mas eles são os médicos que vão te ajudar. – sentou em frente aos papéis para fazer o relatório e indicou os outros alunos com a cabeça – Eu tenho pavor a sangue, tente não fazer muita bagunça.
Merda! Esqueci esse pequeno detalhe. Final do ano passado, ele quase surtou quando caí de skate e tive que levar alguns pontos na testa. Teria que brincar sozinho.
Enquanto o loiro escrevia, nós começamos a dissecar. Abrimos, analisamos, identificamos órgãos e passamos informações pro Reita anotar. Era nojento, mas divertido. Infelizmente, tive que parar a "operação" quando uma das garotas desviou minha atenção.
_ Akira? – ela chamou baixinho, mas preocupação estampada na voz.
Ele estava pálido. Extremamente branco. Cabeça baixa e apoiada na mão. Aproximei enquanto tirava a luva e segurei seus ombros.
_ Tontura? – perguntei enquanto o levantava.
Ele acenou afirmativamente, mal tendo forças para se manter em pé. O corpo começou a tremer um pouco e achei que ele desmaiaria a qualquer momento. Apoiei seu braço em meu ombro e o segurei pela cintura. O senhor machão não ia gostar de desmaiar na frente da classe toda.
_ Professora? – esperei a mulher virar o rosto em minha direção – Vou levar Akira para a enfermaria.
E sem esperar autorização o arrastei para fora da classe.
_ Eu estou parecendo uma garotinha – apesar de pálido ele ruborizou levemente.
Apenas sorri, dando-lhe apoio para andar.
[Kai's POV]
Finalmente as coisas estavam melhorando. Esperar foi angustiante, mas acabou dando certo e alguém me encontrou. O loiro era um pouco excêntrico, contudo me parecia uma boa pessoa.
_ Você é novato, certo? – ele arqueou a sobrancelha, tentando manter uma conversa amigável entre nós.
_ Sim, na cidade e na escola... – desanimei novamente e tomado por um impulso desabafei de uma vez – Me perdi três vezes vindo pra cá, andei quase um quilômetro por ter pego a rua errada. E quando consigo chegar, não encontro a secretaria ou algum professor pra perguntar onde é minha sala. Nem placas de informação têm aqui! Em que mundo a secretaria não fica na entrada? – falei tudo muito rápido e acabei sem fôlego.
O loiro me olhou assustado. Tenho certeza que falei muito rápido e ele não entendeu nada, mas logo suas risadas explodiram a minha volta. Ele pousou a mão em meu ombro e indicou um banco com a cabeça. Assim que sentamos, ele começou a explicar calmamente.
_ Vamos pelo começo: bem vindo! – e me estendeu a mão, que apertei prontamente – Eu sou Takashima Kouyou, faço o terceiro ano e me mudei pra cá no meio do ano passado. A cidade é grande, mas você aprende a andar rápido. O colégio fornece transporte gratuito, você só precisa descobrir um ponto de ônibus perto da sua casa. – informação útil, veria isso o mais rápido possível – A secretaria, direção e sala dos professores ficam na parte da frente, sim. – ele parou e riu, de mim com certeza – Esse aqui é o prédio dos fundos, para os alunos do ensino médio, apesar de ter um portão de acesso, a entrada principal é do outro lado.
Eu mereço! Queria ter uma pá para cavar um buraco e esconder a cabeça dentro. Eu acordei mesmo com o pé esquerdo! Devia ter voltado pra casa quando pude.
_ Vamos voltar a andar agora, que as aulas começam em cinco minutos. – confirmou olhando no relógio – Qual sua série?
_ Segundo ano. – respondi prontamente – A propósito, sou Uke Yutaka.
_ Ah, que graça! Você tem covinhas! – e apertou minhas bochechas – Prazer conhecê-lo. – Aqui, chegamos! – e apontou para uma porta logo à frente – Minha sala é a segunda do corredor à frente. Eu passo aqui na hora do intervalo pra gente lanchar junto.
_ Obrigado Kouyou! – sorri pra ele, finalmente feliz por não estar mais perdido.
_ Disponha. – ele também sorriu me dando as costas – E me chame de Uruha! – acenou acima da cabeça.
_ Kai! – gritei esperando que ele entendesse que era meu apelido.
[Ruki's POV]
Eu sempre tive problemas em acordar cedo, e se não fosse pela minha mãe tentando derrubar a porta do quarto, me chamando pra ir pro colégio, eu teria ficado na cama até tarde.
Ela ficou me gritando por quase meia hora, até que decidi me levantar e abrir a porta. Depois ela ficou parada no batente esperando que eu decidisse o que vestir. Ela veio com aquela história de novo, que era frescura minha me arrumar tanto e que eu estava ficando lerdo, mas não podia sair sem me arrumar. Depois de vestir a camisa de uniforme, uma calça jeans justa, uma jaqueta também jeans, sem mangas e cheia de acessórios decidi que estava pronto
Enquanto tomávamos o café, conseguimos manter uma conversa normal. Ela tinha mudanças drásticas de humor, o que a tornava de amável para assustadora em um piscar de olhos.
Dei-lhe um beijo no rosto, peguei minha mochila e saí para o colégio. Cheguei bastante animado, pois finalmente iria para o ensino médio. Eu e minha mãe havíamos feito uma aposta dois anos atrás, ela dizia que eu não conseguiria, e eu me esforcei apenas para ganhar a aposta, já que eu tinha certeza que pararia antes. No final do dia cobraria o presente!
Inglês, história e agora literatura. Não tinha um horário mais estressante para uma segunda-feira? Ainda mais sendo o primeiro dia letivo do ano! Só me faltava ter geografia e educação física após o recreio... Era melhor calar antes que acontecesse.
As aulas seguiram de forma chata e monótona. Ou quase isso. Um garoto moreninho me acertou na cabeça com uma bolinha de papel no final do segundo horário. Disse que gostou do meu visual e que não conhecia quase ninguém. Após algumas trocas dolorosas de bolinhas, e alguns alvos errados, nós acabamos virando amigos.
Estava distraído respondendo mais um recado quando meu raciocínio foi cortado por alguém que me chamava com voz dura.
_ Takanori? – já devia ser a terceira ou quarta vez que a professora me chamava – Continue a leitura – mandou quando finalmente a encarei.
Leitura? Praguejei baixinho. Eu não estava seguindo o texto e nem prestando atenção e ela sabia disso. Que tipo de professora passa lição no primeiro dia? Olhei desesperado para os lados, tentando ver em que página estava, folheei rápido o livro sobre minha carteira, ainda sem saber que rumo tomar. A essa altura todos me encaravam com sorrisinhos divertidos, esperando que eu levasse bronca.
Quando a professora começou a andar lentamente na minha direção, batendo contra o chão o solado amadeirado de seu sapato e com uma expressão furiosa no rosto, outra bolinha de papel acertou minha cabeça.
Droga! Isso não era hora de ferrar mais ainda com minha vida!
Estranhamente, a bolinha fez a professora desviar a cabeça para o outro lado, querendo descobrir quem tinha jogado em mim. Aproveitei aquela oportunidade e olhei para meu novo colega que me indicou onde haviam parado.
Como ele conseguia acompanhar a leitura e conversar comigo ao mesmo tempo eu não sabia.
Quando a megera não conseguiu culpar alguém pela brincadeira, voltou seu olhar para mim. Eu tremi um pouco e comecei a ler, vendo feliz a sua carranca diminuir.
Suspirei aliviado. Essa foi por pouco!
