Naruto e seus personagens não me pertencem... grande novidade u_u

Essa fic é baseada no romance e telenovela de mesmo nome da escritora Caridad Bravo Adams, por isso qualquer semelhança não é por acaso. xD

SasuHina de presente para Pinkuiro, espero que ajude a aplacar um pouco da sua curiosidade... espero que leia O.O

Capítulo Betado por N. Owens. *-*


Na cidade de São Pedro, precisamente nos vastos campos da maior e mais conhecida fazenda da região, Campo Real, vive Minato Namikaze Uzumaki, um homem forte, de cabelos dourados como o sol e olhos azuis cintilantes, que, como todos os anos desde que herdou a fazenda, aprecia passar com seu cavalo marrom perto dos trabalhadores.

O verão, a estação mais dura, cobrava seu preço, os rostos mergulhados de suor e os cestos nas costas daqueles homens, carregados com os frutos da colheita, não fazia o sol se apiedar e à partir do azul do céu vigiava severo o movimento naquelas terras. Mesmo com o calor, 1803 demonstrava ser mais um ano de excelentes resultados. Os pastos estavam mais verdes do que nunca e o gado bem gordo.

Os trabalhadores admiravam o patrão que os tratavam como parte da família, sempre com justiça e bondade, pagando um salário justo. Por isso, quando ele passava em sua visita diária todos o cumprimentavam retirando o chapéu, única proteção contra o sol, em sinal de respeito e admiração, ao que ele respondia com um grande sorriso satisfeito e um aceno de mão enquanto seguia seu caminho.

Minato tinha orgulho de carregar o sobrenome de uma das famílias mais nobres de São Pedro, de possuir uma das fazendas mais prósperas e de ter a sua volta homens honestos, de bem, que lutavam para manter a família com o suor do próprio corpo, dia a dia. Gostava de passear entre os milhares de hectares de Campo Real logo pela manhã e cumprimentá-los antes de retornar para sua enorme mansão. Construída há cem anos em um terreno amplo, a 100 metros de distância do grande portão de ferro da entrada da fazenda, a mansão carrega em cada tijolo fatos da vasta linhagem dos Uzumaki, desde o primeiro membro criado entre suas paredes.

Minato apeou e seguiu com passos firmes pela varanda de entrada da construção de dois andares. Biwako Satu, uma senhora de olhos castanhos e cabelo grisalho preso em um coque severo que trabalhava como governanta da mansão desde antes do nascimento dele, correu para recepcioná-lo.

- Senhor Minato, boa tarde! – Lhe cumprimentou enquanto dava passagem, as mãos unidas em frente ao uniforme, um longo vestido cinza de mangas compridas com uma faixa preta envolvendo a cintura.

- Boa tarde, Biwako! – Sorriu. – Onde se encontra sua patroa?

- Na sala, com a senhora Kurenai, as filhas e o jovem Naruto.

Com passadas largas, Minato andou até a grande sala principal decorada com móveis rústicos. Logo viu sua esposa, Kushina, uma mulher altiva, de longo cabelo ruivo e olhos que mudavam de cor conforme seu humor – indo do azul escuro ao cinza –, trajando um longo vestido de tafetá azul, que bordava ao lado da prima, Kurenai, uma morena de impressionantes olhos avermelhados, trajando um vestido de linho bege discreto. Em um canto mais afastado das senhoras estavam as filhas de Kurenai, a primogênita Hyuuga, Hinata, uma menina de cabelo azulado curto e olhos perolados, vestida com um conjunto de blusa e saia estilo marinheiro em tons de lilás, sua meia irmã Sakura, uma garotinha de cabelos rosados e olhos esverdeados, trajando um vestido rosa claro de babados e Naruto, seu primogênito, que vestia uma camisa impecavelmente branca e um short preto, que era sua cópia, herdara seu cabelo loiro e o azul claro de sua íris. Sorriu ao perceber que seu filho não parecia à vontade, o que era normal visto que com quatorze anos não devia ser animador brincar com duas crianças com metade de sua idade, ainda mais se fossem meninas.

