Em meio a uma vida inóspita e regrada,
Onde sentimentos, toques e desejos,
Nada deveriam representar...
Tão belo e frio como as divinas estátuas de mármore
Acabou fisgado nas redes eternas... do amor?
Ou seria só domínio?
Havia sido dele e apenas dele por amor ou por capricho?

Lágrima

Quente...
Sinto-a escorrer por minha face.

É tudo que eu sinto.
Nada mais existe.
Apenas o cristal que se solta de meus olhos
E rola pelo meu rosto
Toca meus lábios...
Chega ao queixo e pára trêmulo...

O ar torna o caminho deixado frio

Frio é o que sou

Porque então sinto-a tão quente?
Porque então permito-a sair?

Não permiti.
Apenas senti.
Quando vi...
Já estava a rolar pela face

Como que correndo
Fugindo
Tentando escapar de algo

Como eu queria isso...

E como não posso
Deixo que ela vá

Leve, lépida, leda...

Trêmula sob meu queixo
Entre a ânsia de se perder no mundo
E a saudade que ficará...

Assim como eu
Confusa
Ela trêmula...

Por fim cai.

Se não escolheu...
Por ela escolheram

E a gravidade a trouxe para o meu peito.

E a dor começa

O corpo faz-se sentir.
A alma faz-se pressentir.

Tudo é negro,
Tudo é escuro
Érebo

Na caixa de Pandora
Apenas a lágrima...
A primeira...
Cristalina,
Agora despedaçada no meu peito
Sobre meu coração de gelo


Diana C. Figueiredo

(Diana Lua)

Escrito em : 10/03/2004


# Esse poema foi escrito logo depois de Possessão, pensando especificamente no Camus da Senhorita Mizuki em Tempestade.
Não sei porque não o havia colocado aqui, ainda que estivesse no meu perfil na FictionPress, de diferente também só a introdução.