Disclaimer: Rk não me pertence. Isso é só um fanfic .
"É verdade?"
Parte 2
Por Chibi-lua
A manhã seguinte foi de ressaca para os habitantes do dojo Kamiya. Era uma quarta feira ensolarada e de pássaros cantando nas janelas. Kenshin acordou por volta das oito horas da manhã, o que era absurdamente tarde para ele.
"Oro." Foi a primeira frase quando despertou e olhou para o relógio. Normalmente o ruivo já estava aprontando o desjejum as seis da manhã. Nem o ruivo acreditou que tinha dormido tanto. Ele sentiu uma dor chata de cabeça.
.../...Aquele sakê que o Sano trouxe era bem forte, e eu bebi além da conta noite passada.../...
Kenshin preparou o café da manhã silenciosamente, longe dele começar uma guerra acordando Yahiko, Sanosuke, Megumi e Kaoru antes do tempo. Quando sentissem fome, iriam despertar naturalmente.
O espadachim notou que os gatos do dojo já miavam famintos. "Ah, vocês já estão com fome, não é mesmo?" Ele alimentava os felinos quando escutou o portão se abrindo. Kenshin caminhou da cozinha para a entrada da casa, curioso para saber quem chegava no dojo tão cedo.
Para sua surpresa, Kaoru entrava no quintal. Ela vestia sua roupa de treinamento, o rosto vermelho, e suor escorrendo pela sua testa. A jovem apoiou-se na pilastra de sustentação da casa recuperando o fôlego.
"Ohayou gozaimassu, Kaoru-dono. Tudo bem? A senhorita estava correndo... tão cedo?" Kenshin abriu um sorriso. Ele esperou um bom dia, mas não recebeu. O espadachim ficou curioso. "Hum?"
"Dr Gensai precisa da Megumi, agora". Kaoru apoiava-se sem fôlego na pilastra do dojo.
Kaoru estava com um monte de coisas rodando em sua cabeça. Ela não conseguiu ficar na cama depois das 04 da manhã. Quando o sol nasceu, resolveu dar uma caminhada. Foi ai que escutou a noticia sobre a grande tragédia no novo teatro. "Existem vitimas presas no teatro". Ela ouviu os policiais gritando, e correu para ajudar.
A shihandai tentou espantar a pontada de ciúmes e raiva quando Kenshin a recebeu todo alegre e sorridente.
.../... Como ele pode me receber assim após ter beijado Megumi na noite anterior?.../... Ela balançou a cabeça vigorosamente.../...Não é hora pra isso. A cidade está desmoronando, e eu aqui pensando em romance. Deixa de ser idiota Kamiya.../...
"ANDA LOGO, mande a Megumi correr para a clinica o mais rápido possível". A shihandai gritou brava.
Kenshin estranhou o tom brusco de Kaoru, mas parecia que algo realmente sério estava acontecendo no centro de Shitamachi. "Claro".
Pela urgência de Kaoru, Megumi mal teve tempo de se arrumar direito, ela pulou do futon e alguns minutos depois já estava correndo para a clinica do Dr Gensai.
Kenshin começou a perguntar o que tinha acontecido, mas Kaoru simplesmente se levantou e deu as costas para ele. "Kaoru-dono, aonde a senhorita vai?"
"Quero água". Ela respondeu novamente em tom ríspido.
"Este servo vai buscar. A senhorita veio correndo e..." Kenshin se levantou imediatamente para atender ao pedido da jovem, mas parou imediatamente ao escutar a voz dela.
"Eu NÃO preciso de você...para me buscar água". Kaoru estava tentando se controlar, mas estava difícil. Ela não queria odiar Kenshin. Ela só queria não ter que depender tanto dele. Ela queria começar a se desligar dele, até que seus sentimentos diminuíssem pelo menos um pouco. A shihandai não sabia se seus sentimentos por Kenshin poderiam ser somente de amizade, mas ela precisava tentar. Se ele amava outra pessoa, o que ela podia fazer? Dizer adeus e nunca mais o ver? Odiar?
