Capitulo dois
A visita indesejada
Carolina entrou na sala do editor-chefe e colocou em cima da mesa dele um bolo de papéis, ele quase caíra no chão junto com a cadeira e olhou para sua funcionária, chocado com o tamanho do bolo de papéis sobre sua mesa, ele se acomodou e arrumou o terno e o lenço vermelho dentro do bolso.
"Fazendo serrão de novo Tenshino?" – indagou seu superior.
"Não" – ela colocou a ponta do indicador no meio do maço de papeis – "Chamasse insônia!"
Ela foi até a porta, mas foi seguida pelo chefe, ele a questionara sobre sua dedicação até doentia ao trabalho, Carolina argumentou que um funcionário insanamente dedicado ao seu trabalho não rende a mesma vendagem que ela, afinal suas reportagens rendiam muitos números e fazia o departamento pirar com o salto de vendas.
"Eu consegui fazer minha geração voltar a ler a versão impressa do jornal e também a versão online continua bem, então não existe problema em trabalhar quando eu bem entendo" – disse Carolina séria.
O chefe saiu e voltou para sua própria sala, alguns colegas começaram a cochichar a sua volta e isso a irritava.
"Parece até uma máquina" – disse um.
"Será que terminou o namoro com o Subaru da Tokyo Sports?" – indagou outro.
"Aposto dez ienes que ela ficou até de madrugada escrevendo" – disse um dos jornalistas próximo a sua mesa.
Carolina contou até cem, literalmente, para se acalmar, mesmo que suspeitassem o motivo de sua irritação, insônia e mau humor não era Subaru e sim o recém-chegado Kai Hiwatari, o herdeiro das empresas Biovolt, cuja fama de conquistador e arrasador de corações era maior que sua fortuna, mesmo sendo essa mesma fortuna seu maior chamariz de mulheres.
Ela entrou na internet procurando quais jornais já tinham entrado em contato com ele, o seu foi o primeiro a estar no aeroporto para entrevista-lo, encontrou o nome da jornalista que o recebeu, com uma caixa de charutos e uma garrafa de champanhe. Carolina conversou com ela e perguntou qual o hotel em que ele se hospedara.
"Da próxima vez que o encontrar dê algum livro entre os mais vendidos e ofereça um dos nossos exemplares" – disse Carolina á colega dando as costas para ela.
"Como você sabe?" – indagou a colega confusa.
"Quando for entrevistar alguém, escave fundo e mais ainda" – respondeu Carolina séria.
O estilo da jornalista estrela era esse: Pesquisa, pesquisa e pesquisa, mas não sabia essas coisas por causa das pesquisas que fazia sobre ele, sabia por que eles se conheceram quando Kai morou no Brasil e por coincidência ele se mudou para a casa ao lado da sua, se envolveram e se entregou a ele, entretanto o rapaz simplesmente terminara tudo e desaparecera quando se formaram no colegial.
A partir daquele dia, Carolina a ingênua e distraída, tornou-se a obstinada e furiosa jornalista de hoje, tinha muito orgulho da atual Carolina, entretanto a possibilidade de estar na mesma cidade que Kai tirava seu sono e tranquilidade.
Na hora do almoço seu celular tocou, era Byakuya.
"Ohayo, Byakuya" – disse Carolina ao atender.
"Ohayo, Kaoru" – o tom de voz dele era o de sempre sério e imparcial, contudo sabia que algo o incomodava. – "Você tem algum compromisso hoje á noite?".
"Não, por quê?"
"Gostaria que viesse jantar comigo em minha casa" – respondeu Byakuya.
Carolina arregalou os olhos e cuspiu o suco de laranja que tinha acabado de colocar na boca, tossiu algumas vezes e Byakuya se assustou e perguntou se estava tudo bem com ela.
"Jantar? Na sua mansão, com você e a sua família?" – indagou Carolina nervosa e aflita.
Da última vez que aparecera na Mansão Kuchiki, o avô de Byakuya, Kuchiki Ginrei, deixou bem claro o quanto a REPUDIAVA, seu jeito sincero e humilde, não o agradava em nada, se sentiu a plebeia entre os nobres.