Kushina foi a primeira a perceber sua presença e se levantou para recebê-lo, embora não tenha tentado nenhum tipo de aproximação, nenhum gesto caloroso ou mesmo uma demonstração de felicidade por vê-lo. Não que Minato tenha se surpreendido, já se acostumara com os modos e costumes aristocráticos da esposa.

- Que bom que chegou, temos visitas como vê.

Moveu as mãos em direção à prima e as sobrinhas.

- Prazer em vê-la e as suas filhas, Kurenai. – Cumprimentou com um sorriso galante, pegando a mão da jovem senhora para depositar um beijo breve, antes de indagar. – Hiashi, seu marido, também vem?

- Virá nos buscar à tarde. – Informou Kurenai, sentindo o rosto em brasas diante do sorriso de Minato. O marido de sua prima tinha um carisma natural que fascinava.

Logo depois, quando Minato se colocou ao lado da esposa, notou a expressão fria da prima para consigo, tinha conhecimento do grande ciúme que Kushina sentia do marido, embora ela nunca demonstrasse sinais de amá-lo verdadeiramente.

- Espero poder trocar algumas palavras com ele.

- Com certeza.

- Que bom que chegou pai. – Comemorou Naruto que, ao contrario de Kushina, não continha os gestos e nem as palavras, e correu para abraçar Minato.

- Como foi seu dia, Naruto?

- Bem, mas teria sido mais legal se eu pudesse ter ido visitar o Sasuke. – Reclamou, referindo-se ao melhor amigo.

Não gostando nem um pouco da declaração inocente do menino, Kushina repreendeu o filho:

- Já disse que aquele... Moleque não é boa companhia.

Os olhos de Minato se estreitaram.

- Sasuke é filho de um dos meus melhores amigos, não lhe permito falar assim dele.

Kushina empalideceu e se calou. Não era de bom tom contestar o marido, pois fora o que aprendera com sua mãe, que aprendera com a mãe dela e sucessivamente ao longo dos anos. Entretanto, por um momento desejou do fundo da alma ter o controle da mansão, poder esbravejar que seu filho não iria se misturar com ciganos e traficantes, pois era isso que os Uchiha eram segundo o povo de São Pedro. No entanto, simplesmente voltou a sentar ao lado de Kurenai, que olhara a discussão discretamente, também conhecedora da má reputação dos Uchiha.

- Deixe as damas bordando, Naruto. Vou te mostrar alguns documentos da fazenda, como meu pai fazia comigo quando tinha sua idade, para que pratique.

Empolgado, Naruto puxou o pai escada acima em direção ao escritório, enquanto Kushina olhava com contrariedade os modos do filho. Queria que Naruto se tornasse um cavalheiro nobre e, sobre tudo, com um grande sentido de honra, bem diferente do pai... Respirou fundo com os olhos fechados, forçando o ódio a se esconder em seu peito, quando os abriu observou a pequena morena de cabelo curto e modos gentis brincando com a meia irmã, uma ideia se formando em sua mente.

- Escuta prima, já pensou no destino de suas filhas?

- Destino? – Kurenai parou de bordar e fitou a prima confusa.

- Sim, nos dias de hoje está cada vez mais difícil encontrar bons maridos.

Kurenai sorriu.

- Hinata e Sakura são apenas crianças...

- O tempo passa veloz, prima. Temos que pensar no futuro. – Kushina largou o bordado de lado. – Gostaria que meu filho no futuro tivesse um título nobre. Se ele casasse com Hinata receberia o título de conde, o que lhe abriria muitas portas. – Deu um sorriso deslumbrante para Kurenai enquanto imaginava o futuro de seu filho. – Quero que Hinata tenha uma educação diferenciada, quero que seja educada pelas irmãs do convento de São Pedro, para que façam dela uma mulher digna para Naruto. Será uma união favorável a ambas as famílias, os Uzumaki e os Hyuuga.

- Não sei... Hinata mal completou seis anos... Terei que consultar Hiashi. – Respondeu e pensativa olhou as filhas com atenção. Via-se inclinada a aceitar a proposta, seria bom garantir o futuro de Hinata desde cedo, mas ao mesmo tempo se preocupou com o futuro de Sakura, sua filha do primeiro casamento, cujo pai faleceu antes que tivesse nascido e não lhe deixou nada de herança. Sakura não possuía título nobre e, mesmo tendo somente oito anos, era caprichosa, às vezes fútil, e muito extrovertida, gostava de ter todas as atenções voltadas para si, o que não eram boas qualidades para moças que pretendiam se casar algum dia.