Kaoru virou o rosto, e pela primeira vez naquele dia mirou os olhos violeta dele.
Kenshin parecia magoado.
.../...Vai ser mais difícil do que pensei.../... Kaoru esboçou um sorriso, ela não queria ser consumida pelo veneno. Ela não queria odiar.
"Gomem. As coisas não estão bonitas lá na clinica. Dr Gensai pediu para que eu viesse chamar Megumi, mas eu também vou voltar para lá. Eles precisam de toda a ajuda possível. Existem dezenas de feridos e mortos". Ela disse baixinho, arrependida por ter sido tão rude. .../...Ele me trai com a Megumi. E eu que fico com remorso?.../...
"Este servo também está indo". Kenshin entendeu a seriedade da situação, mas não deixou de sorrir para Kaoru. A cordialidade dele era genuína.
"Pode me incluir nessa. Não sei o que tá rolando, mas tô dentro." Sanosuke e Yahiko apareceram na varanda devorando sem cerimônia o café da manhã que Kenshin tinha preparado.
...
O centro de Shitamachi cheirava a fumaça. O garoto, vendedor de jornal, gritava atraindo seus clientes.
"EXTRA EXTRA, TRAGÉDIA NA NOITE DE INAUGURAÇÃO DO NOVO TEATRO DE SHITAMACHI. DEZENAS DE MORTOS E FERIDOS".
"Oi garoto, quero um jornal". O menino entregou rapidamente o jornal para o homem na sua frente.
Sanosuke abriu ligeiramente na página principal. Ele estava muito curioso, pois só se falava nisso. O lutador nem podia acreditar, enquanto dormia depois de ter tomado um porre, o mundo acabava para alguns figurões poderosos do Japão.
"Sano, não podemos nos dar ao luxo de lermos o jornal agora. O dr Gensai precisa de toda ajuda possível. Quando chegarmos na clinica você lê a noticia completa para todos nós". Kenshin tentou apressar o passo. Kaoru e Yahiko acompanharam, mas o lutador continuou parado na frente do vendedor de jornal.
"O que? Estou esperando a Jou-chan pagar pelo jornal" Sanosuke tinha uma expressão quase infantil no rosto.
"Mou". .../...Só pra isso que eu sirvo.../... Contrariada, Kaoru abriu sua pequena carteira e entregou algumas moedas para o jovem jornaleiro. Este, totalmente alheio à discussão entre Sanosuke e Kaoru, voltou a anunciar sua manchete a pleno pulmões.
A situação da clínica médica do Dr Gensai estava ainda pior do que há duas horas atrás. "Oh Kami-sama".
Kaoru nunca tinha visto tantas vítimas de queimaduras reunidas em um só lugar. A shihandai teve que confessar sentiu-se um pouco enjoada.
Sangue, ferimentos, rostos e corpos desfigurados, aquela visão não era nenhum pouco agradável. Ela costumava se manter forte, mesmo ao ver pessoas morrendo, mas aquele cheiro revirou seu estômago.
"Kaoru". Com uma voz firme e extremamente irritada, Megumi chamou a atenção de Kaoru, e tirou a jovem de suas contemplações.
"Não fique parada!! Ajude, ou se não agüenta, vá buscar os suprimentos e ervas que estão acabando". Megumi tratava freneticamente de varias pessoas ao mesmo tempo.
.../...Eu queria enfiar umas ervas no cérebro dessa imbecil ai. Isso sim.../...MasKaoru engoliu seco, a situação estava ruim demais pra discussões.
A pequena clinica estava abarrotava de gente, e ao ver mais gente chegando Megumi teve um acesso furioso. "NÃO PODEMOS RECEBER MAIS NINGUÉM" A médicaesbravejou para um dos policiais que traziam um senhor com queimaduras no rosto. Apesar de sobrecarregada, Megumi não conseguiu negar socorro ao senhor, e acabou socorrendo o homem no chão da clinica mesmo.
