Doce Lar

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Capitulo dois: Almoço em família.


O som alto e estrondoso chegava aos meus ouvidos sem se incomodar com o fato de que estava sendo inconveniente. Reconheci-o como o canto insolente e fervoroso de uma guitarra. Revirei-me em minha cama, tapei os ouvidos com o travesseiro, cerrei o mais fortemente que pude os olhos, tudo em desespero para continuar a dormir. Tentei esvaziar a mente, mas, quanto mais me esforçava, mais pensamentos enchiam minha cabeça - sempre cheia e confusa. Eram tantos pensamentos que estava com a sensação de que minha cabeça estava mais pesada. Várias memórias perpassaram por minha mente. Minha mãe anunciando o noivado, o casamento, a mudança e, sem conseguir evitar, me veio a mente uma imagem - uma figura de aparência desleixada, mas com o porte elegante (algo que eu nunca achou que fosse possível) - a figura de James Potter.

Enfim, resignada, me levantei e fui, cambaleante, até o banheiro. Os pensamentos giravam em minha cabeça como espirais. Estava na casa dos Potter. Morava ali agora. Então, de onde vinha aquele barulho todo? De onde vinha aquela... tentativa de música?

Olhei-me no espelho e não me surpreendi ao visualizar meus cabelos ruivos cheios e desgrenhados e os olhos verdes envoltos por profundas olheiras e tomados por uma expressão de cansaço, e o meu velho pijama de ursinhos, todo abarrotado. Em seguida, olhei no relógio de pulso, e constatei, com tremenda irritação, que ainda eram oito horas da manhã, de um domingo, de meu último dia de férias.

Dirigi-me, ferozmente, quase como um animal seguindo seus instintos até a porta, e já tinha a levado a mão até a maçaneta quando o barulho cessou. Aliviada, mergulhei em minha cama para em seguida, afundar em um sono profundo e tranqüilo, o primeiro que eu viria a ter naquela casa.


Os raios de luz invadiram meus olhos, tão insolentes quanto havia sido o canto da guitarra que ouvira no dia anterior, e que mais tarde eu descobrira ser o canto da guitarra de James. Aprontei-me de maneira sistemática, quase como se fosse um robô e estivesse no modo automático. Olhei-me no espelho e analisei de forma crítica a minha imagem. Meus cabelos estavam sem corte, haviam crescido como eu desejava, afinal, mas estavam mal-cuidados e secos. Fiz uma trança e coloquei-a para frente, pendendo em meu ombro esquerdo.

Desci para o café da manhã e descobri que Petunia ainda se encontrava na cama - estava de férias, mas por pouco tempo: logo começaria o primeiro semestre de Ecônomia. Mamãe e o Sr. Potter estavam em Lua-de-mel no Oriente - mais especificamente - no Japão. Ambos já haviam passeado demais pela Europa e decidiram fazer uma viagem diferente (Mamãe, inclusive, havia considerado as savanas africanas ou o caribe).

Encontrei apenas um James animado, comendo Corn flakes como se fosse a comida mais deliciosa que já havia sido inventada, batucando na mesa e cantarolando alegremente, como se aquele dia fosse uma espécie de Natal adiantado. Encarei-o com descrença e irritação, enquanto me sentava a certa distância dele - o que quer que ele tivesse podia ser contagioso. Convenhamos, toda aquela alegria inexplicável tão cedo na manhã e no primeiro dia de aula era certamente uma anomalia. Ou ele estava doente ou ele era doente.

-Bom dia, Li-ly. - entoou ele, praticamente cantarolando o meu nome.

Senti espasmos de raiva. Não suportava gente feliz quanto estava tão irritada, e, principalmente, não suportava gente feliz àquela hora da manhã.

-Hm, hey. - disse, contendo a irritação.

James sorriu e voltou suas atenções para o cereal. Logo percebi que havia sido rude, suspirei, e tentei iniciar um diálogo. Havia apenas uma semana que eu estava morando ali, e durante toda aquela semana não sustentara nenhum diálogo sólido com ele e só havia sido rude (mesmo que de maneira parcialmente inconsciente).

-Então. Você estava tocando guitarra ontem às oito da manhã. - disse, o tom mais próximo do agradável que consegui.

James assentiu.

-E por que diabos você estava tocando guitarra às oito da manhã de um domingo? - indaguei, sem entender.

Ele sorriu.

-Não sei, acho que me senti inspirado. - respondeu ele, com um ar misterioso.

Franzi a testa, ainda sem entender, mas desisti de conversar e passei geléia em uma de minhaas torradas.

