Que bom que gostou, Gigi. Espero que goste da segunda. Enfim, vou postá-la de uma vez. :)'
Esta é no mesmo estilo que a outra. Esta é a resposta de Sasuke.
Brigthon - Londres, 26 de agosto de 2010
Sakura,
Questiono-me, como alguém que eu conheço tão bem pode ter o poder de me surpreender? Um dos seus dons, minha pequena. Devo dizer que manteve esta capacidade até o final. Mas, por onde eu começo? Talvez ressaltar o fato de você ter feito algo sem volta na base do impulso. Sim, impulso, não covardia. Covardes não têm a força que você provou ter ao decorrer de sua vida. Sempre seguindo em frente e jamais mostrando as fraquezas - não perante terceiros. Mas depois disso me perguntaria "E qual seria a melhor solução, Sasuke?". Matar nosso pai, o que acha?
Sério. Eu cheguei a pensar nesta possibilidade por um milésimo de segundo, apesar da minha nova razão de viver. Os pensamentos que tive neste milésimo de segundo foram tão intensos que vingança pareceu razoável. Até fui atrás. Sendo policial não é difícil encontrar alguém, principalmente quando este alguém tem tantas multas de trânsito e diversas outras acusações que não quero me aprofundar.
Enfim, passei um dia inteiro observando um pouco de sua rotina. Patético. Ninguém sentiria falta caso morresse. Ele ainda mantém uma vida fútil e sem nenhuma responsabilidade. Se eu senti vergonha por ele ser meu pai? Não. Pois não o considero como tal, para mim ele é apenas mais um homem e o único diferencial é, esta pessoa conseguiu te tirar de mim.
Em menos de um dia consegui planejar como seria sua morte. Cada pequeno detalhe! Estava tudo pronto e só faltava executar, mas meu celular tocou quando pretendi fazer. Precisava me encontrar com a minha nova razão de viver. Então não se preocupe, eu não fiz nada com o seu pai. E pretendo não fazer, pois o "nada" não me interessa!
Mas respondendo a sua pergunta do que fazer, eu não teria uma solução, apenas a certeza de ainda querer ficar ao seu lado.
Sei que escreveu não esperando um feedback, mas não consigo ficar sem respondê-la. Não se preocupe. Não chorei pelo seu corpo vazio. Chorei pelo fato de saber que não poderei criar novas lembranças com você.
Devo mencionar outra coisa de suma importância. Minha tola, nem por um segundo cheguei a cogitar a possibilidade de tirar a minha vida. Não pense errado. Estou arrasado com a sua morte, entretanto, não estou sozinho. Novamente, não pense errado. Esquecer sua existência jamais poderei fazer, e sinceramente, nem quero.
Talvez eu deva te contar uma história também. Lembra-se que estamos aguardando a mais de um ano? E você pensou que nunca seriamos chamados... Recebi uma resposta no dia da sua morte. Isso. Não fui trabalhar como havia dito. Fui buscar nossa garotinha de um ano e dois meses. Queria te fazer surpresa, contudo, você foi mais rápida.
Você achou que seriamos enrolados e o pessoal da adoção nunca nos chamariam. Iriam preferir outro casal. Pois bem, isto não ocorreu.
"E que nome você gostaria de dá-la?", a olhei de relance. Sim, eu percebi o pequeno sorriso que você deu só com a ideia de realmente podermos adotá-la. Chegamos àquele orfanato e ela tinha apenas dois meses de vida. Não éramos os únicos a querê-la. Aquela pequena garotinha de pele alva, grande olhos azuis e cabelo loiro.
"Por que faria planos com algo incerto?", respondeu, sem me fitar. Mas vi sua expressão pelo retrovisor. Você a queria, apesar de achar que não a conseguiria. Planejou tudo em sua cabeça no momento em que viu aquela menina.
"Eu sei que você tem um nome" parei num sinal vermelho. "Não dirá o nome a mim? Logo o pai?" e lá estava aquele sorriso cheio de alegria que você sempre teve. O sorriso que eu tanto adorava. Pena que não poderia vê-la esboçando-o mais uma vez. Agora tudo está em minha mente, fotografias e/ou filmes. Apenas memórias de momentos que nunca voltarão a acontecer.
Se eu apenas fechar meus olhos por poucos segundos, lembranças de momentos retornam. Cores, lugares, cheiros e sensações, coisas que nunca pensei que fosse me importar. Agora, por exemplo, memórias do seu aniversário de quinze anos me vieram à mente. A batida acelerada do seu coração após eu beijá-la. O gosto, o cheiro, a textura da pele, a maciez dos seus cabelos. Ou o olhar que você me deu quando escutou que voltaríamos a estar juntos fisicamente. Como se a distância fosse um obstáculo que pudesse me deter! Seus pensamentos de que eu pudesse me distrair com outras até me irritaram, devo dizer.
Está chovendo agora e parei de escrever por um segundo, eu tenho certeza de que você sabe no que pensei. Não me orgulho, é claro, mas não deixa de ser uma boa lembrança. Quando compramos nossa primeira pequena casa com o pouco dinheiro que tínhamos, houve um problema com a torneira. Gritou o meu nome para eu dar um jeito. Peguei as ferramentas e corri de volta a cozinha, você estava ensopada enquanto tentava bloquear a saída da água.
