Lição de Sedução
Capítulo 2
Kagome respirou fundo, puxando com força o zíper da calça jeans. Se não abandonasse as batatas fritas, teria que acrescentas uma aula de pilates ao tempo que passava na academia. O problema do plantão noturno era o tempo ocioso. Uma vez encaminhando para suas camas os bêbados e os drogados, não havia muito que fazer. Pouco acontecia. Infelizmente, uma mulher nessa situação acabava consumindo mais carboidratos e pensando demais em tudo que estava errado em sua vida.
O fato de ser uma policial não significava que não desejasse as mesmas coisas que todas as mulheres de sua idade buscavam: um lar, filhos adoráveis, um cachorro... Um marido também seria bom, mas como encontrar m candidato adequado, se não conseguia conserva o namorado depois da primeira experiência entre os lençóis?
Não havia uma frase de rompimento que ela já não houvesse escutado, desde as mais comuns, como não é você, sou eu, até as mais criativas, como só tenho quatro meses de vida. Chegara a acreditar nessa última, até encontrar o canalha um ano mais tarde perfeitamente saudável e feliz ao lado da noiva. Há duas semanas, o sr. Não-Tão-Maravilhoso-Afinal a atingira com um golpe que ela não havia antecipado quando, com toda rudeza, anunciara que ela era tão excitante na cama quanto um livro de poesias.
Normalmente essa frase não a teria atingido se já não a houvesse escutado essa mesma queixa antes. Duas vezes.
Antes de os lençóis esfriarem, chegara à conclusão de que tinha alguma séria nesse campo. Talvez fosse uma questão genética. Por mais que lutasse contra qualquer possibilidade de ser parecida com a mãe, de repente percebia que estava perigosamente perto de levar adiante a tradição da família. Como se perder homens fosse uma receita de família sigilosa passada de geração em geração.
Devia ser alguma coisa relacionada com o DNA da família, por que uma vez na horizontal, uma Higurashi deixava de produzir feromônios. Qualquer coisa que fosse o caso, tinha de fazer alguma coisa a respeito dessa lamentável situação, ou acabaria exatamente como a mãe, usada, amarga e morta antes do tempo por ter levado para a casa o homem errado.
Suspirando, ela removeu os grampos dos cabelos e massageou o couro cabeludo com a ponta dos dedos. Sesshoumaru dizia que ela não aperfeiçoaria sua técnica sexual lendo alguns livros ou artigos de revistas. Concordava com ele.
E o que esperava de Sesshoumaru não era nenhum absurdo, ela pensou enquanto escovava os cabelos. Não conseguia entender por que ele reagira tão intensamente á idéia. De acordo com os rumores que corriam pelo vestiário feminino, o homem era praticamente uma lenda na cama, e isso o qualificava como a solução perfeita para o seu problema. Só precisava induzi-lo à mesma conclusão.
Apesar do calor, ela decidiu deixar os cabelos soltos, depois calçou os tênis e os amarrou. Com um batalhão cheio de homens solteiros e disponíveis, sabia que encontraria vários dispostos a atendê-la... Se tivesse coragem de pedir. Mas, em sua opinião, só um seria adequado, e esse homem era aquele que recebia um salário para trabalhar a seu lado todas as noites. Embora Sesshoumaru fosse dono de uma aparência espetacular, não se sentia atraída por ele. Não desse jeito. Melhor assim, porque não corria o risco de sair da experiência com o coração partido. Ele era um de seus melhores amigos, seu parceiro. Confiaria a própria vida a ele. Afinal, era isso que fazia todas as noites, quando saíam para trabalhar.
Kagome pegou a bolsa e a valise e fechou a porta do armário de metal. De todas as pessoas com quem se relacionava, Sesshoumaru era o que melhor conhecia sua determinação. Sabia que, quando se dispunha a fazer alguma coisa, não desistia antes de atingir a meta. Ele costumava ser um homem esperto. Devia simplesmente aceitar seu pedido e poupar-se de futuros aborrecimentos.
Quando saiu do vestiário, ela o encontrou esperando no corredor. O uniforme dera lugar a uma caça jeans escura e uma camiseta justa que revelava bíceps perfeitos.
As mulheres do departamento sempre comentavam sobre a beleza clássica de Sesshoumaru e a intensidade de seus olhos cor de âmbar. Com alguns centímetros além de um metro e oitenta de altura, porte atlético e um sorriso quase arrogante, não era de admirar que virasse cabeças por ali. Com ou sem uniforme, ele era a imagem da perfeição masculina. Considerando a repentina aceleração de seus batimentos cardíacos, ela não era uma exceção à regra.
