2. Mistérios

O jantar correu normalmente. Shion perguntou sobre o primeiro dia de aula de Mask, que disse ter gostado da nova escola, mas omitiu o fato sobre os intimidadores após um rápido olhar de Mu. Quando terminou de comer, perguntou a Shion se poderia dar uma volta pelos arredores.

- Tem certeza? Bom, se quiser mesmo, pode ir, mas não saia do condomínio.

- Certo. Não vou voltar tarde, nem ir muito longe. Pode ficar tranquilo.

O italiano saiu e foi até o playground, que estava vazio. Deu uma volta pelos arredores para conhecer melhor a área e não descobriu nada muito interessante. O condomínio, além dos quatro prédios e do playground, tinha uma garagem ao lado e só. Ele voltou para onde estavam os brinquedos e viu que não estava mais sozinho. A mesma garota loira da noite anterior estava ali, no mesmo lugar em que ele a vira antes: sentada em um dos balanços, olhando para o chão.

É ela...

Quando ele fez menção de se aproximar, ela olhou na direção dele. A garota era pálida, quase como a neve que cobria o chão, tinha os olhos azuis claros e profundos e usava um leve batom rosa nos lábios. Vestia o mesmo casaco cinza do outro dia e os pés descalços. Depois de alguns segundos se encarando, ele resolveu dizer alguma coisa.

- Oi.

- Oi. – Ela respondeu, inexpressiva, e voltou a olhar a neve no chão.

Ele insistiu:

- Mudei para cá há pouco tempo. Você mora aqui, no condomínio?

Ela olhou para ele novamente.

- Moro ali. – E olhou para cima, para a janela que Mask havia estranhado por estar coberta por pedaços de papelão. – E você?

- Ao lado.

- Você... Está gostando da cidade?

Ela parecia estar relutante, mas, ao mesmo tempo, com vontade de puxar conversa. Ele aproveitou para se aproximar.

- Estou achando meio monótono, mas nada que não mude com o tempo.

Os dois ficaram em silêncio por um momento e ela se levantou do balanço, indo em direção ao prédio.

- Ei! – Mask chamou.

Ela parou de andar e se virou.

- Sim?

- Posso te ver de novo?

A garota pareceu pensar um pouco antes de responder:

- Talvez.

E seguiu seu caminho para seu apartamento. Mask esperou um pouco e também subiu para o seu. Só depois que estava deitado na cama, pronto para dormir, que se lembrou de que não tinha perguntado o nome dela.

oOoOo

Mask comentou com Mu sobre o encontro da noite passada enquanto caminhavam para a escola.

- E você se esqueceu de perguntar o nome dela? – Disse Mu, rindo, enquanto pegava seus livros no armário.

- Pois é, me esqueci. Mas que droga.

- Ora, você ainda tem chance de vê-la de novo. Afinal, somos vizinhos.

- Sim, mas quando perguntei se isso poderia acontecer, ela me respondeu com um "talvez". Será que ela tem namorado?

Os dois caminhavam para a sala de aula agora.

- Não sei, Mask. Desde que ela se mudou pra cá, o que faz um mês, mais ou menos, eu só a vejo sozinha ou com o pai. Pelo menos eu acho que é o pai dela.

Mask não fez mais comentários, mas ficou pensando nisso durante a aula. Na aula de educação física, que era a que o italiano mais gostava, a professora Marin deixou que eles jogassem futebol, o que o fez se sentir um pouco em casa.

No final da aula, os alunos foram para o vestiário. Quando Mask e Mu estavam saindo de lá, encontraram o grupo de Io no caminho.

- Você gosta de aperecer, hein, carcamano?

- Não tenho culpa de ser melhor que você. – Retrucou Mask. – Agora, se quiser sair da minha frente...

- Não estou afim. Vai fazer o quê?

Mask chegou mais perto de Io, pegando-o pela gola da blusa.

- Vai por mim, você não vai querer saber.

Nessa hora, a professora Marin passou por ali e foi ver o que acontecia.

- O que está havendo aqui, meninos?

Ele soltou o outro rapidamente.

- Nada não. Estávamos apenas conversando, não é, Mu? – Mask olhou para o primo, que confirmou com um aceno de cabeça.

- Certo. – Disse a professora. – Mas não quero saber de brigas por aqui, entenderam?

- Sim. – Os garotos responderam.

Logo que ela se afastou, os dois garotos se viraram para sair, mas Isaak comentou:

- A gente sabia que ele ia achar alguém pra substituir o Shaka, só não sabia que seria tão cedo.

Mask não entendeu nada, mas viu que Mu tinha os olhos cheios de lágrimas. Isso foi o bastante para que ele se virasse dando um soco na cara de Isaak. Infelizmente, a professora não tinha se afastado o bastante para não perceber o que acontecera, então Mask foi mandado para a sala da diretora.