- Sem dúvida, sei que necessita da autorização de seu marido, e espero que pensem com carinho na minha proposta. – Retrucou Kushina, tirando a prima de seus devaneios. – Também vou falar com meu marido.

Kushina voltou a pegar seu bordado, estava certa que Hiashi aprovaria. O homem era conhecido por ter faro para bons negócios, sua fortuna era enorme e, se pensasse em aceitar a união de Hinata e Naruto, os lucros futuros seriam ainda maiores já que os Uzumaki, mesmo sem um título nobre, eram ricos, influentes e sempre eram convidados a grandes e importantes eventos em vários países, onde a rede de dinheiro só fazia aumentar a cada "conversação".

Sorriu ao imaginar seu filho sendo apresentado como conde nos grandes salões da alta classe, mas teve seus pensamentos interrompidos por Mizuki Touji, capataz da fazenda, que adentrou a mansão aos berros.

- Senhor Minato! Senhor Minato!

Kushina se levantou indignada com a falta de educação do subalterno.

- Está maluco? Qual o motivo da gritaria? – Quis saber sem ocultar sua irritação, torcendo o nariz ao sentir o odor de suor e esterco que exalava do sujeito.

Mizuki se inclinou em sinal de respeito.

- Ocorreu uma tragédia com a família do amigo do patrão, senhora. Os Uchiha foram...

- O que houve com Fugaku?

Olharam para Minato, que terminava de descer as escadas carregando uma expressão preocupada.

- Uma tragédia, patrão. Os Uchiha foram assassinados ontem à noite pela guarda de São Pedro. Fizeram uma busca na residência dos Uchiha e algo deu errado, só sobreviveu o jovem Sasuke.

- Oh, meu Deus! – Exclamou Kushina cobrindo a boca com as mãos.

- Kushina, volte aos seus afazeres. – Ordenou Minato ao perceber a palidez da esposa. – Mizuki, prepare meu cavalo que irei pessoalmente à São Pedro.

- Sim, senhor.

Mizuki saiu veloz para executar as ordens do patrão.

Ao perceber as intenções do marido, Kushina o segurou com força pelo braço, evitando que saísse.

- O que pensa fazer em São Pedro? Não deve ir, o povo vai falar mal de nós, os Uchiha morreram como traficantes, fora da lei...

- Pouco me importa o que digam esse bando de abutres de São Pedro, Fugaku era meu amigo. – Disse, interrompendo-a.

Sem mais demora, Minato se soltou da esposa e saiu da mansão, deixando Kushina furiosa com a insensatez do marido, que dava mais importância a um bando de traficantes do que para a boa reputação de sua família.

~~S2~~

Sentado em um banco de madeira em um canto afastado dos curiosos que cercavam o salão de sua casa, onde o preto só não se destacava mais que os quatros caixões no centro, um rapaz magro de quatorze anos, pele clara e cabelos negros cobria a face com as mãos, embora não fosse segredo para ninguém que ele chorava pelo que havia acontecido com sua família.

O jovem Uchiha sobrevivente desejava ser forte como o irmão e não chorar como um bebê que perdeu o brinquedo. Não era bebê, mas o que perdera era muito precioso para que pudesse conter o pranto, perdera sua família. Encontrava-se sozinho no mundo, nunca mais veria o sorriso carinhoso de sua mãe, nem disputaria com seu irmão mais velho, Itachi, quem era o melhor, ou tentaria convencer seu pai Fugaku e seu tio Madara a lhe ensinarem tudo sobre os negócios da família, como fizeram com Itachi quando este era muito mais novo que ele. Todos que amava estavam mortos. E o pior eram as lembranças daquela maldita noite que não parava de dar voltas em sua cabeça.

