O JOGO
Nina Neviani
Beta-reader: Chiisana Hana
Capítulo II – Primeiro tempo
O jogo entre as meninas e os meninos, em pouco tempo, tinha movimentado todo o orfanato. As crianças pararam suas atividades normais e foram para a beira do campinho, assistir e também torcer. A divisão da torcida era a mais óbvia possível: as meninas torciam para o time de Atena, enquanto os meninos torciam para o time dos Cavaleiros de Atena.
O time dos cavaleiros se aquecia enquanto esperava o time adversário.
Eire, Minu, June, Shunrei e Saori, depois de quinze minutos de concentração no vestiário improvisado, entravam em campo.
Elas formavam uma fila perfeita e estavam vestidas de maneira impecável para a partida. As camisas de todas estavam exatamente dentro dos shorts e os cabelos estavam presos da mesma maneira.
– A Shunrei está linda. – Shiryu disse, notando algo de diferente na sua amada, que, por insistência das demais, tinha finalmente passado o gloss.
– E a June, então! – Shun falou.
– A Saori é a mais bonita. – Seiya discordou.
– Olhem bem pra Eire, ou melhor, não olhem, não. – Hyoga também discordou.
Ikki achou a Minu muito interessante, especialmente com aquele uniforme que era mais revelador do que as roupas que ela usava no orfanato. Porém, mesmo começando a ver a Minu com outros olhos, nada falou.
As meninas pararam perto dos meninos. E Seiya perguntou:
– Quem é a capitã do time de vocês?
As meninas se olharam, cada uma se perguntando como tinham esquecido desse detalhe, relativamente importante. Então, Minu tomou a frente e falou:
– A idéia foi minha. Eu sou a capitã.
Saori não gostou muito, mas achou justo o argumento da Minu.
– Claro, que essa grande idéia tinha que ser sua, Minu. – Ikki falou.
Minu bufou, no entanto não respondeu a provocação do adversário.
– Vamos tirar no par ou ímpar ou no cara ou coroa?
– Por mim tanto faz. – Minu disse. – Mas a gente não precisa de um juiz?
Makoto, que estava por perto, mais do que rapidamente se ofereceu para ser o árbitro da partida. Todos concordaram e Ikki disse:
– Sabe, Makoto, eu acho você um garoto decidido. Quem sabe um dia você chegará a ser um Cavaleiro de Atena.
O garotinho abriu um imenso sorriso. Minu se revoltou com a ousadia do cavaleiro de Fênix.
– Amamiya! Você não tem vergonha? Você está... aliciando o Makoto! – e dirigindo-se para o recém-nomeado juiz, ameaçou – Makoto, se você sonhar em favorecer os meninos, eu juro que deixo você de castigo por um mês, ouviu bem? Um mês!
O menino se viu num impasse, até que Shiryu se manifestou:
– Fique tranqüilo, Makoto. Faça o que você achar justo. Será mais do que suficiente.
– Isso mesmo, Makoto. Apite normalmente, e não se preocupe com nenhuma punição. Afinal isso daqui é só uma brincadeira. – Shunrei concordou com Shiryu e foi recompensada por um sorriso do cavaleiro de Dragão, o qual era prontamente retribuiu.
Makoto soltou um suspiro aliviado. Tirou uma moeda do bolso e se dirigiu até os dois capitães, Seiya e Minu, e perguntou para Minu:
– Cara ou coroa?
– Cara.
O juiz apontou para Seiya e disse.
– Você fica com a coroa.
Mostrou a moeda para os dois, mostrando que ela continha tanto a cara quando a coroa. Jogou a moeda para cima, aparou com a palma da mão direita e colocou-a sobre a mão esquerda. Exibindo o resultado, disse:
– Cara.
As meninas comemoraram a pequena vitória com o habitual "Aeeeeeeee!", o que fez Ikki e Hyoga trocarem risinhos.
– Saída ou campo? – Makoto perguntou para a capitã.
– O quê?
– Bola ou campo?
– Ah! Bola.
Depois de Seiya escolher o campo, cada um foi para a sua posição. Saori para o gol das meninas, assim como Shun foi defender o gol dos cavaleiros. Antes, no entanto, ambos receberam luvas do Makoto.
– Saori! Você vai ser a goleira? – Seiya perguntou, surpreso.
– Vou sim, algum problema?
– Nada não. Só tome cuidado.
A reencarnação da deusa sorriu, e falou:
– Pode deixar.
Eire e June ficaram um pouco mais recuadas, pois jogariam na defesa. Shunrei e Minu já se posicionaram mais a frente. No time dos meninos, Shiryu e Hyoga ficaram na defesa e Ikki e Seiya eram os atacantes.
Tudo estava quase pronto para a partida. Minu e Shunrei decidiram que quem daria o chute seria a Minu. Assim, Makoto apitou e Minu chutou com toda a força que conseguiu. Sem dúvida, o chute foi relativamente forte, mas não muito preciso, pois passou a uma boa distância do gol de Shun, que calmamente viu que a bola iria bem para fora e nem se preocupou em fazer a defesa.
Ikki, que avançava para o ataque enquanto Shun fazia a reposição da bola, passou pela Minu e falou:
– Esse jogo vai ser muito fácil.
Minu tentou colocar o pé na frente dele para que ele caísse, mas o cavaleiro de Fênix sem o menor esforço desviou da armadilha e riu do atrevimento da garota, o que a fez ficar ainda mais irritada.
Não demorou muito e o primeiro gol saiu. E não foi dessa vez que as meninas comemoram com o tão planejado "Meninas!!!".
