Mtoooo obrigada pelos comentários!
Luh, Mia e Dalila - vocês estão contribuindo para eu continuar a querer escrever...
Garanto que este capítulo é mtoooo melhor e é grandinho também, mas acho que vale a pena...
Boa leitura!
PARTE 3 – RENESMEE
A semana havia sido perfeita. Jake me levara para conhecer lugares fantásticos que ele nunca se permitira ir comigo quando eu era menor. Nós fomos até a clareira onde meus pais sempre iam e que depois ele encontrou e também fomos para vários pontos bonitos da floresta que ele achou enquanto estava transformado. De todos os lugares, porém, o meu preferido foi o penhasco. Jacob estava nervoso quando fomos lá. Eu o fiz me levar porque, sem querer, ele falou que gostava de saltar na água do penhasco e eu o obriguei a me levar até o local. Muito a contra gosto ele me levou em sua garupa. Quando chegamos eu fiquei impressionada com a neblina que vinha lá de baixo, com o ar de mistério e a beleza da vegetação e das rochas. Eu já tinha visto muitas coisas bonitas, mas aquilo era fantástico! Inspirei sentindo o cheiro de terra molhada e de pinheiros. Eu queria ver mais de perto a água, mas ele não me deixava chegar muito até a beira. Até que, irritada, briguei com ele falando para não ser tão protetor porque eu não era mais uma criança e muito menos uma mortal. Ele abaixou a cabeça, melancólico, e segurou no meu braço. Eu pisquei os olhos freneticamente e balancei a cabeça para ver se tinha algo errado comigo. O penhasco e jake não estavam mais na minha frente. De repente tudo que eu via era a mim mesma com mais ou menos dois anos chorando. Meus joelhos pequenos e gorduchos sangravam.
-Tá tudo bem? – Jake perguntou
Eu olhei para ele. Estava novamente no penhasco.
-Sim, acho que sim. Acho que tive uma ilusão, sei lá.
- Vem cá. Venha ter ilusões longe do penhasco.
Ele me puxou pelo braço e me faz sentar em uma pedra.
- Sua mãe quase morreu porque pulou daqui. – ele disse antes que eu estivesse completamente sentada.
Eu me assustei, mas não o interrompi.
- Quando seu pai foi embora, ela ficou muito triste. Não sei se ela pulou por tristeza ou porque queria adrenalina, só sei que seu eu não a tivesse tirado rápido da água, ela teria morrido.
Eu o fitei em silêncio. Eu lembro que quando era menor eu sempre descobria um detalhe da historia da minha família através dele. Eles nunca comentavam muito sobre quando Bella era humana e eu sempre tinha tido curiosidade. Saber que Jake e ela eram amigos e que ele sabia coisas que eu não podia nem imaginar me deixava curiosa. Saber que minha mãe pulara de tão alto sendo humana me deixou ao mesmo tempo intrigada e preocupada. Será que a sanidade mental da minha mãe era meio deficiente quando ela era humana?Ou será que ela tinha algum instinto suicida?
- Olha, Nessie...Não quero que você faça nada disso. Eu era muito louco em deixar sua mãe andar de moto e mostrar este lugar pra ela. Não quero que você se arrisque.
Moto?Penhascos? Nossa...minha mãe era humana e fazia essas coisas? E depois ela vinha me falar que eu é que gostava de aventura....
Ele segurou a minha mão. Seus olhos profundos eram como dois lagos negros e misteriosos para mim. Talvez por isso eu gostei tanto do penhasco, a neblina me lembrava o mistério de seus olhos. Por mais que eu tentasse, eu não conseguia entender o que nos ligava e eu sabia muito pouco sobre ele. Tudo bem, eu sabia que ele se transformava em lobo e tudo, mas saber que ele havia se arriscado tanto por uma amiga (minha mãe) e que era tão devotado a mim, parecia estranho e louco. Ele era meu melhor amigo, ele era perfeito e maravilhoso e, mesmo assim, distante e cheio de segredos.
- Às vezes eu sinto que não te conheço – eu disse repentinamente fazendo-o me olhar confuso.
- Conhece...eu sou o mesmo de sempre.
- Você é e não é. Só sei que você é meu Jacob, só isso que eu tenho certeza. – eu parei por um instante analisando o que eu dissera - Lembra quando eu o chamava assim? Eu o tornei uma espécie de bem e adorava chamá-lo possessivamente. Eu era tão mimada!
- Lembro disso. Você pode me chamar assim se você quiser, eu não ligo.
Eu sorri um pouco encabulada.
- Jake, porque você sempre foi tão presente na minha vida?Digo, antes de eu sair de Forks e depois indo sempre me ver e tal.
- Porque....eu quero proteger você, quero garantir sua felicidade.
- Por que?
- Olha Nessie, você acabou de chegar, então, vamos com calma...
- Calma com o quê? Não entendo!
- Pense que eu vou ser o que você precisar e, como eu te prometi, sempre vou estar aqui para te proteger. É só isso que você precisa saber e ter certeza.
Eu olhei novamente para os seus olhos, confusa, mas confortada. Ter certeza que ele estaria por perto me deixava tranqüila e feliz.
- Você vai ser o que eu quiser? Você sempre foi o que eu quis!
Ele riu.
- Você já foi meu protetor quando tentaram me matar, foi meu meio de locomoção, bichinho de estimação, você foi meu brinquedo, meu experimento quase científico, meu irmão mais velho, meu amigo...
Nós dois estávamos rindo.
- Você é tudo o que eu preciso – eu sussurrei ainda rindo e ele me fitou mais sério do que eu esperava. Seus olhos pareciam completamente fixados em mim.
Eu olhei para ele, mas era como se fosse a primeira vez que eu o via. Seu cabelo espetado, os braços musculosos, os ombros largos, o rosto quadrado, a covinha ao lado da boca, a boca...tudo era tão convidativo que eu não consegui conter o impulso de beijá-lo. Foi tudo muito rápido, em um segundo eu estava rindo, no outro enlaçando meus braços em volta de seu pescoço. Uma corrente elétrica percorreu meu corpo me esquentando da boca até os pés quando encostei minha boca na dele. Seus lábios eram quentes e macios e eu abri os olhos para aproveitar o máximo o momento. Eu precisava ver seu rosto junto do meu. Ele, porém, já estava de olhos abertos quando eu abri os meus. O mais delicadamente possível, ele me afastou, mas aquilo foi como se ele me empurrasse. Eu não queria deixar de beijá-lo e, no entanto, ele estava hesitante.
