"If
the love that I've got for you's gone
Se o
amor que eu sentia por você se foi
If the
river I cried ain't that long
Se o rio que eu
chorei não é tão longo
Then
I'm wrong
Então eu estou errado
Yeah,
I'm wrong
Sim, eu estou errado
This
ain't a love song.
Essa não é
uma canção de amor"
"... e ela menos de todos"
O verão em Londres parecia
quente demais, se comparado aos anos anteriores. Entretanto, no Largo
Grimmauld, onde todas as casas eram feitas de pedra fria, nenhum
habitante parecia sofrer muito com o calor.
A residência de
número doze não era vista por qualquer transeunte. No
entanto, se alguém fosse capaz de olhar dentro da mesma, veria
uma lareira, outrora acesa, agora reduzida a poucas brasas, talvez
numa tentativa de aquecer a casa. Tentativa inútil, ele
pensava, pois nem mesmo o fogo do inferno poderia aquecer aquela casa
gelada e sombria, um reflexo dele próprio. Sentado na poltrona
em frente ao fogo já extinto, ele percebia, tarde demais, tudo
aquilo de que nunca poderia fugir. Percebera algo que no fundo já
sabia: as feridas causadas por ela jamais cicatrizariam por
completo.
Se o oposto do amor não é o ódio, e
sim a indiferença, então ele sempre a amaria. Ficar
indiferente a ela era ficar indiferente a si mesmo. Era reconhecer
que finalmente a morte o alcançara, negar a única coisa
que o mantinha vivo naquela casa fria - ódio, amor, não
saberia dizer. E que diferença fazia, afinal?
Imaginava se
essa também era a razão pela qual ela vivia. Ou se ela
não vivia mais, se simplesmente escolhera a própria
morte há longos vinte anos, como ele suspeitava.
Mirou o
céu pela grande janela que ficava próxima ao sofá.
A estrela guerreira da constelação de Órion
brilhava forte contra o veludo negro. Ele soltou uma risada rouca e
amargurada, a noite conspirava contra ele, decididamente. Resolveu ir
deitar-se, antes que o impulso de esvaziar outra garrafa de
firewhisky se tornasse forte demais para ser controlado.
A
pequena cidade de Little Hangleton, uma cidadezinha tipicamente
trouxa, era composta quase que inteiramente por casinhas pequenas e
juntas, abrigando trouxas de classe média. No entanto, no cume
de um morro um tanto afastado do centro da cidade, havia uma mansão,
agora destruída e tida por mal assombrada, mas que outrora era
admirada por sua imponência. Mas isso foi antes de a família
que lá morava ser assassinada, e agora a casa estava em
ruínas.
Sem que qualquer trouxa tivesse conhecimento, no
entanto, a casa era habitada, e não por assombrações.
Antes fosse.
A antiga mansão Riddle foi o lugar escolhido
por Voldemort como sede de seu exército por ser um local sem
qualquer ligação conhecida pelo mundo bruxo com magia,
ou com ele próprio. Alguns comensais, em sua maioria os
foragidos de Azkaban ou os que estavam muito envolvidos no plano da
profecia, costumavam passar a noite por lá. E agora, às
duas da manhã de uma sexta feira, todos eles dormiam. Todos,
com exceção dela. Não gostava de noites muito
quentes como esta, porque o calor nunca a deixava dormir. E aquele
estado de torpor permitia a sua mente voar para bem longe dali.
Invariavelmente, acabava por pensar nele, e no quê ele estaria
fazendo naquele momento. E se odiava por isso. Por perceber que sua
máscara caía, ainda que somente para si mesma. Perceber
que nunca o esquecera, e que a culpada não era outra senão
ela própria. Não poderia culpá-lo por amá-la.
E poderia culpar a si própria por achar que isso jamais seria
suficiente? Sim, às vezes pensava que sim. E por outras vezes
o julgava um tolo, por ter acreditado nela quando ninguém mais
o faria, por ter tentado ver algo além do que ela mostrava,
todos os dias. Para ela já não havia salvação,
não havia caminho de volta, e era nesses momentos que ela se
lembrava de quem fizera a escolha final. E aquele velho sentimento se
fazia presente, como um espinho, muito pequeno para ser retirado, mas
grande o suficiente para incomodar caso seu coração
tentasse bater novamente. E sempre lembrá-la de que ele
continuaria ali, para sempre. Ela sabia que um dia esse espinho teria
de ser removido, e intuitivamente sabia que seria ela a removê-lo.