Suspirou derrotada e concordou em ir, Byakuya disse que não seria a única estranha em sua casa, ele convidara um homem candidato a ser sócio no novo empreendimento da Corporação Kuchiki, assim sentiu se aliviada, porém ficou mais tensa com a possibilidade de estar num jantar de negócios dividindo o mesmo espaço com o avô de Byakuya.
Ela ligou para uma pessoa e esperou ser atendida:
"Moshi, moshi" – disse a pessoa do outro lado da linha, era voz de homem.
"É o Ichigo?" – indagou Carolina.
"Kaoru-chan" – disse o rapaz do outro lado, estava animado.
"Eu mesma" – Carolina sorriu – "Tem tempo livre hoje no final da tarde?".
"Ah..., sim, por quê?" – indagou o outro surpreso.
"Preciso conversar com você, hoje vou jantar na casa do Byakuya".
"Enfim ele vai admitir" – disse o outro impressionado.
"Admitir o quê?" – Carolina ficou confusa.
"Que ele gosta de você, ora?" – Carolina se lembrou do beijo do dia anterior, ficou vermelha e moveu a cabeça para os lados para afastar as lembranças e pensamentos.
"A gente se fala depois" – disse Carolina desligando logo em seguida.
Carolina ficou paralisada com a confirmação de Ichigo, ele sabia dos sentimentos de Byakuya por ela todo esse tempo! Por que apenas ela não havia percebido? Todas as lembranças dela com Byakuya voltaram á tona, tudo o que ele havia feito por ela até agora, era por causa do sentimento dele, ele sempre a avisava aonde iria, perguntava a ela se queria algo, apoiando a no trabalho e quando começava a namorar ele ficava irritado por semanas. Tudo agora tinha algum sentido.
Lembrou se da época em que se apaixonara pela primeira vez, fez de tudo para que seus sentimentos não fossem percebidos, pois sentia vergonha desses sentimentos por alguma razão tola de adolescente, medo, insegurança, excesso de hormônios no corpo, faziam a brasileira ficar imprevisível e descontrolada, não era mais assim, na verdade começava ficar á cada dia mais apática ao que acontecia ao seu redor, já que a criminalidade no Japão era quase zero, então não havia muito com o que se preocupar e ver para se horrorizar, se estivesse no Brasil talvez tivesse mais motivos para se indignar com certos fatos.
Estava se tornando alguém que não queria. Estava se acomodando.
Levantou-se da mesa com violência, indignada com seu próprio comodismo e apatia, começou a trabalhar apaixonadamente e parecia contagiar a todos no escritório, por alguma razão pela primeira vez as pessoas que a ignoravam ou criticavam estavam... sorrindo para ela.
Em muito tempo, pela primeira vez saia no mesmo horário que todos, esteve agindo de uma forma que seu eu antigo não aprovaria. Pela primeira vez sorriu sem fingir qualquer sentimento, de repente ela colocou a mão sobre o peito e sentia o coração bater e o peito estava quente.
"Eu sou mesmo uma idiota" – pensou abaixando a cabeça e sorriu contente.
"Oye, Kaoru-chan!" – gritou uma voz conhecida, ela se virou e sorriu.
"Konnichiwa, Ichigo-kun" – cumprimentou Carolina sorrindo alegre.
"Eh... parece que um passarinho azul cruzou o seu caminho" – comentou Ichigo surpreso.
"Engano seu!" – respondeu Carolina natural.
Ichigo era um rapaz de sua idade, usava uma jaqueta azul, óculos de lentes azuis, o cabelo era laranja, seu porte físico era forte, a calça jeans um pouco surrada e nos pés um par de All-star preto.
Os dois se conheceram na faculdade, ele foi o salva-vidas dela, como um senpai, de um curso diferente, ele era estudante de artes plásticas e atualmente estava trabalhando para uma agência de publicidade, ele tinha duas irmãs e o pai, a mãe de Ichigo falecera quando ele estava no ultimo ano do fundamental, Carolina lamentava não tê-la conhecido, porém já gostava dela só por causa do filho mais velho.
"Então, o que quer fazer? Andar comigo de moto ou vamos para sua casa jogar strip-poker?" – indagou Ichigo se curvando para frente e ficando com o rosto próximo ao dela.
