Como Sam havia intuído, foi impossível convencer Castiel a permanecer no bunker enquanto ele e Dean sairiam para fazer as investigações preliminares do caso. O anjo insistiu em acompanhar os irmãos na aventura, ou em pelo menos parte dela, nas situações que não envolvessem algum perigo real. Combinaram entre eles que Castiel participaria das investigações iniciais, como nas partes que precisariam sair à procura de familiares dos mortos e testemunhas de alguns fatos, e quando eles se fariam passar por investigadores e tentariam dar uma olhada nos corpos, falar com o legista, etc.

Fazia frio naquela manhã e, apesar do céu estar azul e sem nuvens, um vento gelado e cortante assoprava forte, aumentando o desconforto de quem ousasse sair na rua sem ao menos vestir um casaco. Dean se divertia observando Sam e Castiel disputarem o lugar no banco do carona; Sam vencendo a disputa enquanto seus cabelos se agitavam com o vento e ele tentava mantê-los longe do rosto; a decepção estampada no rosto de Castiel enquanto ele, levemente encolhido pelo frio, entrava no carro e se sentava em seu lugar no banco de trás. Dean tomou seu lugar na direção, ajeitou o cinto de segurança e deu a partida no motor. Sam, ao seu lado, dava uma ultima olhada nos endereços e calculava as rotas mais rápidas entre os locais que seriam obrigados a visitar. Já estavam a meio caminho do primeiro lugar a ser visitado quando Dean deixou seus olhos verdes buscarem a imagem de Castiel pelo retrovisor. O anjo parecia desconfortável, ainda estava vestindo suas roupas e não estava usando nada para se proteger do frio e os pelos do seu braço estavam arrepiados.

— Está sentindo falta do seu sobretudo, anjinho? — ele dava às suas palavras um tom debochado, simulando um beicinho e achando graça da própria piadinha infame, enfrentando com um sorrisinho cínico o olhar de reprovação de Sam.

— Muita falta, Dean. Precisamente agora. — Castiel passava a mão pelo braço, notando a própria pele arrepiada, sem compreender a complexidade das reações de seu corpo cada vez mais humano. – É tão estranha essa sensação! É como se minha pele fosse trincar inteira, estou meio rígido e tremendo.

— Você está sentindo frio. Isso foi um arrepio. — Sam deu uma risada.

— Eu não gostei da sensação.

— Sabe, Cas, tem outras formas bem gostosas de ficar arrepiado. Você precisa experimentar. — Dean se descontraiu no assento do carro, seu olhar se distanciou perdido em algum ponto, pois ele parecia estar pensando em coisas nada inocentes. Aquele sorriso malicioso em seus lábios reforçava nele a expressão de pervertido.

— Doente! — Sam bufou, balançou a cabeça e olhou para o rosto do irmão, que continuava sorrindo, indo cada vez mais fundo em seus pensamentos imorais.

— E quais são essas formas gostosas de sentir arrepios, Dean? — Castiel encarava com seriedade a conversa, estava tão inocente quanto seu olhar, atento ao loiro na direção, a espera da lição sobre as outras formas de sentir arrepios, se encolhendo mais ao ser atingido diretamente pelo vento que entrava pela janela do carro.

Dean não se deu o trabalho de responder. Revezando as mãos no volante do impala, tirou a própria jaqueta de couro e a arremessou por cima do ombro sobre o anjo no banco de trás. Estava usando uma camisa de flanela xadrez com as mangas longas por cima de uma camiseta de malha comum, e isso já o protegeria do frio, então poderia, sem maiores problemas, emprestar sua jaqueta para Castiel. A atitude foi apreciada e apoiada pelo irmão no banco do carona através de um sorriso e um gesto com a cabeça. O loiro respondeu ao apoio com uma piscadinha e um sorriso no canto dos lábios, e não se preocupou em ouvir o agradecimento de Castiel ao vestir sua jaqueta preferida. Ele sabia que viria o de sempre acompanhado do seu nome. Castiel não conseguia dizer muitas frases sem usar seu nome no meio. Era sempre: "Olá, Dean!", "Não acho correto, Dean", "Boa noite, Dean", "O que você estava sonhando, Dean?". O Winchester mais velho sorriu sozinho e simplesmente ligou o rádio do carro em uma estação famosa por tocar os clássicos do rock que ele tanto gostava, para o desagrado de Sam e Castiel, que tinham gostos um pouco diferentes para músicas.

