Jogo de Ilusões

By Dash Herveaux

Capítulo 2

Que se dane!- Pensou a entrar no taxi para casa. – Hoje eu não quero saber de mais nada, eu vou beber, afinal é sexta-feira e por Deus eu mereço um porre!

Entrou no Bar do Bill. Sentou no seu lugar favorito e gritou a ele:

- Bill, Tequila!

- Cuervo?

- Cuervo Black!

- Uouuuu, então o dia foi pesado, hein Sam? - já servindo a dose.

- Não pergunte, porque você não vai querer saber – desabafa.

- Ok, milady.

Sam toma a dose e sem pestanejar pede mais uma. Bill não argumenta e serve mais uma. Ela aperta os olhos ao tomar a segunda dose. Pede outra.

- Hey garota, calma lá – Sam faz uma careta de reprovação e levanta o copo.

- Por favor? – pede.

- Sam, Sam, Sam, vai devagar! - pega uma cerveja e a serve. Ela agradece. Leva a cerveja e a dose de tequila para uma mesa afastada. Normalmente iria ficar jogando conversa fora com Bill, mas queria ficar sozinha com seus pensamentos.

Poxa vida. Eu não fiz nada! Nada! Não posso controlar o que sai da minha boca quando estou sonhando. E que deselegante é ficar ouvindo a conversa dos outros. Pensava enquanto pedia mais uma dose.

Se ele fosse um Boyscout de verdade teria anunciado a sua entrada na sala. Cara eu tô enrolada – falava como se estivesse fazendo uma confissão a si mesma.

- Bem que me disseram que esse pessoal que bate a cabeça acaba pirando e falando sozinho.

Samanta ergue os olhos e reconhece aquela voz grossa e um tanto rouca.

- Joe!

- Vejo que você começou cedo a happy hour, não?

- Ah, não me julgue assim tão rápido. - Joe para ao lado da mesa com os polegares enfiados no bolso da calça. - Bebe comigo? É muito deprimente uma mulher no bar bebendo sozinha.

Joe sorri e senta ao seu lado, faz um sinal com a mão para Bill e aponta para a cerveja que Sam esta bebendo. – Mais duas – diz.

Sam para um momento e olha para Joe, analisando seu rosto. Aquele olhar profundo, seus traços que ressaltam sua descendência italiana, sua barba... - Ah aquela barba... E revivendo o seu sonho da noite anterior sente aquela barba no seu pescoço, descendo pelos seus ombros, a respiração ofegante, suas mãos em volta do seu corpo...

- Ah... - balança de leve a cabeça como se tentando acordar do seu breve delírio. - Então... – suspira. – Como foi seu dia? – pergunta. Joe esta com os braços cruzados, inclinados sobre a mesa olhando diretamente nos olhos de Sam, que corresponde. Ela sente o ar pesando... Deus do céu. Samanta hello, acorda! Desvia o olhar e toma mais um gole de cerveja.

- Uhm... Você não pode me contar, certo? Coisas de policial, de detetive?

- Coisas de policial – fala sem desviar o olhar dela levando o copo à boca.

Ela procura algo para falar, mas simplesmente as palavras somem de sua boca. Ela fica tendo flashs do sonho, dos dois juntos, corpos entrelaçados, o calor, o desejo, ele a subjugando, seu rosto começa a ficar quente. Sam! Chamando atenção para si mesma.

- Pois é - foi o máximo que ela conseguiu falar.

Joe relaxa seu corpo na cadeira e sorri.

- Você não precisa ficar tensa, não é nada demais, rotina policial mesmo. Não tem nenhum serial killer pelo bairro. Não se preocupe.

- Ok! Bom saber disso – bebe sua dose de tequila e deixa escapar um suspiro pesado.

- Wow... Essa tequila é forte. – ri de si mesma.

- É sim, quantas doses você já tomou?

- Hoje ou na vida? – debocha. Joe ri.

Ficaram conversando um tempo, falando de trivialidades e das bebedeiras dos amigos ali no bar. Esse tipo de histórias sobre ela gostava de ouvir de Joe, ao contrário das "como você não lembra da gente?" ou "você gosta dos seus ovos mexidos e não fritos". Não precisava de ninguém para dizer quem era ela. Sam começa a sentir os efeitos da bebida, seus lábios estão adormecendo, seu riso ficando mais solto Ela apoiava o queixo com a mão, cotovelos sobre a mesa, olhando para Joe.

- Então Sookie. Fiquei sabendo que você está namorando...

Ah droga, Eric! Como ele soube? Aposto que foi a Tara! Eric, por que ele saiu daquele jeito, por que não me ligou? Devo ligar para ele? Mas ele está com raiva de mim. Foi tudo um mal entendido. Mas... Eu não quero sair daqui agora.