-A maioria dos funcionários só voltam de férias semana que vem. - disse James, como se pedisse desculpas. - Então não temos ninguém que prepare o café da manhã ou o almoço pra gente. Embora sua mãe tenha preparado uns sanduíches pro resto da semana. - acrescentou indicando com um olhar duas vasilhas de plástico de tamanho médio, que continham um bilhete escrito:

Para James e Lily: Preparei uns sanduíches, espero que esteja bom!

Imediatamente, ao ler o bilhete, senti uma sensação ruim, quase que um embrulho no estômago. Minha mãe havia preparado o almoço de James. E aquilo parecia ser apenas o começo. Forcei um sorriso para ele.

-Bem, trate de se apressar, nós vamos no meu carro. - disse ele, se levantando.

Apenas assenti, desanimada, ainda que um pouco surpresa por ele ter se oferecido para me levar. Relanceei alguma coisa reluzente no ouvido de James quando este se virou, uma coisa que nunca havia reparado nos breves encontros que tivemos antes do casamento de nossos pais ou quando eu o via passar ao longe na escola. Constatei com um leve choque que ele possuía um brinco transversal atravessando dois furos em sua orelha, e, ainda, um pequeno de prata no lóbulo da orelha. James reparou o meu olhar e apenas sorriu, deixando a cozinha.

Não que eu não estivesse acostumada. Apenas possuía alguns valores antiquados, já que meu pai sempre criticava aqueles 'jovens rebeldes estúpidos que usavam brinquinhos' e terminava chamando-os de boiolas.

Terminei logo meu café da manhã, escovei os dentes, apanhei a mochila, e dirigi-me para a garagem e para o carro de James, rezando para que ele ao menos soubesse dirigir. Quanto preconceito. James sabia dirigir e sabia muito bem - havia começado a aprender aos treze anos, eu viria a descobrir depois.

Ficamos a maior parte do tempo em silêncio, vez ou outra fazendo comentários casuais sobre algo casual. Logo reparei que James não estava indo a caminho da escola, e senti meu estômago se embrulhar pela segunda vez naquela manhã.

-James...? Eu acho que este não é o caminho certo... - comentei, hesitante, enquanto James parava próximo a uma calçada e a um ponto de ônibus.

Ele não me respondeu. Apenas sorriu.

Do lado de fora um outro rapaz, aparentemente da mesma idade de James, observava-nos com um ar aborrecido e entediado, dando uma longa tragada em seu cigarro e soltando a fumaça pela boca com o que acreditava ser elegância. Eu revirei os olhos, mais irritada com o exibicionismo idiota de Black do que nunca, e encarei-o com censura. James abaixou o vidro.

-Ande logo, Sirius, não tenho o dia todo. - disse, fingindo-se de aborrecido, mas se divertindo.

Sirius sorriu. Jogou o cigarro no chão e amassou-o com a sola do sapato. Eu, ainda aborrecida com aquele espécime de delinqüente juvenil, observei a aparência dele. As pessoas tinham razão em achá-lo bonito - era ainda mais bonito que James e possuía bem mais daquele ar desleixado-elegante do que o primeiro, e assim como James usava um transversal. Os cabelos eram negros e sedosos, os olhos cinzentos e com um ar rebelde, e os primeiros botões de sua camisa estavam desabotoados. Era realmente bonito, mas me causava repulsa. Um sentimento que James não provocava em mim. Talvez por já estar acostumada com a presença dele (ou acostumada com o fato de que iríamos morar juntos pelo menos até o final do ano letivo quando, esperavam todos na família, ele ira para a faculdade).

-Bom dia, flores do dia. - anunciou ele, com um certo descaso na voz, se dirigindo a James, mas tendo a delicadeza de não ignorar totalmente a minha presença, como sempre fizera. - Animado para o primeiro dia? - e agora ele se dirigia unicamente a James.

James sorriu, maroto.

-Com certeza.

O silêncio se estabeleceu. Era claro que os dois não podiam falar de seus assuntos normais comigo ali. Obviamente, se sentiam desconfortáveis. Eu, então, como uma boa samaritana, fiz um esforço para puxar assunto:

-Você não tem carro, Black? - perguntei mais por curiosidade do que por qualquer outra coisa. Percebi tarde de mais que era uma pergunta rude, apesar de ter usado um tom ameno.

Sirius não levou para o lado pessoal. Deu-me um meio sorriso.

-Confiscado.

Eu ergui levemente as sobrancelhas, e antes que pudesse conter minha grande língua dentro da boca, lá estava eu com minhas perguntas indecentes novamente:

-Pela polícia?

