Toreador
Primeiramente: Saint Seiya não me pertence, mas sim à Masami Kurumada, Toei, e Cia.
- Shura! Por favor,me deixem passar, eu sou o melhor amigo dele! Shura!- Camus gritava preocupado, pedindo para a equipe deixá-lo passar.
- Shurinhaaaaa! Ah, meu Deus, meu noivinho não! Não leve meu noivinho! Shurinhaaaa!- June vinha correndo atrás, acompanhada do pai.
- Por favor, não gritem essa é uma área médica... vocês vão poder vê-lo, mas por favor não gritem.
- Meu Shurinha vai ficar bom, doutor?
- Minha querida, não se preocupe, ele vai ficar bem, ele está em boas mãos. Temos médicos especializados em tratar ferimentos de Toureiros.
- Ah, mas eu quero ter certeza absoluta de que meu Shura vai ficar bom mesmo!
- June, minha filha, o doutor já disse que o Shura vai ficar bem, que há médicos especializados para tratar de ferimentos de toureiros. Não se preocupe, meu docinho.
Camus suspirou, mas que garota insuportável. Ainda bem que não era ele que ia se casar com ela. Tentou conversar com os médicos, a fim de saber o que havia ocorrido com o amigo, quais seriam os procedimentos para tratarem dele, se havia alguma coisa que ele pudesse fazer. O médico foi solícito com Camus, respondeu a todas as perguntas polidamente, era bem melhor explicar o que estava acontecendo para o francês, do que para a noiva histérica do jovem toureiro.
Os médicos constataram que o ferimento não havia sido tão profundo, embora, o rapaz tivesse tido suas costelas quebradas com o impacto da cabeçada do touro. Provavelmente ele teria que passar por uma pequena avaliação a fim de constatar se havia fragmentos de ossos perfurando algum órgão. O ferimento estava sendo limpo e tratado para essa avaliação naquele momento.
Na cabeça de Shura imagens daquela cena que há pouco havia ocorrido repetiam-se, enquanto ele tentava entender o ocorrido. Ele havia cravado a lança no coração do animal, com um golpe certeiro e preciso. Então, porque tinha sido ferido? Um mínimo deslize, que mesmo com toda a sua habilidade, treinada durante anos, não pôde conter. Deveria ter se certificado de que o touro não avançaria mais sobre ele, ao invés de tão logo ter dado às costas ao bicho.
- Aaaaaaaaaaaaaaiiiiiiiii!- um grito de dor escapou de sua garganta quando os médicos inseriram um instrumento no ferimento para verificarem a fratura.
- Shuraaaa! Ai, papai, estão matando meu noivo!
- Calma Srta. June, eles só estão fazendo os procedimentos médicos para tratarem dele.
- E quem é você? Como você conhece meu Shurinha?
- Meu nome é Albert Camus, Shura é meu amigo de longa data.
- Como assim? Ele nunca me apresentou à você...
- Shura nunca teve tal oportunidade. Eu moro em Paris, e estou aqui em Madrid apenas a trabalho. É a primeira vez que venho à Espanha.
- Se é a primeira vez que vem à Espanha, como você conhece o Shura, Sr. Camus?
- Eu o conheci em Paris, há alguns anos, quando ele foi à França em uma viagem de férias.
Enquanto June prosseguia com seu interrogatório, Shura era tratado. Os médicos providenciaram faixas e talas a fim de imobilizarem o rapaz, para que as costelas se solidificassem, trataram o ferimento e o fecharam. Ao terminarem, saíram do quarto, deixando Shura descansar sobre a cama, sentado e apoiado em grandes travesseiros.
- Pronto, o Sr. Shura agora está repousando, se vocês quiserem vê-lo, apenas peço para que não façam muito barulho, ele deve descansar, pois perdeu uma quantidade razoável de sangue. – o médico responsável disse, olhando sério para June.
Pai e filha entraram no recinto, e logo a garota correu para o lado do toureiro, que abriu os olhos e sorriu fracamente.
- June, não era assim que eu queria que você me visse hoje...
- Aaaai, Shurinha, coitadinho de você, meu amor! – ela disse o agarrando.
- AAaaaaaaaaaaaai, June! Eu estou ferido lembra?- ele gritou.
- Ai, me perdoe, meu lindinho, eu esqueci!