O gol foi de Hyoga, que recebeu um belo passe de Seiya e com muita habilidade chutou a bola no canto oposto aquele em que Saori se encontrava.
Os meninos se cumprimentaram com batidas de mão muito discretas, já que para quem tinha enfrentado e vencido adversários muito mais fortes em lutas nas quais poderiam ter perdido a vida, fazer um gol em cinco meninas que eram praticamente inexperientes em futebol num jogo amistoso era praticamente nada.
Foi June quem achou conveniente fazer algo para que as meninas não desanimassem, por isso disse:
– Foi só um golzinho meninas, já já a gente empata.
– É isso mesmo, meninas. Um gol não é nada! – Shunrei apoiou.
As demais concordaram e saíram com a bola. Dessa vez, preferiram sair tocando. Os toques não eram os mais precisos, e as mais habilidosas, ou melhor dizendo, as menos desajeitadas, Minu e Shunrei, não conseguiam ficar muito tempo com a posse de bola, porque eram constantemente surpreendidas pelos meninos.
E foi em uma dessas bolas roubadas que saiu o segundo gol dos meninos. Shiryu roubou a bola de Minu e tocou-a para o Seiya que teria tudo para fazer o gol se quisesse, mas no último minuto resolveu tocar para que Ikki marcasse.
Mais comemorações comedidas, e mais uma provocação do cavaleiro de Fênix, que ao passar perto da Minu, falou:
– Muito fácil.
Minu por ser a capitã parecia ser a mais incomodada com a situação desfavorável no placar. Mas sabia que não podia reclamar com o time, pois todas faziam o que era possível, inclusive a Saori. E além do mais, aquele jogo era apenas uma brincadeira, mas mesmo assim não estava gostando nada de perder. E piorava o fato de ter que ouvir as provocações de Ikki Amamiya.
A verdade era que todas as meninas se sentiam incomodadas por estarem perdendo. Shunrei, porém, se incomodava um pouco menos do que as demais por estar feliz como há muito não estava. Alegrava-a passar uma tarde assim descontraída com Shiryu. Ainda que não fosse uma tarde como ela realmente gostaria de passar. Mas, ao menos, não tinha que se preocupar se o seu amado iria continuar vivo no minuto seguinte ou não.
E foi para a chinesa que Minu tocou a bola. Shiryu tomou-lhe a bola, mas quando pareceu perceber que tinha roubado a bola justamente de Shunrei, deu um jeito de fazer com que, parecendo ser por mérito dela, a posse da bola voltasse a ser de Shunrei.
Shunrei tocou para Eire, que tinha momentaneamente saído da defesa para ajudar o ataque. Foi então que Seiya e Eire esbarraram. O impacto da colisão para Seiya, acostumado às batalhas, foi mínimo. Já para a frágil Eire, as coisas foram um pouco diferente. A loira chegou a cair no chão. Seiya ia ajudá-la quando foi bruscamente empurrado para o lado por Hyoga, que mais do que prontamente abaixou-se para auxiliar a garota.
Aparentemente preocupado, o cavaleiro de Cisne passou a mão pelos loiros cabelos de Eire e perguntou:
– Você se machucou, Eire?
A garota, mais impressionada com o toque de Hyoga do que com a própria queda, balançou a cabeça para reforçar a negação e ao mesmo tempo se recuperar do choque.
– Foi mais o susto da batida mesmo.
– Que bom. – Hyoga respondeu e ajudou-a quando ela se levantou. Piscou para ela e voltou para a sua posição.
Eire, não acreditando totalmente no que tinha acontecido, ficou por alguns instantes parada no lugar.
– Pode cobrar a falta, Eire. – Makoto indicou.
O menininho tinha ficado em dúvida se dava a falta ou não. Mas como uma falta não influenciaria muito no placar, e como, acima de tudo, caso não desse Eire e Minu podiam se vingar e deixá-lo sem sobremesa nos próximos dias, ele decidiu por marcar a falta a favor do time das meninas. Makoto respirou aliviado quando nenhum dos jogadores do time dos Cavaleiros de Atena reclamou.
Eire cobrou a falta e quase fez o gol, porque Shun estava muito entretido vendo June amarrar o tênis. O cavaleiro de Andrômeda foi repreendido pelo irmão.
– Presta atenção, Shun. Depois você fica de olho na loirinha.
Shun, que tinha ficado muito vermelho com a declaração de Ikki, apressou-se em fazer a reposição da bola. E foi nessa reposição que Ikki deu um passe incrível para Shiryu que não teve muito trabalho para colocar a bola dentro da rede.
Outras comemorações comedidas, e dessa vez a provocação de Ikki foi apenas um risinho para Minu, mas que teve um efeito tão grande quanto as outras provocações.
Mal as meninas começaram a tocar a bola e Makoto apitou, indicando o fim do primeiro tempo. As meninas decidiram ir para o "vestiário" para melhorar tática da equipe, e os meninos permaneceram no campo esperando o segundo tempo.
Continua...
Nota da autora:
Quando escrevi a Minu, nesse capítulo e no anterior, me basei em... mim mesma. Coisas mínimas, claro. Como o número da camiseta, nove, e o fato de ser capitã. Tudo bem que eu jogava vôlei e que os árbitros não eram tão bonzinhos como o Makoto e eles mesmo escolhiam quem era cara e quem era coroa. Enfim, essa parte é só curiosidade.
As posições dos meninos continuam as mesmas utilizadas em "Apenas Amigos?" e "Bem mais que amigos!".
E então? Estão torcendo pra quem? Por enquanto está 3 a 0 para os meninos. Mas qual vocês acham que vai ser o placar final desse jogo?
Aguardo as reviews!
Beijos!
Nina Neviani