"Levem os próximos feridos para a clinica Ouki". Dr Gensai disse para o jovem policial. "Não podemos receber mais ninguém".
"A madrugada toda foi assim, deveriam ter umas duzentas pessoas naquele teatro." Dr Gensai disse para Kenshin enquanto cuidavam de um senhor no fundo do quarto.
"Este servo poderia ter feito mais para ajudar, vocês deviam ter solicitado minha ajuda antes". Kenshin olhava o caos a sua volta com muita tristeza.
"Eu sabia da festa no dojo. Sabia que provavelmente vocês beberiam. Megumi está irritada comigo por não tê-la chamado durante a noite, mas não era plantão dela, e eu não poderia deixar que ela exercesse medicina sob tais condições". Dr Gensai explicou porque preferiu esperar o dia amanhecer para chamar Megumi e os outros.
"Ahhhh" Um homem gritava de dor em um canto do quarto. No outro lado da enfermaria, o desajeitado Sanosuke, e assustado Yahiko, ajudavam um rapaz enfaixado a se deitar na cama.
"Kaoru. Os suprimentos." Megumi estava a ponto de explodir, e a jovem shihandai parada ali no centro da sala ia ser a primeira a ser atingida. "Agora!!"
"Ce... certo" Kaoru percebeu que o melhor que tinha a fazer era ficar longe da médica irritadiça antes que uma guerra desnecessária começasse ali. .../...Acho que eu estou crescendo, por diversas vezes já deu meu braço a torcer nas ultimas 24 horas, até onde isso vai, eu não sei dizer.../..."Vou buscar os suprimentos".
Na saída da clinica, Kaoru viu o jornal que Sanosuke havia comprado jogado em cima da mesa. Algumas palavras escapavam de seus lábios conforme ela lia a notícia.
"Cerca de duzentas pessoas estavam no teatro na noite passada ... uma seleta platéia de japoneses ilustres...Testemunhas afirmam que as explosões começaram após o aparecimento de um homem estrangeiro no palco do novo teatro... Italiano..." Kaoru deitou o jornal novamente sobre a mesa. A jovem shihandai saiu da clinica em direção em busca das ervas. Ela sentiu-se um pouco incomodada com a nacionalidade do homem que apareceu no palco antes da explosão, mas preferiu não comentar nada, nem mesmo com o Dr Gensai que conhecia a historia de seu pai.
...
Após um dia extremamente quente e cansativo, a situação da clinica começava a ficar menos frenética. Kaoru massageou suas têmporas com as pontas dos dedos. Os pés da shihandai estavam inchados e doloridos. O cabelo todo desarrumado, o corpo suado. Ela não agüentava mais ficar com aquele kimono, mas ainda não podia ir para casa.
Kaoru passou o dia um pouco desorientada. Ela evitou contato visual e físico com Kenshin e Megumi o máximo que pode. A sorte é que todos estavam tão ocupados, e ninguém prestou atenção nela.
Mesmo no mundo da lua, ela cumpriu todas as tarefas que se propôs a fazer. Foi diversas vezes até as lojas de suprimentos buscar ervas, emplastros, faixas, gazes. Tirou água do poço tantas vezes que os músculos de seus braços estavam extremamente doloridos.
Deixando suas duvidas quanto ao relacionamento de Kenshin e Megumi um pouco de lado, a jovem resolveu focar em outra coisa que também causava grande preocupação, a nacionalidade dos possíveis atacantes do teatro.
A jovem parou ao lado de um dos pacientes, e tentou escutar enquanto um homem ferido dava seu testemunho ao policial.
"Ah sim. Apareceu este homem antes da explosão, ele falava com um sotaque bem diferente...Italiano. O sotaque era italiano . No entanto, ele não disse nada demais. Só disse que a peça ia começar...depois duas palavras que eu não entendi. Ele levantou os braços e bummm... Teve essa enorme explosão. Destroços caindo em cima de mim. Gente correndo. Gente gritando e... Eu não conseguia mais focar em nada. Só no desejo de sair dali com vida" A voz dele ficou embargada.