- Ta, tudo bem, June. Infelizmente não vamos poder jantar juntos essa noite.
- Ah eu sei...- ela fez um muxoxo.
- Camus! Meu amigo, justo quando você vem à uma tourada, eu acabo ficando aqui, enfiado nessa cama de enfermaria!
- Não se preocupe com isso, espanhol! Agora você vai ter de ficar quieto, em repouso. Eu estava conversando com o Dr. Mu, e ele me disse que você quebrou algumas costelas. Por isso, vai ter de tomar muito cuidado e ficar repousando durante um tempo, até se recuperar.
- Camus, você sabe que eu não consigo ficar parado por muito tempo.
- Mas vai ter de ficar! Não se esqueça que eu também sou médico. Não trato de toureiros feridos, mas também sou médico e sou seu amigo, então vai ter de ficar parado sim senhor, senão vai acabar piorando sua situação.
Shura apenas suspirou e revirou os olhos em resposta. Camus estava certo e ele tinha que admitir isso. Conversaram mais um pouco e então o toureiro pediu ao futuro sogro e à noiva que o deixassem à sós com Camus.
- Você realmente está encrencado! – o ruivo disse quando June e o pai deixaram o local.
- É, estou, mas não é sobre isso que eu quero conversar com você. Eu sei que o médico falou mais alguma coisa, que você não quis me contar antes, mas agora eu estou pedindo, me conte tudo o que o médico falou.
- Alejandro...
- Fale, Camus, fale tudo!
- Shura... muito bem- ele suspirou- O médico me disse que além de ser ferido, você teve três costelas quebradas, que graças a Deus, não perfuraram nenhum órgão, mas infelizmente, você terá que ficar sem participar das touradas pelos próximos três meses, até que suas costelas estejam totalmente solidificadas e você esteja bem recuperado.
- TRÊS MESES? Mas em três meses eu vou perder o Campeonato Nacional de Touradas, vou perder os meus títulos, vou perder meu prestígio, vou perder tudo!
- Mas são ordens médicas, que você deve cumprir!
- Em três meses pode muito bem aparecer outro toureiro melhor do que eu, mais jovem, mais carismático, e eu vou perder tudo o que eu consegui com anos de touradas!
- Eu sinto muito, querido amigo, mas você vai ter de cumprir essas ordens se quiser poder voltar à arena!
- Mierda! Carajo!- Castañeda rosnou.
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Dois meses depois daquele torneio frustrado já haviam se passado, e ele ainda estava parado. Não agüentava mais ficar em casa, sem poder fazer o que mais gostava. Ficava trancado em seu palacete o tempo todo. Camus havia pedido uma licença do hospital em que trabalhava em Paris, e estava com ele na sua casa, cuidando para que o espanhol cumprisse as ordens médicas. Era uma sexta feira à noite, e ele estava lendo o jornal daquele dia pela enésima vez. Os jornais aclamavam um novo toureiro, Juan, um homem de Barcelona, que viera para Madrid a fim de participar das touradas. Ele ganhara aquele torneio frustrado, e muitos outros depois, e agora ocupara o posto de toureiro mais famoso, o melhor, o herói da nação, cobiçado e desejado por todas as mulheres, respeitado, temido e invejado pelos homens.
E odiado por Shura. O madrileño perdera todo seu prestígio e depois de dois meses, já havia alguém em seu lugar, como preverá para Camus. O pior era ter de agüentar os tablóides o criticando, as charges fazerem chacotas consigo, e tudo o mais. A imagem de um toureiro querido e amado pelo povo, pela corte e pelo próprio Rei, o abandonara.
- Aonde você pensa que vai?
- Vou sair! Vou viver a vida, que é o que eu mais quero agora. Não agüento mais ficar trancado nessa casa, sem nada para fazer! Eu não morri, e vou mostrar isso para esse bando de idiotas que Shura Alejandro Castañeda não é o maricón que eles pensam!
- Ah, não!Você não vai sair! Você sabe muito bem que tem que repousar e não pode ficar sassaricando por aí até que passem três meses!
- Camus! Sai da minha frente! Você querendo ou não, eu vou sair, carajo!
- Ah mas não vai mesmo! Se você deu mais um passo à frente, vai ganhar mais do que apenas três costelas quebradas!