O primeiro local de visita era a casa onde morava uma das vítimas. O homem branco, casado, filhos pequenos, bom pai, bom marido, trabalhador. Um homem que tinha uma vida estável e feliz, nada de vícios, e só tinha como costume frequentar o boliche com alguns amigos todas as sextas à noite. Sam e Dean tomaram a frente da conversa, se apresentando à viúva inconsolável como policiais a paisana, sendo recebidos com a mesma reação habitual dos familiares das vítimas, que estranhavam o fato de precisarem falar novamente com policiais e investigadores, depois de já terem feito isso algumas vezes e o caso estar caminhando para permanecer sem solução.

O marido havia morrido no caminho de volta pra casa, após uma de suas saídas para o boliche. Sem testemunhas, sem nenhum suspeita. Não tinha inimigos, amante, ex-mulher, filhos de outro relacionamento, atritos com familiares, absolutamente nada. Fora encontrado morto por um transeunte com o peito aberto pelo que parecia ser a mordida de um animal e seu coração não havia sido encontrado. Não era preciso ser um expert para saber que se tratava de um licantropo, por que não dizer, um lobisomem.

Enquanto Sam e Castiel faziam o papel de bons policiais conversando pacientemente com a esposa enlutada, Dean pedia para dar uma ida ao banheiro, aproveitando a situação para dar uma checada nas coisas do homem, mas não havia nada suspeito. Quartos, salas, banheiros, nada que pudesse sugerir alguma pista. Somente quando ele ia deixando o ultimo banheiro da casa, foi que observou, dentro do cesto de lixo, uma pulseira de papel azul claro com bordas douradas. Algo como aquelas pulseiras que assinalam as prioridades de atendimentos e urgências em hospitais e que alguns clubes noturnos e parques também utilizam para definir as áreas de acesso ao portador. Colocou o objeto no bolso e retornou à sala, onde Castiel e Sam esperavam por ele. Observou as fotos sobre a lareira da casa. Fotos de família, a vítima com seu grupo no boliche, fotos com as crianças, fotos de casamento, mais fotos no boliche, o homem carregando um troféu. Em nenhuma das fotos no boliche o homem aparecia usando a fita em seu braço.

Deixaram a casa da vítima ligeiramente desapontados por não terem encontrado nada que pudesse dar uma dica do local por onde deveriam iniciar a caçada. No carro, enquanto se dirigiam a casa da próxima vítima, Dean mostrou a Sam a pulseira. Ambos concordaram que aquilo poderia significar uma infinidade de coisas, desde uma visita a algum clube a uma reunião ou participação em alguma espécie de culto religioso. A pulseira não significava muita coisa, uma vez que nada a relacionava diretamente com o morto.

— Nós podemos tentar pesquisar mais sobre a pulseira quando chegarmos ao bunker. Tem alguns números e letras no verso, talvez contenha alguma informação sobre a empresa que produz as fitas e através dela poderemos chegar a alguma coisa — comentava Sam, tentando se agarrar a qualquer coisa que pudesse fornecer uma pista.