A mente da shihandai não parava de associar esses italianos com os criminosos do passado.../...Ottousan disse que um dia esses criminosos voltariam...Será?...Não. Eu estou impressionada com tudo que aconteceu de ontem para hoje, é só isso!.../...
As próximas palavras do pobre senhor chocaram a mestra substituta ainda mais.
"Oh, parece que os jornais não publicaram, mas um homem chegou montado em cavalo negro. E no meio daquele caos, ele salvou minha vida, e salvou a vida de muitas pessoas. Mas ninguém sabe quem ele é, e nem para aonde ele foi".O senhor deu um breve sorriso.
"Homem? Como era esse homem?" O policial perguntou, e começou a anotar em uma caderneta. Esse fato era desconhecido para a polícia.
"Ah, bom, tinha muita fumaça estava tudo muito confuso, mas que eu consigo me lembrar... Ele era jovem, por volta de uns vinte anos. Alto, o cabelo castanho um pouco comprido, tinha olhos verdes. Verde como a grama... Ah, quando ele levantou a manga da camisa para me socorrer, eu pude ver no braço esquerdo uma grande tatuagem." O senhor fazia os sinais com os braços conforme descrevia esse misterioso homem.
"Que tipo de tatuagem? Tatuagem com os homens da Yakuza?" O policial automaticamente perguntou associando esse desconhecido com a Yakuza, apesar de não fazer o menor sentido um membro da Yakuza salvando pessoas de um incêndio.
"Eu não sei, era um símbolo... como eu disse estava escuro e..." O homem continuou a conversar com o policial, mas Kaoru já não ouvia mais o resto do depoimento. A mente dela já trabalhava com uma hipótese remota.
"Masaka. Ta...ta...tatuagem?" Kaoru suspirou para si mesma... /... Será possível? Ichiro voltou ao Japão?.../...
Kaoru estava tão surpresa que deixou uma lata cheia de algodões cair no chão. A tampa e a lata de ferro colidiram com o piso fazendo um barulhão. Todos pararam para ver o que tinha acontecido com a shihandai. Kaoru sorriu sem graça, como eles perceberam que não tinha sido nada demais, voltaram a realizar suas atividades.
"Hum... Vamos procurar este homem e pegar o testemunho dele." O policial olhou para Kaoru como se ela fosse uma desastrada qualquer, depois agradeceu o senhor pelo testemunho e se retirou da clinica.
"Se encontrá-lo, por favor, eu quero recompensá-lo... Ele salvou minha vida". O senhor disse antes de ser levado novamente para a enfermaria.
.../... Ichiro?.../...
Kaoru balançou a cabeça, tentando afastar aquela sensação estranha, seu coração disparou inconscientemente. .../...Mas se ele voltasse, me contaria, certo?.../...
Kenshin a estava chamando a um bom tempo, ela acordou para a realidade e finalmente foi ver o que o ruivo queria.
.../...Deixa de ser boba Kaoru, uma hora dessas Ichiro está na Europa paquerando alguma loira.../...
...
Já era quase meia noite quando os habitantes do dojo voltaram para casa. O retorno foi silencioso e cansativo, todos estavam extenuados pelo trabalho na clínica, e pelo calor insuportável que estava fazendo.
Kaoru estava muda. As franjas escondendo seus olhos azuis. Ela estava pensativa e confusa, pelos acontecimentos da noite passada, e pelos acontecimentos durante o dia na clinica do Dr Gensai.
Sanosuke e Yahiko pareciam um pouco impressionados com o que tinham visto o dia todo. Kenshin estava arrasado, ele não pensou que ia assistir tanto sofrimento novamente sem poder fazer muita coisa. Nenhuma vez durante aquele dia ele disse um "oro" sequer.
"As pessoas mais importantes foram levadas para um hospital chique do outro lado da cidade. Disseram que até alguns membros da corte vieram para a essa tal inauguração..." Sanosuke quebrou o silêncio.