- Nessie...- seu rosto estava mais vermelho do que o habitual
- O que foi? Qual o problema?
- Estamos indo rápido demais. –ele não olhava para mim.
- Rápido? – Bufei – lá vem você de novo com essa historia.
- É melhor eu te levar para casa.
- Não precisa me levar pra casa. Eu vou sozinha. Eu sei o caminho muito bem!
- Deixa de ser teimosa Renesmee...
- Agora ta me chamando assim, é? Daqui a pouco vai apertar a minha mão ao invés de me abraçar?
- Não seja boba.
- Então não seja você tão cheio de segredos!
- Você não compreende...
- É claro que eu não compreendo!Você não fala!
Ele desviou os olhos e eu me virei para ir embora. Ele segurou o meu braço, mas eu me desvencilhei dele. Ele não voltou a me segurar e eu andei rumo a minha casa sem olhar para trás. Mesmo assim, durante todo o percurso eu tinha certeza que ele estava por perto me olhando e aquilo quase me deixava com raiva. Ele às vezes conseguia ser maravilhosamente irritante. Tudo nele era irritante de tão perfeito. Eu sorri escondendo o sorriso entre os cabelos para que ele não visse, afinal, eu estava irritada de verdade!Mas eu sempre fazia o estilo "tô rindo, mas to falando sério".
Quando cheguei em casa todos me olharam curiosos, mas eu não falei nada, também tranquei qualquer memória daquele momento para mim para que ninguém viesse encostar na minha pele para saber qualquer coisa que fosse. Com o tempo eu aprendera a controlar meus poderes, na verdade, eu não gostava nem um pouco de ficar dividindo minhas memórias com as pessoas. Eu subi as escadas correndo para ir para o quarto e terminar de desencaixotar minhas coisas quando meu pai me chamou:
- Renesmee...
Eu parei e bufei. Tudo que eu não queria agora era algum tipo de sermão por ficar fora muito tempo.
- Nessie... – ele chamou mais alto
Virei sem vontade nenhuma:
- O que foi pai...
- Nahuel ligou.
Meus olhos se arregalaram. Definitivamente eu não esperava por isso.
- O número está ao lado do seu computador.
-Brigada, pai.
Eu corri até o quarto e peguei o número. Eu estava nervosa e animada ao mesmo tempo. Disquei o número rápido e ele só tocou três vezes.
- Alô?
- Nahuel?
- Nessie!!!
-Oi...
- Caramba, que bom ouvir sua voz. Eu tava querendo falar com você há tanto tempo! Só que eu tive uns problemas aqui em Vegas para me adaptar e tal. Agora ta um pouco mais tranqüilo. Bom, é o seguinte, vou direto ao ponto, resolvi ir para Forks ficar com você por uns tempos!
A voz dele era animada e eu fiquei calada por alguns segundos digerindo a informação.
-Nessie?Alô?
- Nossa Nay.... eu tô muito feliz! –gritei sinceramente
Ele riu do outro lado com a minha animação descontrolada.
- Olha, não posso falar muito porque tenho que resolver muitas coisas até depois de amanhã. Te ligo depois para dizer qual vai ser meu vôo. Fiquei sabendo que há lugares ótimos para caminhadas por aí. A gente se fala Ness...beijo
Ele desligou e eu fiquei um tempo com o telefone na mão. Eu realmente estava feliz que o veria, mas parecia meio estranho imaginá-lo em Forks. Ele e Jake por perto parecia, no mínimo, bizarro. E essa historia de a gente caminhar junto era estranho também. Em qualquer outro lugar seria ótimo, mas em Forks isso era o que eu fazia com o meu lobo, não com meu namorado meio vampiro. Um pensamento ruim passou por minha cabeça e eu corri até Carlisle. Eu tinha medo que com a vinda dele, houvesse conflito com o bando de Jake. Afinal, o acordo não incluía outros vampiros.
- Nessie, você vai ter que avisar o Jacob. Só você e ele podem pensar e resolver sobre o assunto. A questão é que Nahuel é venenoso e isso não deixa de ser um problema, não é? E além do mais, eu sei que a alimentação dele é animais, mas não acho que Jacob ou qualquer lobo vá confiar tanto assim nele. – disse Carlisle
Eu revirei os olhos.
- Ok – murmurei depois de uns vinte minutos de conversa com meu avô. Ele sempre tinha os melhores conselhos e como até meus pais achavam isso, ele era sempre o primeiro com quem eu dividia minhas decisões.
Corri para o computador e digitei o email do Nay. Eu respirei fundo e depois digitei.
"Oi Nay, acabamos de nos falar por telefone. Estou feliz com a notícia, mas quero que você lembre que por aqui há um bando de lobos, por isso, você vai ter que se comportar. Você me entende. Te amo... Beijo, Ness."
Reli o email para ter certeza que se um humano lesse, não entenderia o real sentido. Depois cliquei no botão enviar e peguei meu casaco.
- Tchau família. Vou a La Push enfrentar a raiva de um lobo.
Todos se entreolharam e eu pensei o quanto aquilo seria difícil.
- Não vai ser tão ruim assim, você vai ver – disse Alice.
Por mais que eu soubesse que em suas visões ela não podia ver os lobos, eu me senti um pouco mais confiante. Depois, pensei que mesmo que tudo terminasse bem eu mesma não me perdoaria por pedir que Jake aceitasse Nahuel tão perto de La Push. Olhei para o meu pai antes de sair de casa e ele olhou com carinho para mim. Eu pensei "Sai da minha cabeça papai querido" e ele riu e acenou para mim. Logo depois eu estava correndo entre as árvores. Obviamente não era tão rápido quanto meus pais fariam, mas era bem mais do que um humano campeão olímpico poderia fazer. Quando avistei a casa de Jake desacelerei o passo. Ele agora morava sozinho e tudo na casa dele era um pouco mais bagunçado. A garagem também era maior e havia mais peças de automóveis, alem de duas motos e dois carros. O céu já estava negro e cheio de estrelas. A casa dele estava toda iluminada.