~S2~

O som de um disparo o acordou no meio da noite. Levantou assustado e andou pelo corredor que levava à sala, as costas praticamente grudadas na parede para não ser visto por ninguém. Chegando perto do arco que levava ao recinto, ele viu com temor cinco homens uniformizados da guarda de São Pedro com armas em punho, um deles apontava sua arma em direção ao seu pai, os olhos extremamente arregalados de choque. Logo Sasuke se deu conta que Fugaku segurava com esforço o corpo inerte e sangrando de sua mãe.

- Mãe? – Sua voz saiu fraca, quase um murmúrio.

Tentou se aproximar, mas foi puxado pra trás por Itachi, que ao que parecia também acordara com o barulho do disparo. O irmão cinco anos mais velho colocou o dedo indicador sobre os próprios lábios, em um sinal de que Sasuke deveria ficar em silêncio. Entretanto, Sasuke encontrava-se muito assustado para calar-se, seu coração batia descontrolado no peito.

- Itachi, mamãe...

- Eu sei. Preciso que volte para seu quarto. – Itachi sussurrou para Sasuke. – Deixe que nós, os adultos, resolvemos tudo.

- Mas...

- Sem "mas". Volte imediatamente.

Sem esperar para verificar se o irmão caçula o obedeceria, Itachi adentrou na sala indo na direção do pai, que sentara no chão e apoiava a cabeça de Mikoto nas pernas, tentava acordá-la, mas ela não abria os lindos olhos negros de forma alguma.

Sasuke não retornou ao quarto, ficou em um canto afastado observando e desejando que tudo não passasse de um pesadelo, que de repente acordaria e veria sua mãe sorrindo e indo a sua direção para depositar um beijo suave em seu rosto.

- Seus monstros, o que fizeram? – Gritou Madara, os olhos adquirindo um tom avermelhado de puro ódio. – Ela irá morrer por culpa de vocês.

Seu tio puxou uma pistola de dentro do colete que usava e apontou para o guarda que olhava desolado Mikoto sangrando. Era o rapaz que Sasuke vira apontando a arma para seu pai, porém sua arma agora se encontrava abaixada e parecia pesar muito na mão do jovem guarda.

- Senhor Madara, abaixe essa arma agora. – Ordenou outro guarda com a mira em Madara. – Não nos obrigue a atirar.

Madara riu alucinado.

- Vocês já atiraram.

- Tio, devemos ser sensatos e levar...

- Cala a boca, Itachi! – Gritou. – Uma vez na vida demonstre que tem o sangue Uchiha nas veias. Esses homens sempre nos perseguiram, invadiram nosso lar com acusações falsas e agora mataram Mikoto.

- Foi um disparo acidental... – Alegou o jovem guarda. – Não tive intenção...

- Acidental? Pois agora veremos o que é um "disparo acidental".

Seu tio atirou várias vezes contra o jovem guarda que caiu, formando ao seu redor uma grande poça de sangue. Percebendo que o tio passara dos limites, Itachi tentou pará-lo segurando-o pelo braço, mas Madara, cego de raiva, empurrou Itachi, mirou e atirou no sobrinho, surpreendendo à todos e até a si mesmo.

Incrédulo, Sasuke sentiu que seu corpo não lhe pertencia de tão imóvel que estava, observou o irmão mais velho mirar o próprio peito por um segundo, que minava sangue, depois olhar para Madara e cair devagar sobre os joelhos antes de desabar no chão, os olhos negros abertos – sem o brilho da vida neles – voltados para sua direção.

Fugaku, ainda com a esposa nos braços, olhou para seu primogênito caído, sua expressão se cobrindo com uma máscara de dor pelo fim de seus entes amados.

- Madara, o que você fez?

- Não queria... Eles são os culpados. – Gritou Madara movendo sua arma em direção aos quatro guardas que continuavam com a mira sobre ele.

Alucinado, Madara voltou a atirar, dessa vez em direção aos guardas. Desesperado e querendo colocar um fim naquela loucura, Fugaku se jogou pra cima dele no mesmo instante que os guardas decidiram revidar. O que se seguiu era muito confuso aos olhos inocentes de Sasuke, só havia... Tiros, sangue, muito sangue... E lágrimas... As suas lágrimas...

~S2~

Foi despertado das lembranças dolorosas ao sentir alguém apertar seu ombro, porém não levantou o rosto para verificar quem era, sentia vergonha das lágrimas que persistiam em molhar sua face.

