Big Bad WolfI told you not to go into the woodsI told you that he wasn't any goodI told you not to go into the woodsI told you that he wasn't any goodI'll take the wrong pathI think I'll go a little off trackAnd now there's no way backYou took all the apples that I hadBut I heart you and I wanna be your girlI heart you and I know you'll rock my worldLana del Rey
Era apavorante, aquela mulher, se que era mesmo uma mulher, não era sua mãe, definitivamente, o furo na história sobre o pai e o comportamento compassivo não eram o que sua mãe demonstraria nessa situação.
Aquela altura já deveria estar anoitecendo, mas o céu continuava com aquele aspecto alienígena, tinha diante de si sua "mãe" lhe chamando para irem para casa, estava com um pé quase inutilizado não tinha como correr mais rápido que ela, começava a formular as mais loucas teorias, será que bateu a cabeça em alguma pedra enquanto rolava ribanceira a baixo, ou pior estava tendo um "surto" novamente… Naru não conseguia se mover, era como se o peso do corpo estivesse quadruplicado e ao mesmo tempo sentia como se estivesse desmanchando.
"- Vamos querida, o que está esperando? Não tem problema, eu te ajudo a caminhar é só passar o braço nas minhas costas e se apoiar em mim".
Dizia sua "mãe" se aproximando cada vez mais, e seu olhar era profundo quase predatório, não desviara nem um segundo da menina, a qual já tinha o coração quase saindo pela boca e a face lívida de medo, estava hiperventilando com os lábios entrecortados entre uma respiração e outra.
Aquilo só poderia ser fruto de sua doença ela imaginou, não era real, mas estava acontecendo diante de si, antes que a mulher se aproximasse mais, um grito rouco escorreu de seus lábios trêmulos: -" Não chega perto de mim, você não é minha mãe".
Gritou ela assumindo uma posição defensiva com as mãos próximas ao corpo, e ao mesmo tempo em um piscar de olhos, aquela figura metamórfica chegou bem próximo a Naru, com ambas as mãos tocando seu rosto, olhando profundamente em seus olhos, agora transfigurados de pavor e banhados em lágrimas, e sussurrou como se confidenciasse um segredo há muito guardado: -" Eu sei querida, você não minha filha, é meu alimento" .
No final da sentença, com a mesma velocidade sobrenatural, lançou a garota com violência em direção ao riacho, Naru podia sentir o vento zunindo ao redor de si e logo após o choque contra as pedras do riacho já que não era muito profundo, e sentiu o rosto e mãos arderem em contato com a água após o baque.
O mais rápido que seu corpo machucado permitia se virou na direção daquela criatura, mas ela já não estava mais lá, com intuito de se desvencilhar de qualquer peso extra se desfez da mochila, que ainda estava em suas costas e começou a se erguer o mais rápido que pode, a adrenalina correndo em suas veias, mal conseguia sentir o tornozelo machucado, corria a toda para o lado oposto ao riacho o mais longe possível daquele ser maligno, mas não demorou até "a coisa" aparecer diante de si, agora transformado em um humanoide esverdeado com escamas por todo o corpo, grandes e brilhantes olhos e dentes e garras afiadas parecia um lagarto humano, sem falar na estatura tinha pelo menos 1,90m.
Rapidamente o ser aproximou-se e começava a puxar a garota, agora em estado de pânico pelos braços, em direção a mata fechada, na luta que se seguiu a jovem assustada só conseguia gritar o mais forte possível pedindo socorro, àquela altura já estava sendo arrastada com os joelhos sendo ralados e sujos no chão da floresta.
Com uma gargalhada digna de um coringa possuído, a criatura se direcionou a ela novamente. -" Agora humana, seu fim chegou" Disse a criatura, agora com uma voz metálica e dentes afiados como facas.