Quando eu bati na porta a menina que eu vira na floresta, Alana, a abriu para mim. Ela fez um movimento com a cabeça e me convidou para entrar. Entrei cautelosa, mas eu estava tão nervosa que tropecei. Ela me segurou para que eu não caísse e no momento seguinte tudo sumia e eu estava em um quarto vendo um homem velho e moreno morrendo. Pisquei os olhos e olhei confusa para Alana. Ela devia estar me achando uma louca. Até eu estava achando isso. Que merda de outra ilusão, visão, sei lá era aquilo? Eu costumava ter essas coisas, mas eram raras e já havia acontecido duas vezes no mesmo dia! Depois de estalar todos os dedos da mão para me acalmar, entrei na sala. Aquela era a mesma sala que eu já estivera anos atrás, mas o local parecia ainda menor por causa dos jovens de La Push. Lá estavam cinco deles sentados em uma mesa minúscula me encarando. Quando Alana também se sentou, Seth levantou e puxou uma cadeira para mim.
- Senta Nessie – disse ele alegremente.
Então agora o bando era de sete. Alana era a mais nova. Jake era o líder e Seth era o segundo maior seguido logo depois por um homem que parecia ter o dobro de largura de Seth. Além desses ainda tinha um rapaz de cabelo mais comprido e outro de pele mais clara. Por último, ao fundo, estava Leah. Eu achava que ela estava morta, mas não, lá estava ela do mesmo jeito de sempre e com a expressão fechada como eu me lembrava.
- Estava falando sobre você para eles, Nessie. Não se preocupe, todos irão respeitar você por aqui. Sabe, faz tempo que não falo sobre os Cullen e com os novos agora, é melhor atualizar as informações. – disse Jake
Eu sorri.
- Esse é Gavin. Ele é filho de Quil e Claire – disse apontando para o jovem de pele mais clara.
- Aquele é o Blade, filho de Paul e Rachel (o de cabelo mais comprido) e ou outro é o Royce, neto do Sam. (o de ombros largos e forte).
- Muito Prazer.
- Bom, os outros você já conhece, né?
- Claro. Seth e Leah já ha bastante tempo, ne? E bom, a Alana eu conheci por esses dias. Royce e ela são irmãos?
- Somos – ela respondeu enquanto "brincava" de se cortar com uma faca e observar a cicatrização.
Jake tirou a faca da mão dela e eu ri do quanto ele era paternal. Enquanto isso Leah me olhava de rabo de rabo de olho, mas ela me pareceu ainda mais antipática do que o habitual. Depois eu reparei que todos estavam me encarando em silêncio e eu senti que eles estavam me avaliando.
- Bom, err....posso falar um instante com você. –falei baixo tentando fugir dali
- Lógico – Jake respondeu, mas como ele não se mexeu eu continuei.
- A sós.
-Ah, sim...Vamos lá fora que eles vão continuar a reunião sem mim.
Nós saímos pela porta. Do lado de fora duas garotinhas brincavam de ciranda animadamente. Andamos para longe para que ninguém pudesse nos ouvir. Passamos por uma fogueira que ardia subindo muito tentando alcançar o céu. Era lua nova e só de olhar rapidamente para as estrelas, vi minha constelação preferida: o cão maior. Sempre que eu sentia saudade de Jake era para aquela constelação que eu olhava. É nela que está a estrela mais brilhante e mais próxima da terra. Era engraçado olhar para ela agora que eu estava tão próxima de Jake. Talvez eu buscasse ali as palavras certas para convencer e não magoar meu Jacob.
-Bom, Jake...
Ele me olhava curioso. Como eu demorei para voltar a falar, foi ele quem falou:
- Quê que aconteceu pra você vir aqui agora? Achei que você ficaria dias sem querer me ver.
Eu estremeci ao lembrar o que acontecera naquela tarde e fitei meus próprios pés tentando juntar coragem. Ele levantou meu rosto com dois dedos abaixando a cabeça de leve para me encarar.
- Que foi Nessie, pode falar....
Eu respirei fundo.
- O Nahuel vai vir pra cá. Depois de amanhã.
No mesmo instante que eu terminei de falar suas mãos começaram a tremer.
- Não acredito Nessie, não acredito que você vai trazer aquele....aquele cara pra cá.
- O que você ia falar? Aberração?
-Não! Não ia!
- Eu sou igual a ele!
- Eu sei! Não é isso! Mas você sabe que a presença dele aqui deixa todos muito tensos! Como você quer que eu encare meu bando e diga que está tudo bem tendo mais um desse tipo entre nós?
- Você nos trata como se você também não fosse uma aberração...
Ele me olhou num misto de reprovação e tristeza.
- Nessie....
-Jake, por favor...não posso negar a vinda dele e também não quero confusão. Ele vai se comportar, eu tenho certeza disso. Se ele vier, ele vai fazer tudo certinho. Ele consegue se controlar mais por ser meio humano.
Ele não respondeu. Apenas fitou o céu com as mãos ainda tremendo.
- Por favor, Jake...olha pra mim...
Ele me olhou e eu sabia que era só porque eu estava suplicando.
- Por favor, vai me fazer feliz...
Ele olhou para baixo tristemente, mas suas mãos não tremiam mais.
- Você sabe que o que você está me pedindo é muito sério, não sabe?
- Sim.
-Nessie, eu não faria isso por mais ninguém....
-Isso é um sim?
- Isso é um "ele vai ter que se comportar".
-Isso já serve.
Eu tive vontade de abraçá-lo, mas ainda estava constrangida com o que acontecera.
- Pode avisar o seu namoradinho das condições. Nada de La Push.
- Obrigada.
- De nada, Nessie. Eu preciso entrar agora, ta? Preciso terminar a reunião e ainda falar sobre isso com eles.
- Tudo bem. Te vejo amanhã, então.
- Aham.
-Mesmo? – disse inclinando a cabeça numa suplica com os olhos
- Pode deixar. A gente ainda vai precisar ver essa historia direitinho.
-Tá. Então...tchau, Jake.
- Boa noite, Nessie.