- Tenta me impedir, que eu te parto a cara, francês!
- Shura!
- Ora, vamos, Camus, nem você tem saído mais!
Camus estancou. É verdade, ele apreciava muito sair à noite, ir aos restaurantes, apreciar bons vinhos, ver óperas. Algumas poucas vezes saía para uma ou outra taverna, mas isso era raro. Camus suspirou, relaxou e abaixou os braços.
- Muito bem, mas então eu vou com você, para evitar que você faça qualquer besteira, espanhol teimoso!
- Muy bien! Pelo menos assim eu posso beber algum vinho!
Os dois saíram e foram a um restaurante elegante da cidade. Chegando lá, quando se apresentaram, Shura foi alvo de críticas e comentários zombeteiros, o que o irritou profundamente. Camus mal conseguiu tirar o espanhol dali. Foram em vários outros locais, mas em todos, ao reconhecerem o jovem toureiro, logo se tornavam hostis. Por fim acabaram indo a uma taverna, onde havia muitos homens jogando cartas, bebendo excessivamente, decadentes e mulheres que ofereciam seus serviços corporais a baixo preço. Muitas delas nem bonitas eram, mas dado ao nível de álcool já ingerido esses homens com certeza nem mais sabiam o que era beleza, nem parar em pé podiam mais.
- Mas que lugar você escolheu, hein?
- Hunf, pelo menos não ficam me criticando aqui.
- Shura, você não tem jeito mesmo... quando a June souber que estivemos aqui, não quero nem ver o escândalo que ela vai fazer. Vai querer me crucificar, com toda a certeza.
- Deixa que com ela eu me entendo. Agora, pede alguma coisa para você beber.
Uma mulher gorda e velha os atendeu, anotando o pedido em um pedaço de papel e depois trazendo as taças de vinho. O barulho do lugar era irritante: homens alcoolizados gritavam, jogando cartas, discutiam, brigavam, cantavam e agarravam as mulheres presentes incluindo as garçonetes, nem todas velhas e gordas como a que os atendera. Para Camus aquele lugar imundo estava sendo como o Inferno naquele momento. Shura tentava não se incomodar, mas aquilo realmente era algo terrível de se suportar.
Ambos estavam conversando quando os olhos de Shura se voltaram a uma cena que não o agradou nenhum pouco. Um homem embriagado brigava com uma jovem de cabelos verdes, alta e magra, mas com um belo corpo, não pôde ver seu rosto porque os cabelos cobriam-no, jogados sobre a face, enquanto o homem a segurava fortemente pelo braços e a sacudia. A jovem usava um vestido púrpura, bem decotado, deixando à mostra uma tatuagem de serpente enrolada no braço direito.
Shura se levantou, pedindo licença para o amigo, e se aproximou do homem. O chamou uma vez, recebendo um rosnado ininteligível em resposta. O homem continuava a brigar com a jovem e agora lhe acertara um tapa, que a fez cair no chão. Shura se adiantou a ela, irritado com o homem e a ajudou a levantar.
- O que você pensa que está fazendo, hombre? Isto é entre eu e essa vagabunda!
- O senhor não sabe que não se deve bater em uma dama?
- Que dama? Você ta louco, é? Não vê que essa mulher é uma vadia, uma vagabunda? Essa puta orgulhosa se recusa a se deitar comigo, mesmo eu pagando oitocentas pesetas!
- Mesmo assim, não se deve bater em uma mulher. – Shura permanecia firme diante do homem – Você está bem senhorita?
- Sim, eu estou, mas não precisa me defender, eu sei fazer isso sozinha. – ela respondeu a ele, limpando o rosto.
Shura viu então o rosto da jovem e ficou encantado com ela. O rosto delicado não parecia o de uma prostituta, ao contrário, ela parecia um anjo. Nunca vira uma mulher como ela. Os olhos claros cintilavam na luz das chamas das velas que iluminavam o local. Pareciam misteriosos, poderiam tanto desferirem olhares agudos como doces.