- Já mudou de idéia? – Kagome perguntou com um silêncio cintilante que encobria o nervosismo.
- Não conte com isso – ele respondeu.
- Como quiser. – Em vez de ir para o estacionamento do prédio, ela começou a caminhar em direção oposta, para a sala da central. Estava determinada a pôr em prática a Fase II de O Plano, e então Sesshoumaru acreditaria que estava falando sério.
Ele a seguiu.
- Quer alguma coisa? – ela perguntou com falsa indiferença, olhando em sua direção.
- Você ia me deixar em casa, lembra?
- Oh, sim. É claro. – Como se pudesse esquecer que bancava a motorista há dois dias, desde que a picape do parceiro fora para oficina. – Não se preocupe, isso não vai demorar.
Ao se aproximar da mesa, Kagome manteve a farsa da mulher confiante.
- Ei, comandante, viu o detetive Naraku por ai?
O homem de cinqüenta e poucos anos ergueu os olhos da papelada espalhada sobre sua mesa. Havia uma certa impaciência em seu olhar.
- Qual é o problema agora? Por acaso tenho jeito ou aparência de secretária particular? Vá verificar o quadro, Higurashi!
- Sim senhor. Lamento tê-lo incomodado - ela se desculpou com tom alegre antes de se dirigir ao quadro dos detetives perto da saída dos fundos do edifício.
Um alfinete vermelho inserido ao lado do nome de Naraku na coluna denominada plantão indicava que o policial e vice-comandante estava no prédio. Esperava que Sesshoumaru mordesse a isca, porque não tinha idéia sobre que besteira diria a Naraku, caso Sesshoumaru a desafiasse a seguir em frente. Alguma coisa naquele sujeito a incomodava, mas a severa antipatia de Sesshoumaru pelo detetive fazia dele a isca perfeita.
Ela se virou para a escada que conduziria à área dos detetives e quase tropeçou em Sesshoumaru. Ele a impedia de passar, parado com as pernas afastadas e os braços cruzados sobre o peito largo e musculoso. Kagome sentiu o coração bater forte novamente.
Nervosismo. Definitivamente, era um caso de nervosismo, não de atração sexual.
- O que pensa que está fazendo? – ele perguntou em voz baixa. Melhor assim, não queria atrair uma multidão.
Se a expressão carrancuda e sombria servia de indicação, tinha uma habilidade muito maior para a manipulação do que jamais percebera. Ele parecia inclinado a esganá-la.
Kagome suspirou com falsa impaciência.
- O que acha que estou fazendo?
- Está se preparando para cometer uma tremenda idiotisse.
- O problema é meu, não? E agora, se me der licença... – Ela tentou passar por ele.
Sesshoumaru acompanhou seu movimento.
- Naraku fala demais, Kagome. As notícias correm por aqui. Quer atrair esse tipo de atenção?
Mais uma razão para escolher Naraku como o ás na manga, ou no sutiã, em seu caso. Ele era perfeito para pressionar Sesshoumaru e convencê-lo a ajudá-la.
- Pense nisso como uma boa publicidade – ela provocou.
Depois desviou dele e seguiu em frente. Havia percorrido um terço da escada quando dedos fortes agarraram seu braço, detendo-a.
Muito obrigada, Deus.
Ela produziu um olhar severo, como se quisesse preveni-lo sobre as possíveis conseqüências de sua insistência, depois olhou para a mão que segurava seu braço.
- A menos que tenha mudado de idéia, sugiro que tire a mão de mim. – Agora.
Como o perfeito cavalheiro que era, Sesshoumaru a segurou com mais força.
- Não vai fazer isso.
- Quer apostar? – Kagome tentou libertar-se, mas a mão firme a impedia de terminar de subir a escada.
- Agora chega – ele decretou com um tom estranho que fez seu estômago dar um pequeno salto. Puxando-a sem nenhuma gentileza, ele a fez descer a escada. – Vamos sair daqui.
Deixando-se arrastar, ela cedeu ao impulso de sorrir enquanto atrás dele, caminhando para a saída, pensando se não seria melhor fingir uma certa oposição. Pelo menos elevaria o grande interesse de Sesshoumaru. Todos os livros que lera apregoavam o benefício de ser difícil de conquistar. O problema era que não estava tentando conquistar Sesshoumaru. Queria com ele apenas uma... Uma experiência elucidativa.