Eu fui embora sabendo que eu estava exigindo demais dele e eu estava com raiva de mim por convencê-lo a aceitar. No fundo eu sentia que ele não me negaria nada, mas eu não compreendia.
Fui para casa abatida. Sabia o quanto tudo aquilo seria difícil para Jake.
PARTE 4 – JACOB
Fui para casa abatido. Sabia o quanto encarar o bando e falar sobre Nahuel seria complicado.
Leah estava na porta. Lá ia eu novamente ter que encará-la. Ela era a mais complicada. Sempre. Os braços estavam cruzados e ela tinha aquele mesmo olhar que às vezes me fazia a odiar tanto. Por mais que eu lutasse contra isso, eu sabia que a opinião dela sempre contava muito. E o pior era que ela também sabia disso.
- Que foi Leah?
- Que foi pergunto eu....
Eu suspirei.
- Entra.
Ela fechou a cara mais uma vez, mas não discutiu. Lá dentro eu expliquei tudo para todos. Eles já sabiam sobre a impressão que eu tivera com Nessie e o quanto eu já abdicara e fizera por ela. Eles sabiam que eu faria qualquer coisa por ela, que eu daria minha vida por ela e que enfrentaria qualquer um que pudesse por a felicidade dela em jogo.
- Você ta agindo como um cachorrinho – disse Leah repentinamente
Os outros se encolheram nas cadeiras esperando que eu fosse explodir. Minha cara estava tão inchada e minhas mãos tremiam tanto que provavelmente até eu pensaria isso.
- Leah, não se mete. – eu disse entre dentes
- Me meto porque você sabe muito bem que isso é um perigo e tudo isso porque você não sabe dizer não a ela.
- Você não pode julgá-lo, você não sabe como é. – defendeu-me Gavin, o único ali além de mim que já tinha tido a impressão. Com a neta de Embry, por sinal. O nome dela era Kathelyn e ela era uma menina de nove anos linda.
- Olha, é o seguinte: se ele sair da linha, eu mesmo acabo com ele. Satisfeitos? –eu disse tentando acalmar todos, inclusive, a mim.
Ninguém discutiu e nem falou mais nada. Com exceção de Seth, ninguém estava contente com aquilo, mas eles pareceram satisfeitos com a minha resposta. Pelo menos havia um acordo e não brigaríamos mais. Sai de lá com raiva de Leah e não voltei mais para casa. Naquela noite eu fiquei perto da casa dos Cullen zelando pelo sono de Nessie na forma de lobo. Ela era o meu mundo, a minha vida, ela era a única razão por eu ainda viver. Eu morreria e mataria por ela e ela nem ao menos compreendia tudo isso.
Depois de umas duas horas parado lá, Bella deixou uma tigela de água pra mim. Eu a olhei com carinho e ela percebeu que eu sempre seria seu melhor amigo e que sempre protegeria sua filha. Sua mão acariciou meu focinho e por um momento eu lembrei de todos os bons momentos que havíamos vivido. Ela sorria. Apesar de vampira, ela era a mesma Bells de sempre.
Nessie acordou antes de o sol nascer e eu parti para que ela não me visse por perto. Talvez ela desconfiasse sobre meus sentimentos, mas eu não queria ter que explicar nada a ela. Na verdade, eu nem saberia como explicar alguma coisa porque meus sentimentos eram conflitantes. No dia em que a vi beijando Nahuel eu fiquei com raiva e eu tenho certeza que se ela não tivesse correspondido por livre e espontânea vontade eu teria o matado. Naquele dia percebi que, pela primeira vez, meus sentimentos estavam mudando e foi, então, que comecei a me imaginar beijando sua pele e sua boca. Seu corpo já havia atingido a maturidade há muito tempo e ela estava linda. Seus cabelos tinham um tom loiro escuro, ela tinha ondas no cabelo que emolduravam seu queixo. Seus olhos eram iguais aos de Bella e seu sorriso também me lembrava a mãe, mas era ainda mais bonito. Ela não poderia ser mais perfeita. Naquele dia eu a vi, pela primeira vez, como mulher e não como a garotinha que brincava comigo. Depois desse dia eu tive muitos sonhos nada inocentes com ela, mas no dia em que ela voltou para Forks quando eu a vi chorando e sabendo que era por mim que ela chorava, eu a olhei como no dia em que ela nasceu. Como o centro do meu universo, como a pequena loirinha que deveria ser protegida e acolhida. Eu não queria que ela derramasse nem mais uma lágrima e meu coração acelerou quando ela sorriu. Ela me olhava como se eu fosse a coisa mais maravilhosa que ela já vira. Não era difícil que eu me sentisse especial estando ao lado dela. Quando ela me abraçou e seu cheiro doce inundou o meu corpo, voltei a senti-la como mulher e me segurei para não beijá-la. Ela tinha o cheiro mais maravilhoso do mundo, um cheiro que lembrava o cheiro adocicado dos vampiros, mas que não fazia minhas narinas arderem, muito pelo contrário, inebriava minha mente e meu corpo. Ela era a única coisa que importava e eu faria qualquer coisa por ela, até mesmo suportar um namorado-que-não-a-merecia ou enfrentar a alcatéia. Eu queria tocá-la, mas ao mesmo tempo protegê-la de mim mesmo. Minha fixação por ela podia me deixar eufórico demais, eu não queria estragar tudo. No outro dia, quando ela me beijou, senti que ia começar a tremer, mas não porque eu me transformaria em lobo, mas porque era difícil resistir ao efeito que ela tinha sobre mim. Cerrei os olhos e o punho, respirei fundo e abri os olhos. Ela logo voltou a me encarar e dizer não a ela foi o mesmo que dizer não a tudo que importava para mim. Ela não compreendia, mas eu não podia exigir nada dela e tinha medo de contar a verdade e acabar afastando-a ainda mais. Ela , porém, voltou naquele mesmo dia para perto de mim, linda como sempre. Ter que aceitar seu pedido foi tão difícil quanto não beijá-la, mas como eu podia negar? Agora eu sabia que a minha sina era sofrer. Eu sofreria ao ver o namorado dela por lá e sofreria ainda mais se ela resolvesse ficar com ele pra sempre. Pela segunda vez, eu não seria o escolhido e dessa vez seria ainda pior porque eu estava fadado a nunca esquecê-la.
