Depois dos alunos da Escola de Magia e Feitiçaria de Hogwarts terem chegado ao imponente castelo, foram encaminhados para o Salão Nobre: ao fundo podia ver-se a mesa dos professores, já ocupada pelos próprios; a cadeira outrora ocupada por Dumbledore, era agora ocupada por Minerva McGonagall e o lugar de Snape também já fora reocupado. Notava-se o peso do ambiente entre os alunos mais velhos. Os acontecimentos do último ano ainda lhes assombravam a memória. Quando os slytherins se acomodaram na sua mesa, olhares divididos entre o medo e a desconfiança foram-lhes dirigidos. Após a entrada de Malfoy e do grupo que o acompanhara no expresso, o burburinho então aumentou consideravelmente:
- É preciso ter muita cara-de-pau! – comentou Ginny, olhando incrédula e com desprezo para o loiro, que entrava no salão ignorando completamente os olhares das outras equipas.
- Deixa, Ginny – falou Harry – gente daquele tipo merece somente o desprezo.
Apesar do que dizia, a vontade de Harry era de lançar-lhe uma maldição Imperdoável.
- Depois de tudo o que ele fez, como é que o admitiram em Hogwarts? Como é que a McGonagall assentiu com uma coisa destas? – inquiria-se Hermione.
- Ele que pise o risco, uma vezinha que seja… - murmurou Ron, fuzilando Malfoy com o olhar.
- Manteremos o Malfoy debaixo de olho. – declarou Hermione. – Ao mínimo passo em falso, agimos!
Harry e Ron acenaram positivamente com a cabeça.
Do outro lado do salão…
- Triozinho patético. – vociferava Adrian Pucey.
- Que é que estás para aí a rosnar, Adrian? – perguntou Zabini, que ainda ria de algo que um colega lhe acabara de contar.
- O Potter e os santos protectores. Não param de olhar para cá.
- Não esperavam a vinda do nosso caro colega, Draco Malfoy. – falou Zabini com escárnio, batendo nas costas do loiro que estava completamente alheio àquela situação.
- Ou muito me engano, Malfoy, ou vais ter o trio maravilha colado a ti como uma lapa. – comentou Pucey, olhando para o loiro que, pela primeira vez naquela noite, olhou para o grupo de gryffindors que o olhava ameaçadoramente.
- Eles que tentem. – respondeu gravemente.
Poucos minutos depois, McGonagall levantou-se e bateu com o talher no seu delicado copo de vidro, pedindo assim a atenção dos alunos:
- Bem-vindos, caros alunos, a mais um ano lectivo em Hogwarts. Antes de mais, um especial cumprimento aos novos alunos e o desejo sincero que desfrutem destes 9 meses que passarão na nossa companhia. Antes de procedermos à cerimónia de selecção dos alunos, tenho dois comunicados a fazer: a pedido de Mr.Filch, relembro que é expressamente proibido o uso de magia nos corredores, entre as aulas, aos alunos do primeiro ano, e a entrada de qualquer aluno na Floresta Proibida, sob pena de detenção – Filch esboçou um sorriso amarelo (sim, era mesmo a cor dos dentes) - e a perda de pontos para a sua equipa. – fez uma pausa para depois prosseguir, desta vez com um sorriso nos lábios – Em segundo lugar, gostava que dessem as boas-vindas à nova professora de Defesa Contra as Artes Negras, Morgana Gordon – um aplauso foi audível em todo o Salão.
- Uma mulher? – perguntava Ron incrédulo.
- Algum problema em ser MULHER, Ronald Weasley? – respondeu exaltada Hermione, frisando a palavra mulher.
- Não, de modo algum, apenas não é normal! – Hermione estreitou os olhos. – Quero dizer…comum, não é muito comum. – emendou Ron ao ver a cara de poucos amigos da colega.