- Sei que está triste e compartilho de sua dor, mas tenho algo importante a lhe dizer, Sasuke.

- Não estou chorando. – Retrucou limpando o rosto rapidamente. – Vá embora, quero ficar sozinho.

Encarou o amigo de seu pai com raiva. Porque aquele homem não o deixava em paz? Não tinha serviço suficiente em sua fazenda? Viera fazer parte das lamentações fingidas daquele povo que odiava ele e seus parentes falecidos?

Ignorando a fúria presente nos olhos negros, Minato sentou ao lado de Sasuke.

- Quero que venha morar comigo e minha família em Campo Real. – Falou.

- Não quero. Vou ficar em minha casa e tomar conta dos negócios de meu pai. – O menor retrucou.

Minato lançou um olhar significativo para Kakashi Hatake, o advogado e administrador da fazenda Campo Real, que se encontrava de pé à sua frente. O homem de cabelos brancos e olhos castanhos meneou a cabeça de um lado para o outro, um sinal de que Sasuke não sairia de boa vontade daquela casa. De confiança, hábil no manejo das palavras e honrado até os limites da imaginação, Kakashi, assim como Minato, era amigo de longa data de Fugaku e procurava a melhor forma de ajudar o pequeno Uchiha, porém era notável a teimosia e o orgulho, características dos Uchiha, luzindo nos olhos daquele jovem.

- Não duvido que quando crescer será tão forte e destemido quanto seu pai, mas agora necessita de um lar, em Campo Real terá a companhia de Naruto...

- Não vou a lugar algum. – Gritou.

- Sasuke, seu pai não aprovaria sua atitude para com Minato, que só quer seu bem. – Retrucou Kakashi, que se considerava praticamente membro de ambas as famílias.

Aquelas palavras atingiram Sasuke, sempre desejoso ter a aprovação do pai. Olhou para Minato com uma dureza incomum para um rapaz tão novo.

- Eu vou, mas quero que me ensine a ser um homem como meu pai.

Aliviado com a decisão do garoto, Minato sorriu e bagunçou os cabelos dele.

- Você já é igual ao seu pai, não se esqueça disso nunca.

Com a cabeça erguida, Sasuke levantou e andou até o centro da sala. Ficando entre os caixões de sua mãe e seu pai, murmurou um adeus e, ignorando os olhares de pena e de deboche, seguiu até seu quarto para preparar uma mala para acompanhar Minato à Campo Real. Seria bom ficar longe de alguns habitantes de São Pedro, que com certeza comemoravam a morte de seus pais. Sabia que algumas pessoas só se encontravam ali para se certificarem que só sobrara uma ovelha negra em São Pedro. Odiava a todos eles, um dia faria todos se arrependerem de terem desejado o mal de sua família, iria reerguer seu sobrenome e mostraria que os Uchiha eram superiores.

Observando o jovem sumir por um corredor, Kakashi não pôde deixar de admirar o caráter destemido dele, assim como não ignorou a forma que Sasuke olhou para as pessoas ao seu redor.

- O garoto está estranho, sério, e reservado... Mas continua muito inteligente, altivo e com certa dignidade natural. – Kakashi afirmou.

Minato se levantou e olhou na direção em que Sasuke seguira.

- Perdeu todos que amava, mas com o tempo voltará a sorrir. O ajudarei no que puder e Naruto também, visto que considera Sasuke seu melhor amigo.

- Sim, uns tempos em Campo Real irá fazer bem ao jovem, mas e Kushina? – Perguntou visivelmente preocupado

- O que tem minha esposa? – Minato questionou.

- Kushina nunca simpatizou com os Uchiha.

- Realmente, mas minha decisão está tomada e minha autoridade não será posta à prova. - Afirmou Minato. – Se deixar Sasuke aqui, o povo vai maltratá-lo e odiá-lo devido a tudo que sabem dos Uchiha. Um homem criado em meio ao ódio, somente reconhece o ódio como amigo. Não posso deixar o filho de um amigo sem suporte na vida.

~~S2~~

Kushina e Naruto se encontravam na sala conversando, quando Minato adentrou com Sasuke.