O homem bêbado ainda furioso, começou a discutir com Shura e com Camus, que agora tentava evitar que o amigo se envolvesse numa briga, alegando que ela seria dele naquela noite, que ninguém lhe tomaria aquele corpo feminino, que despertava seus instintos mais primitivos, e que mesmo que ele a defendesse, a função dela era justamente essa, satisfazer seus instintos. Dado um certo momento, a mulher desapareceu do lado dos três e saiu da taverna, contrariada. Shura ainda tentou chamá-la mas não sabia nem o seu nome. Com seu movimento brusco para chamá-la sentiu uma pontada no ferimento, o que o fez gemer, chamando a atenção de Camus.
- Shura! Você está bem?
- Shura? Então... você é aquele imbecil que levou aquela chifrada dois meses atrás, me dando o título do torneio? Eu não acredito nisso!
- Cállate, hijo de...
- Ei, ei, olha o respeito, eu sou o novo toureiro queridinho do Rei, Castaneda!
A discussão se acirrou, com a descoberta de Juan, e sua arrogância. Ele criticava e xingava Shura, que revidava no mesmo nível, Camus tentava contê-los, mas os homens que estavam à volta ainda punham mais lenha na fogueira, apoiando Juan. Shura já sem a mínima paciência e não suportando mais tanta presunção, acabou por acertar-lhe um soco na cara, que o derrubou facilmente. Os outros homens afastaram-se ao ver nos olhos de Alejandro uma chama de ódio arder furiosamente, mostrando que por mais educado e polido que era, tinha o sangue quente, e não seria fácil derrubá-lo, pois era muito forte.
Ele nem se importou com seu ferimento, que a essa hora já sangrava um pouco, manchando a fina camisa branca de vermelho. Saiu correndo sem ouvir Camus chamá-lo, vindo atrás dele. Castañeda correu atrás da mulher de cabelos verdes, encontrando-a há poucos metros dali.
- Señorita, por favor, espere!
- Eu não tenho nada o que falar com você, Juan! – ela retrucou, virando-se para ele- Ah, desculpe, eu pensei que fosse aquele estúpido de novo.
- Não, não sou. – ele riu – Por favor, Señorita...
- Shina... e por favor, não me chame de Señorita, não sou mais nenhuma donzela...vê? – ela deu um passo atrás, como se quisesse mostrar a ele que não era uma garota, mas sim uma mulher feita. Shura sorriu.
- Bem... Shina, você está bem? Ele não te machucou? - ele analisava o rosto dela, procurando algum machucado.
- Não, eu estou bem, obrigada. Não se preocupe, eu sei me cuidar, uma mulher como eu já está acostumada a tudo isso. Mas você está sangrando... o que aconteceu?
- Ah! Isso? Foi um touro que me acertou no último torneio... mas deixa isso para lá...
Ele a levou para outro lugar, onde poderiam comer algo, e conversar calmamente. Conversaram bastante, e a cada gesto dela, a cada palavra pronunciada, ele se encantava mais com ela. Era incrível como ela tinha a capacidade de fazê-lo sentir-se flutuando, apenas com um olhar. O sorriso dela era lindo, a risada, tão contagiante. Um anjo... um anjo que caiu à sua frente, de uma maneira estranha, sim, mas um anjo.
Depois da refeição ainda passearam por uma praça deserta, com uma fonte no meio. As luzes das casas já estavam apagadas, denunciando a madrugada que chegava. Caminhavam juntos, conversando baixo. Ele então se lembrou de Camus. Provavelmente estava querendo matá-lo.
- Acho melhor nós voltarmos para casa... Por favor, me diga onde você mora, que eu te acompanho.
- Não precisa, Sr. Castaneda...
- Por favor, me chame de Shura... – ele sorriu.
- Shura, eu falo sério, já estou acostumada com a madrugada, com o perigo...
- Mas eu quero acompanhá-la... vamos, me diga onde você mora.
- Está bem... – respondeu, rindo.
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Huahuahuahuahuahuahauh, pensaram que eu ia continuar é? Fazer ele levar ela para casa assim agora? Nããoo... isso fica para o próx. Cap... e nele Camus e June vão querer matar o shura... ai tadinhu como ele sofre neh, paulinha? Hahhahahaha, mas infelizmente se eu não fizer ele sofrer assim, não vai ter hist p/ contar... e coitada da shina, fiz ela ser uma prostituta... mas num tem jeitoooo...
Ai, ai... acho q eh isso, gente... comentem, postem reviews... qlqr duvida, me escrevam... terei o maior prazer de respondê-las...
Bjs!