Repreendeu-me por eu rir da situação. E apesar de não entender nada a respeito de encanamentos, tentei fazer algo. Bom, não foi um dos meus melhores momentos. Se eu quisesse te impressionar, não teria conseguido. Deveria ter fechado o registro de água antes de tentar começar algo, não sei por que não pensei nisso na época, mas tudo bem. Criei um problema no encanamento e quem começou a rir sem parar foi você, no final.
Não é minha intenção deixar esta carta depressiva, nostálgica. E pensando bem, este é um lado meu que nunca mais voltará a aparecer. Será apenas encenado. Desculpe-me. Sei que você não deve ter gostado, mas não vou mentir. Deixando este assunto de lado, vou retomar a linha de raciocínios.
"Será uma surpresa!" respondeu olhando-me com um brilho no olhar e um sorriso estonteante. Minha pequena.
Bom, como você não me disse que nome seria, eu escolhi um. Sei que você nunca gostou das minhas sugestões quando falávamos sobre este assunto, mas creio que desta vez acertei. Não é um nome simples ou exagerado.
Sakura. Este é o nome da nossa pequena garotinha. Lindo não acha? Quando a chamei assim pela primeira vez, ela sorriu. Também aprovou.
Obviamente informei o que aconteceu ao pessoal da adoção e lhes afirmei que não seria um problema. A pequena Sakura ainda teria um ambiente estável, seguro e cheio de amor. Você a queria, minha pequena, então fiz de tudo para não perder a oportunidade. Eles ficaram um pouco receosos, mas aceitaram. Receberei visita semanal de uma assistente social durante os primeiros meses, só para terem certeza de que não sou um louco sem sentimentos.
E sobre as viagens a qual mencionou, bem, as farei. Ao lado da nossa filha. Ela crescerá sabendo a mãe que teve. A mãe que amou apesar de nunca ter passado um único dia inteiro. A mãe que se apaixonou no momento em que a pequena criança agarrou o dedo mindinho, sem querer soltar, e riu.
"Foi você que dominou os meus pensamentos a maior parte da minha vida e será você em quem pensarei no meu último suspiro.", foram suas palavras. E com elas entendi de que você não se esqueceu da pequena Sakura. Posso ter dominado seus pensamentos a maior parte, mas a nossa garotinha teve sua parcela com o restante. Sei que não conseguiu esquecê-la. E o fato de não tê-la mencionado em sua carta é apenas mais uma prova de quanto ela foi importante.
Seria muito difícil para você expor seus sentimentos a respeito de mim e dela na mesma carta.
Sei que disse que pensou em mim no seu último suspiro, mas tenho certeza que a pequena Sakura também não foi esquecida. Penso até que tenha sido nela o seu último pensamento. Senão nela, fora um pensamento de nós três sendo uma família. Família esta que não poderia acontecer, segundo suas convicções.
Acho que não sou tão bom em contar histórias quanto você, mas lhe direi o que vai acontecer. Sakura irá crescer ouvindo o quanto seus pais foram felizes e o quanto seu pai é, e sempre será, louco pela sua mãe. E a respeito de qualquer parente do mesmo sangue e que ainda esteja vivo, bom. Eles não significam nada. E o "nada" não é relevante a ponto de ser mencionado, certo?
Estou deixando esta carta em suas mãos, corpo que em breve será enterrado. Todo ano iremos vir visitá-la, minha pequena. Eu e nossa garotinha.
Imaginei que este deveria ser o fim, mas li reli e achei que não estava bom o suficiente. Senti que ainda faltava algo. Mas o quê? E me dei conta da resposta.
Por que não consigo encontrar palavras? Por que acho que não está o bom o suficiente? Por que não consigo ser coerente? Porque no momento em que eu terminar, será o nosso "fim". Não terei mais a impressão de que estou "falando" com você.
Não queria partir para o lado sentimental, mas...! Por que você fez isso? Por que me deixou? Eu sei o motivo, mas não entendo. Para mim, não seria importante mesmo que fossemos irmãos! Eu e você, sempre. Simples assim. Nada mais importa. Você a egoísta e eu, ao ponto da obsessão. Vamos pensar que sou teimoso e não obsessivo. Determinado é um melhor termo.
Não a odeio ou guardo algum rancor. Afinal, é como você disse. Este não é o nosso fim. Não me importo em quantos anos leve, ainda a terei para mim novamente. Irei encontrá-la onde quer que esteja.
Seremos novamente, eu e você. Não posso dizer que sou seu, pois há a pequena Sakura.
E novamente fiquei sem ter o que escrever. Penso em tantas coisas e não acho formas de transcrevê-las. Talvez seja melhor assim, sem nada mais a acrescentar. Até porque não precisa. Se uma pessoa realmente me conheceu, esta pessoa foi você. Palavras são desnecessárias, elas podem ser falsas. Mas você sabe o que eu quero dizer apesar do silêncio.
Só digo mais uma coisa, enquanto espero o momento certo de nos reencontrarmos chegar, estarei cuidando do que você mais queria. Farei o que me pediu. Viverei e tentarei não apenas fingir felicidade, mas não posso te garantir nada.
Viverei em um mundo de ilusões apenas, aguardando.
Eu e você, sempre!
Sasuke.
Então, dando o mesmo recado (sou chata D:'), se tiverem gostado da one e não estiverem a fim de deixar um cometário então entrem na minha comu (ou caso queiram conhecer mais estórias de minha autoria), me deixariam igualmente (até mais) feliz :)'
http:/*www.*orkut.*com.*br/*Main#Community?cmm=103629130
(não esqueçam de tirar os "*")
Bom, é isso. Espero que tenham gostado :3'