Quando passaram pela pesada porta de metal dos fundos do edifício, o sol já brilhava forte do lado de fora. Kagome pegou as chaves do carro e os óculos escuros na sua bolsa. Alguns minutos após as noves da manhã, a temperatura de agosto já se encaminhava para um novo recorde.
Nunca fora grande apreciadora do verão, e agora que usava uniforme, o pavor da estação tornara-se maior. Quanto mais elevada a temperatura menor o controle emocional. Acrescente ao cenário uma lua cheia, e os chamados de violência doméstica triplicavam, especialmente nos finais de semana. E havia muitas outras causas para acionar a policia.
Falando em controle emocional...
- Não sabia que era dado a esse tipo de violência, mas ultimamente você tem me surpreendido – ela disse, notando que ele a levava na direção de seu carro. – Deixou inconsciente mais um suspeito.
Sesshoumaru nem se deu ao trabalho de responder. Kagome odiava pensar que ele podia estar correndo o risco de sofrer um esgotamento, mas estava nessa profissão há tempo suficiente para saber que o quadro era comum entre os oficiais.
Eram pagos para proteger e servir a uma sociedade que os via com variáveis graus de desprezo, como se fossem os inimigos, tornando mais precária aquela fina linha entre a compaixão e o distanciamento sobre o qual caminhavam. Numa análise geral, até os melhores policiais cometiam enganos. Quando seu parceiro errava duas vezes num período de poucas semanas, tinha o direito de questioná-lo.
Finalmente ele parou. Estavam ao lado do carro de Kagome.
- Eu dirijo. – Sesshoumaru a soltou e estendeu a mão para pedir as chaves.
- De jeito nenhum, parceiro. – levara meses para economizar o dinheiro necessário para a entrada do automóvel. – Ainda nem paguei a primeira prestação.
- As chaves, Kagome.
- Se está pensando em embarcar numa viagem pela terra dos machos, esqueça. Desde quando não pode ser visto no banco do passageiro com uma mulher no volante? – Normalmente dividiam o tempo ao volante durante os plantões, mesmo na época das chuvas, quando a maioria dos oficiais homens insistia em dirigir.
Ele se inclinou em sua direção, e Kagome sentiu um calor súbito e incômodo. Devia ser o asfalto sob seus pés.
- Nesse exato momento, sinto-me dominado por um forte impulso de segurar alguma coisa e apertar. Seu pescoço... ou o volante. A escolha é sua.
Havia duas coisas que ela sabia com certeza absoluta: a vida não oferece garantias nem manual de instruções, e Sesshoumaru Taisho jamais seria capaz de agredi-la.
- Um arranhão, Sesshoumaru, e seu traseiro terá de ir para a funilaria com o carro.
- Não devia usar esse vocabulário chulo.
Sesshoumaru sentou-se ao volante, girou a chave na ignição, e o motor do precioso Ford GT roncou poderoso.
- Prepare-se para um passeio inesquecível, nenê...
Oh, agora ele estava falando como um homem de verdade...
Infelizmente, sabia que ele não se referia ao passeio que começava com beijos lentos e molhados e terminava com corpo dele sobre o dela. Ainda não.
Ela afivelou o cinto de segurança.
- Prefiro que não me chame desse jeito – disse. Em algumas ocasiões ele a chamava de meu bem, e era quase como um carinho, uma demonstração de afeto. Mas naquele momento, a expressão soava ofensiva. – Você só tem vinte e oito anos, e eu não sou nenhuma, criança.
Ele se virou para encará-la, e foi como se seu coração parasse de bater. Algo indefinível e intenso brilhava em seus olhos. Emprestando ao âmbar um tom fascinante. Vasto, profundo e perigosamente imprevisível.
- Eu sei.
O tom baixo e rouco provocou um arrepio que ela não conseguiu conter. Sesshoumaru deixou os olhos deslizarem por seu corpo com ousadia, e seus seios se tornaram rígidos sob o sutiã de algodão. Sentia a calcinha úmida antes mesmo de ele tocar o zíper de sua calça jeans.
Erguendo os olhos, ele a fitou de maneira penetrante, quase insolente, e murmurou:
- E é esse o meu problema...
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Obrigada a todos que estão acompanhando a fic.
É mt importante para continuar postando.
Kissus.
