- Ei, Moony! Acorda!
Lupin abriu os olhos, mas por um breve momento pensou que ainda dormia. Ou melhor, ainda sonhava, já que o rosto que estava a sua frente era o mesmo que acabara de abandoná-lo em sonho.
- Padfoot? – perguntou, se apoiando nos cotovelos. O dormitório ainda estava bem iluminado, então ainda era dia. – O que houve? Não foi ao encontro?
Seu corpo estava ligeiramente trêmulo e sua respiração descompassada, mas ele não se lembrava o porquê. Já Sírius parecia um pouco estranho.
- Fui, mas…
- Mas?
- Eu me esquivei de Maicon, ele beijava muito mal!
Remus riu. Profundamente aliviado.
- Faz tempo? Acho que estou dormindo desde que você saiu…
- E pelo visto teve um bom sonho.
O loiro ergueu as sobrancelhas e seguiu o olhar de Sírius que apontava até o meio de suas pernas, onde um grande volume parecia lutar contra suas calças. Remus corou, instantaneamente se lembrando do sonho que tivera, o qual envolvia Sírius, muito beijos, muitos amassos e muitas mãos.
Ignorando o sorrisinho do amigo ele pegou um travesseiro e o pôs em cima do corpo.
- Se você quiser eu espero você… Se aliviar primeiro. Depois a gente conversa.
- Não – ele respondeu, sem graça. – Meu problema passa daqui a pouco.
O moreno riu, se jogando ao seu lado na cama. Oh, aquele não era o momento para fazer isso. A cama era pequena e o calor do corpo dele tão próximo ao seu era o que menos ajudaria naquele momento.
- Você quem sabe. Mas então… com quem era o sonho? Com o tal cavalheiro anônimo ou com alguma garotinha?
- Isso não vem ao caso, Padfoot. Mas então… Se você se esquivou de Maicon não teve oportunidade de… realizar o seu… você sabe.
Sírius riu frente ao embaraço do amigo.
- Não. Foi até melhor assim. Pena que meu 1º beijo em um homem tenha sido esse fracasso. Mas a gente supera.
- Primeiro beijo, Paddie? Você nunca tinha…
- Outro homem, não.
- Mas então como sabe que é…
- Eu sei, apenas sei. Não preciso ficar com uma pessoa para me sentir atraído por ela, preciso?
- Não, claro que não. – ele assumiu. Nunca tinha ficado com Sírius, porém…
- E você? Nunca beijou um homem?
Ele não entendeu logo.
- O que disse?
- Você tá meio surdo hoje, não? Eu perguntei se você nunca mesmo beijou um homem!
- Eu nunca beijei ninguém, Paddie.
Ele disse isso em voz alta?
- Heim, Moony? Responde logo!
Não, ele não disse. Ufa...
- Não, Paddie. Nunca beijei um homem
- Moony, tira esse travesseiro daí, larga de ser besta!
- Não, eu não...
- Isso é normal, Moony, não precisa ficar com vergonha. Aliás, não é possível que você ainda esteja…
Os esforços de Lupin não foram o suficiente para manter o travesseiro seguro. Sírius sempre foi mais forte e nem precisou fazer muita força para puxar o objeto. Calou-se, entretanto, quando viu o volume ainda presente, inabalável.
- Moony, você ainda está…
"É claro! O meu objeto de desejo não saiu do meu lado!"
- Moony, você deveria sar mais! Nem que seja com qualquer garotinha por aí! Há quanto tempo você não sai com ninguém?
- Esquece, Paddie…
- Não, você precisa relaxar! Está fazendo falta pra você! Diz aí, qual foi a última vez que alguém te tocou além de você mesmo?
Não eram só as bochechas de Remus que agora estavam vermelhas, mas os olhos também pareciam arder e, tentando escondê-los, ele se virou de frente para a parede e de costas para o amigo. Esse assunto parecia persegui-lo, que situação!
Sírius,porém, não parecia querer deixá-lo em paz.
- Heim, Remus? Porque não me responde? Faz mesmo muito tempo, não é?
- Padfoot, por favor…
Um movimento na cama e a proximidade de calo lhe informou que o moreno tam´bem se virava e se aproximava.
- Porque não quer contar? Tem vergonha de assumir que faz tempo ou aconteceu alguma coisa traumatizante? Moony, o quê…
- EU NUNCA FUI TOCADO POR NINGUÉM, PADFOOT! PRONTO! É ISSO O QUE QUERIA SABER?
Alguma coisa quente escorreu por suas bochechas e ele fechou os olhos, humilhantemente infeliz. Esperava agora o riso desenfreado de Sírius ou um "Há! Legal a piada! Fala sério agora?"
Mas o que ouviu por segundos indeterminados foi apenas o silêncio.
De repente, um toque suave em suas cosas.
- Desculpe, Moony. Eu não… imaginava. Você sempre foi tão… Tão guardado, tão na sua, eu pensava que… você apenas não gostava de contar esse tipo de coisa.
- Tudo bem. Não é tão… ruim assim é?
Silêncio.
- Você tem 16 anos… É estranho, Moony, porque há tantos caras feios e sem graça que já saíram com dúzia de garotas e você… Você é bonito e… - Remus sentiu as bochechas corarem mais. – É o tipo de qualquer pessoa em sã consciência…
- Resumidamente, isso é muito ruim – Remus murmurou, infeliz.