E mais uma vez aquele ser odioso e de pele pegajosa, segurou os braços da garota já histérica e a lançou na mata como se jogasse um saco de lixo num caminhão, nem se importando se ela fosse direcionada diretamente a algum tronco de árvore, mas por sorte ou milagre, Naru bateu contra a vegetação rasteira e menos danosa, emitindo um grito de espanto e dor, o choque fez sua cabeça girar, também sentiu a visão um pouco borrada e ardendo no lado direito e percebeu que era sangue escorrendo do seu supercílio, tentava abrir e fechar o olho rapidamente na esperança de enxergar melhor mas sem sucesso, estava tremendo muito de frio pelo contato com a água e mais ainda pelo terror que se apoderava de si, quanto conseguiu ter uma visão menos poluída pelo próprio sangue encarou a criatura que se aproximava lentamente como se fosse um caçador que já tinha a presa abatida.
Era seu fim, realmente, pensou, ia morrer ali naquela floresta pelas mãos de um ser sobrenatural e sua família nunca saberia o que aconteceu, estava cansada, definitivamente não tinha como superar aquele ser monstruoso, começou a se encolher no canto como um animal acuado, fechou os olhos e abraçou as pernas com os braços e começou a chorar convulsivamente, de repente um clarão esverdeado e som alto de explosão rompeu sua linha de raciocínio, fora realmente algo avassalador mesmo com os olhos fortemente fechados e com a cabeça abaixada pode vislumbrar aquela luz e o poder da explosão, seus ouvidos estavam zunindo e sentiu o cascalho e algumas pedras lhe atingirem com o deslocamento brusco de ar. Alguns segundos depois quando considerou seguro abrir os olhos e espiar por entre as pernas se a criatura tinha feito aquilo ou se ainda estava ali, não viu nada, além de um rastro de destruição como se aquela parte da clareira da floresta tivesse sido atingida por uma bomba atômica ou algo parecido, aquela explosão com certeza teria atingido a criatura pensou, mas o que ou quem teria aquele poder de destruição? Pensava enquanto passava a mão nos cabelos desgrenhados que insistiam em bloquear sua visão.
Tentando se levantar o mais rápido possível e fugir dali, andou, ou melhor se arrastou em direção a área devastada, quando olhando para os dois lados rapidamente, viu algo que fez seu sangue gelar ainda mais e seu coração disparar, a cerca de 20 metros de si, parado e segurando um braço decepado apoiado nas costas, outra criatura bizarra, agora, era um homem da mesma estatura ou até mais alto, não poderia ter certeza pela distância, extremamente pálido, cabelos negros como breu, e ele tinha chifres?! E mais de um par de orelhas élficas de cada lado, vestia uma roupa estranha, parecia uma espécie de túnica oriental, tinha os olhos fechados por alguma razão que não pretendia ficar pra saber…
Fazendo o mínimo de barulho possível no deslocamento, esperando não ser notada, foi se arrastando para o lado oposto, e entrando na mata fechada, na esperança de aquele outro monstro não notar sua presença, já que estava de olhos fechados, mais a sua intuição lhe dizia que aquilo não tinha terminado, pois com certeza aquele outro ser tinha provocado a explosão e não seria fácil se desvencilhar dele, e tendo um braço decepado de alguém a tiracolo não se surpreenderia se ele tivesse a mesma intenção do seu ex atacante: Come-la.
No desespero para não emitir nenhum ruído e olhando vez ou outra para trás para não perde- lo de vista, pôs uma das mãos trêmulas na boca, e continuou mata a dentro, já estava quase um pouco mais aliviada pela distância que conseguira percorrer entre ela e aquele ser de aspecto bizarro, quando ouviu uma voz suave e ao mesmo tempo altiva atrás de si.
-" Teve muita sorte criança, por pouco aquele metamorfo não lhe devorou". Falou aquela montanha de músculos, chifres e orelhas, com os olhos ainda cerrados e com um semblante quase indecifrável, com aquele braço provavelmente humano a tiracolo.
Não era possível, a menos de 5 segundos estava longe dele a quase perder de vista, e nesse instante ali estava ele, virou-se a jovem hesitante, a mão que cobria a boca agora caindo com lividez, olhou contemplando aquele homem-bode-cabra ou algo parecido, começava a sentir algo diferente, uma espécie de raiva e inquietação misturada ao medo, dessa vez ia lutar até o fim, mesmo que morresse, e ia gritar sim, ia gritar até os pulmões explodirem, alguém tinha que ter ouvido aquela explosão e ido verificar, talvez algum semelhante aparecesse em seu auxílio.
Ela ia fazer um escarcéu...
Continua...
