Capitulo 2
A Vida a Dois
- Como assim não está trabalhando? – falou um Wilson incrédulo.
- Assim... Não está trabalhando... Apenas isso... - respondeu uma Cuddy resignada.
- Mas ele está no Hospital?
-Sim.
- E não está trabalhando?
- Não.
- Mas pelo menos está sacaneando com alguém?
- Não. Apenas sentado na mesa dele, jogando paciência.
- ...É sério então...
- Wilson, se assim não o fosse... O que vamos fazer?
- Você já falou com ele?
- Claro! A equipe estava em choque, ele nem quis escrever no quadro dele, deixou o Taub fazer...
- É... Bastante sério...
- É isso que eu estou dizendo...
- Está bêbado? Drogado? Tentando se matar?
- Não, misteriosamente, nenhuma das alternativas.
Wilson sentou na cadeira agora. Qual era a armadilha? Ele tinha que estar aprontando algo.
- Você acredita que foi pelo incidente no casamento?
- Não, House não ia ficar assim por...
Os dois se olharam. Será?
No 1º dia da semana, House chegou radiante no trabalho. Sem nem se preocupar com nada. E vez ou outra, olhava para a porta para ver se ela não estava ali. Quando percebeu o dia tinha chegado ao seu fim, e ela não aparecera.
No 2º dia, ele passou direto no ER a sua procura. "Ela está em lua-de-mel", foi a resposta. Besteira, pensou. Quem iria em lua-de-mel depois do que aconteceu na festa? Passou na casa dela depois. Tudo fechado. "Ela viajou", foi o aviso. Ok, podia ter precisado de uns dias sozinha para entrar com a anulação. É, isso explicaria.
No 3º dia, começou a checar se o celular, os telefones, pages dele estavam funcionando. "Liga pra mim, Kutner!". Sim, estavam. Ele não falou nada, não dormira bem. As coisas não faziam mais sentido para ele. Parou de trabalhar, e a equipe achou que nao era nada.
No 4º dia, as coisas nao mudaram. Ela realmente tinha casado e realmente ia seguir com aquela idéia? Não podia ser. Podia ser coisa de ego masculino idiota ferido, mas estava possesso. E logo ficou apático, não conseguia se concentrar no caso. Foi quando Wilson chegou para conversar com ele, depois de passar pela sala da Cuddy.
- House, você não pode ficar aqui parado...
- Posso sim. Não te perguntei e ficarei.
- Isso tudo é pela Cameron? Sério?
- Não, sempre tive sentimentos guardados pelo Chase...- respondeu sarcástico.
Wilson reflete no que pode falar. Algo que não cause confusão.
- Então vai atrás dela...-escapou-lhe dos lábios- ...Ops, não era isso que ia dizer...
-Se ao menos soubesse onde ela está... -ele falou quase pra si próprio- Foreman.
E foi em busca de um informante.
Foreman já tinha dito ao chefe sua posição naquele incidente no casamento. Ele desaprovava. Ambos os noivos eram amigos próximos dele, e House fez pior que criança mimada. Não tinha sido por falta de esforço de Cameron, e agora que ela estava feliz com outra pessoa -muito mais adequada pra ela- House resolve estragar tudo, apenas porque ele sempre faz isso.
- Paris ou Cabo?
- O que?
- Você sabe... Para onde o australiano arrastou a Cameron...
- House, eu não sei...
- Não me diga que ele teve a idéia ridícula de levá-la para o "lar dos cangurus"?
- Não tenho a mínima idéia... –disse calmamente.
- Mentira... Se você sou eu, o Chase é uma versão metrossexual do Wilson..Você sabe sim...
- Ok, eu sei. Mas não irei te contar. Você não tem nada mais que estragar a vida deles. Você não serve para a Cameron, deixe-a em paz.
- Ahh sim, você e a 13 fazem o casal mais previsível e provável da face da terra.
- Escute, não é a minha própria vida que eu ferrei. Foi você. Se você a quisesse mesmo, não teria esperado ela casar com outro. Isso não é querer alguém. Você apenas quer provar que ainda tem poder sobre a Cameron. E isso é doentio. Não irei compactuar.
House ponderou as palavras de Foreman.
-Muito bem.
Deixou o assistente no laboratório, percebendo que este não estava usando seu terno. Como previra, na sala de diagnósticos estava a peça de roupa, e mais precisamente no bolso esquerdo estava o palm com certas informações preciosas.
Tinha que haver alguma pista ali. Acessar o mail dele talvez, Sherlock iria atacar. A senha dele com certeza seria algo do tipo "Ilove13", "RemyheartEric"...bla bla bla...