James e Sirius riram.

-Não dessa vez. - respondeu James, divertido.

-Pelos meus pais. - disse Sirius, ainda rindo.

Eu sorri, aliviada. Parecia bem dificil ofendê-los ou deixá-los afetados, afinal. Talvez eu tivesse que me esforçar um pouco mais.


Terminado um período longo e ininterrupto de aulas maçantes - primeiras aulas do ano: alguns professores se atinham apenas a se apresentar e fazer gracinhas, outros já iam logo passando toneladas de páginas pra gente ler logo no primeiro dia - eu finalmente me vi livre para o almoço. Sentei-me em um canto afastado do refeitório, um canto no qual eu usualmente sentava, e já ia desembrulhando o meu sanduíche quando minhas amigas começaram a aparecer.

Marlene sentou-se com um estrépito, se largando folgadamente em sua cadeira e suspirando.

-Isso foi totalmente exaustivo. - comentou ela, aborrecida. - E adivinhem só? O Prof. Chambers foi demitido. Ele era o professor mais gato, isso é totalmente injusto!

Mary sentou-se ao lado dela, rindo.

-Marlene, ele saiu com metade das alunas dele. Eu não sou tão ingênua ao ponto de pensar que os outros professores nunca fizeram isso antes, mas já estava se tornando público de mais. O diretor teve que tomar uma atitude. - disse Mary, sabiamente.

Marlene balançou a cabeça, ainda aborrecida.

-Não acho que tenha sido isso. Bem, se foi isso, foi totalmente injusto. Eu nunca cheguei a sair com ele.

Nós três rimos. Mary levantou-se pra ir comprar comida para ela e Marlene - nós costumávamos nos revezar para buscar a comida. Eu estava fora do esquema, pois não tinha nenhum dinheiro e ainda tinha o sanduíche que minha mãe havia feito. Marlene espiou meu sanduíche cobiçosamente.

-O que você tem ai?

Eu examinei o sanduíche.

-Ah não. - resmunguei, infeliz.

-O que?

-Tem Cream Cheese. Eu odeio Cream Cheese. Quem gosta de Cream Cheese é o novo filho favorito da minha mãe. - respondi, colocando o sanduíche de volta na vasilha de plástico e fitando-o com repulsa.

Marlene riu e tirou-o da vasilha.

-Eu fico com ele. Você fica com a minha comida. - sugeriu ela, dando uma dentada no sanduíche. – Sabe, as pessoas normais costumam gostar de Cream Cheese. E esse seu ciúme da relação da sua mãe com o Potter-filho é totalmente infundado.

Eu dei de ombros, sem explicação. Eu tinha os meus problemas com Cream Cheese. E com o James. E com a Karen.

-Então. Justin me chutou. No primeiro dia de aula. Dá pra acreditar? - contou Marlene, entre uma bocada e outra do sanduíche. Parecia estar abocanhando mais do que podia agüentar, e muito rapidamente. Bem, eu era familiar com o sentimento de querer engolir o máximo de gordura possível quando se estava deprimida.

-Bem, pelo menos você já teve namorado. - eu retruquei, tristemente.

Marlene sorriu levemente.

-Você nunca namorou por que não quis, sua boba. Fabian obviamente queria algo mais com você, e aquele cara do seu curso de escrita criativa - qual era o nome dele? - Priet, Pryer, algo assim, estava totalmente apaixonado por você. - respondeu ela, em um tom convincente. Não que adiantasse de algo, pois eu continuava solteira e encalhada. Mas elevou um pouco minha auto-estima.

-Pruet. - corrigi-a.

-Isso mesmo. - disse ela, colocando o último pedaço do sanduíche na boca. - Aliás, se eu não tenho um namorado, ninguém mais precisa ter.

Eu ri daquele comentário espirituoso e bem-humorado dela. Era incrível como Marlene conseguia manter o bom humor mesmo em situações desagradáveis ou difíceis. Antes que pudesse respondê-la, no entanto, alguém o fez.

-Que comentário mais amargurado.

Era James, e parecia que ele estava escutando nossa conversa há um bom tempo. Sentou-se ao meu lado sem pedir licença, e tirou da mochila dois dos sanduíches que minha mãe havia feito. Eu fiquei surpresa por ele ter realmente a intenção de comê-los. Sabia muito bem que ele tinha dinheiro e poderia comer qualquer outra coisa.

Ao seu lado, quase que imediatamente, sentou-se Sirius.

-Se você precisa de consolo, eu estou aqui. - disse ele, jovial, piscando pra Marlene.