Vendo o amigo, e alheio ao azar do mesmo, Naruto correu para saudá-lo com entusiasmo ao que Sasuke nem ao menos respondeu, virando o rosto para outra direção, incomodado com a felicidade do Uzumaki.

- Sasuke...? – Naruto tentou.

- Filho, leve Sasuke para o quarto de visitas perto do seu, ele ficará por um tempo conosco. – Antes que o filho pudesse pular de felicidade, Minato o chamou pra mais perto e sussurrou. – Sasuke perdeu a família, então seja paciente com ele.

- Sim, pai. – Murmurou ainda sem compreender o que havia acontecido com o Uchiha. – Venha, Sasuke.

Os jovens saíram, e Kushina observou tudo com temor nos olhos, seu asco e menosprezo eram óbvios.

- Por que o trouxe para o nosso lar?

- Sasuke é filho de um amigo. Infelizmente ficou só no mundo, perdeu sua família... Creio que é meu dever ampará-lo.

O resultado de suas palavras não foi o esperado, e Kushina replicou com ironia.

- Vai trazer todos os delinquentes órfãos de São Pedro também?

- Não gosto que fale assim. Sasuke não é delinquente e peço que evite essa linguagem perto dele.

- A presença desse jovem em nosso lar vai causar nossa humilhação diante a sociedade...

Antes que Kushina continuasse suas lamentações, Minato a interrompeu com sarcasmo na voz vibrante.

- Só você, minha senhora, liga para as fofocas da sociedade, Naruto e eu estamos felizes com a presença de Sasuke. Ganhamos por maioria.

~~S2~~

Ao contrário de sua mãe, Naruto transbordava alegria com a presença do amigo enquanto mostrava o quarto em que o outro ficaria. Não gostava de ser filho único, era muito solitário, e considerava Sasuke como um irmão, por isso não conseguia conter a o entusiasmo por poderem ficar perto um do outro.

- Não ficarei muito tempo por aqui. – Resmungou Sasuke.

- Por quê?

- Porque não quero.

Minato, que se aproximava do quarto, ouviu as palavras do jovem e decidiu usar uma estratégia nova para convencer o relutante Uchiha a morar com eles.

- Se ficar conosco, estudará e logo ingressará na Escola Naval, para que saia dali um verdadeiro capitão de barco como seu pai. - Comunicou ao adentrar no quarto.

- Capitão como meu pai? Eu?

Os olhos do Uchiha adquiriram um brilho novo, Minato logo percebeu que vencera a vontade do jovem com a maior arma de todos os tempos: A esperança. Sasuke ainda tinha esperança no coração, de um dia realizar o sonho de ser como o pai.

- Sim, só tem que permanecer aqui. – Falou e ficou feliz ao ver Sasuke sorrir, um fraco sorriso, mas ainda assim um sorriso.

~~S2~~

Tal e como o dono de Campo Real ordenou, Sasuke permaneceu no lar dos Uzumaki e com alguns dias já se sentia parte da família, embora não gostasse de ficar perto de Kushina, que sempre lhe olhava com desprezo. Naruto, por outro lado, tentava animar o amigo. Sem dúvida formavam uma dupla peculiar, Naruto sempre alegre e extrovertido, enquanto Sasuke era sempre sério e reservado, mas mesmo assim grandes amigos. Mas as distinções entre eles iam além da personalidade, pois, enquanto Sasuke sonhava com um futuro como capitão de uma frota de navios mercantes, o futuro de Naruto, graças aos desejos de sua mãe, se encontra totalmente organizado.

- Hiashi aceitou o noivado de Naruto e Hinata. – Comunicou uma alegre Kushina ao marido, enquanto bordava ao lado de Minato, que lia alguns documentos.

- Creio que esse noivado é ridículo, são apenas crianças. Fico impressionado que Hiashi aprove tamanha insensatez. – Replicou o marido sem tirar os olhos da folha que lia.

- Não vejo desse modo. – Retrucou Kushina, bordando concentrada em ambas as coisas. – Hiashi sabe que a união de nossas famílias renderá bons frutos, e para nosso filho, ter como esposa uma condessa será importante e com toda certeza Hinata será uma mulher muito bonita.

Minato deixou os documentos de lado.