- Sook? – Joe chama sua atenção e ela percebe que havia se perdido por alguns minutos em seus pensamentos.

- É complicado... - desabafa

- Não me diga. Sempre é – ele sorri para ela de um jeito afetuoso. Joe respira profundamente e olha para Sam que está inclinada sobre a mesa. Ela quase se deixa perder novamente em seus pensamentos e no sonho que teve, mas se concentra, cria coragem. Levanta e senta na cadeira ao lado de Joe, se aproxima o suficiente para ter certeza que a conversa ficaria somente entre eles e pergunta:

- Joey. Posso te fazer uma pergunta? - Joe faz que sim com a cabeça, ainda se recuperando de vê-la sentada assim tão perto dele. Voltar a sentir o perfume dela mexe com ele.

- Como a gente era? Assim... - olha para o lado procurando ver se não havia ninguém perto o bastante para ouvir. - Sexualmente? – sussurra.

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Ela esperava uma reação de surpresa, pois mesmo durante o tempo que moraram juntos, depois do acidente, nunca haviam conversaram sobre esse tipo de coisa. Falavam sobre a noite do assalto, em como se conheceram, como ele atendeu a ocorrência, como ele havia se encantado por ela, mesmo ela toda apavorada, com um olho roxo, e cabelo bagunçado. Durante muito tempo Joe foi um completo estranho para ela, ser forçada a viver com uma pessoa que ela nunca viu antes, dividir um apartamento com aquele cara enorme, meio troglodita, sempre carregando uma arma a sufocava. Ele sempre por perto, arranjando desculpas para tocar nela, isso a deixava irritada. Mas estava curiosa, aquele sonho mexeu em algo dentro dela.

Porém, Joe com o rosto sério, inclina seu corpo para ficar ainda mais próximo dela, aproxima sua boca a orelha de Sam e sussurra:

- Insaciáveis!

Ela não consegue evitar e deixa escapar um sorriso aberto. Afasta o cabelo do rosto. Nossa! Ri. Joe se afasta um pouco, ele quer olhar para ela. Aqueles olhos grandes, cílios longos, as maçãs do rosto coradas e a boca bem desenhada. Aquela boca que até pouco tempo era só dele. Ele respira fundo, toma mais um gole de cerveja, suas pernas estão inquietas. Ele volta a cruzar os braços e olha para ela, ainda está sorrindo. Aquele sorriso faz com que seu peito de Joe se aqueça, ele só quer poder voltar a tocá-la novamente.

Ela leva a mão até a boca e morde a ponta do polegar de leve.

- Tá! Você tem que concordar comigo que "insaciáveis" não é lá muita informação! - De repente se sentiu uma mulher poderosa, com mais coragem, talvez seja pela bebida ou talvez por se sentir orgulhosa pelo comentário. Ela arruma os cabelos com as duas mãos, e volta a postar-se para ele.

- Explique.

Ele olha para baixo e pensa, pensa que tinha sido bonzinho demais. Ele deu espaço a ela para que ela pudesse se recuperar do acidente, lembrar-se deles, mas ela não lembrou. Ele não queria que ela fosse embora, não queria se separar, acreditava que conseguiria fazer com que ela se apaixonasse por ele novamente e mesmo assim fez a vontade dela. E agora ela tem outro. Eles nunca tinham ficado assim tão próximos de novo. Chega de ser bonzinho.

- Esta vendo aquele banheiro ali – aponta. Sam olha em direção ao fundo do bar e faz sinal que sim com a cabeça. – Eu perdi as contas de quantas vezes nós transamos lá.

Ela arregala os olhos, morde os lábios e continua prestando atenção em Joe. Toma mais um gole da bebida.

- Com a gente era assim. Com você era assim. Não tinha hora, lugar. Quando nós nos tocávamos, quando a gente se queria, Sook, tinha que ser na hora.

Eu adoro ouvir ele me chamar de Sook – pensava ela.

- E eu acredito que só colocaram câmeras de vigilância nas escadas do nosso prédio por nossa causa. Você... - se recosta na cadeira abrindo as mãos no ar a sua frente, olha para cima e deixa escapar um pouco de ar da sua boca. – Sookie, muitas vezes nós não conseguíamos chegar no apartamento. Era louco - ele volta à mesa, apoiando seus cotovelos, inclina-se para frente. Ela se contrai na cadeira e sem perceber prende a respiração, não sabe o que fazer com as mãos, esta nervosa, espera algo, mas, não sabe ainda o que é, o que quer, e não entende porquê. Está confusa. Chega de tequila. Afasta o copo de si.

