NA: Eu sei que devia ser só uma PWPzinha boba e tal, pra começar com ela e acabar com ela. Mas a Tata pediu uma sequel, e eu não sei dizer não pra Tata... x)

Meus agradecimentos à Just pela betagem, pelos comentários e pelas idéias!


Sweetness II

O som dos saltos altos dela ecoava pelo casarão abandonado conforme ela atravessava suas várias salas. Ele a observava, escondido nas sombras, oculto por uma capa de invisibilidade. Era realmente muito azar tê-la como missão.

Ou seria sorte?

Ela se dirigiu às escadas, que rangeram sob o peso de seus passos. Ele caminhou até ela, vendo-a parar ao ouvi-lo.

- Sirius? - o sussurro dela foi quase inaudível.

Ela se voltou para ele, a tempo de vê-lo se materializar no meio da sala. Abriu um sorriso, vendo-o caminhar decidido para onde ela estava.

- Eu achei que você não fosse vir nunca - ele sussurrou, seus lábios roçando na pele do pescoço dela.

Bellatrix suspirou, irritada. Ela não tinha tempo a perder; ao contrário dele, ela tinha uma missão a terminar e um marido para o qual voltar. Não era hora para ele se vingar pelo último encontro que tiveram. Mas ele parecia determinado a ignorar sua impaciência.

As mãos dele puxavam a saia negra do vestido para cima, arranhando as coxas magras enquanto subiam. Ele sibilava palavras incompreensíveis contra o pescoço dela, mordendo, beijando, lambendo a pele branca, saboreando o amargo de seu perfume.

Sirius não conseguia entender aquele fascínio que ela exercia nele. Era como se o mundo parasse de girar quando ele não estava com ela, quando não podia ouvi-la gemer seu nome, quando não podia ver o desespero em seus olhos. Era doentio, sim, mas era real.

Ela mordeu-lhe o ombro, tentando, em vão, afastá-lo. Ele riu, virando o rosto dela para o seu, beijando furiosamente sua boca, forçando o corpo dela contra a parede.

- Me solta! - ela protestou, empurrando-a para trás. Ele a soltou, afastando-se, apoiando as mãos na parede.

- Se você quer mesmo ir, essa é a sua chance.

Encararam-se. Os olhos de ambos faiscavam, ódio e desejo num conflito aterrador.

- Não, eu não quero ir - ela respondeu, secamente. - Eu só queria te lembrar de que eu mando aqui.

Sirius mal ouviu o fim da frase antes de puxá-la e jogá-la no chão. Os joelhos dela caíram num degrau e, no segundo seguinte, ela já estava sentada, olhando-o, um sorriso malicioso em seus lábios carmim.

- Repita isso, Bellatrix - ele sibilou, suas mãos agarrando-se ao pescoço dela e deitando-a contra a escada. Ela fez uma careta ao sentir suas costas sendo forçadas contra os degraus.

- Eu mando em você, Sirius. Sempre mandei e sempre vou mandar.

Ele riu diante da ousadia dela. Nenhuma outra mulher jamais tinha se atrevido a dizer isso para ele. Pelo que ele sabia, ninguém tivera a coragem de pensar nessa heresia. Até aquele momento.

A reação dele surpreendeu a mulher. Ela tinha esperado algo mais drástico, como, no mínimo, um belo tapa. Mas ele meramente riu da cara dela, aquela risada que lembrava um latido e que, se não fosse vinda dele, seria a completa antítese da sensualidade - mas que era a essência do que é sexy.

- Não é exatamente isso que parece, priminha - ele replicou, deitando-se sobre ela, beijando sua boca com ainda mais vontade do que minutos antes.

Suas mãos voltaram à muito prazerosa tarefa de despi-la contra a sua vontade, enquanto ela se contorcia sob ele, na vã luta para fazê-lo parar.

Sirius contemplou o corpo nu da prima durante algum tempo, se perdendo naquelas curvas que ele já conhecia há muito tempo. Os olhos dela, parecendo ainda mais negros do que o normal, eram a mais perfeita evidência de sua rendição àquela heresia que compartilhavam.