"Indecente!" – disse Carolina encabulada.
Havia um detalhe muito relevante na relação deles: A amizade entre eles era colorida. Ichigo e Carolina dormiram juntos pela primeira vez um mês depois de se conhecerem, o jeito apaixonado e determinado de Ichigo fizera a estrangeira ceder ás provocações dele, porém o japonês queria continuar amigo dela, então entraram num acordo de que se um dos dois quisesse o outro cederia, algo não muito difícil já que o rapaz sabia satisfaze-la muito bem.
"Sei que não faremos isso quando você estiver com alguém...".
"Subaru terminou comigo" – interrompeu Carolina seca.
Ichigo abaixou a cabeça no mesmo instante com uma expressão de choque no rosto, ele piscou os olhos duas vezes e depois disse:
"Subaru baka" – Carolina gargalhou e depois subiu na moto dele e foram para um bar, ele bebeu saquê e ela refrigerante.
"Não vai beber?" – questionou Ichigo com o copo suspenso perto da boca.
"Vou jantar na casa do Byakuya, esqueceu?" – respondeu Carolina natural.
"Cuidado com o velho Ginrei, ele vai te comer vida se fizer algo errado" – alertou Ichigo virando o copo em seguida.
"E eu não sei? Ele me odeia desde que pus os pés naquela mansão" – Carolina estava realmente preocupada com a possibilidade de ir á mansão Kuchiki.
Ela gemeu medrosa e deitou o corpo sobre a mesa.
Mais tarde Ichigo deu as chaves da moto dele para ela e pegou um táxi para voltar para casa, chegou ao prédio e alugou o espaço vazio da garagem do condomínio, Ichigo buscaria a moto no dia seguinte, antes de ir trabalhar.
Em casa começou a se arrumar para o jantar, escolheu um look clássico, maquiagem discreta, unhas cor de vinho, batom nude, um vestido que desenhava seu corpo e tomara que caia, a cor era preta, assim como os sapatos e pela primeira vez conseguira fazer um coque conservador, usou brincos de ouro e uma bolsa carteira que ganhara da tia, irmã de sua mãe.
Quando saiu do apartamento, Takano e Onodera estavam chegando do trabalho, os dois arregalaram os olhos e Masaomune assobiou impressionado, ela sorriu convencida e deu uma voltinha.
"Aonde você vai? Tem alguma premiação hoje?" – indagou Takano natural.
"Jantar de negócios na casa do Byakuya" – respondeu Carolina educada e simpática.
Takano arregalou os olhos e olhou para Onodera que também estava surpreso com a postura de Carolina, era um lado meigo que não conheciam.
"Boa sorte" – disse Takano.
"Até mais tarde" – disse Carolina indo para o elevador.
Ao chegar no piso térreo, Byakuya já a esperava, quando ele ergueu a cabeça, seus olhos se arregalaram e o queixo caiu, Carolina torceu para que ele não percebesse que estava envergonhada.
"Exagerei muito?" – indagou Carolina levando a mão á nuca.
"Não... você está... perfeita" – respondeu Byakuyra emocionado.
Carolina encarou-o chocada, depois se recompôs e entrou na limusine seguida por ele, conversaram sobre assuntos banais, nem ele, nem ela queriam tocar no assunto do beijo do dia anterior, o moreno até perguntara se a amiga estava de ressaca, contudo Carolina brincou que tomou um coquetel de remédios para curar a ressaca e os dois riram, em seguida a brasileira perguntou sobre o empresário o qual o herdeiro Kuchiki mencionara, o outro respondeu dizendo esse jantar era apenas para dar início às negociações para uma associação num outro projeto das Corporações Kuchiki.
"E você além de ser a convidada de honra, será a minha arma secreta" – comentou Byakuya de uma maneira gentil.
"Eu? No que eu poderia ajudar?" – questionou Carolina pega no pulo.
"Você é sagaz e muito bem apessoada, a sua fama está saindo dos limites do Japão" – respondeu Byakuya olhando para ela.
"Não me bajule tanto" – disse a jovem envergonhada e acanhada.
