Capitulo 1

A primeira vez que o vi, foi no shopping, no final das aulas do 8ºano. Eu estava com a Marlene e com outra das minhas melhores amigas, Cathe Montgomery (baixinha, loira, cabelos extremamente lisos). Nós já éramos doidas por conhecer rapazes, especialmente giros (hehe).

Ele estava sozinho, num banco. Nós estávamos a decidir se íamos atrás dele ou dos alemães que cá estavam no intercâmbio. Mas entretanto ele entrou num café, chamado Ponto Come, ter com uns amigos. Então fomos atrás dos alemães.

E foi essa a alcunha que lhe demos. O gajo do ponto come.

_____________________________________________________________________________________

Nuns dias a seguir, que não interessam muito para a história, ele passou por mim e pela Marlene no corredor. A Marlene começou a fazer sinais, e eu não percebi nada. Estava com a mão levantada e ele quando passou no meio de nós, tocou-me com o peito DELE na MINHA mão (mais parecia ao contrário, mas juro que não foi, só nessa altura reparei nele.)

Mais uns dias a seguir, tocou e eu e a Marlene fomos para as aulas. Na nossa escola, há um grande corredor, a passerelle (juro que é mesmo assim o nome), onde os alunos estão todos reunidos, e onde estão os cacifos. Ele estava lá num grupo, e a Marlene, doida como é, empurrou-me para cima dele. Ele estava de costas, por isso não viu quem foi. Eu e a Marlene fugimos a correr e a rir. E ficámos por aí.

_____________________________________________________________________________________

Nas férias, fizemos conferências no MSN com a Emme e outro nosso amigo, o Peter Snow, que não interessa nada para a história, e é um chato do tamanho do mundo.

Não sei como, numa dessas conferências, eu ia casar-me com o Peter, e ele fugia com a Marlene (ele gostava dela) para as Caraíbas. Enfim. Então, a certa altura, eu disse que então, eu fugia com o gajo do ponto com. E a Emme com outro moço perdido de bom.

Nessas férias, nunca mais me lembrei do gajo do ponto. Nunca mais mesmo, esqueci-me completamente dele, nem sei como. E enquanto isso eu, a Emme e a Marlene andávamos obcecados com dois outros moços TÃO BONS *-*

E é esta a história de quando, como e onde, o vi pela primeira vez.

_____________________________________________________________________________________

Este ano, quando as aulas começaram, a Marlene vira-se para mim.

-Olha ali, Lily. Reconheces?

Ela disse isto com um sorriso de orelha a orelha.

Eu olhei, e disse:

-Claro que sim. Já tinha saudades do gajo do ponto.

E foi assim o "reencontro".

_____________________________________________________________________________________

Já este ano, no famoso 9ª ano, a escola está em obras. Temos aulas em contentores, especialmente num chamado M2. O contentor chamado Oficina de Artes é quase logo a seguir. Uma vez, depois do almoço, eu e o meu grupo de amigas (entre as quais a Marlene e a Emme, claro), ficamos aí perto dos contentores. E ele e os seus amigos á nossa frente, a uma distancia de 2 passos.

Acontece que o rapazito e os amigos estavam SEMPRE a olhar para nós. Extremamente disfarçadamente (ou seja, NADA disfarçadamente).

Tocou. Tínhamos aula no M2. E ele tinha no Oficina de Artes. Então, espertas como nós somos, fomos ver aos horários qual era a turma que lá tinha aula a essa hora. Era o 11ºF. E assim descobrimos a turma dele.

_____________________________________________________________________________________

Tínhamos o horário dele, sabíamos a sala onde ele estava. Acidentalmente-de-propósito, passamos lá um dia. Com a disposição dos lugares na sala, fomos às turmas e descobrimos que ele se chamava James. James Potter.

Houve dois dias em que não o vimos. Uma segunda e uma terça. Fiquei mesmo triste, mesmo perdida. Senti-me como se nunca mais o fosse ver.

Isso era um sinal. Mas eu não sabia.

_____________________________________________________________________________________

Na quarta, a Lene disse-me que o tinha visto, e que ele estava mesmo com cara de quem tinha estado doente. Senti-me mesmo feliz, como se o Sol nascesse depois dum mês de escuridão total.

Na aula de Português, tínhamos de escrever um texto descritivo, a descrever alguém, que não podia ser da turma (pois claro, como se eu fosse escrever sobre alguém da nossa turma)

Eu escrevi sobre o James, a Emme sobre o seu loirinho, e a Marlene sobre o seu gajo da Marquês. Sim, nós tínhamos um rapaz cada uma. Mas é claro que eles não eram "nossos", era uma maneira de os chamar, já que só sabíamos o nome do "meu". O da Emme era um loirinho do 10º ano, da nossa escola, e o da Marlene era um moreno mesmo giro que ela tinha "conhecido" numa festa.

A professora, bem, gostava de mim. Há dois anos chamava-me estrelinha. Meu Deus. Agora chama-me baixinha perspineta, ou perspirreta, ou lá o que é. Quer dizer resmungona. Chama-me isso porque eu mudei muito. Do tipo, mesmo muito. Eu há dois anos era calada, tímida, estudiosa e tinha boas notas. Agora sou muito faladora, nada tímida, não estudo quase nunca e continuo a ter boas notas.

É claro que tive de ler em voz alta, mas já estava a contar com isso.

Estava toda a tremer, mas a minha voz não.

"A primeira vez que o vi foi na escola, e só o via de vez em quando, mas agora vejo-o várias vezes por dia. Ele parece mais novo do que é, e é alto. Tem a cara arredondada e que o faz parecer mais novo. Tem olhos doces e castanhos como o chocolate. Tem o cabelo escuro. Quando fala, fala com entusiasmo e sorri sempre. Às vezes parece que não presta atenção ao que lhe dizem, mas é sempre por pouco tempo. Hoje está pálido e com ar de quem não dormiu nada porque está constipado. Está com a camisola vermelha que tinha no dia em que o vi pela primeira vez, e com umas calças de ganga. Ele é simpático, tímido, querido, meigo, preocupa-se com as pessoas e é muito bom amigo."

E acho que foi aí que a Cathe, a Emme e a Lene perceberam o que se passava. E que eu continuava a ignorar.

_____________________________________________________________________________________

Nos intervalos, ele olhava bué para nós. E nós para ele, mas um bocadinho mais sem dar nas vistas. Ele tinha um olhar tão meigo, tão docinho, era tão lindo, tão fofinho, tão… diferente. Não era parvo como os outros rapazes, e era dos primeiros a subir quando tocava (no inicio. Porque quando começaram as "batalhas de olhares", ele começou a subir mais tarde. E eu sempre tinha querido saber porquê.), e parecia ser atinado. Um rapaz às direitas.

Eu não sabia naquela altura, mas estava completa e irremediavelmente apaixonada por ele.

E ia ficando cada vez mais.