Meu estômago se revirou. Black realmente me causava repulsa. Marlene ficou surpresa, mas logo riu do comentário dele.

-Não, eu passo.

Sirius suspirou.

-Bem, se precisar, você sabe onde me procurar. - e começou a batucar na mesa, ritmicamente.

-Ahm... Sem querer ser rude. - disse para James. - O que vocês estão fazendo aqui?

Ele engoliu a comida que estivera mastigando para logo em seguida responder:

-Estamos nos sentando com vocês.

Eu arqueei as sobrancelhas.

-Sim, eu percebi. Mas por que?

James sorriu.

-Almoços em família são sempre os mais divertidos.

Marlene riu.

-Bem, eu não acho que eu faça parte da família. Acho que vou procurar alguma comida de graça por aí. - disse Marlene, fazendo menção de se levantar e fazendo com que Sirius sorrisse maliciosamente. - Vou procurar alimento, seu pervertido. - acrescentou ela, ao ver aquele sorriso nos lábios dele.

-Fica aí. - eu praticamente implorei, não desejando ficar sozinha com aqueles dois. Mary já deveria ter voltado, mas assumi que ela tivesse dado meia-volta ao vê-los sentados ali. Provavelmente ficaria muito nervosa sentada tão perto de Sirius e, talvez, tendo que conversar com ele. Ela tinha uma 'coisa' por ele desde a oitava série.

Marlene suspirou, resignada, e continuou sentada em seu lugar.

-Eu acho que você é a tia solteira. - opinou James, manifestando uma opinião infeliz, na minha opinião. - Aquela que sai com muitos caras, mas vive levando foras. Não tem nenhum filho, e nenhum compromisso sério, a não ser cuidar das irmãs e dos sobrinhos.

Sirius riu, enquanto eu e Marlene o encarávamos, atônitas.

-Muito obrigada, Potter. Principalmente pela delicadeza. - disse ela, forçando uma risada. Era isso que eu quis dizer mais cedo. Marlene nunca desabava diante comentários infelizes ou situações difíceis - pelo menos não na frente dos outros.

-Não há de quê. - disse James, feliz, consciente do efeito de suas palavras, mas sem se sentir nem um pouco culpado. Era muito difícil chateá-lo, eu havia notado. Mas era absurdamente fácil pra ele chatear alguém. Partiu para o seu segundo sanduíche sem dizer nada, cantarolando a mesma música que havia cantarolado na mesa da cozinha naquela manhã.

-Se me permite então, eu vou dizer que membro da família você é. - retrucou Marlene, com os olhos faiscando, mas os lábios abertos em um sorriso (maligno). - É o irmão mais velho, mas ainda assim o inconseqüente.

-Obviamente. - concordou ele, sorrindo.

-Faz as suas merdas sem se preocupar com ninguém, seus pais, sua irmã, os avós, a tia solteirona - e ela deu ênfase as duas últimas palavras. - E acha que as notas boas, as medalhas de atletismo ou até mesmo a falsa boa-educação nos eventos sociais podem desculpar seu comportamento.

James não disse nada. Sorriu levemente e continuou a comer seu sanduíche. Sirius procurava por alguém no refeitório, provavelmente a pessoa que traria sua comida, mas mantinha os ouvidos na conversa. E eu, embora chocada, sorria internamente.

-Uh, estou sentindo um clima tenso por aqui. - comentou Sirius, astutamente (percebam aqui que estou utilizando um recurso chamado ironia).

James riu.

-Não tenho que me desculpar ou me justificar pra ninguém, Marlene. - respondeu James, finalmente, ao terminar o seu segundo sanduíche. Eu e ela nos entreolhamos brevemente, surpresas por ele saber o nome dela. - Sou maior de idade, meu pai não se incomoda com as minhas atitudes, minha mãe está fora do país, e sou filho único. O que eu faço ou deixo de fazer nunca machucou ninguém. Pelo menos não fisicamente. Não muitas vezes - acrescentou ele, depois de pensar melhor. Ele sorriu e se virou para Sirius. - O Remus está demorando, não é? Será que ele não nos encontrou?

Sirius deu de ombros.

-Eu vou procurá-lo, estou com fome. - e deixou a mesa, sem se despedir de ninguém.

-Bem, eu vou com ele. - disse James para nós duas. Fez uma pequena mesura com a cabeça. - Senhoritas. - e deixou a mesa.

Eu respirei fundo, tentando absorver o máximo de ar possível, agora que ele parecia mais puro, mais leve e menos rarefeito. Marlene bufou.