Byakuya sorriu gentil, esticou o braço sobre o encosto do banco e se aproximou ainda mais, Carolina empinou o corpo como se tivesse levado uma descarga elétrica, virou os olhos na direção dele, estava ficando nervosa e seu estômago dava piruetas por dentro do abdômen, os olhos dos dois se encontraram, os dele eram sérios e os dela eram nervosos e receosos, o herdeiro inclinou o rosto ficando com a boca próxima ao ouvido dela.
"Estou me esforçando pra não te beijar agora mesmo" – sussurrou Byakuya.
Carolina engoliu em seco, nervosa e acanhada, agora que tinha consciência dos sentimentos dele, não conseguia agir sem parecer afetada pela presença dele.
Enfim chegaram á mansão Kuchiki, Carolina olhou pela janela, a tradicional mansão ao estilo era Meji, respirou fundo tensa e esperou que Byakuya abrisse a porta e oferece a mão para tirá-la do veículo, ela saiu e de braços dados subiram as escadarias e entraram na casa de Byakuya, onde moravam seus pais e seu avô Kuchiki Ginrei o homem que a odiava com todas as forças e poder, mas estava grata por ele nunca ter feito nada para prejudicá-la em sua carreira e até mesmo nunca lhe negara auxílio.
"Boa noite, Tenshino-dono" - cumprimentou o mordomo.
Carolina sorriu simpática e fez uma educada reverência para ele, então acompanhada pelo herdeiro Kuchiki ela andou pelo corredor, gostava daquele lugar, conseguia imaginar as histórias escondidas pelo tempo e pelas paredes.
"Boa noite, Tenshino-san" – cumprimentou uma rouca e firme, aquele tom ela já conhecia, era a voz de Kuchiki Ginrei, o segundo homem a comandar a corporação Kuchiki depois do bisavô de Byakuya, fundador da empresa.
O pai de Byakuya, Kuchiki Soujun, já fora presidente da corporação, mas largara tudo para viajar pelo mundo com a esposa, passava algumas temporadas com o pai e o filho, ele estava logo atrás de Ginrei e sorriu calorosamente para ela, afinal, Carolina era como a filha que ele pude ter, pois a mãe de Byakuya se tornou incapaz de gerir outra criança após o nascimento do jovem Kuchiki.
"Li sua ultima matéria Kaoru-san e realmente você tem o dom da escrita" – comentou Soujun amigável.
"Arigatou gozaimasta, Kuchiki-sama" – agradeceu Carolina sorrindo e fazendo uma profunda reverência para ele – "Boa noite, Kuchiki-dono" – ela fez outra reverência para Ginrei e ele apenas piscou os olhos e saiu.
" Ishaburidana, Kaoru-chan" – cumprimentou a mãe de Byakuya, Kuchiki Makoto, era a japonesa mais bela que Carolina conhecera e era tão adorável quanto o marido.
"Estou feliz em revê-la, Kuchiki- sama" – ela fez uma delicada e elegante reverência para ela, as duas deram risadinhas e Carolina comentou que soubera sobre a viagem deles ao Himalaia.
Outro mordomo apareceu para eles, dizendo que a mesa de jantar estava pronta e que o patriarca já os aguardava, Carolina apertou o braço de Byakuya e ele colocou a mão sobre a dela, em sinal para se acalmar, os pais de Byakuya foram á frente e eles logo atrás, Carolina não ousava abrir a boca naquele caminho até a mesa, agiria como uma verdadeira dama, não daria motivos para o velhor Kuchiki fazer observações sobre seu comportamento.
Diferente do costume, a mesa era em estilo britânico, a prataria e os copos eram de um requinte discreto, assim como tudo na família Kuchiki, uma toalha branca repousava sobre a mesa, os pratos de porcelana decorados com outro, vasos de lírios brancos e velas em candelabros de prata, as cadeiras almofadadas e as criadas e os mordomos estavam a espera deles, com Kuchiki Ginrei ele seu lugar de honra.
O jovem Kuchiki disse para o mordomo que ele puxaria a cadeira para sua convidada, Carolina se sentou de forma elegante, o mordomo então puxou o assento de Byakuya, quando o pai do jovem se sentou ao lado do patriarca ele sussurrou marotamente:
"Ela sabe agir com distinção e civilidade não?" – Ginrei olhou para o filho imparcial, pegou a taça de água e respondeu:
"Para alguém que nasceu numa selva sem tradições ou decoro ela se saiu muito bem" – Carolina inclinou a cabeça levemente para o lado, uma reação discreta para se manter controlada e educada, normalmente faria um discurso sobre respeito e dignidade que acabaria num grande escândalo se saísse daquela mansão.
