Confiança e proximidade
Viajamos juntos para nos reunir com a equipe, estava incrédulo com a rapidez com que convencera Emily a ir comigo. Era inacreditável, levando em consideração quanto tempo levei para aceitá-la na equipe. Na realidade acabava de me dar conta de que conhecia bastante bem Emily Prentiss para confiar nela, o que não queria dizer que soubesse muita coisa de sua vida, já que isto ainda era um mistério, mas sabia o mais importante: era inteligente, trabalhadora, leal, capaz de se demitir para não se tornar uma delatora, de partir sem dar informações a Strauss. Emily não corrompia seus princípios.
No caminho passei toda a informação que tinha sobre o caso, não era muita coisa, mas não queria que chegássemos sem saber nada. Depois nos sobrou tempo livre, para conversar sossegadamente sobre qualquer coisa, e se ela fora capaz de me contar a verdade sobre o que Strauss lhe pediu, sentia-me obrigado a corresponder sua confiança.
- Estou precisando conversar sobre algo... – Perguntei quebrando o silencio.
- Claro, Hotch. Está bem?
- Sim, é só que...
- É algo pessoal? – Perguntou como se tivesse lido minha mente.
- Sim.
- Tem certeza de que quer falar comigo?
- Deixei minha esposa, Emily.
Ela se surpreendeu por minha confissão, eu me surpreendi por chamaá-la pelo nome... Ela não sabia por que lhe contava isto, nem eu tampouco, simplesmente tinha decidido confiar nela sem considerar o porquê. Chamá-la de "Emily" era algo que nunca fizera antes, as circunstâncias nunca permitiram esta proximidade a nenhum de nós, era incomum.
- Por quê?
- Porque não estava funcionando, não quero estar com alguém que me faz sentir culpado pelo que faço. – Respondi com sinceridade. – Não quero ter que escolher todos os dias ente ela e meu trabalho.
- E está bem com isto?
- Não sei... – Não tinha parado para pensar nisto, não sabia se estava bem ou se fora uma boa decisão, até ela perguntar. – Não tinha pensado nas consequências, só o fiz e pode ser que seja um imbecil, mas...
- Ei, - ela me deteve e olhou fixamente. – vamos esclarecer algo, sei que não te conheço muito, mas sei o suficiente para te dizer que não é um imbecil, Aaron Hotchner. Se voltar a repetir isto terá problemas comigo. Não é um imbecil, é um bom homem.
- Obrigado por isto. – Sorri.
- O que pensa em fazer agora?
- Realmente não sei o que farei quando voltarmos.
- Pode ficar na minha casa, se quiser. – Imediatamente corou. – Digo, é uma opção, tenho um quarto para hospédes e você precisa de ajuda... Bem, a equipe ainda não sabe de nada, foi apenas uma ideia.
- Obrigada, Prentiss, faria um enorme favor com isto. – Respondi sem saber se era boa ideia aceitar – Seriam somente alguns dias, mas tiraria um peso de cima de mim.
- Não há de que. – Ela respondeu sem recuperar sua cor normal.
Quando chegamos a nosso destino não voltamos a tocar no assunto, reunimo-nos com a equipe que mostrou alegria imediata ao nos ver, precisavam de ajuda e duas cabeças a mais para pensar era ótimo; se Strauss queria nos matar era algo que resolveríamos depois, no momento tínhamos um assassino para prender.
As coisas saíram mais ou menos bem, prendemos o suspeito ainda que Emily tenha saído machucada, mas marcamos um ponto diante de Strauss. Tínhamos que permanecer na equipe, era o único modo das coisas funcionarem agora que Gideon estava desaparecido. Voltaríamos com a equipe. Ainda que todo o resto não estivesse bem, ainda tinha meu trabalho.
Voltamos a DC muito mais tranquilos, estar todos juntos sempre era mais reconfortante do que trabalhar separados, além disto Strauss estava calada e frustrada de como as coisas tinham saído, certamente detestava que eu estivesse ali trabalhando e fazendo as coisas funcionarem. Sentei junto de Emily.
- Como se sente? – Perguntei apontando o ferimento.
- Estou bem, um pouco de dor de cabeça, mas nada sério. - Tentou sorrir. – E você?
- Bem, melhor por estar de volta.
- A oferta ainda está de pé, - Lembrou. – sempre que precisar.
- Obrigado, definitivamente aceito. – Sorri quase inconscientemente.
Depois de passar na UAC, fazer a papelada e arrumar tudo que precisávamos para encerrar o caso, ainda com as malas na mão fui a casa de Emily, sentia-me estranho com isto, mas não tinha falado com ninguém na equipe sobre o que tinha feito. Além disto, para estes assuntos costumava conversar com Gideon, com estes temas era reservado com a equipe, tinha que confiar nela agora.
Ela se surpreendeu que aceitasse sua oferta, era seu chefe e não era exatamente o que se esperava de um chefe, nem sequer tinha certeza de que éramos amigos. Este apoio incondicional dela demonstrava que a porta estava aberta para que nos déssemos bem, para que confiássemos um no outro.
Entrei no quarto de hóspedes e percebi que o lugar era todo como ela, ainda que talvez ela não soubesse, simplesmente o quarto era totalmente adequado para Emily.
- Muito obrigado por isto, Emily. Prometo que não será por muito tempo e que encontrarei um modo de te agradecer.
- Não se preocupe com isto, pode ficar o tempo que quiser. – Respondeu. – Quando as coisas não estão bem sempre é bom um amigo para te apoiar, não?
- Sim, obrigado.
Não sabia o que iria acontecer, minha vida tinha se desfeito por completo, era minha culpa, mas definitivamente as coisas iriam melhorar. As mulheres incríveis, inteligentes e atraentes, as mulheres como Emily Prentiss, não ajudam alguém que não mereça. As mulheres assim predizem algo bom para o futuro. E eu sentia que o futuro podia ser melhor e mais brilhante que nunca.
Continua.