- Decadência. – murmurou Adrian Pucey, ao qual Zabini acenou com a cabeça em concordância. McGonagall prosseguiu:
- Para concluir, caros alunos, sei que atravessamos períodos difíceis. – ao som destas palavras o salão silenciou-se. – Ninguém aqui dentro ignora o que se passa lá fora. Foi uma dura batalha a que nós, professores, lutámos este verão, para impedir o encerramento da nossa escola. – a voz de Minerva McGonagall tremia com a emoção das lembranças do verão passado, facto que não passou despercebido aos alunos mas que não afectou o silêncio. – Estarmos todos hoje, aqui presentes, é uma vitória para nós e, com certeza, a vontade de Albus Dumbledore.
Os alunos levantaram-se e aplaudiram as palavras da nova directora, à excepção da mesa onde predominava o verde e o prateado dos uniformes dos seus alunos.
- Bom, antes de iniciarmos o nosso jantar, gostaria de encerrar as apresentações com o anúncio de mais um regresso de um ex-aluno de Hogwarts, que dará o clube de quidditch. Relembro que os horários serão afixados em breve e as inscrições poderão ser feitas com os respectivos chefes de equipa. Sem mais demoras…Oliver Wood. – nesse momento um rapaz com os seus 21 anos, alto, bem constituído, cabelo curto arrepiado com gel, entrou no Salão, sendo recebido com uma ovação ensurdecedora vinda da mesa dos Gryffindor.
Após a sua chegada, Wood murmurou algo a McGonagall que acenou afirmativamente, tendo, posteriormente, ido juntar-se aos seus ex-colegas:
- Grande Wood! – cumprimentou um dos gémeos, dando-lhe palmadinhas nas costas.
- É bom ter-te de volta, Wood. – cumprimentou Hermione.
- É bom estar de volta. – respondeu o jogador do United. Ron fechou a cara.
- Pode-se saber o tão misterioso motivo do teu regresso? - perguntou Ron. Hermione repreendeu o ruivo com um olhar, pelos seus modos.
- Não tem nada de misterioso, – respondeu descontraidamente - simplesmente não tinha lugar na equipa esta época, então decidi ganhar uns galeões e voltar ao activo em Julho. Pelo menos assim espero. – falou Wood com um leve tom de tristeza na voz, que foi perceptível por Ginny.
- Achas que não tens hipóteses? – perguntou a benjamim dos Weasley. - Sempre foste um excelente keeper, Wood, tens imenso jeito e és super dedicado, tens tudo para conseguir um lugar efectivo em Puddlemere!
- Eu sei disso. Mas não é isso que me preocupa. – Ginny lançou-lhe um olhar confuso. – A verdade é que ainda estou para perceber, como é que ainda não cancelaram o campeonato de quidditch este ano. Tenho a infeliz noção que é tudo uma questão de tempo até isso acontecer. Felizmente o quidditch ainda não perdeu muitos adeptos com toda esta ameaça de guerra iminente, mas temos de concordar que um estádio cheio de pessoas é um prato cheio para Devoradores da Morte e Dementors!
- Nisso tens razão. – fora Harry que se pronunciara – Mas acabarem com o quidditch? Sei lá, acho que apenas ajudaria a aumentar o pânico entre as populações. Era mais uma prova da perda de controlo por parte do Ministério!
- O Ministério perdeu o controlo das coisas há muito tempo, Harry. – falou Ron. – O meu pai nem faz ideia como é que ele não caiu ainda! Se não se entenderem e se organizarem, facilmente Aquele-cujo-nome-não-deve-ser-pronunciado apoderar-se-á do Ministério da Magia. Não vêem o que se passa até aqui, em Hogwarts? Olhem para a mesa dos Slytherin! Sabemos que metade daquelas coisas serão Devoradores se já não o são! E estão aqui dentro! Depois há o cúmulo do regresso do Malfoy…
- O Malfoy está aqui? – perguntou Wood, não querendo acreditar. Olhou para a mesa dos slytherin onde Malfoy conversava com Blaise Zabini. – Aquele tipo não vergonha na cara? Depois de tudo o que aprontou o ano passado?
- É para que vejas aonde chegámos. – respondeu Ron, que já falava mais cordialmente com o ex-capitão.
- A minha vontade era que lhes caísse uma bomba em cima. – murmurou Wood, correndo a mesa da equipa de Malfoy com os olhos. – Acabava-se o problema de vez.
- Alguém falou em bomba? – perguntaram animados os gémeos , juntando-se à conversa.