— Seria muita sorte. —Dean não parecia muito animado com a investigação. Todas as vezes que seus olhos cruzavam com os olhos de Castiel através do retrovisor, ele tinha uma contração no estômago e seu coração batia forte dentro do peito. Ele começava a pensar se não deveriam estar buscando uma cura para o anjo ao invés de ficar correndo atrás de um lobisomem. Tinha a sensação de estar desperdiçando um tempo precioso, e a vontade de parar com tudo e ir ver Crowley o atormentava. Talvez, com a graça de mais um anjo, poderiam ganhar mais tempo. — Podíamos parar e tomar uma cerveja, conversar um pouco e deixar de lado essa caçada, por enquanto. O que acha, Sam?

—Sério? Era você quem estava reclamando de ficar entediado no bunker. Algo errado? — a resposta de Sam veio acompanhada da pergunta e de um olhar um pouco preocupado.

— Você tem razão, irmãozinho. Precisamos ir dar uma olhada nos locais onde ocorreram as mortes. Vamos fazer a próxima visita e em seguida paramos para tomar uma cerveja e comer alguma coisa, conversar um pouco e depois vamos checar os locais das mortes. — Dean piscou um dos olhos para o irmão e deu um sorriso torto.

— Tem algo errado, não é? — o mais novo dos irmãos tentava olhar para o rosto de Dean, mas ele se mantinha agora com o rosto voltado para frente observando o tráfego.

— Eu sei qual é o problema de seu irmão, Sam — murmurou Castiel, seu olhar vagando pelo vidro da janela do Impala, sua voz rouca e seu tom pacífico atraindo a atenção dos Winchesters.

— E qual é o meu problema, Cas?

— Você acredita que é responsável pela minha vida, Dean. E acha que não deveria estar perdendo tempo com esta caçada quando poderia estar tentando encontrar alguma forma de evitar a minha morte. — O anjo olhou novamente para os irmãos sentados no banco da frente. — Porém você não é o meu salvador, Dean. O que eu desejo agora é estar com vocês e compartilhar um pouco mais das suas vidas e do que vocês amam fazer. Aceito o meu destino e quero que vocês compreendam. Eu quero que minha vontade seja respeitada.

Se preparavam para fazer uma conversão para a direita que os levaria para uma avenida movimentada, por isso a atenção de Dean precisava estar voltada para o transito, entretanto ela não estava, por pouco não colidiram com o veículo que os flanqueava. Visivelmente alterado ao ouvir a resposta de Castiel, Dean praguejou, evitando a batida com uma freada brusca, que irritou outros motoristas e muitas buzinas foram acionadas ao mesmo tempo e muitos palavrões foram direcionado ao loiro.

— Dean, é melhor você estacionar — sugeriu Sam.

Dean ouvia as palavras de Sam sem se virar para encará-lo. Procurou uma vaga e parou o carro. Ele respirava forte, seu tórax se movendo rápido para cima e para baixo. Dava para ver que ele segurava o volante com força porque os nós dos dedos estavam brancos.

— Cas... Eu não vou desistir de você, cara.

Castiel não respondeu. Permaneceu calado. Dean também não falava mais nada. Porém seus olhos se encontravam fixos através do retrovisor, o azul intenso de Castiel contra o verde fulgente do mais velho dos irmãos. Ambos naquele diálogo infinito que dispensava as palavras.

Naquele instante Sam preferiu o silencio. Voltou seu rosto para o painel do carro e deixou que seu irmão e Castiel tivessem mais um de seus momentos de olhares e silencio que sempre o deixavam um pouco à parte. Quando chegaram à casa da segunda vítima, nenhum dos três falava nada e o clima entre eles era tão tenso que daria para cortar com a faca.