Soujun olhou para ela e negou levemente com a cabeça, em sinal que discordava de seu pai, o neto de Ginrei colocou a mão sobre as dela por debaixo da mesa, a latina girou os olhos na direção do moreno e suas bochechas coraram de leve.
"E o nosso convidado de honra?" – questionou Soujun novamente, sabendo que esperavam outra pessoa.
"Foi Byakuya quem combinou o horário deste jantar Soujun" – respondeu Ginrei indiferente.
Carolina girou os olhos na direção do relógio logo acima da cabeça de Ginrei, em poucos minutos daria a hora do jantar e nem sinal do convidado, a brasileira ficou um pouco nervosa, atrasar no oriente era algo mal visto e dar o bolo na família Kuchiki seria como assinar a carta de suicídio, Ginrei e Byakuya ficariam muito desonrados com aquilo.
De repente a governanta apareceu na sala de jantar e disse que o convidado de honra não poderia aparecer no jantar, pois ele fora vitima de uma tentativa de assassinato e estaria no hospital em observação.
"Minha nossa!" – Carolina quase falara, mas sua frase ficou apenas em pensamento e em expressão facial.
Ginrei e Byakuya arregalaram os olhos, o mais jovem se levantou e disse que ligaria para o convidado para prestar seus sentimentos e verificar o estado dele, ele saíra e logo depois Ginrei anunciou que jantaria em seus aposentos, meio abalada ainda, a jornalista mal comera a salada.
Seu senpai voltara na hora do prato principal, eles e os pais de Byakuya comeram e Soujun contou sobre a viagem ao Himalaia, depois da sobremesa o casal entregou um presente para Carolina, um livro sobre a história da China escrito em mandarim, eles sabiam da curiosidade insaciável da jornalista, os olhos da jovem brilhavam como os de uma criança.
"Agora aproveitem a noite vocês dois" – disse Soujun antes dele e de sua esposa se retirarem.
Quando os dois desapareceram, Carolina soltou o ar e relaxou o corpo, quase desabando sobre Byakuya, ele a segurou e pediu para que as criadas dessem água para ela, a jovem se sentou e ele se ajoelhou ficando de frente para a brasileira segurando sua mão com ternura.
A criada chegou com o copo e ela bebeu devagar, em pequenos goles, respirando profundamente nos intervalos.
"Que noite!" – exclamou aliviada e cansada.
"Acho que foi uma noite perdida" – comentou Byakuya frustrado.
"Oye, não sua culpa bobo, tentaram matar o homem justo hoje, você não falhou com seu avô, nem com a corporação e...nem comigo" – Carolina hesitou na ultima parte, ele ergueu a cabeça e a olhou nos olhos, a outra se encolheu envergonhada.
Ele se virou para um dos mordomos, ele saiu e uma lenta valsa começou a tocar, Byakuya segurou a mão dela e se levantou, Carolina suspirou e se levantou, ele a levou até o jardim onde havia uma área para dança, eles ficaram em posição e ele começou a guia-la, a brasileira relaxou um pouco mais e começou a se sentir leve e feliz, uma sensação muito boa, o moreno sorria para ela de forma discreta, mas o olhar dele fazia tudo desaparecer, os problemas, as mágoas e preocupações, tudo era bom e leve ao lado dele.
Os dois perderam a noção do tempo, foi um mordomo que os tirou daquele momento, dizendo que já a hora de levar Carolina para casa, ao olhar para seu celular, ela percebera a hora, sentiu-se uma adolescente sem noção do tempo.
Na limusine Byakuya ficou com o braço estendido sobre o encosto do banco, olhando para o mundo lá fora pela janela, assim como Carolina.
"Ah cara, como queria que ele beijasse agora..." – pensou Carolina – "Espera aí, o que eu disse?" – ela se repreendeu em pensamento.
