Oi gente! Aqui está o prólogo para vocês sentirem como serão as coisas na história.
Prólogo
"Ela vai morrer".
Foi o que os médicos disseram quando chegou ao recém-inaugurado centro de emergência do hospital da cidadezinha. Mesmo com essa certeza, eles desinfetaram seus ferimentos, aplicaram-lhe curativos e lhe deram pontos. Então chamaram o capelão do hospital.
O religioso administrou a extrema-unção e ficou sentado junto à mulher, que parecia quase uma criança, lamentando a perda daquela jovem, fosse quem fosse. Mas, ao vê-la aferrar-se à vida com uma tenacidade surpreendente, fez uma prece e entrou em contato com seu primo, pároco da igreja mais frequentada daquela próspera comunidade, em busca de auxílio.
O tema da homilia do domingo anterior havia sido extraído do Evangelho: "... o que fizeres a um dos menores desses meus irmãos, a Mim tereis feito", e o reverendo pregara um dos melhores sermões em quase cinquenta anos de serviço, admoestando o rebanho a compartilhar suas bênçãos durante o tempo de Ação de Graças a fim de se preparar para o tempo do advento.
Decidido a verificar a eficácia de suas palavras, o sacerdote foi conversar com um dos líderes de sua congregação, o administrador do hospital. Este não quis ceder um lugar caríssimo no centro de unidade intensiva àquela mulher inconsciente e desconhecida, por mais finas que suas roupas parecessem. Mas, diante do pedido do reverendo, permitiu que ela fosse devidamente instalada.
"Ela vai morrer".
Foi o que os médicos disseram no terceiro dia, quando a infecção pulmonar evoluiu para pneumonia. Mas o reverendo, apesar disso, mantinha a esperança. Doações de flores e dinheiro chegavam incessantemente ao hospital. O religioso ficava a distância, sorrindo, satisfeito com o modo como seu rebanho abria o coração, ou ao menos a carteira, para aquela mulher desamparada que surgira de repente em seu caminho.
E ela ainda se agarrava à vida. Sue Clearwater era enfermeira diplomada aposentada e nunca imaginara voltar a dar plantão noturno. Não tendo muitos recursos financeiros, contudo, e pensando em suas próprias filhas e netas, dera o que lhe fora possível: seu tempo, nas longas horas após a meia-noite.
Sue estava sentada numa poltrona no quarto do hospital, tricotando a luz fraca de um abajur, como fazia havia cinco dias, escutando a respiração custosa de sua paciente. Quando o som da respiração da jovem se alterou, largou o tricô, foi até junto da cama e a observou com a experiência de anos de enfermagem.
A paciente se remexeu, inquieta, incomodada por gessos, talas, esparadrapos e tubos. Quando chegara, seus cabelos castanho-escuros chegavam-lhe até a cintura. Fora necessário cortá-los bem curtos, a fim de encontrar e remover as partículas minúsculas de cascalho e areia encravados no couro cabeludo, para limpar e tratar o imenso corte. Agora sua cabeça, envolta em ataduras, se movia nos travesseiros, e os olhos se abriram pela primeira vez desde que fora encontrada.
Olhou direto para Sue, sem parecer vê-la. Sua boca se abriu, umedeceu os lábios com a língua.
— Thony? — sussurrou, em voz rouca e entrecortada. — Thony?
Sue levou a mão à testa febril.
— Thony já está chegando — afirmou, impondo à voz o tom mais calmo que conseguiu.
Por um momento, uma expressão que poderia ser tanto de pânico quanto de esperança iluminou os olhos da mulher desconhecida.
— Como você se chama, querida? Diga-me, para que possamos encontrar Thony.
A mulher fechou os olhos, abrindo-os em seguida. Com um suspiro, afundou no travesseiro.
— Eu me chamo Bella.
O que será que aconteceu com a Bella? E quem será Thony? Eu gostaria de agradecer a Carol Prodanov, MandaTaishoCullen e . 31105674 por comentarem. Beijos e domingo teremos o primeiro capítulo.