- Um dia desses, você tinha viajado à trabalho por uns três dias. Eu desci para te ajudar com a bagagem no taxi. Nós entramos no elevador, três dias era tempo demais. Soltamos as malas no chão, eu te empurrei contra a parede, segurei sua cabeça com as duas mãos e fui de encontro com a sua boca, aquela loucura de beijo - ele esboça um sorriso. Ela não se mexe, parece encantada com as palavras dele. Ele continua.

- Eu te abracei o mais forte que eu pude, envolvendo todo o seu corpo, precisava sentir o seu cheiro em mim. Fui deslizando as minhas mãos pelo seu corpo e... eu sempre adorei as suas saias... – ela suspira, ele continua. - Sentia saudades do teu cheiro, levei uma das mãos por baixo da sua saia e pude sentir você quente, pronta para mim. Lembro-me de você ter mordido meu pescoço, com força. O elevador parou no nosso andar, segurei você contra mim e elevei você até em casa, arrastando aquela maldita mala. Enquanto eu procurava as chaves você se esfregava em mim, falando bobagens no meu ouvido. Quando entramos no apartamento atiramos as coisas para longe, e começamos a tirar a roupa. Eu segurei você contra a porta, você cruzou as pernas na minha cintura... - ele percebe o olhar curioso de Sam, quer beijá-la, quer tirá-la dali, mas se concentra e continua.

- Nos estávamos em fogo. Coloquei você novamente contra a parede, você passava as mãos em garra pelas minhas costas, mordia minha orelha enquanto eu beijava o seu pescoço. Nós ali indo à loucura. Eu continuei a te beijar, descendo por todo o seu corpo, já explodindo por você. Minha boca entre suas pernas, você me puxando cada vez mais para dentro de você. Viro o seu corpo de frente para parede, segurando com força seus cabelos, te puxando para mim, alcançando a tua boca, empurrando meu quadril contra o teus. Você ali, implorando por mim, para que eu te tome logo. Eu empurro você e te faço ajoelhar na minha frente.

Sam está completamente envolvida na narração de Joe ela contrai as pernas involuntariamente, mas, percebe algo de familiar naquilo tudo. Não pode ser, não pode ser a mesma transa do meu sonho, Deus do céu! Ela se afasta dele, se encostando a cadeira, tentando respirar melhor. Ele leva as mãos aos joelhos dela. Ela pode sentir o seu toque macio e o calor de suas mãos, e agradece a si mesma por ter colocado uma saia mais curta naquela manhã. Joe aperta de leve sua perna, e sussurra. – Sookie. Ela olha para ele por um momento. Eu sei que ele me quer, ah... ele me quer e isso pode ser tão bom. Não, não... isso não está certo. Ela afasta as mãos de Joe. Toma um gole de cerveja, desviando seu olhar, passa as mãos pelos cabelos, olha para Joe, que não tira os olhos dela. Aqueles olhos castanhos e profundos.

- Err... – buscando algo, qualquer coisa para dizer – Ok. História bacana, mas... Eu tenho que ir. Obrigada pelas informações, você foi muito útil. – Desconcertada ela estende a mão e o cumprimenta. – Muito Obrigada, isso foi... – suspira – instrutivo. Eu tenho que ir.

Ela levanta rapidamente, pega sua bolsa e sai da mesa. Ela havia bebido demais e ainda estava embriagada com a história de Joe. Saiu tonta e acaba tropeçando. Joe levanta e a segura antes que ela alcance o chão. Se recuperando ela ri de si mesma.

- Salto alto e tequila definitivamente não combinam - ele ri.

- Eu te levo até em casa.

- Não, não precisa, eu só me desequilibrei.

- Já está tarde, e eu vou ficar mais tranquilo se souber que você chegou bem em casa. Ela consente, não estava em condições de discutir aquilo. Ele paga a conta a segura pela cintura até a rua. Ela fica perturbada com ele a segurando daquela forma, sente um calor crescendo no seu pescoço, os músculos entre suas pernas se contraem, o cheiro dele mexe com ela. Sua respiração fica pesada. O que eu estou fazendo!

- Joe – ela para, e se afasta dele, ficando a sua frente. - Tá bom aqui. Joe percebe que ela esta vulnerável, mas não quer deixá-la ir.

- Sook... - coloca as mãos de volta a cintura dela e sussurra ao seu ouvido. – Deixe eu te mostrar, como a gente era. Me deixe fazer você lembrar.

Sentia o calor da respiração dele em seu ouvido. Ele se aproxima mais para cheirar seus cabelos, esfregando seu nariz nele. Sam encosta seu rosto no dele. Ela esta tremendo e sente que ele também esta. Leva as mãos ao seu pescoço, e começa descer as mãos até seu peito. Joe aperta sua cintura. Ela o afasta, dando um passo para trás.

- Já chega. Ela atravessa a rua sem olhar para trás.