"Este servo deseja estar errado do fundo do coração, mas tenho uma desconfiança de que não foi um incêndio aleatório..." Kenshin ficou preocupado com as conseqüências desse atentado caso suas desconfianças se tornassem reais.
Yahiko tirou as palavras da boca do ex-hitokiri.
"Hei, eu sei que vivemos em uma época de paz e confraternização, mas foi um pouco estúpido acreditar que nada aconteceria se colocassem todos os figurões da era Meiji em um lugar só, ne". Yahiko era uma criança, mas às vezes raciocinava como um adulto.
E ele tinha razão.
"Para desestabilizar esse governo que já é frágil... Por vingança de alguns políticos que estavam lá. Para coletar uma divida antiga... Para anunciar sua chegada ao Japão". Kaoru murmurou para si mesma, pensando nos motivos que a "Família" teria para atacar o teatro, ela sabia que todas as alternativas estavam corretas.
"Hã?" Kenshin, Yahiko e Sano ficaram olhando Kaoru de um jeito curioso. Ela apenas balançou os braços, e disse que estava viajando.
A shihandai permaneceu em silêncio o restante da jornada. Kaoru apenas escutava a conversação entre Sanosuke, Kenshin e Yahiko.
/ ...Droga. Droga. Droga... Ottousan me alertou sobre isso... Mas sem ele aqui como vai ser?... E se os mafiosos descobrirem quem meu papai foi? E se descobrirem que meu pai se apoderou dos diamantes?...Se ao menos eu tivesse a certeza de que aquele senhor estava falando do Ichiro...Mas, o Dr Gensai saberia. Ele não comentou nada sobre o retorno de Ichiro.../...
Kaoru mal podia acreditar em si mesma, mas nem mesmo o beijo de Kenshin e Megumi parecia tão primordial dentro da sua cabeça naquele momento.
"Oi Busu, já chegamos em casa". Kaoru estava tão perdida em seus pensamentos, que passava direto pelo portão do dojo.
"Hei, tem alguém ai?" Sanosuke deu duas batidas na testa dela.
Com a testa franzida, a shihandai olhou fixamente para Sanosuke, depois para Kenshin, e Yahiko.
/ ...Droga...Mas, eu prometi para meu pai que nunca contaria para ninguém, que nunca me envolveria nisso. Eu já quebrei uma promessa que fiz me apoderando do diário sem ele saber... /...
"Daijoubu desu ka,senhorita Kaoru?"Kenshin estava preocupado. O espadachim examinou bem a expressão apreensiva da jovem shihandai.
"Eu vou ter pesadelos essa noite". Kaoru murmurou frouxamente para si mesma. Ela encarou o chão de terra batida do quintal do dojo. Ao perceber a surpresa nos olhos do ruivo, ela se recompôs. "Sim Kenshin, tudo bem. Boa noite." E se retirou rapidamente sem escutar a resposta dele.
"Hai. Boa noite senhorita Kaoru". Kenshin percebeu que Kaoru estava impressionada com os acontecimentos daquele dia fatídico.
.../...É a segunda vez no mesmo dia que ela me deixa falando sozinho, e me trata com certa frieza...Que diabos está acontecendo?.../...
Mas tudo que o ruivo fez, foi acompanhar com os olhos enquanto a shihandai fechava delicadamente a porta de seu quarto.
...
Uma tempestade de verão começou a se formar em alto mar. Largas estrias de luz cortavam o céu negro. Os sons dos trovões ecoavam no peito dos tripulantes do navio. Ondas gigantescas ameaçaram a imensa embarcação. "Não podemos ficar aqui, esse navio está balançando demais. Vamos para águas mais tranqüilas agora."
O preocupado comandante oriental gritou para que seus homens ficassem a postos. Ele juntou todo seu conhecimento para guiar o grande navio negro movido a vapor para uma bahia segura.
