Capítulo Dois

Ele então percebeu a dimensão do erro: estava acariciando Riza... Tinha os cabelos dela entrelaçado nos dedos e movia suas mãos lentamente sobre a cabeça dela.

Estava preso ali por seus próprios desejos inconscientes; havia feito algo que queria, sem, de fato, querer.

Sorriu ao reconhecer o quão conveniente sua idiotice se mostrou ser. Perdeu completamente a noção do tempo, espaço, ou qualquer coisa mais ou menos complicada vinculada a isso. Perdeu a pouca vergonha que ainda tinha e naquele momento, teria a cara-de-pau de gritar para quem quiser ouvir, o que realmente sentia por ela.

No entanto perdeu toda essa animação espontânea ao vê-la abrir os olhos. E pelas palavras dela havia feito a terceira grande besteira do dia: Falar o que de maneira alguma devia ter dito.

— Se eu soubesse do que coronel? — Perguntou sonolenta sem levantar a cabeça da mesa.

— O que você deveria saber o que do que? — Roy não fazia idéia do que havia dito a ela, mais não era nada que ele pudesse explicar facilmente. Nunca era...

— Você disse: Ai, se você soubesse Riza... — Disse ela imitando-o — E agora eu repito: Se eu soubesse do que coronel?

— Erm... Se você soubesse... Ai se você soubesse o quanto me deu trabalho esse monte de papel Riza... — Há pequena pausa dramática sem nenhuma necessidade — Foi só isso que eu quis dizer.

— Ah... — Ela levanta a cabeça — Ta bom, agora me fala a verdade.

Roy sente suas bochechas fritarem. E decide acabar com aquela conversa antes que ela vá para um caminho sem volta.

— Já é tarde melhor irmos embora... Deixa que eu te levo em casa.

Ela estranhou; normalmente era ela quem levava ele em casa...

"Resolveu ser cavalheiro justo agora... O que diabos ele está escondendo de mim?!"

— Coronel, eu não sou idiota…

— Claro que não — Disse indignado — Só meio ingênua.

— Essa você me paga! — Disse seria.

Que sexta-feira mais anormal... Ela e Roy, brincando como amigos depois do horário de trabalho... Então eram esses os efeitos da madrugada em Riza?

Caminharam ombro a ombro, um desafiando o outro a cada passo que davam a frente do outro. Chegaram no carro ofegantes da breve corrida, rindo como duas hienas desidratadas.

— Tem certeza que esta sóbria tenente? — Perguntou Roy ao ver a mulher ao seu lado ainda rindo. Só podia estar bêbada...

— Não tenho certeza... Colocou algo na minha água, lá dentro, não foi?

— Claro, Vodca... Umas... Oito doses...

— Espero que saiba que eu estava brincando. — Disse com seriedade mais sorrindo.

— Ops... — Ele coloca a mão na boca como quem acabou de falar besteiras.

— Coronel?! — Pergunta assustada.

— Calma, eu também estou brincando... Foram só duas...