- A questão não é essa, e sim se vão gostar um do outro. – Replicou Minato perdido em recordações. – Há coisas que valem mais que títulos, beleza ou dinheiro. Amor é uma delas, não acha?

- Vou me retirar. – Desconversou Kushina colocando a mão sobre a fronte. – Estou com uma forte enxaqueca.

- Sua enxaqueca tem durado muito, ultimamente. – Queixou-se quando a esposa levantou.

- Tem sido pela dor, e pela vergonha de que tenha se atrevido a trazer a esta casa um...

- Melhor que se cale. - Advertiu Minato.

- Já me calei por tempo demasiado. – Replicou Kushina, colérica. - Ou tira Sasuke daqui ou me irei com meu filho.

- Não vai acontecer nem uma coisa, nem a outra. – Minato se levantou visivelmente nervoso. – Agora quem vai se retirar sou eu, essa discussão não levará a lugar nenhum.

Andou apressado em direção à porta com Kushina o seguindo irada.

- Não, agora terá que me ouvir... Minato... Minato... – Gritou vendo o marido se distanciando porta à fora.

Naruto, ao ouvir os gritos da mãe, correu assustado até Kushina.

- Que está acontecendo, mãe?

- Nada, Naruto, nada. – Kushina respondeu, abraçando o filho, mas com os olhos fixos nas costas fortes do marido que subia em seu cavalo.

Este por sua vez, sentia a fúria invadindo cada parte de seu corpo e, como se o cavalo fosse uma extensão de si, o obrigava a galopar cada vez mais rápido. Não via nada ao seu redor, queria ter paz, tinha raiva de si mesmo por ter desposado uma mulher sem sentimentos, com o coração totalmente feito de gelo. Encontrava-se tão cego pelos pensamentos conturbados que não notou um tronco baixo até ser tarde demais. Como tocado por um raio, caiu ao chão, ficando inerte sobre a terra.

~~S2~~

Após deixar a mãe ir descansar, Naruto foi fazer companhia a Sasuke que, como sempre, ficava fora da residência para evitar qualquer encontro desagradável com a senhora de Campo Real.

- Meus pais brigaram. – Comentou chateado.

Sasuke não falou nada, mas Naruto já se acostumara ao silêncio do amigo e continuou:

- Papai saiu muito furioso e mamãe está triste...

Naruto parou de falar ao ver dois empregados da fazenda indo em direção à mansão e, junto com o capataz Mizuki, carregavam um homem.

- É o meu pai... – Murmurou Naruto.

Os jovens se apressaram a entrar na mansão para saber o que acontecera. Seguiram para o quarto principal, onde Mizuki repousou o corpo de Minato, que tinha a fronte coberta de sangue.

- O que aconteceu? – Quis saber Kushina, horrorizada com o que via.

- Um dos trabalhadores o viu cair do cavalo depois de bater em um tronco baixo.

- Vá à cozinha e peça para trazerem água, lenços e álcool. – Ordenoua senhora de Campo Real, se apressando a cuidar do marido.

- Naruto... – Chamou Minato, ao que o filho atendeu rápido com os olhos cheios de lágrimas. – Filho... Vai ser o senhor desta casa. Cuida da... Tua mãe e de Sasuke. Cuide dele como se fosse seu irmão...

- Sim, pai.

Assim que Biwako aparece com tudo que fora pedido, Kushina afastou Naruto de perto do pai.

- Aqui... Rápido!

Ante a exigência de Kushina, a mulher se apressou a auxiliar sua senhora a cuidar dos ferimentos do patrão, mas era tarde demais e com um olhar sombrio percebeu que Minato já não permanecia mais entre os vivos.

- Senhora... Olhe.

Horrorizada ao perceber que o marido faleceu, Kushina entrou em desespero:

- Minato... Não me deixe! Por favor... Não se vá!

- Papai! – Naruto apoiou a cabeça sobre o peito do pai, enquanto chorava.

Sasuke via tudo de longe, não se atrevia a entrar no quarto com Kushina ali, mas seus olhos se encontravam fixos sobre o corpo de Minato, a quem aprendera a respeitar e admirar após vários dias em Campo Real.