Shion foi buscá-lo e deu algumas desculpas do tipo "ainda está se acostumando com a vida nova" e "estresse de aluno novato". No caminho para casa o repreendeu por brigar na escola logo na primeira semana.

- Eu sei que você queria defender o Mu. – Ele disse após Mask se explicar e Mu tentar ajudar. – Mas existem meios melhores para defender alguém do que sair no braço. Tente evitar que isso aconteça, principalmente na escola, certo?

- Certo.

Como o mais velho não fez mais comentários, os outros dois também não falaram mais sobre o assunto.

oOoOo

Mais tarde, Mask foi até o quarto de Mu.

- Ei, Mu, posso te perguntar uma coisa?

- Pode. Entra aí, senta em algum canto.

O quarto de Mu era igual ao de Mask. Uma cama de solteiro encostada na parede, o armário embutido, uma escrivaninha e um telescópio próximo à janela.

- Por quê você tem um telescópio?

- Gosto de observar as estrelas de vez em quando. E também dá pra ver os vizinhos.

- Então você gosta de observar a vida alheia?

Mask riu após dizer isso, deixando Mu um pouco sem graça, mas ele também acabou rindo.

- Não fico observando a vida alheia. Só quando acontece alguma coisa estranha, aí eu gosto de ver a reação dos outros.

- Interessante.

Ele foi até o telescópio do primo e deu uma olhada. Dava para ver os outros três prédios com precisão e até dentro dos apartamentos que estavam com as cortinas abertas.

- Que doido!

- É. Mas não era isso que você veio me perguntar, não é?

- Pelo visto você já sabe o que eu vim te perguntar.

Mu se sentou na cama e Mask ocupou a cadeira da escrivaninha, mas antes que dissessem alguma coisa, Shion chamou os dois para jantar.

- Te conto depois. – Disse Mu antes de sair do quarto.

oOoOo

Depois do jantar, Mask foi dar uma volta enquanto Mu terminava os deveres da escola. Ele preferia deixar para depois, ou copiar do primo antes da aula começar. Tinham combinado de conversar antes de dormir.

O italiano nem precisou ir muito longe para encontrar o que esperava encontrar. A garota loira estava sentada no mesmo lugar de antes e ele foi direto até ela, que disse:

- Sabia que você ia vir.

Ele estranhou que ela parecia mais pálida e os olhos azuis não pareciam tão bonitos quanto na noite anterior.

- Sério? Você respondeu "talvez" quando te perguntei se podia vê-la de novo.

Ela riu.

- Gosto de um certo suspense.

Ele se sentou no balanço ao lado. Ela voltou a falar.

- E então, o que você quer comigo?

- Como assim?

- O que você quer, me procurando assim?

Ele não soube o que responder de imediato.

- Bom, eu só... – Então se lembrou de algo importante. – Qual o seu nome?

Ela estranhou a mudança repentina de assunto, mas respondeu:

- Afrodite.

- É um belo nome para uma bela garota.

Ela abafou um risinho.

- Eu não sou uma garota.

- Como assim?

Nessa hora, Mu chamou Mask para subir.

- Ainda quero conversar com você. – Disse ele, antes de seguir para a entrada do prédio.

Logo que ele entrou, um homem saiu e foi até Afrodite.

- Acho que é melhor você entrar. – Ele disse.

- Estou bem aqui.

- Não parece.

- Só estou com fome. E você sabe por que.

Ele passou a mão pelos cabelos loiros.

- Estou saindo justamente para isso, querido. – Disse, com um sotaque espanhol.

Afrodite sorriu.

- Não demore.

oOoOo

Hilda saiu do supermercado carregando duas sacolas cheias. Estava tarde, mas ela ainda tinha que planejar as aulas da próxima semana, então nem estava pensando em dormir. Ligou para sua irmã, que estava na faculdade, e entrou no carro para ir para casa. Foi conversando durante o trajeto até perceber que um dos pneus do carro parecia furado.

Se despediu da irmã ao telefone e saiu para averiguar o pneu. A professora só não suspeitava de que havia alguém esperando escondido na beira da estrada. Foi surpreendida por alguém cobrindo seu nariz e sua boca com um pano encharcado de formol. Desmaiada, não viu o homem cortar sua garganta. Ele recolheu o máximo de sangue que conseguiu em um galão, subiu na moto que deixara escondida no mato na beira da estrada e seguiu o caminho de casa.

oOoOo

N/A: Demorei? Se sim, me desculpem. ^^ Vou tentar postar um cap por semana, já que minha disponibilidade de tempo não é tão boa quanto eu gostaria que fosse.

E então, o que acharam do segundo cap? Mereço reviews? Obrigada a quem comentou até agora: , Lynn, JehSaga e Totosay de Cueca. ^^/

Não se esqueçam de deixar review! Os comentários dos leitores são importantes. Aceito opiniões, sugestões, etc.

Até o próximo capítulo! o/