Capítulo – Redenção Parte I
Bip. Bip. Bip.
Abriu os olhos lentamente, a escuridão ainda lhe apossando os pensamentos. Olhou em volta, e percebeu que se encontrava em um hospital. Se sentou na cama, nem um pouco surpreso ao perceber que não havia ninguém presente. Lá fora um dia lindo nascia.
Tubos incômodos lhe enroscavam em todas as partes do corpo. Se levantou se sentindo tonto e arrancou todas aquelas cobras esverdeadas.
Observou melhor o quartinho branco. A cama que estivera deitado pouco tempo atrás era a única mobília do quarto. Trocou as roupas e esticou o pescoço para fora da porta.
Ninguém patrulhava aquele corredor. Afastou os cabelos da testa e por conseqüente da cicatriz em forma de raio.
Caminhou rápido pelos corredores e passou reto pela recepção, tendo especial cuidado em esconder sua cicatriz.
-Senhor! –gritou um guarda, de ombros largos, de dentro da recepção. –Volte aqui senhor!
Harry virou-se lentamente, tateando os bolsos a procura da varinha, quando se deu por conta de que passara alguns dias internado e provavelmente sua varinha havia sido confiscada.
Uma mão pousou no seu ombro.
-Preciso do seu nome, para conferir se já recebeu alta. –falou, barrando Harry pela frente.
Droga.
-Potter. –ele respondeu, se preparando para voltar à recepção. –Harry Potter.
Deu passadas pequenas até a recepção, o suor escorrendo pelo seu rosto. O guarda musculoso foi checar seu nome com a recepcionista. Harry ainda tentava identificar o nome do hospital, que definitivamente não era o . As paredes eram de um azul forte e que quando olhada por muito tempo causava certa irritação nas córneas. Além disso, havias inúmeras pessoas lendo jornais, e pela falta de movimento, pareciam trouxas.
O guarda voltou, trazendo uma prancheta.
-Sr. Potter, temos ordens para deixá-lo sair no momento que quiser. Além disso sua hospitalização aqui já foi paga.- o guarda falou, um sorriso falso em seu rosto.- Antes de sair, assine aqui por favor.
Harry estendeu a prancheta em sua perna apoiada em uma mesinha de madeira, e assinou o nome.
Saiu para a rua com passos largos, pensamento avidamente no que causara sua internação. Overdose? Possivelmente.
Tentou se localizar e percebeu de imediato que estava no mundo dos trouxas. A questão era: porque lhe internaram no hospital dos trouxas? Outra pergunta também invadia sua cabeça: quem diabos visitara o seu apartamento para perceber que ele estava ocupado demais para atender?
Pensar que tinha chegado tão perto da morte e alguém lhe internara era revoltoso. As drogas não conseguiram o que ele queria.
Piscou, tentando identificar alguma daquelas ruas.
-Harry Potter, por favor. –alguém com hálito de menta, disse alguns passos atrás dele. Harry se virou, e encarou Caius Scrimgeour, atual Ministro da Magia.
-Ministro? –perguntou Harry, tentando ao máximo deixar sua voz cordial. Pareceu mais um rosnado furioso.
-Harry, temo lhe dizer que sofreu uma overdose. –respondeu Caius, parecendo estranhamente bondoso.
Sério? Eu não tinha percebido isso.
Harry pigarreou, porque sabia que uma resposta irônica nada lhe iria ajudar.
-Temi que sua reputação desandasse no mundo bruxo, então resolvi lhe internar em um hospital trouxa. –prosseguiu Caius, sem ligar para o pigarro de Harry. –Os únicos que sabem disso são seus amigos Weasley e Granger, além claro de Longbottom, que salvou a sua vida.
Então fora Neville? Ótimo. Aquele desgraçado.
-Hm... –começou Harry, sem saber ao certo o que responder. –Bom saber disso.
Caius balançou a cabeça positivamente, devagar. Após alguns segundos encarando Harry e percebendo que estava causando distúrbio na movimentação da rua estreita, se despediu de Harry com um aceno de cabeça e caminhou para o lado contrário da rua.