Ele pegou um pequeno punhal do bolso de sua capa, que jazia ao lado deles junto com o vestido dela. Os olhos de Bellatrix brilharam com a expectativa do que ele faria com aquilo, lembrando-lhe de que, sim, ela era insana e, sim, era disso que ele gostava nela.

- Você sabe quanto tempo demorou pra eu me recuperar da sua última brincadeirinha, vadia? - pressionou o punhal contra a pele do antebraço dela, até o sangue começar a brotar. - Quase duas semanas! - deslizou a lâmina pela maldita tatuagem dela, vendo, com crescente prazer, um brilho assassino se refletir nos olhos da prima. - Eu acho que seu precioso marido vai gostar de ver isso - correu o punhal pela pele ainda mais perfeita e imaculada da barriga de Bellatrix, em duas linhas que se cruzavam poucos centímetros acima do umbigo. Ela gemeu uma reclamação, mas desistiu dela ao sentir a língua dele correr por sua barriga, numa delicada carícia que a enlouqueceu ainda mais do que ela achou ser possível. - É divertido se machucar, não é? - ele continuou a cortá-la, nos braços, nas pernas, nos ombros, em cada parte daquele precioso corpo que não fosse matá-la.

O sangue dela escorria lentamente, manchando as roupas dele e descendo, ainda mais devagar, os degraus. Subitamente o desconforto por estar deitada sob ele numa escada deu lugar à mistura de incômodo e prazer resultante de cada um daqueles cortes.

Sirius começou a se despir lentamente, manchando ainda mais a camisa branca. Perdendo a paciência, Bellatrix afastou as mãos dele e puxou a camisa, fazendo os botões voarem para todos os lados. Arranhou o abdômen dele e abriu a calça jeans. Ele terminou de tirá-la e contemplou a prima, tão perfeita em sua aparente fragilidade, tão desejável em sua forçada submissão.

- Sirius...

Ele ergueu os olhos para os dela, surpreso com a primeira palavra que ela dizia me muito tempo. Sentiu as pernas dela envolverem sua cintura, puxando-o para ela, a súplica muda em cada gesto e em cada olhar. Ela estava sentindo dor, mais do que gostaria, e queria desesperadamente acabar logo com aquilo.

- Você gosta disso, Bellatrix - ele sussurrou, deslizando lentamente para dentro dela. Ela sabia que ele estava certo, mas jamais confessaria isso para ninguém. Nem a ela mesma.

Cada uma das investidas dele parecia empurrá-la mais e mais contra os degraus, fazendo-a voltar a sentir aquela irritante dor nas costas e na nuca, distraindo-a do incômodo dos cortes. Maldito fosse Sirius Black por entendê-la tão perfeitamente.

- Você não vai chegar a lugar nenhum me odiando - sussurrou, beijando os lábios carmim, forçando-a a saborear o agridoce de seu próprio sangue.

- Eu... estou... aqui - gemeu, entre as estocadas. - Não estou?

Ele riu novamente, aumentando a força com que se movia, tentando arrancar dela um mísero gemido que fosse, de dor ou de prazer. Mas ela se recusava a lhe dar aquilo. Típico.

Os corpos dos dois se retesaram ao mesmo tempo, as costas dela se arqueando quando ele chegou ao clímax, numa investida especialmente forte que a levou ao seu próprio orgasmo. Ainda se recusando até mesmo a suspirar, cravando os dentes no ombro dele para evitar que ele ouvisse qualquer coisa.

Ele suspirou, frustrado, saindo de cima dela, sentindo o sangue ela escorrer pelo seu corpo, vendo o corpo dela coberto do sangue vermelho-escuro. Andou calmamente até a capa de invisibilidade, pegou-a no chão e se voltou para a prima.

- Nos vemos em breve, Bellatrix? - perguntou, sarcástico, se vestindo com a capa.

- Eu espero que não - ela respondeu, ouvindo-o desaparatar, sua risada ecoando pela sala.