Byakuya se sentia muito frustrado por causa da ausência do convidado de honra, mas mais ainda por ainda não ter coragem de beijar Carolina novamente, fechou o punho e os olhos, em seguida abaixou a cabeça.
"Err... Byakuya..." – Carolina tentou conversar, porém não sabia o que dizer.
"Sim, Carolina" – disse Byakuya em português.
"É que... espera aí! Você me chamou pelo meu nome!" – ela foi pega de surpresa, não sabia que ele falava a língua dela.
"Aprendi português!" – disse Byakuya maroto.
"Isso é assustador!" – comentou Carolina em sua língua nativa.
"Apesar dos percalços, foi bom aprender sua língua, os escritores são bem fascinantes, como o Guimarães Rosa" – comentou Byakuya.
"Você leu Guimarães Rosa? Esse livro é difícil até pra quem é nativo!" – disse Carolina surpresa. – "Porque fez isso?" – indagou a brasileira.
Byakuya se aproximou dela encurralando-a no canto do carro, ela puxou o ar nervosa e os dois se encararam olho no olho.
"Porque entender o que você em qualquer língua" – respondeu Byakuya com um tom firme e sério. – "Quando você fala a sua língua é como se não houvesse mais nada que te prende, é 100% você"
Aquela resposta dita de forma suave e honesta fez a jornalista investigativa tremer, não suou nem mesmo quando um Yakuza apontara uma pistola para ela, mas naquele momento estava encurralada e sem reação, como se tivesse sido hipnotizada por ele e por sua voz.
"Eu estou totalmente apaixonado por você Carolina Ribeiro Hencklein" – disse Byakuya.
"Agora não tem mais volta" – pensou a estrangeira sem defesas.
Ele ergueu o rosto dela e a beijou nos lábios, Carolina o abraçou com força como tivesse medo que o outro se afastasse, o jovem Kuchiki devolveu o abraço, aprofundou o beijo e os dois se deitaram no banco, então a amada levou as mãos até a cabeça de Byakuya e entrelaçou seus dedos na cabeleira negra, o outro desceu a boca pelo rosto dela e tomou entre os lábios o lóbulo da orelha dela, a brasileira gemeu de prazer, depois o amante desceu a mão pelo corpo da brasileira e apertou suas coxas, outro gemido.
Só ficaram naquelas carícias íntimas, afinal ele era um cavalheiro e não queria nada de imediato, até ajudou a arrumar-se, porém não antes de dar um beijo em seus ombros finos, ela se arrepiou e foi abraçada, virou o rosto para o lado e se beijaram novamente.
Ela saiu do carro e virou-se para trás e os dois se encararam novamente, então o veiculo partiu e Carolina começou a cantarolar alegremente, sem se importar se isso incomodaria alguém, entrou em seu prédio, tirou os sapatos dentro do elevador e saiu saltitante parecia uma borboleta voando por um vasto jardim.
Colocou a chave na fechadura e entrou ainda cantarolando de boca fechada, virou as costas e trancou e ergueu a cabeça, contudo um arrepio gelado lhe percorreu o dorso pegou a minipistola dentro da bolsa e apontou para a sala, havia um homem ali, o abajur iluminava mal o estranho, de repente a brasileira começou a farejar o ar, o perfume era forte e familiar.
"Quem é você?" – perguntou ríspida e firme, não hesitaria atirar num Yakuza ou qualquer pessoa que invadisse seu refúgio oriental.
"Are, are, desde quando você carrega uma arma consigo hein?" – perguntou o estranho. – "Pensei que fosse a favor do desarmamento, Linda".
Aquela voz, aquela maldita voz que lhe atormentara por anos de lembranças dolorosas, estava mais rouca e viril, o "estranho" se inclinou para o lado e ergueu a parte superior do abajur revelando sua face.
"Há quanto tempo minha Helena de Tróia" – comentou Kai Hiwatari sorrindo maroto, dominante e num português impecável.
Carolina puxou o ar entre os dentes e arregalou os olhos frustrada e chocada, uma gota de suor desenhou seu rosto.
Sem dúvidas aquela visita era muito indesejada e inesperada.
No próximo capitulo: O que acontecera agora? Uma tragédia ou um acerto de contas civilizado e honesto? Porque ele está ali? "As lágrimas invisíveis"