Quando acordei na manhã seguinte o sol brilhava intensamente. Já estava na hora do almoço e eu comi todo o pão, o bacon e os ovos da geladeira. Depois andei pela tribo vendo se estava tudo bem, se não havia nenhum perigo ou alguém precisando de ajuda. Gavin e Blade saíram para ensinar alguns meninos da tribo a pescar e eu fui com eles para passar um tempo. O suficiente para pensar sobre tudo e dar tempo para que Nessie também pensasse.
Gavin era filho de Quil. Ele já tinha quase sessenta anos, mas se mantinha jovem. A pele dele era mais clara que a dos outros e ele era uma pessoa que só perdia para Seth quando o assunto era animação. Quando ele olhava para a neta de Embry, Kathelyn, eu me via olhando para nessie quando ela era menor. Blade era filho de Paul e de minha irmã Rachel e era um pouco mais velho que Gavin, mas também permanecia o mesmo. O cabelo dele era o mais comprido de todos e os olhos dele eram iguais aos de Rachel. Gavin e Blade eram amigos inseparáveis e eu agradecia todos os dias por Seth ainda estar vivo para me dar esse tipo de amizade. Royce era parecido com Sam, mas, apenas, fisicamente. Alana é que me lembrava muito o jeito dele e, na verdade, apesar da força do irmão, Alana era muito mais talentosa. Infelizmente, Royce ficava descontrolado às vezes e eu tinha medo que ele acabasse causando problemas. Apesar de odiar o fato de eu ser o alpha, Alana nunca me desobedeceria, Royce eu já não tinha tanta certeza. Os pais de Royce e Alana nunca se transformaram em lobos. A mãe deles era filha de Sam e odiava toda essa historia. Talvez isso tenha causado um bloqueio nela, talvez não fosse para ser. Ela ainda ficava desesperada ao ver os dois filhos vivendo tudo o que o pai vivera. Se arriscando, quase morrendo, toda hora cicatrizando... Royce e Alana eram os mais novos da Alcatéia e eu tinha dado minha palavra à mãe deles que faria de tudo para protegê-los e treiná-los bem.
Gavin, Blade e eu pescamos e tomamos banho no rio brincando de jogar as crianças para o alto. Felizmente o tempo andava tão bom que a água só estava um pouco congelante, mas não tanto. Mesmo assim, não deixamos os meninos ficarem muito tempo na água. Muitos dentre eles queriam ser como nós, mas eu não desejaria isso para ninguém. Era muita responsabilidade ter que cuidar da segurança de todos por lá. Enquanto eu saía da água com um peixe que eu acabara de pescar com a mão, Seth apareceu transformado entre as árvores e eu soube que algo não estava bem. Pedi para Gavin levar as crianças de volta para a tribo e amarrei minha calça no tornozelo. Logo depois eu estava transformado ouvindo os pensamentos de Alana, Leah, Seth, Royce e Blade invadirem minha cabeça.
Jacob, um vampiro está mais ao sul. - gritou Seth em minha cabeça
E não é um meio sanguessuga não, esse é um inteirinho – completou Alana e eu pensei que ela estava aprendendo tudo muito rápido, o que obviamente a deixou eufórica e sedenta por luta.
Se contenham, não corram. Tomem seu tempo. – orientei
Logo estávamos correndo todos juntos. O cheiro agora se tornava mais forte. Quando o encontramos ele estava espreitando um casal que estava acampando. Minha pulsação acelerou quando vi que havia uma pessoa conversando com eles e que ela era Nessie. Gritei mentalmente para que Alana, Leah e Blade fossem para o outro lado. Nós nos dividimos para fazer com que ele corresse para o sentido contrário dos três. Ele fez o que esperávamos, mas ele era rápido demais. Gavin apareceu logo depois o surpreendendo. Agora estávamos completos e eu tinha certeza que não seria tão difícil pegá-lo. Ele conseguiu pular e escapar de Gavin . Alana o atacou logo depois. Ele, porém, era rápido, quase tanto quanto Edward e, por isso, teve tempo de perceber o ataque e a empurrar fortemente. Ela rolou no chão, mas eu não parei. Ela gritou que estava bem em nossas mentes logo depois e eu me senti confiante para cercar o sanguessuga e deixá-lo desorientado. Ele ficou atordoado, mas ainda assim conseguiu fugir de uma dentada de Royce. Depois disso eu o obriguei a ir para onde Leah estava e ele chegou a quebrar o braço dela enquanto ela o segurava entre os dentes. Fiquei com raiva ao ver ela se machucando, ela poderia ter evitado isso facilmente se estivesse mais concentrada. O vampiro não conseguiu fugir de Leah rápido o suficiente para evitar que Seth o destroçasse. Minutos depois estávamos espalhando seus pedaços por entre a terra de vários locais. O casal agora estava mais perto de nós e decidimos ir para mais longe deles para voltarmos ao normal. Leah foi a primeira a voltar a forma humana, ela tinha medo que o braço cicatrizasse errado se ela permanecesse como lobo. Eu e ela estávamos um pouco mais afastados dos outros e ela não ligou em ficar nua na minha frente. De qualquer forma, ela nem se sentia motivada a se esconder de mim, não depois de tantas vezes, em especial, não depois de duas noites específicas. Eu me transformei logo depois e botei a calça. Estava distraído quando Nessie apareceu. O vento jogava seu cheiro para o outro lado e eu nem havia percebido sua aproximação.
- Jake?
Eu a encarei enquanto abotoava a calça. Eu estava com mais vergonha dela do que de Leah. Engraçado, nunca sentira vergonha da Bella, mas Nessie me deixava constrangido. Talvez eu ainda a julgasse meio criança, talvez eu achasse que eu era muito pouco pra ela.
- Hey, Nessie...o que faz por aqui?
Ela fitou algo atrás de mim e eu tive certeza que ela estava encarando Leah, por isso, tentei fazer com que ela voltasse a olhar pra mim esperando que Leah já estivesse plenamente vestida. Eu não olhei para trás para saber.
- Tinha um vampiro por aqui. Você chegou a vê-lo?
- Não – ela agora me olhava – mas senti o cheiro dele e fiquei por um tempo perto da Liv e do Marc parta me certificar de que tudo ficaria bem.