-O tom de voz dele não foi grosso. - comentou ela. - Mas ele bem que podia ter sido menos imbecil.

Eu suspirei.

-Fazer o que? - eu dei de ombros. - Ele é um imbecil e tudo o mais, mas é como você diz, tem as tais das falsas boas-maneiras. Mas... bem... - eu hesitei um pouco para concluir o meu raciocínio.

-O que foi? - perguntou Marlene.

-Não é como se ele estivesse errado. - eu terminei. - O pai dele realmente está pouco se lixando e a mãe dele meio que o abandonou. E ele é rico e, infelizmente, na sociedade de hoje em dia, o dinheiro dele pode consertar muitas das idiotices que ele faz. E ele meio que admitiu que fere as pessoas psicologicamente. E... Bem, ele não tem irmãs mesmo. Eu e Petunia não temos o mesmo sangue que ele. Então nós não somos irmãs dele.

Marlene ficou me examinando com um olhar profundo e inexpressivo por um bom tempo, como se estivesse fazendo raio-x em minha expressão facial e peneirando meus sentimentos. Nesse meio-tempo, Mary pousou uma bandeja em nossa mesa com dois pratos de macarrão bolognesa muito atraentes, porém, aparentemente frios, e suspirou.

-Me desculpem. Eu tive de ir ao banheiro. O que eu perdi?

Eu ri.

-Mary McDonald! Como se atreve a mentir tão descaradamente? Você estava com vergonha de vir por que o Sirius Black estava sentado aqui! – disse, indignada.

Ela corou.

-Não é verdade! O Sirius estava sentado aqui? - ela fingiu estar surpresa, virando-se para Marlene, procurando apoio. - O que eu perdi?

Marlene deu um de seus sorrisos malignos.

-Parece que a nossa cara amiga ruiva está apaixonada pelo novo irmãozinho.

Eu olhei para ela, chocada.

-Não seja tola, Marlene. - disse eu, ainda surpresa com a acusação. - Vocêque estava babando em cima do Sirius. - disse, antes que pudesse me conter, e foi a vez de Mary se surpreender, olhando para Marlene com receio.

Marlene revirou os olhos.

-Você sabe que é mentira, Mary. - ela se defendeu, na mesma hora, e melhor do que eu havia me defendido. - Eu nunca teria nada com ele e ele já é o seu futuro marido e pai dos seus filhos.

Mary sorriu tristemente.

-Eu sei que não é verdade. Só que eu não consigo... - ela parou de falar, mexendo em seu macarrão e fitando-o, pensativa e infeliz. - Não consigo parar de sentir isso.

Eu sorri.

-Acredite quando eu digo, o dia que você conversar com ele você vai conseguir.


N/A: Bem, eu tenho que admitir que fiquei surpresa com o número de reviews que eu consegui com o capítulo passado. Minha idéia era colocá-lo no ar por algumas horas e depois de receber no máximo duas ou três reviews, pra ver duas ou três opiniões, deletar. Mas que bom que eu não deletei, não é mesmo?

Acabei não resistindo e decidi postar hoje! Dependendo das reviews quem sabe talvez eu nao poste mais um capítulo no sábado?

A história já está bem desenvolvida na minha cabeça, mas eu não tenho mais nada escrito (até agora). Acabei de terminar esse capitulo e estou ansiosa pra postar, mas vou esperar até o final da semana, que é quando vêm mais reviews (yes!) e até lá eu espero já ter escrito mais. Parece que a fic está fluindo. A não ser que não tenham gostado desse capítulo. Algumas pessoas esperavam ver o casamento, eu acho. Mas eu realmente nao tinha nada de especial reservado para o casamento. Ele transcorreu bem, Karen Evans virou Karen Potter, jurou amar e respeitar Edward Potter na saúde e doença, na tristeza e na alegria e blablabla. Mary e Marlene não puderam ir por que ambas não haviam voltado de suas viagens de férias e Lily ficou sozinha durante quase toda a festa de casamento, tirando uma hora em que Remus foi ser simpático com ela. Karen e Edward viajaram dois dias depois para o Japão. Eu tinha pensado em mandá-los para Paris na lua-de-mel, mas, ah, tãaao clichê (é claro que eu queria um clichê desses na minha vida, mas também quero ir para o Japão). Depois pensei no caribe e nas savanas africanas. Mas decidi, finalmente, pelo Japão.

Acho que por hoje é só ! Queijos !

PS: Acabei não resistindo e decidi postar hoje! Dependendo das reviews quem sabe talvez eu nao poste mais um capítulo no sábado?