Capítulo 2
Compras
16 de Dezembro, nove dias para o Natal
Gina acordou na manhã seguinte, se espreguiçando gostosamente embaixo das cobertas quentinhas. Havia passado uma noite maravilhosa e tranqüila. Foi quando de repente um cheiro muito familiar, mas que não sentia a um certo tempo, chegou até ela. Assustada, Gina se levantou, seguindo o cheiro. Vinha de sua cozinha, e cada vez que se aproximava ficava mais forte.
Quando abriu a porta viu que alguém estava cozinhando, alguém de cabelos loiros. Malfoy. Havia se esquecido que ele estava ali. Surpresa, viu que na mesa havia café da manhã. Era esse o cheiro que sentira, café da manhã. Não tivera um café da manhã decente, desde que se mudara da Toca. Ela sorriu, faminta. Havia ovos mexidos, frutas, cereal, leite e chá. E ela nem sabia que tinha tudo aquilo na geladeira.
-Ah, você finalmente acordou.- a voz de Malfoy chamou a tenção de Gina.- Achei que tivesse morrido lá em cima, ou algo assim.
Ele falou parecendo irritado, mas Gina precisou se segurar para não cair na risada. Ele havia tirado sua roupa ridícula de Papai Noel, e vestia um jeans trouxa e uma camiseta por cima. Mas, não era isso que a fez ter vontade de rir, era o ridículo avental florido que ele usava, que sua mãe lhe dera em seu último aniversário.
-O que foi?- ele perguntou, a expressão mais sombria ainda.
-Você está ridículo, Malfoy.- ela murmurou sentando em uma cadeira, fazendo força para não rir.
-Oh, sim. Porque você prefere que eu arrisque sujar minha única roupa, e pegue algo seu emprestado. Porque isso seria muito menos ridículo.
-É que nunca imaginei... não importa.- Gina ficou em silêncio, sabendo que se tentasse falar algo a mais, apenas o deixaria mais furioso, porque cairia na risada.
Em silencio, Draco colocou um prato de torradas amantegadas em cima da mesa. Gina tinha que admitir, ele sabia cozinhar, embora porque ela não fazia a menor idéia. Malfoy deveria ter alguém para cozinhar para ele, em casa, certo? Ignorando o espanto dela, ele se sentou pegando o jornal de Gina sem a menor cerimônia. Se alguém os visse ali, acharia que eram casados. O pensamento assustou Gina, que parou de rir e perguntou séria a ele.
-Então, você vai embora quando?
-Mal pode esperar para me ver pelas costas, não é Weasley?- Malfoy sorriu abaixando o jornal, e pegando uma torrada.
-Bem, a gente concordou que era uma noite só.- Gina respondeu levemente corada.
-Você disse que era uma noite só.- ele respondeu, se escondendo novamente atrás do jornal.
-Sim. E como a casa é minha acho que isso é muito justo.- ela murmurou, sem saber se ele a estava ouvindo. Seus olhos então caíram sobre algo na mesa.- Você colocou leite aqui. Mas, já tem chá.
-Eu não gosto de chá.- ele murmurou por trás do jornal.
-Todo mundo gosta de chá.- Gina riu, afinal, estavam na Inglaterra, ou não estavam?
-Eu não gosto. - ele insistiu.
-Isso é impossível.- Gina retrucou teimosa.
-É um crime agora, não tomar chá?- Draco perguntou aborrecido, abaixando o jornal.
-Não gostar de chá é como... como não gostar de bolachas! - Gina insistiu.- Todo mundo gosta!
-Como você pode saber que todo mundo gosta, se você não conhece todo mundo, Weasley?
-Bem, todo mundo que eu conheço gosta.
-Mas, isso não significa que TODO mundo gosta, por Merlim!- ele exclamou aborrecido.- Quer que eu tome o maldito chá, eu tomo. Mas, eu não gosto de chá!
-Calma, não precisa ficar bravo.- Gina respondeu aborrecida também, pegando uma torrada.- Eu só achei estranho, só isso.
Passaram o resto do café da manhã em silencio, como um casal de velhos. Gina então subiu e se vestiu, tinha que ir comprar uma roupa para o natal, seus vestidos de inverno estavam muito velhos. Quando acabou de escovar os dentes e desceu, encontrou Malfoy parado no hall de entrada, com um sobretudo marrom.