- Você os conhece? – perguntei.
- Liv é neta de Angela e Ben. Marc é neto do Mike com uma outra mulher e da Jéssica com o Tyler. Todos eram amigos da Bella.
Eu estranhei ao ouvi-la chamando a mãe pelo nome, mas imaginei que fosse o costume já que elas não pareciam mesmo mãe e filha devido à idade.
- Eu os conheci – respondi.
- Imaginei – ela continuou ainda distraída.
- Eu vou estar na tribo se você precisar de mim – disse Leah enquanto eu ouvia a vegetação se mexendo. Mesmo que eu tivesse virado eu sabia que ela já havia sumido entre as árvores.
Nessie ficou brincando com a ponta do cabelo sem muita vontade de me encarar.
- Eu falei com eles. Se Nathuel não sair da linha não haverá problema. - falei
- Obrigada. Isso significa muito pra mim.
- Eu sei. É só por isso que estou fazendo isso.
- Eu sei. Desculpa.
- Não se desculpe. Eu faria qualquer coisa por você.
- Por que?
Mais uma vez ela me botava na parede e mais uma vez eu me esquivei.
- Porque eu prometi pros seus pais quando você era pequena e várias vezes prometi pra você também que não deixaria nenhum mal te acontecer.
- Não quero que você se obrigue a fazer as coisas por mim porque prometeu.
- Não importa. Eu sempre vou fazer porque eu quero.
Ela me olhou irritada.
- Quando ele chega? –perguntei para, mais uma vez, mudar de assunto.
- Amanhã.
-Hum....
- Você vai conhecê-lo, ou melhor, revê-lo. Depois a gente sai, sei lá.
Eu quase ri. Sair?Nós três...ah, se ela não podia me poupar disso eu tinha que fazer isso.
- Hum, talvez.
Me bati mentalmente por não gritar um "óbvio que não", mas desde quando eu recusaria estar com ela? Quando eu poderia dizer não a ela?
- Tchau, Nessie.... – eu disse antes de olhar mais uma vez para seus belos olhos e virar.
- Tchau, Jake.
Vaguei para a tribo como se tivesse no piloto automático, sem prestar atenção no caminho. Minhas pernas sabiam para onde ir. O vampiro não havia sido difícil. Fiquei um pouco irritado por ter sido Seth que matara o vampiro porque eu queria treinar mais Alana e Royce. Alana era a mais fraca, mas muito mais rápida e com uma estratégia melhor do Royce no primeiro ano dele. Quando Royce se transformava, apesar do pelo negro, em nada lembrava Sam. Royce parecia um cão raivoso, era Alana que mostrava em sua forma toda a magnitude de Sam. Ela seria muito boa naquilo, só precisava de treino e de menos mal humor. Eu ri ao pensar isso. Talvez fosse lei que as mulheres da tribo capazes de se transformar fossem tão carrancudas. Naquela noite Alana estava um pouco menos emburrada, era a primeira vez que eu a deixava atacar um vampiro, normalmente eu a orientava apenas a olhar e nos seguir. Mesmo sem ter tido muito sucesso em sua primeira tentativa, havia sido uma evolução e tanto e ela tinha vontade de melhorar e, por mais que houvesse rancor em relação a mim, ela, mesmo inconscientemente, queria provar que era capaz. Leah, ao contrário, estava ainda pior do que o normal. Seus movimentos estavam cada vez mais lentos desde que Sam morrera e naquela noite ela ficou transformada por muito tempo. Ela ainda sentia falta dele. Ela o amara até o último segundo da vida dele. E sofrera. Sofrera quando ele a renegou mesmo depois da morte de Emily e sofreu quando ele morreu. Sofria agora, eu sabia. Ela não era capaz de esconder isso de mim, assim como eu não podia esconder dela que Renesmee era a mesma coisa que um pulmão meu, ou melhor, ela era meu coração.
PARTE 5 – RENESMEE
Bella tinha voltado das compras e eu tinha acabado de terminar o primeiro capítulo de um de seus livros favorito "O morro dos ventos uivantes". Eu fui até a cozinha ajudá-la e mesmo estando acostumada com as compras que ela fazia eu sempre ria por saber que só eu comeria aquilo.
- Mãe, não precisa comprar tanta coisa. Você sabe que eu não como tanto.
- Mas você adora chocolate!
- Não tanto quanto sangue, ne? Você não devia se preocupar tanto. Eu vou caçar hoje.
- Então coma um chocolatinho na volta.
- Nunca vi uma mãe empanturrar tanto um filho com chocolate.
- Eu me lembro que era muito bom, eu quero que você saboreie como eu gostaria de saborear.
Eu ri.
-Está certo.
Ela tirou algumas coisas do pacote e enquanto eu guardava alguns pedaços de carne crua na geladeira ela ajeitava alguns biscoitos no armário.
- Encontrei um casalzinho hoje no mercado. Eles estavam indo acampar. A moça que trabalha lá falou que eles são netos de uns amigos meus. Na verdade, eu perguntei quem era a família deles e acabei descobrindo. Nossa, engraçado ver o tempo passando assim, às vezes ainda é difícil pra mim.
-Mãe...
Eu sentei na mesa da cozinha encarando-a.
- Você se arrepende? Tipo...de virar vampira, de ter me tido?
Ela largou um pacote ao meu lado e pousou as duas mãos nos meus ombros.
- Nem por um momento, Renesmee. Você, seu pai, essa família são tudo pra mim. Não trocaria isso por nada.
- Não foi estranho com Jake...ele...aceitar tudo isso.
- Foi. Foi muito difícil, mas tudo ficou bem, não é? Lobisomens e vampiros podem ser amigos. Nós somos a prova disso.
- É...acho que sim – falei sentindo que ela estava terminando uma conversa que eu não queria que acabasse.
No final da tarde eu resolvi que era hora de caçar. Tive sorte. Logo nos primeiros minutos consegui duas lebres. Assim como meu pai, eu preferia leões da montanha, mas enquanto não íamos caçar novamente, eu me contentava com aquilo.