- Acho que nesse aspecto eu e o George aqui, podemos ajudar-te. – afirmou Fred. - Temos umas quantas que têm uns efeitos muito interessantes mas, podemos trabalhar em algo mais mortífero! Seria uma prazer…- Harry, Ron, Wood e Ginny gargalharam.
- Fred?! – repreendeu Hermione. – Vocês estão doidos? Acabaram de regressar a Hogwarts! Querem ser expulsos novamente?
- Querida Hermione, - falou George, colocando o braço em torno da morena. – nós só voltámos porque a D.Molly fez um ataque de choro medonho, que não pararia até que eu e o Fred dissesse-mos "ok, voltamos.". Se formos expulsos, temos sempre a nossa loja, que fomos obrigados a encerrar, mas que vai voltar a abrir novamente, não é Fred? – perguntou olhando para o irmão.
- Isso nem se pergunta! Mas agora falando de coisas importantes… - indagou Fred, olhando para Wood. – Conta-nos, Wood, e miúdas?
- Ãhn? – falou Wood.
- Merlim, continua um atado, George! – exclamou o gémeo para o irmão que acenou negativamente com a cabeça.
- Eh! Vê lá a quem chamas atado, Weasley!
- É verdade! És jogador de uma equipa famosa de quidditch, e não aproveitaste para arranjar umas miúdas giras? És um atadinho, Wood!
- Que machismo, Fred! – exclamou Ginny, indignada.
- Conversa de homens, Ginny, não te metas. AU! – gritou Fred, olhando para a irmã, que acabara de lhe dar um pontapé por baixo da mesa.
- Para tua informação, eu não preciso de andar atrás de miúdas, ok? – falou Wood, acabando com a discussão entre os irmãos.
- Andas com a Bell? – perguntou George fazendo com que Wood se engasgasse com o sumo de abóbora e o grupo de gryffindors rir-se.
- Eu e a Bell somos SÓ amigos. De onde raio é que tiraste essa ideia?
- A Katie é gira e já andava de olho em ti quando cá estudaste! Ou não me digas que não tinhas reparado? – perguntou George, num tom meio alarmado. Wood limitou-se a revirar os olhos.
- Wood? – falou Fred, já recuperado, olhando para o seu ex-capitão que retribuiu o olhar – Tu por acaso és gay? – Ron gargalhou espalhafatosamente.
- Qual gay, qual quê, Weasley! – respondeu Wood alterado. – Se queres mesmo saber, eu e a Katie chegámos a curtir enquanto eu cá andava!
- Mentira?! – exclamaram Ginny e Hermione ao mesmo tempo.
- Quando? – perguntou George, curioso.
- Já agora não queres que te diga como, né Weasley? - barafustou Wood.
- E depois disso nada? Até hoje, Wood?
- Vocês dois são mas é uns bisbilhoteiros do piorio! Desde quando é que eu tenho de dar satisfações sobre o faço ou deixo de fazer fora do campo de quidditch?
- Vê-se mesmo que não tens a virilidade Weasley. – concluiu um dos gémeos.
- Porque Merlim teve pena de mim? – respondeu divertido Wood. Harry não conseguiu segurar o riso. Os gémeos ignoraram.
- Tomara muitos terem metade do fogo Weasley. – disse George, ignorando o comentário, lançando um olhar sedutor a uma Ravenclaw que passava.
- Pois claro. – afirmou ironicamente o jogador do Puddlemere United.
A conversa entre os gryffindors prolongou-se pelo serão e, durante esse tempo, Ginny lançou uma última vez um olhar de desagrado para a mesa dos slytherin, onde Malfoy ainda estava presente e notou o olhar ruiva. Ginny encarou os olhos cinza do loiro, por entre os fios platinados do cabelo que lhe caiam sobre os olhos, e acenou ligeira e negativamente com a cabeça, ainda não se conformando com o desplante do slytherin. Malfoy limitou-se a esboçar o seu melhor sorriso escarninho.
N/A: Bom, aqui está o segundo capítulo! Está um pouco maior que o primeiro e também, na minha opinião, mais interessante. Hope you like it!