- Já havia se acostumado a ser tratado como o senhorzinho Naruto, mas não creio que dona Kushina o mantenha aqui. – Advertiu Mizuki ao passar ao lado do jovem, lançando a esse um olhar de desprezo.

Ignorando o capataz, Sasuke se afastou do quarto. Carregava sobre os ombros o peso de mais uma pessoa que admirava e morria. Novamente a vida estava sendo cruel com ele, pois daquele momento em diante seu destino voltou a se perder na escuridão.

~~S2~~

No dia seguinte a sala da mansão abrigava vários amigos da família Uzumaki, para o último adeus a Minato. Todos se apiedavam da jovem viúva, que manchava a linda face com lágrimas e vestia o pesado e rigoroso negro do luto dos pés à cabeça. Não podiam imaginar que naquela manhã aquela mulher debilitada tomara às rédeas de Campo Real, mandara Sasuke pra fora de sua casa e se desfizera dos serviços de Kakashi, que considerava um traidor por ter ajudado seu marido a colocar a desgraça em sua casa. Era isso que os Uchiha eram para Kushina, símbolo de desgraça por onde passavam.

~~S2~~

Disposto a cumprir o que prometera ao pai e considerando injusto que sua mãe abandonasse Sasuke após ele, Naruto, prometer cuidar do Uchiha, combinou de encontrar Sasuke perto da entrada da fazenda com dinheiro suficiente para fugirem.

- Trouxe o dinheiro? – Quis saber o Uchiha, olhando a sua volta com desconfiança.

- Aqui está! – Estendeu uma bolsinha verde carregada de moedas. – Meu pai me dava em cada aniversário uma moeda de ouro, e de vez em quando uma de prata.

Sasuke colocou o objeto no bolso.

- Então, vamos.

Antes que pudessem passar pelo portão foram barrados pelo capataz e outros empregados de Campo Real

- Menino Naruto, o que pensa que vai fazer? Sua mãe te procura. – Mizuki agarrou Naruto pela camisa e Sasuke se esquivou de um empregado que tentou impeli-lo de fugir. – Esqueça esse moleque, temos que levar o Naruto para a dona Kushina.

- Sasuke! – Naruto gritava vendo o amigo sumir portão a fora. – Sasuke!

De nada adiantou debater-se, Mizuki o arrastou de volta para a mansão até sua preocupada mãe.

- Senhora, seu filho se encontrava com o Uchiha, que lhe roubou e fugiu...

- Sasuke não me roubou, eu queria ir com ele. – Gritou Naruto que continuava a tentar se soltar.

- Chega Naruto! – Ordenou Kushina, fazendo o filho a encarar assustado, ela nunca gritava com ele. – Deixei seu pai interferir demais em sua educação, mas agora sou a única a quem deve obediência. Você irá para um internato na França, está decidido. – Informou taxativa. – Quero que sua educação seja a melhor.

Se sentindo abandonado por todos, Naruto finalmente conseguiu se soltar de Mizuki e correu para seu quarto chorar pela morte de seu pai, pela perda do amigo e por sua mãe o desejar bem longe.


N/A - Só pra esclarecer alguns fatos: Minato nessa fic tem o sobrenome Uzumaki; Kakashi e Minato tem a mesma idade; Sasuke e Naruto tem 14 anos,Sakura 8 anos e Hinata 6 anos. A parte sobre a morte dos Uchiha é invenção minha, não tem na história original, ficou uma porcaria porque não sei escrever coisas desse tipo, essa é uma das adaptações que tive que fazer pra história fazer sentido, já que se fosse escrever os fatos como a original o Sasuke teria de ser filho do Minato, receber o sobrenome Uzumaki e tal, achei que ficaria estranho... Sasuke Uzumaki... esquisiiitoooo... O.O No próximo capítulo vai ter mais a presença da Sakura e da Hinata, o que as promessas de seus pais vão causar a essa duas meio-irmãs xD

Agradecimentos:

Ja¢k ~S2~ apm.2303 ~S2~ jessica-semnadaprafaze123 ~S2~ Lyric T.

e a todos que favoritaram a fic

Espero que esse primeiro capítulo agrade e

aguardo ansiosa reviews para aquecer meu coração baka xD

Big bjs, até o próximo capítulo o/