Tocaram a campainha e precisaram aguardar até que a mulher gorducha, de pele morena, que os recebeu, desse uma olhada em suas identificações falsas de policiais. Com seu sotaque mexicano, ela perguntava a todo tempo se eles eram da Imigração, e só depois de ter absoluta certeza de que não teria problemas com seu visto, foi que ela decidiu permitir a entrada do trio em sua casa. Essa era vez de Sam tentar convencer a moradora que precisava ir ao toalete, portanto, ele abusava de seu charme e da sorte que tinha com mulheres mais velhas para conseguir dar uma olhada nas coisas do morto: o jovem latino recém-divorciado. Mais uma vez se depararam com uma situação pouco esclarecedora. Ele havia voltado recentemente para a casa da mãe após seu casamento ter fracassado. Muitas ex-namoradas, poucos amigos, sem filhos, fumante, com problemas com a bebida. Era um pouco explosivo. Não frequentava o boliche, mas costumava frequentar algumas casas noturnas e tinha muita pornografia nas gavetas de sua cômoda. Pornografia de todos os tipos. Enquanto revirava as gavetas do morto, Sam cuidadosamente folheava as revistas, lembrando-se sempre que não deveria deixar de lavar as mãos assim que saísse do quarto. De onde estava podia ouvir a voz compassiva de Castiel e seus conselhos para a mãe que perdera seu filho de forma tão trágica, atacado por um animal que arrebentou seu peito e arrancou seu coração a dentadas. O anjo lidava com sensibilidade, confortando a mulher, garantindo para ela que a morte de seu filho seria solucionada.

Após a visita a casa do rapaz latino, foram comer alguma coisa, tomaram algumas cervejas e discutiram as disparidades do caso que investigavam. Nenhuma ligação conhecida entre os mortos, nada que os conectasse uns aos outros. Era como se fossem casos isolados, para começar os corpos: dois mutilados, como se tivessem sido atacados por um lobisomem, dois sem sangue, se assemelhando mais a um ataque de vampiros. Nenhum relato sobre qualquer ninho de vampiros na região foi confirmado por outros caçadores que os irmãos contataram para tentar fazer alguma prévia do ocorrido.

— E então, o que vamos fazer agora? — questionou Dean antes de tomar, em um só gole, o restante da sua cerveja.

— Visitar os locais das mortes e voltar ao bunker para estudar a situação, como combinado — respondeu Sam sem muita animação.

Castiel parecia pensativo e mal tocava em sua cerveja. Comeu algumas panquecas e parecia mais interessado em observar a conversa dos amigos que dar sua opinião. Tentava compreender as nuances daquele caso incomum, a procura de algo que tivesse escapado aos Winchesters. E o diálogo dos irmãos continuava.

— Eu não acho que vamos encontrar pistas nos locais dos crimes, Sam, sinceramente. Talvez seja melhor ir falar com o marido do pintor.

— Pintor? Não tem nenhum pintor na lista de vítimas.

— Sei lá, cara! A maricona, lá...

— Maricona?

— Maricona, cara! Você ficou surdo?

—Ah, sim! Você deve estar se referindo ao artista plástico de meia idade, homossexual assumido, um cara bem resolvido que vivia sua vida sem hipocrisia e feliz com suas escolhas...

— É. É isso mesmo. — Dean disfarçou o constrangimento pedindo ao garçom mais duas cervejas, em seguida se virou para olhar para Castiel sentado ao seu lado e mudo como uma rocha — Tá falando muito hoje, Cas!

— Eu? Mas, eu não disse nada. — Castiel não compreendeu a ironia nas palavras de Dean e olhou para os irmãos a espera de uma explicação.

— Cara, você deve estar pensando alto, então — falou Dean, debochado.

— É sério? Você está conseguindo ouvir meus pensamentos? Como isso é possível, Dean? — A seriedade de Castiel ao perguntar arrancou dos irmãos boas gargalhadas. O anjo apenas olhava para os dois, ainda tentando compreender a situação.

Dean deu alguns tapinhas nas costas do anjo e murmurou em reposta:

— Quem me dera, Cas. Quem me dera. — Aproveitou que o garçom se aproximava com as cervejas para pedir a sobremesa: torta.