Em águas mais calmas, o comandante ordenou para lançassem as ancoras. " Senhor Ares, É melhor mandar seus homens entrarem em alerta, essa região é conhecida por ataques de piratas." O comandante disse para o homem europeu ao seu lado com grande preocupação.
"Muito bem." O europeu fez o movimento para que seus três auxiliarem abrissem uma caixa de armas e munição.
Ares estava no auge de seus quarenta anos, tinha cabelos e olhos castanhos. Ele era um homem estranho, às vezes parecia ser gentil, mas de repente se transformava em uma pessoa áspera, impaciente, controladora...E muito cruel.
Os outros três europeus distribuíram armamento pesado para toda a tripulação do navio.
"Eu sei que o senhor tinha a intenção de chegar em Tókio ainda esta noite, mas infelizmente vai ser impossível com esse tempo." O comandante do navio estava um pouco preocupado em cumprir os prazos firmados com a "Família". Ele conhecia pessoas que falharam e sofreram conseqüências severas. Essa máfia era muito generosa quanto aos pagamentos, mas extremamente rígida quanto ao cumprimento de suas regras.
"Tudo bem. Eu não vou meter esse navio em uma tempestade. Já estamos balançado além da conta. Tenho certeza que amanhã chegaremos em Tókio e na hora do almoço vou poder comer alguma iguaria oriental, certo? Como é mesmo o nome do prato. Guiunu?"O homem de olhos castanhos colocou a mão no ombro do comandante do navio. Às vezes Ares conseguia ser gentil, e aquele parecia ser um de seus momentos de gentileza.
"Gyunabe, senhor." O comandante oriental sorriu e acenou com a cabeça.
"Isso, e vou arranjar uma bela gueixa também". Ares parecia estar de bom humor, ele até sorriu. O forte homem de olhos castanhos mirou mais uma vez para o convés cheio de homens armados esperando um ataque de piratas, ele se afastou e entrou no interior do navio.
O comandante pensou que o europeu não era tão ruim quanto sua infame fama pregava.
Ares abriu o cadeado que dava acesso a uma sala secreta no interior do navio. Com movimentos extremamente controlados ele entrou vagarosamente na sala. Muito cuidadosamente, ele iluminou o local com uma lamparina, sempre tomando cuidado para não aquecer muito o ambiente.
Dentro de caixas acolchoadas estavam as garrafas com seu precioso presente. Ele poderia ficar horas parado, só olhando para a magnitude daquele liquido dourado.
Tão imprevisível, instável e perigoso quanto ele.
"É, senhor Ascanio Sobrero, mesmo contra sua vontade, sua formula nos dará o controle do mundo. Quem poderia imaginar que algo tão inofensivo quanto a glicerina nos traria essa preciosidade. Esse óleo vai fazer com que a "Família" seja a dona do Japão. E isso é só o começo... com medo da destruição, os outros paises cairão aos nossos pés. E quando Giacomo menos esperar, a "Família" será minha...Como sempre deveria ter sido."
Uma risada rompeu o silencio da sala secreta do navio. "Só espero que Giacomo consiga recuperar os diamantes, a produção desse negocio é cara demais. Vamos precisar dos diamantes desaparecidos em 1876." Ares percebeu que mesmo sussurrando estava fazendo barulho demais e ficou quieto. Extremamente quieto.
Mas um grande sorriso não deixou de aparecer em seu rosto. "Ecco. E que venham os tais samurais."
Continua...
...
É, esse liquido que o Ares tanto gosta é nitroglicerina mesmo. Muhahahahaha.
Ascanio Sobrero, foi um químico italiano que viveu de 1812 a 1888. Ele descobriu a nitro no ano de 1847. Numa das suas experiências ficou gravemente ferido no rosto, e considerou de imediato a nitroglicerina como um explosivo muito perigoso e difícil de controlar. Mais muito, muito potente, que nas mãos erradas poderia criar o caos no mundo. E isso que meus adoráveis vilões pretendem fazer...
Thank you pelo review Katyna Choovanski . Valeu mesmo.
Obrigada por ler.
Bjs Chibi-lua.