Seus caminhos divergiram muito cedo, e desde aquele fatídico
dia ela sabia em quê isso culminaria. Sabia, mas nunca quis
voltar atrás. E nem pensava em fazê-lo agora. Mas era
inevitável pensar nele. Pensar em tudo que passaram juntos. E
pensar que, no fundo, ela sempre soube que não duraria para
sempre.
A missão aconteceria em breve. Seu destino
precisava cumprir-se.
- Há bem pouco tempo, dei-me conta da ligação que eu e Potter possuímos. A missão de vocês é esperá-lo no departamento de Mistérios, dentro do Ministério da Magia. Ele pensará que o padrinho, Sirius Black, está em perigo, e irá tentar salvá-lo. Esperem até que ele veja a profecia, e tomem-na dele. E eu quero a profecia inteira. INTEIRA, entenderam?
Todos assentiram, as cabeças ligeiramente abaixadas, em claro sinal de submissão.
- Ótimo. Podem retirar-se. Menos você, Bella.
A mulher, que já se preparava para deixar o aposento, ficou para trás. Voldemort esperou que todos saíssem, e então lhe dirigiu a palavra.
- Bella, você sabe que as informações que você e sua irmã conseguiram através do elfo foram muito úteis. No entanto, isso não quer dizer que você pode cometer qualquer erro hoje. Você sabe que a sua missão inclui muito mais do que obter a profecia, não sabe, Bella?
Pela primeira vez, a morena levantou os olhos. Não parecia, no entanto, surpresa, e muito menos assustada. Pelo contrário, seu olhar beirava a ansiedade, e talvez alguma loucura.
- Sim. Não falharei, milorde.
Voldemort abriu um sorriso de pura maldade no rosto.
- Ótimo. Já pode retirar-se.
E, com uma leve reverência, ela saiu.
A mesa toda parecia muito agitada pela reunião convocada de ultima hora. Todos, porém, calaram-se quando Dumbledore se levantou.
- Meus caros... O motivo dessa reunião é que eu temo que Harry esteja correndo perigo. – O barulho ameaçou voltar, mas Dumbledore calou-os com um gesto de mão. – Por favor, sem atitudes impensadas, elas podem piorar a situação. Voldemort e Harry possuem uma conexão por suas mentes, e o que eu temia aconteceu... Voldemort aprendeu a controlá-la. Harry consegue ver o que ele quer que Harry veja. No momento, ele pensa que Sirius está preso no Departamento de Mistérios, pelo que o prof. Snape me informou, e provavelmente irá até lá para salvá-lo. Acredito que os Comensais já estejam a postos o esperando. Precisamos ir para lá o mais rápido possível!
Dito isso, a mesa toda se levantou e começou a correr em direção a porta de entrada da casa e, um a um, desaparataram.
- Sirius, por favor, espere! – Dumbledore disse, ao perceber que Sirius tencionava desaparatar também. – É arriscado que você vá, pode ser visto...
- Dumbledore, é a vida de Harry! Eu faria tudo para salvá-lo, até mesmo voltar para Azkaban!
- Mesmo... – Dumbledore hesitou – Mesmo que precisasse lutar contra... Bellatrix Lestrange?
Sirius estancou no lugar, os olhos arregalados de surpresa e a boca entreaberta.
- Como... O que o senhor quer dizer?! – Perguntou, atropelando as palavras.
O velho suspirou, e pareceu medir muito as palavras que usaria em seguida.
- Sirius... Existe algo sobre sua prima, algo sobre Bellatrix que você nunca contou a nenhum de nós. Não acha que agora seria uma boa hora?
Sirius sentou-se na cadeira mais próxima, passando as mãos freneticamente pelos cabelos. Parecia tentar decidir algo crucial em um tempo muito limitado. Finalmente, olhou para o diretor, e disse:
- Não acho que isso ajudaria na batalha, mas talvez ajude a entender o que provavelmente acontecerá hoje.
Dumbledore sentou-se na cadeira em frente ao outro, e Sirius começou a falar.
- Bom, pelo que eu sei, começou no verão de 1976, quando eu tinha dezesseis anos...
N/A: Okay. Vocês devem estar querendo me bater, assim, muito, porque eu fiquei três anos para postar um prólogo de três páginas, certo?
Mas pooor favor, não me matem! Sério, eu juro, o primeiro cap. já está a caminho, e será bem maior, ok?
E minha queridíssima mamãe Lily, muito obrigada por betar a fic para mim. Prometo que essa eu deixo para você, haha. :P
E aos leitores, bem, me digam o que acharam.
Beijos,
Adsartha.