Eu estava me limpando no rio quando ouvi vozes por perto. Um casal estava montando acampamento por ali e eu resolvi falar com eles. Quando eu me aproximei, por algum motivo, eu tinha certeza que aquele era o casal que minha mãe vira pela manhã. Eu disse um "oi" meio sem graça e eles se assustaram, mas logo me identifiquei e abri um sorriso simpático.
- Renesmee Cullen? Você por acaso é parente de Bella Cullen? – perguntou o garoto
- Ah, sim....ela era minha avó.
- Nossa! Minha avó falava muito dela – disse a menina
- A minha também já mencionou sobre a Isabella Swam que fisgou um partidão e virou Cullen. – disse o rapaz.
Eu ri. Imaginar meu pai como partidão era engraçado, mesmo sabendo que ele era mesmo muito bonito.
- Meu nome é Liv. Eu sou neta de Angela e Ben. Dois amigos da sua avó. E ele é o Marc, ele é neto do Mike Newton e também da Jéssica e do Tyler. Todos estudaram com a sua avó. Quando eu era pequena eu sempre tentava ver uma foto dela, mas misteriosamente ninguém mais viu fotos deles. Elas sumiram.
- Nossa.....- eu disse fingindo que estava impressionada. Era claro que a minha família não deixaria vestígio. Não em Forks, já que desejava voltar lá.
Eu ia embora quando senti um cheiro doce e cítrico. Fiquei com medo. Eu estava sozinha ali com os dois e havia um vampiro desconhecido por perto. Muito provavelmente eu não era tão forte quanto ele e não poderia evitar que ele matasse os dois. Liv e Marc falavam animadamente sem perceber o perigo que os cercava. Eu mal fizera amizade e já ia ter que lidar com enterros. Não era justo. Eu tinha que fazer alguma coisa. Fiquei alerta, mas logo um alívio relaxou meus músculos quando senti o cheiro de lobos. Eu estava segura. O cheiro de Jake, especialmente o dele, me acalmava plenamente. Logo todo o mix de cheiro de lobos e de vampiro desapareceu e meus novos amigos nem haviam percebido todo o conflito e o perigo ao redor deles.
- Nossa, foi ótimo conhecer vocês. A gente se fala. Em uma semana as aulas começam e eu serei colega de vocês.
- Nossa, que ótimo! – exclamou Liv
- A gente se vê então, Renesmee. – disse Marc
- Pode me chamar de Nessie.
- Nessie? Nessie tipo o monstro do lago Ness?
- É...- eu disse rindo – um dia eu explico.
Eu me despedi e corri para encontrar Jake. Eu queria ter certeza que estava tudo bem.
Quando o encontrei minha garganta deu um nó. Ele estava sem blusa e ainda mais irresistível do que de costume. Seu cabelo estava molhado e eu tive que prender a respiração por um momento para não deixar transparecer que ele me deixava atordoada. Eu ficava sem graça com a reação que ele estava causando em mim. Por que eu não conseguia mais vê-lo como um amiguinho como antigamente?
- Hey, Nessie...o que faz por aqui? – ele disse enquanto eu via algo se mexer atrás dele.
Leah estava de costas com o cabelo solto. Mesmo assim, eu sabia que ela estava sem blusa. Eu fechei tanto as mãos que minhas unhas cravaram na minha pele. Sim, eu estava com raiva. Como não ficaria? Eles estavam nus pouco antes de eu aparecer e nenhum dos dois parecia preocupado com isso.
- Tinha um vampiro por aqui. Você chegou a vê-lo?
Ela abraçava o braço que provavelmente estava machucado. Tudo bem que ela quisesse que ele cicatrizasse, mas ela não poderia se vestir antes disso?Logo depois desse pensamento virei para responder olhando para Jake. Talvez ele já tivesse percebido que eu tinha visto Leah atrás dele.
- Não – respondi – mas senti o cheiro dele e fiquei por um tempo perto da Liv e do Marc parta me certificar de que tudo ficaria bem.
Enquanto nós conversávamos eu a vi colocar a blusa calmamente como se ficar nua ali e estar ali fosse algo completamente banal. Quando a voz dela soou dizendo que estaria na tribo se ele precisasse de algo eu esfreguei meu pé com raiva no chão, como se algo muito nojento estivesse preso no meu sapato. Além de tudo ficava jogando charminho? Me poupe.....essa historia de que ela amava Sam era furada. Ela gostava mesmo era de um lobo alpha.
Quando eu fui embora tudo aquilo ficou na minha cabeça. Eu estava com ciúmes. E o pior era que eu tinha plena consciência disso. Como eu podia estar sentindo isso se em poucas horas meu namorado, o cara que eu achei que seria um parceiro para vida toda, estaria chegando? Eu estava confusa, mas sabia exatamente o que eu estava sentindo. Naquela noite um lobo uivava. Eu não poderia dizer quem era, mas ficava feliz em ter certeza de que não era Jake. O som da voz dele, até mesmo transformado, era único pra mim. Eu rolei na cama com muita raiva. Pensando no quanto eu queria ser como parecia tão forte e confiante o tempo todo que eu chegava a sentir inveja de sua certeza sobre si. A pele dela era linda como a do Jake e eu era branquela como minha mãe quando humana, talvez até mais. Suspirei desanimada sentindo a inveja mais uma vez tomar conta de mim quando pensei que, para ela, era rotina vê-lo nu. E, céus, eu realmente queria vê-lo nu naquele momento.
- Boa noite Renesmee! – gritou meu pai do quarto dele e eu pensei "me esquece e sai da minha cabeça, pai".
Acho que ele realmente parou de vasculhar meus pensamentos, talvez pelo próprio bem mental dele. Eu dormi imaginando como Jake seria sem roupa. Um sorriso malicioso ainda estampava meu rosto quando eu acordei na manhã seguinte.