- Não é ruim, é só… Inacreditável! Você merecia…
- Tudo bem, Paddie, não importa, eu não ligo.
Uma pausa.
- Não liga mesmo?
Remus não teve coragem de mentir, então não respondeu.
- Você também não… Não se masturba com freqüência, não é?
Dessa vez ele não conseguiu mentir, acenou negativamente com a cabeça.
- Eu me sinto… mal. – murmurou.
- Porquê? Isso é normal, não é…
- É errado, sim, Paddie. Eu não deveria… Pensar em quem penso.
- Hm... Estou entendendo… Você imagina aquele cara e se sente culpado e sujo por desejar uma pessoa do mesmo sexo, não é isso?
"Sim, e porque ele é um dos meus melhores amigos".
Mesmo assim ele concordou.
Outra pausa.
- Moony. Se eu… Eu te falar uma coisa você promete não confundir, nem… levar a mal?
Ele franziu o cenho, ato que passou despercebido por Sírius já que ele estava de costas. O quer era agora?
Um suspiro, seguido de um fechar de olhos.
- Diga, Paddie.
Mas Paddie não disse.
Remus não se deu ao trabalho de abrir os olhos, mas encolheu ao sentir um toque morno em sua cintura.
- Me deixa… Me deixa fazer em você?
- Hãm? – Os olhos não só se abriram como se arregalaram. Ele não estava dizendo, não estava se oferecendo…! Não!
- É que… Eu tenho curiosidade, eu queria… E você precisa saber como é… você precisa… A gente é amigo, não é?
- Eu ipreciso/i?
- Bom, aparentemente você está com um problema aí, não é?
O tom descontraído não foi o bastante para que Remus se curasse das tremedeiras repentinas.
- Moony? Será que eu posso considerar o seu silêncio como resposta?
Aparentemente sim, pois ele pareceu incapaz de dizer qualquer coisa.
Fechou os olhos ao sentir o toque descer pelo seu quadril.
- Você não quer se virar? – A voz de Sírius não era mais do que um sussurro sedutor.
- Na-não.
Sírius riu. Remus tremeu.
- Ainda bem que eu tenho braços compridos, assim não dificulta muito.
"Oh, Sírius… Pare de falar nesse tom, por favor…"
A mão do moreno encontrou o membro do castanho por cima do tecido da calça e instantaneamente ele ficou tenso.
- Calma, Moony… Relaxa.
Um forte suspirou escapou dos seus lábios quando o moreno o apertou. A respiração dele batendo em seu pescoço.
- Hum… moony, você tem uma pedra aqui?
- Sírius…
- Hum… Isso é melhor do que fazer em mim mesmo, moony.
Lupin não se segurou e soltou um gemido suave ao sentir Sírius começar a massageá-lo. Ao ouvi-lo, sírius se aproximou mais, até encostar o seu corpo no dele. O ar faltou para o castanho ao sentir que o outro também estava se excitando.
- Sírius… - ele conseguiu arfar, enquanto, ainda o tocando, o moreno parecia puxá-lo e apertá-lo contra sim.
Como aquilo era bom! Como Remus tanto sonhara com este momento! Como ele desejava esse Sírius Black!
- Moony… - este respondeu, bem próximo ao seu ouvido. – Como você é… Tão excitado…
Desajeitado por estar com uma mão só, sírius se inclinou para abrir o fecho da calça do outro, que não se opôs.
Não foi um gemido. Não foi um sussurro. Pode ter sido um uivo, ou apenas um grito. Mas algo perfurou os ouvidos de Sírius quando seus dedos rodearam a pele quente do castanho.
- Você precisa mais disso, moony – Ele murmurou, os lábios praticamente colados em seu ouvido enquanto o masturbava. – Eu mesmo vou… Conversar com essa pessoa que… você quer…
Claro!
Afinal, Sírius Black era seu iamigo./i
Um surto doloroso de consciência invadiu a mente e o coração de Remus.
- Pare, Sírius – ordenou com uma voz fraca e rouca, mas que qualquer um entenderia como ordem e não pedido.
Sírius parou com os movimentos, mas não afastou sua mão.
- Algo errado, Moony? – Um ligeiro tom de preocupação.
- Afaste-se, por favor, Sírius.
- Mas, Moony…
- Por favor, Padfoot. – Agora ele implorou.
Talvez preocupado, curioso, ou quem sabe revoltado? O moreno se afastou, nunca deixando de fitar as costas do outro, esperando uma explicação.
Remus apenas sentiu o peso em cima do colchão diminuir. As lágrimas vinham abundantes, mas ele se obrigada a engoli-las, não podia fraquejar mais.
Abotoou novamente as calças e se levantou sem encarar Sírius.
- Moony? – Este já dava as costas sem uma palavra, rumo a porta.
Parou.
- Será que você vai me explicar o porque dessa reação repentina?
Duas lágrimas teimosas pularam de seus olhos e isso fez com que se sentisse ainda pior. Sírius o tocara. Sírius era seu amigo… Porque, Merlim, ele tinha que ter esses sentimentos?
- Desculpe – conseguiu murmurar com a voz embargada, antes de se retirar de vez do aposento, deixando um Sírius completamente confuso para trás.