Quando a equipe chegou, House estava escrevendo alucinadamente no quadro. Não eram sintomas. Todos pararam a uma certa distancia e ficaram tentando adivinhar o que estava acontecendo.
- Foreman, digamos que 14 acontece, onde você a levaria pra passar a lua de mel?
- House...
- Não vamos lá participe, veja como a sua namoradinha está curiosa...
- Sim, vamos ver...- Remy disse.
- Ok, Havaii.
Ela sorriu e balançou a cabeça ponderando.
-Ok, já que você realmente poderia ter uma esposa também...Onde você a levaria? – e 13 suspirou alto-...Vamos lá...Tipo você realmente faz de conta que a ama...
- Rio de Janeiro...
- Brasil... Interessante... E você Taub? Onde foi sua lua-de-mel?
- Niágara Falls...
- Claro, porque eu perguntei ainda. Logo se vê porque seu casamento não deu certo... Próximo, Kutner? Não... Nada de Índia...Você só tem uma semana e é um pouco fresco...
- Pelas opções...Paris... Eu acho.
- O que é isso tudo?
- Isso, minha cara, é minha teoria que bons casamentos já iniciam com ótimas luas-de-mel... Bem longe de casa, bem românticas. E se por "n" razoes não são assim, há algo errado. Ainda mais quando ambos são jovens, tem dinheiro, tempo, dizem que se amam...
- Sim, pode ser.
- 13 digamos que ao invés de Veneza ou Rio, o Foreman atravessasse a ponte e ...
Foreman na hora começou a checar seu palm.
- Cadê o meu palm, House?
- ...e a idéia é lua-de-mel em NY?
- Eu ia matá-lo...
- Bingo...
- Você mexeu nas minhas coisas?
- Eu te dei a opção de me contar...Você que não quis...
- House...Deixe-os em paz...
- Eu já tinha separado minha camiseta florida, meu passaporte, meu protetor solar... E eles estão ali, pedindo pra serem interrompidos. Sorry, a culpa não é minha.
Eles estavam ali. No hall do hotel. Cameron estava sorrindo, com algumas sacolas de compras na mão, e a outra segurava o rosto do marido, dando-lhe um beijo. Ela se afastou e House ficou observando. Ele não queria encontrá-la assim. Queria encontrá-la acorrentada a uma cama, amarrada, amordaçada, sem poder pedir socorro.
Ao voltar de seus pensamentos, Chase estava a alguns passos dele. Suas feições estavam alteradas, mas ele manteve aquela distancia de segurança entre eles.
- O Foreman me avisou que você vinha.
- Para você ver que não se fazem mais subordinados como antigamente. Mas não fiz segredo também. Pelo jeito, ele não avisou a Cameron também. Se não, ela...
- Ela escolheu ficar comigo...
House não tinha uma resposta para aquilo.
- Você não a ama... Apenas a quer ao seu lado eternamente, para se sentir seguro...
- Você não sabe o que eu quero...
- Sei sim. Você não pensa duas vezes quando quer algo, e ela sempre deixou claro como se sentia por você. E mesmo assim, o q você fez? Apenas a iludiu.
- Ela não precisa de você para defende-la...
-Não, não precisa. Ela mesmo já se defendeu de você. Ela não trabalha mais com você, ela se casou comigo. Quanto mais clara você quer que ela seja? Ela não te quer mais na vida dela...
O médico mais velho ficou em silencio. E disse então.
- E mesmo assim, ela continuou a trabalhar no meu hospital, a qualquer hora que ela possa, aparece na minha sala. Ela fugiu do teu pedido e procurou a mim. No dia do casamento dela, ela me beijou. E passa a lua de mel a algumas horas da minha casa. Quanto mais clara você quer que ela seja? Ela não te ama...
Chase engoliu aquilo tudo. Não havia como refutar os elementos envolvidos, apenas se apegava ao resultado. Tênue que fosse. Frágil como pudesse ser.
- Allison casou comigo. Ela está comigo aqui de livre espontânea vontade. Pode não me amar como eu a amo, mas eu a amo... E você, nem isso ofereceu a ela...
Touché novamente.
- House, vá embora. Se você se importa o mínimo com ela, pare de brincar. Deixa-a em paz... Ela não merece...Você não irá faze-la feliz... Deixa-a ser feliz comigo.
Ele concordou com a cabeça e se retirou.
Ele não viu que Cameron observava aquele duelo de longe, sem crer no que presenciava.