PARTE 6 - JACOB
Quando acordei eu estava animado. Era o dia em que eu ia a Forks pegar meu querido. Um Buick, modelo roadmaster conversível, 1951, vinho. Ele era perfeito e só precisava de cuidados especiais para voltar a ser o que era. Eu ganhava a vida restaurando carros antigos. Pessoas de vários lugares vinham até Forks me entregar carros que tinham historias pra contar e que precisavam, apenas, de alguém que desse, digamos, uma recauchutada neles. Desta vez era diferente, aquele era pra mim. Quando cheguei em Forks andei rápido, principalmente, depois de ver a dona do mercado. Ela era bem novinha quando eu a conheci. Devia ter uns dez anos, então, eu agora falava para ela que era filho de mim mesmo, mas não gostava que ela me olhasse para que não tivesse certeza que eu ainda era eu e que apesar de mais velho, eu era mais novo do que ela. Enfim, acho que ficar novo, afinal, dá trabalho. Peguei o carro rapidinho e naquela tarde me dediquei com carinho a ele. Às vezes eu me perguntava se Nahuel já tinha chegado, mas logo eu tratava de me concentrar em uma peça do carro para não me torturar ainda mais. Eu estava de baixo do carro quando vi um par de pernas morenas perto do pneu mais próximo de mim. Eu não precisava sair de lá para saber que era Leah.
- Jacob...
Eu revirei os olhos e sai de baixo do carro. Odiava ter que parar o que estava fazendo.
- Oi Leah....
- Eu estava pensando...
- Que foi? – perguntei impaciente
- Estava me perguntando, ou melhor, estive me perguntando...se seria muito ruim que a alcatéia tivesse um a menos agora.
- Quê?
Ela andou para longe de mim escondendo o rosto e eu tive certeza que se eu olhasse mais atentamente para seus olhos veria que ela não tinha dormido e que andara chorando.
- O que você quer dizer?
Ela se virou e eu vi que eu estava certo sobre seu rosto abatido.
- Eu quero dizer que eu estou pensando em largar tudo, envelhecer, quero dizer que eu não sou a mesma, que vou acabar atrapalhando a alcatéia e que eu não tenho mais motivação para continuar vivendo.
- Você quer, ahm...o quê? Como assim?Você não pode!
- Você toma a decisão por mim. – ela estava séria
- Não estou falando isso porque eu sou o alpha, estou falando porque eu sou seu amigo porque ham...porque você é importante pra mim.
Ela me fitou desconfiada.
- Olha Jacob, sobre aquela vez, eu....
Eu tampei sua boca instintivamente como se de repente todos pudessem ouvir, ou pior, Renesmee. Até então, só nós dois e Seth sabíamos sobre isso e eu não queria que essa historia voltasse.
- Não fala nada não.
Uma lágrima quente escorreu pelo rosto dela e molhou minha mão. Eu tirei a mão de sua boca e a abracei.
- Me desculpa- ela soluçou
- Para com isso, Leah.
- Sim. – ela enxugou as lágrimas.
- E para de fazer o que eu falo por obediência.
Ela me fitou melancólica.
- Olha.... – eu abaixei o tom de voz – o que aconteceu, sabe, o que aconteceu entre a gente foi uma fraqueza, foi porque estávamos triste, entende? Eu me sinto culpado por isso, mas eu não quero que você fique preocupada também. A gente não precisa levar isso tão a sério porque senão a gente vai acabar criando um desconforto desnecessário entre nós.
- Você se arrependeu, Jake.
- Sim, mas não tem nada haver com você.
- Me desculpa, em primeiro lugar, eu não deveria ter beijado você.
- Para com isso. Aquele dia nós estávamos descontrolados e não estávamos muito racionais.
- E a outra vez....
Eu bati na minha própria testa, irritado.
- Da outra vez, também. Agora, será que a gente pode não falar disso?
Ela ia chorar de novo. Eu sabia.
- Eu sei que você se sente culpado – ela soluçou – eu posso ouvir seus pensamentos, os outros não entendem a culpa que ronda a sua cabeça, mas eu sei. Você sente que a traiu, não é?
Eu não respondi e nem precisava, ela sabia muito bem.
- Você não a traiu porque vocês não tinham nada, Jacob! Eu amo o Sam, acho que nunca vou deixar de amá-lo e eu sei que eu carregarei essa dor comigo, mas você não precisa disso! Não entende? Você pode lutar por ela e ser feliz!Ser feliz como você nunca foi com ninguém!
Eu pensei que ia chorar também, mas engoli a pouca saliva que eu tinha na boca e fitei meu carro querendo pensar em coisas boas.
- Você sente que não a merece, mas talvez ela é que não mereça você. Ela tem uma puta sorte de existir toda essa historia de impressão. Você é o cara, Jacob!
Eu sorri ao mesmo tempo que continuava me controlando para não chorar. Ela nunca havia falado essas coisas pra mim. Ela sempre reclamava e brigava comigo. Era a primeira vez que ela demonstrava plena admiração.
- Você tem a chance que eu não tive. Ela até o beijou, Jacob! Poxa, até eu sonhei que estava beijando ela e olha que foi ainda pior do que beijar a Bella Swam em sonhos!
Eu queria rir, mas ainda estava abalado com aquela conversa.
- Diga que você vai tentar, Jake.
Eu fiquei em silêncio querendo falar alguma coisa que não chegou a ir para meus lábios.
- Diga!Vamos!Diga que mesmo ela não merecendo, você vai lutar por ela.
- Eu.... ta, eu prometo que eu vou tentar, ta bom assim? Prometo que se eu sentir que ela corresponde, eu vou tentar.
Um leve sorriso apareceu em seu rosto.
- Eu quero que você seja feliz – ela disse andando para fora da garagem – eu quero que você seja por você e por mim e eu vou sair da alcatéia, mas só quando você estiver pronto para abdicar de um lobo.
- Quando alguém mais entrar você estará livre para sair Leah, mas eu não vou abdicar de você na minha vida, você sabe....
- Eu sei, mas também sei que eu não o suficiente pra você e nem você pra mim. Tchau, Jacob...te vejo mais tarde
Eu fiquei um tempo parado pensando no quanto teria sido bom se ela tivesse tido uma impressão com alguém, era triste demais vê-la falar de felicidade como algo impossível. Em relação a mim, ela estava certa em parte. Estava errada em dizer que Renesmee não me merecia e estava certa em relação à felicidade. Nessie era minha vida e abdicar dela, era abdicar de minha chance de ser feliz. Eu ia lutar por ela.
Se vocês gostaram e querem que eu continue a escrever, por favor....reviews! Os comentários sempre são um incentivo para a historia ser cada vez melhor!
Um beijo, Misure