-Ei!- ela exclamou.- Esse sobretudo é do... Sam. Você não pode usar ele!
-Eu encontrei no armário embaixo da escada. Está congelando lá fora, e eu preciso sair.- ele explicou.- E quem diabos é Sam?
-Meu ex-ex-ex-ex-ex-namorado.- Gina replicou aborrecida, parada no meio da escada.
-Weasley, você não perde tempo, hein?- Malfoy sorriu maliciosamente.
-Isso não vem ao caso!- Gina exclamou corando.- É dele, e você não pode simplesmente pegar as coisas dos outros.
-Pelo tempo que suponho que este sobretudo está aqui, e pela sua quantidade de ex depois dele, acho que o Sam não vai se importar.
Gina abriu a boca para responder, então deu de ombros. Não era como se Sam fosse de repente aparecer e querer seu sobretudo de volta. Além do mais, estava mesmo frio lá fora e Malfoy precisava sair. A ruiva desceu as escadas com todo o orgulho que tinha, saindo para o vento frio. Malfoy a seguiu, e ela fechou a porta. Gina então saiu pela calçada em direção a um centro de lojas ali perto. Logo percebeu que não estava sozinha, Malfoy estava a seu lado.
-Ei, você não pode ficar me seguindo para sempre!- ela exclamou indignada, parando no meio da calçada.
-Por que não?- ele perguntou sorrindo, parando para olha-la de perto.
Ela estava realmente bonita ali, as bochechas e o nariz mais vermelhos pelo frio, parecendo furiosa. Fazia anos que não se viam, e nesse meio tempo ela havia mudado muito. Ficado mais bonita e atraente do que no tempo de Hogwarts, e ele se perguntou se ela tinha consciência disso. Draco então sacudiu a cabeça furioso consigo mesmo, tentando pensar em outra coisa.
-Porque... porque não! - ela insistiu- Eu não preciso de um cão de guarda.
-Eu nunca te ofereci um.- ele riu.
-E porque logo vou ter que ir visitar minha mãe.- ela sorriu, como se achasse que isso fosse assusta-lo.- Uma casa Weasley inteirinha. Esperando por mim, e por você se insistir me seguir.
-Tudo bem, eu não tenho nada melhor para fazer mesmo. - ele deu de ombros.- E eu sempre tive curiosidade para saber como é o... hum, ninho de vocês.
-Vou considerar isso um elogio.- ela falou furiosa, se virando e continuando a andar.
-Considere o que quiser.- ele deu de ombros.
Andaram em silencio por mais quatro quarteirões. Gina pensava no que poderia fazer ou falar para manda-lo embora. Podia chamar a polícia trouxa, mas ele não estava exatamente fazendo algo errado. Estava apenas andando perto dela. O que podia fazer para expulsa-lo? Não queria um Malfoy pendurado nela o tempo inteiro.
Draco bocejou, olhando para os lados. Não tinha para onde ir, e todos os que conhecia odiavam-no por ter fugido durante a Grande Guerra. Era considerado um covarde e não tinha amigos. O melhor para ele era ficar perto da Weasley, ela tinha uma casa, uma varinha caso fosse necessário, e era terrivelmente engraçado vê-la furiosa. Ah, sim. Ele poderia se divertir durante um tempo a seguindo, e a irritando, depois teria que pensar no que fazer.
Chegaram na parte comercial do bairro, e Gina caminhou até uma loja.
-Eu vou ficar exprimentando vestidos de festa, vai ser bem chato.- ela falou na porta, esperançosa que ele fosse embora.
-Tudo bem.- ele respondeu, ainda sorrindo sarcástico.
Gina rolou os olhos e entrou na loja. Uma atendente veio correndo até eles, tentando vender tudo o que havia na loja. Se atrevendo até a oferecer um calção de piscina para Draco, que a ignorou completamente. Vendo que não conseguiria nada dele, voltou sua atenção inteiramente para Gina. Logo, Draco se viu sentado em uma poltrona do provador, esperando Gina sair da cabine, sem ter muita certeza de como fora parar ali.
A cortina vermelha correu, revelando Gina com um suéter laranja com apliques de flores, horroroso. Draco escondeu a risada com a mão sobre a boca.
-Está lindo!- a vendedora se aproximou sorrindente, descaradamente mentindo.
-Não acha que eu pareço...- Gina começou a falar incerta, se olhando no espelho, mas Draco a interrompeu.