Estavam mais uma vez diante da repetitiva situação que o caso atual os impunha: deixando a casa de uma das vítimas sem nenhuma informação ou pista do que poderia ter acontecido e que os levasse ao monstro que estavam caçando, fosse ao ninho dos vampiros ou ao lobisomem. Muitas contradições, nenhum nome ou endereço que os levasse até algo mais concreto e perfis de vítimas bastante aleatórios. O artista plástico vivia com seu marido num apartamento confortável e muito bem decorado com esculturas e quadros, tapetes a mobílias nobres, num local da cidade que poderia ser classificado como sendo o bairro mais nobre da região. A arte era exaltada em cada pequeno espaço, dos banheiros aos corredores, passando por salas e cozinha. Tudo de muito bom gosto. O homem que os recebeu estava desolado com a perda do companheiro. Confidenciou ao trio que tivera uma briga com seu amado dois dias antes do ocorrido e que se lamentava demais por isso, pois foi a última vez que se falaram. Quando voltaram a se encontrar, o seu grande amor estava numa mesa, morto, no necrotério. Nada poderia doer mais do que o arrependimento pela oportunidade perdida. Dean ouvia com atenção aquele desabafo, parecendo estar sensibilizado com a dor daquele homem que chorava copiosamente naquele cenário de luxo e conforto. Dean fez as perguntas padrão sobre a rotina do falecido, e as respostas foram tão elucidativas como nas ocasiões anteriores. O artista plástico era fiel, tranquilo, não gostava de locais agitados e o casal sempre saia para jantar as quintas, ia ao cinema nas quartas, frequentava um clube recreativo nos finais de semana e recebia os amigos aos domingos a noite, e só. Após a briga, o morto ficara dois dias hospedado na casa de um amigo, e era para lá que os Winchesters rumavam agora na companhia do anjo, já fazendo planos para as próximas ações. Deveriam ir falar com a polícia no dia seguinte, após visitarem a casa da quarta vítima, e tentar checar informações dos casos que eram mantidas em sigilo para não prejudicar os trabalhos de investigação. Talvez as respostas estivessem lá.

Era início de noite e eles já estavam cansados. Estiveram durante a tarde vasculhando os locais onde os corpos foram encontrados, todos por pessoas que passavam pelo local e não tinham informação sobre testemunhas ou qualquer opinião sobre os casos. Deram mais uma vez com a ausência completa de provas ou sinais. Pareciam estar procurando agulhas em um palheiro. Mais uma vez suas investigações deram em nada. O amigo que havia hospedado o artista plástico não se encontrava na cidade. Tinha viajado dias antes. Seria um caso para se suspeitar, mas o último assassinato tinha ocorrido depois da viagem. Então, tudo levava a crer que o monstro permanecia na cidade.

— Caras, eu não sei vocês, mas eu estou exausto! — o Winchester mais novo desabafou assim que pararam no posto para abastecer.

— Um dia inteiro matando monstros não me deixaria tão cansado – era vez de Dean reclamar do dia de trabalho improdutivo.

— Estive pensando... — Castiel intrometeu-se. — Talvez vampiro e lobisomem estejam caçando juntos.

— O quê? Vampiros e lobos juntos? Seria como a saga Crepúsculo sem a Bella? — Dean perguntou.

— Faz sentido, Cas. Se vampiros e lobos não fossem rivais. Eles não se toleram — foi a vez de Sam dar sua opinião.

— Uma parceria bastante inusitada, mas não de todo impossível. Já vimos demônios e anjos trabalhando em parceria — os olhos de Dean foram de encontro aos olhos azuis de Castiel.

— E já vimos anjos e humanos trabalhando juntos também, humanos e demônios, humanos e fantasmas, humanos e anjos da morte... humanos e vampiros, não é mesmo, Dean? — Castiel enfrentou o olhar de Dean, sem se deixar afetar pela indireta que o loiro mandou para ele.

— Hmm... — Dean fez um beicinho de desdém e virou as costas para os dois, caminhando em direção a loja de conveniência e desaparecendo em seu interior, voltando alguns minutos depois com um bom estoque de cervejas para não atravessarem a noite a seco.