-Uma abóbora? - ele riu.
-Acho que precisamos de algo que agrade mais seu namorado.- a vendedora respondeu pensativa.
-Ele não é meu...- Gina tentou dizer, mas a mulher já se afastara.- Droga.
-Está me devendo uma.- Draco falou.
-É mesmo? - Gina falou cruzando os braços.
-Eu te salvei de ir vestida para o Halloween, no Natal.
-Muito obrigada. - ela murmurou irônica.
-Aqui, querida.- a vendedora voltou com um monte de outras roupas. - Tente essas, tenho certeza que vai encontrar alguma coisa que a agrade.
E ela tentou. Tentou por toda a manhã, e cada vez Draco se divertia mais, chegando a chorar de rir algumas vezes. A mulher tentou lhe vender um vestido justo de zebra que a fez parecer com uma atriz de filme pornô, um vestido balão que a fez parecer um bolo de noiva, uma roupa campestre que Draco adorou:
-Assim, ao invéz de cantar 'Noite Feliz' no natal, você vai poder cantar 'Mary Tinha Um Carneirinho'.
-Cala a boca, Malfoy.- Gina respondeu de maus-modos, embora quando virou de costas teve que segurar a risada.
Depois veio o vestido de babados que a fez parecer com sua avó, o corpete dourado horroroso que não a deixava respirar e que fazia seus seios saltar (de modo que não se atreveu sair da cabine), um vestido de flores parecendo uma toalha de mesa, e finalmente um vestido com bonecos de neve bordados sobre o tecido verde e vermelho, que quase fez Draco cair da cadeira de tanto rir.
Aborrecida, Gina se levantou e resolveu escolher sua própria roupa. Voltou pouco depois e se escondeu atrás do pano da cabine. Draco recuperava o fôlego, pronto para outra rodada de risadas, quando Gina saiu. Mas, daquela vez ele não riu dela. Na realidade sua boca ficou levemente aberta de espanto. Ela vestia um vestido bege, de mangas compridas, justo até a cintura e que depois se abria. E ela ficara realmente bonita nele.
Draco sacudiu a cabeça, fechando a boca. Quando a olhou, viu que Gina o observava sorrindo.
-Acho que você gostou desse.- ela falou zombeira.
-Está maravilhoso!- a atendente se aproximou, como sempre elogiando Gina, tentando vender alguma coisa.
Draco ficou calado e aborrecido consigo mesmo, enquanto Gina pagava o vestido e eles saiam da loja para ir almoçar. O que havia de errado com ele? A Weasley era bonita, mas não era para ele ficar bobo ao vê-la. E pior, deixa-la notar que ele gostara do que vira. Afinal, ela era uma Weasley!
Eles se sentaram em uma lanchonete, e Gina pediu um sanduíche para os dois, já que Draco parecia aborrecido demais para falar.
-Não sei porque me dei ao trabalho de pedir para você.- Gina murmurou.- Você já está indo, não é mesmo?
-Não.- ele respondeu grosseiro.
-Não precisa ficar emburrado só porque terminei com sua diversão.
Draco não falou nada, e Gina não insistiu. Afinal, quanto menos conversassem, melhor.
N/A: Depois de um mes viajando, estou de volta! Desculpem realmente, mas foi por motivos de força maior (a distancia de um oceano entre eu e meu computador, literalmente). Quero agradecer a todos que comentaram! Obrigada pelo apoio, isso é realmente importante para mim! Beijos e continuem lendo e COMENTANDO! Biainha Malfoy, obrigada pelo comentario. Que bom que gostou! Hahaha, pobre Gina, acho que ela estava tão desesperada que algo 'bom' já era o suficiente. Gla Evans-Dumbledore olá! Espero que não tenha desistido da fic, porque TEM um motivo para o Draco ter se vestido de papai-noel. E tem muitas outras coisas emgraçadas também. Espero que tenha gostado desse capítulo também. Thaty, também acho que ele não esta com muita intenção de ir embora. Hahaha, imagina só a confusão que vai ser. Dessinha McGuiller, hum, uma nova leitora. Hahahaha, já to me achando A escritora agora, ne? Espero que tenha gostado desse capitulo também. Você reparou como o Draco consegue ser gostoso usando qualquer coisa? Desde uma roupa de papai-noel a um avental florido? Pois é, eu também reparei. Hum...
